4 Desilusões dos primeiros meses da Liga NOS 2018/2019

Francisco IsaacDezembro 3, 20187min0

4 Desilusões dos primeiros meses da Liga NOS 2018/2019

Francisco IsaacDezembro 3, 20187min0
Nem sempre tudo o que é bom dura e o Fair Play destaca 4 jogadores que caíram de forma entre épocas. As maiores desilusões da Liga NOS 18/19 que conta com William e mais três! Concordas?

Se já falámos de “mágicos”, destaques, jovens promessas em ebulição e de alguns pormenores importantes dos primeiros quatro meses (e alguns dias) da Liga NOS, é importante agora ver os jogadores que têm desiludido, tanto pelo falhar de confirmação do seu estatuto como estrelas, do seu rótulo enganador de reforço ou de confirmação como jovem coqueluche no clube.

Os dados analisados só são referentes aos jogos do campeonato português, excluindo a Taça de Portugal, Taça da Liga e competições europeias.

HECTOR HERRERA (FC PORTO)

Se a época 2017/2018 foi de total redenção para o mexicano e capitão do FC Porto, 2018/2019 está a ser de uma incógnita total, entre o equilíbrio e o descalabro, com um claro défice físico que foi comprometedor frente ao Vitória Sport Clube e na Luz ante o Sport Lisboa e Benfica, ficando bem patente a falta de forma de Herrera.

Depois de um Mundial em que se assumiu como uma das estrelas da companhia, Hector Herrera entrou para esta época cansado e sem as pernas suficientes para acompanhar o jogo de alta intensidade e ritmo do FC Porto de Sérgio Conceição. Menos preponderante no momento de pautar e gerir o meio-campo e menos equilibrado no lançamento das operações de ataque, Herrera eclipsou-se até ao ponto que o treinador dos azuis-e-brancos colocou o capitão no banco.

Essa decisão adveio depois da derrota na Luz, um dos piores jogos do médio como titular desde que chegou ao FC Porto, ofuscado pela fisicalidade móvel de Fejsa, comprometendo o controlo no centro do terreno dos Dragões. A “ausência” na luta pelo domínio da gestão de jogo, privou os campeões nacionais de conseguirem sair em velocidade para o ataque ou de forma minimamente eficiente.

A exibição pobre de Herrera custou-lhe três jogos no banco de suplentes, actuando uma média de 20 minutos nas vitórias frente ao CD Feirense, CS Marítimo e SC Braga, oferecendo a Óliver o total controlo das operações no meio, sustentado nas alas por Brahimi e Corona. Otávio foi ganhando também o lugar de “suplente de luxo” com entradas de qualidade na Madeira e no Dragão, tirando cada vez menos enfoque ao mexicano.

Só contra o Boavista é que Herrera voltou às opções, sem ter o brilhantismo ou o trabalho físico essencial da época anterior. É uma das desilusões presentes dos campeões, numa época em que já desiludiu os seus adeptos com a falta de aptidão física, ritmo alto e longe das zonas de maior impacto.

A melhor exibição da época de Hector Herrera ante o FC Moreirense

RICARDO VALENTE (CS MARÍTIMO)

De titular essencial para suplente de baixo rendimento, foi esta a queda abrupta que Ricardo Valente registou da época passada para esta. O extremo esquerdo empolgou os adeptos do Marítimo em 2017/2018 com um futebol explosivo, altamente atraente e que criava desequilíbrios nas alas para gáudio do Caldeirão dos Barreiros. Na temporada actual é completamente o oposto, tendo mesmo passado por um período conturbado quando o plantel ainda era comandado por Cláudio Braga.

Vejam-se os números e é facilmente perceptível a diferença abismal de forma:

2017/2018 – 9 jogos (100% titular), 759 minutos, 4 golos e 2 assistências;
2018/2019 – 7 jogos (28% titular), 231 minutos, 0 golos e 0 assistências;

O extremo português de 27 anos começou como titular, perdeu o lugar na 2ª jornada e logo de seguida foi suspenso por um comportamento inapropriado para com os maritimistas (atraso numa viagem de regresso à Madeira), voltando só aos convocados à passagem da 6ª jornada na visita ao Sporting Clube de Portugal.

Valente começou, dessa forma, a época bem atrasada ficando bem claro a falta de forma e capacidade física para liderar as investidas por qualquer uma das alas. No mais recente encontro ante o Vitória Futebol Clube, foi dos que realizou uma exibição mais pobre dentro das quatro-linhas, longe de zonas de decisão, sem a sincronia necessária para completar boas saídas para o ataque e lento na contra-resposta do Marítimo, agora treinado por Petit.

É uma época tumultuosa para a formação verde-rubra, que ao fim de anos no top-10 da Liga NOS está a lutar para não descer de divisão, sendo que agora não pode e consegue contar com os seus melhores atletas. Ricardo Valente está sem ritmo, não dá a melhor execução à saída com bola e perdeu aquela qualidade felina de atacar as alas em velocidade, registando-se como uma desilusão total para a formação insular.

FRANCO CERVI (SL BENFICA)

Tarda o crescimento do extremo dos “encarnados”, que não tem demonstrado os argumentos para ser considerado um dos jogadores de qualidade do plantel de Rui Vitória. Não tem consistência exibicional, tanto consegue desbloquear um par de jogadas de elevado valor na ala, como perde consecutivamente o poder do esférico mostrando-se fútil na recuperação do mesmo.

Vive entre ritmos e picos de forma e entre 2017/2018 e 2018/2019 só somou mais 20 minutos de jogo, registando o mesmo golo e assistência… pobre para um clube como o SL Benfica que precisa de extremos activos, rápidos e, minimamente, incisivos, algo que Cervi só tem em certos jogos e não tão normal como se necessita.

Rotulado de jovem promessa desde o dia que aterrou em Lisboa em 2016, Cervi caiu na qualidade do tratamento do esférico, menos expedito e veloz nos contra-ataques e muitas vezes desconectado do que aquilo que o ataque das “águias” precisa.

Cervi é aos 24 anos um extremo útil até um certo ponto, mas uma tremenda desilusão como titular e ainda mais como um titular em que se espera um ritmo de jogo alto constante e com a possibilidade de decidir o jogo de um momento para o outro.

O sucesso de Jonas na frente-de-ataque, tem disfarçado a ineficiência de Cervi durante a temporada e dos extremos que militam nos maiores clubes portugueses, é dos que apresenta números mais “pobres”, ficando na memória e retina só alguns lances de maior virtuosismo. A exibição medíocre frente ao CD Tondela enviou o argentino para o banco de suplentes no regresso aos jogos do campeonato… sinal que o tempo de Cervi no SL Benfica pode estar contado?

WILLIAM (GD CHAVES)

A temporada está a ser excessivamente infeliz para os flavienses, ocupando o último lugar à passagem da 11ª jornada, um sinal negativo para o novo treinador Daniel Ramos, depois de um ano de qualidade com Luís Castro.

A saída do treinador para o Vitória Sport Clube parece ter retirado a capacidade ofensiva, com menos 6 golos em relação à temporada passada, apesar de só registar menos um ponto de diferença.

Ou seja, o problema está em boa parte na frente-de-ataque, na produção de golos e na eficácia dentro da grande área. Para esse problema pode existir uma resposta: William. O portentoso ponta-de-lança brasileiro de 26 anos só somou um único golo em 11 jogos possíveis, completamente contrário ao que fez em 2017/2018, época em que arrancou com 4 golos em 8 jogos.

canarinho tem se mostrado menos decisivo na hora de enviar o esférico para o fundo-das-redes, registando alguns falhanços clamorosos, claramente mais nervoso e sem a inspiração da época transacta. Num avançado que tinha uma potencialidade e um faro para golo interessante neste Chaves, encontramos um dos problemas de fundo do clube nortenho.

A forma como os flavienses jogam também está a reduzir as oportunidades de William, pois o GD Chaves passou de uma equipa com gosto pela posse de bola e mecanismos rápidos no ataque, para uma formação expectante e só predisposta a fazer uso do contra-ataque para chegar golos. O toque de Daniel Ramos faz-se sentir nesta equipa e William está a pagar por isso.

É uma das maiores desilusões na temporada actual, pois falta sentir aquela “agressividade” física e raça eficiente à frente das redes de William.

O único momento em grande de William nesta temporada


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