Soy Loco Por Ti

Virgílio NetoJunho 29, 20193min0
O mais antigo torneio de selecções nacionais, a "Copa América", é pequeno em tamanho. No entanto, grande pelo significado que possui para toda uma região. Não basta assistir ao torneio. É preciso compreendê-lo e conhecer a sua história.

Maio de 1919. Há pouco mais de um século a Selecção Brasileira de futebol conquistou seu primeiro título de expressão: o “Team Brasileiro” vencera o torneio internacional de equipas nacionais mais antigo de sempre, a actual “Copa América”, naqueles tempos “Campeonato Sul-Americano”. Por isso que na estreia da edição deste ano – no passado 14 de Junho, em São Paulo – os brasileiros entraram de branco, em referência à cor do uniforme do plantel vencedor há cem anos em pleno ground das Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Em 1916 simpatizantes do desporto-rei da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai – modalidade que já se confundia com a identidade do Estado-Nação moderno sobretudo dos jovens países latino-americanos e, especificamente, sul-americanos – fundaram a “Confederação Meridional de Futebol”, daí o acrónimo “CONMEBOL”, que permaneceu mesmo com a mudança do nome anos mais tarde para “Confederação Sul-Americana de Futebol”. A partir de então a entidade organiza o campeonato sul-americano e a história passava a ser escrita.

No início os Brasileiros foram bem-sucedidos, mas com o tempo as disputas internas de poder enfraqueceram a equipa nacional (que ainda não era “Canarinho”). Melhor para uruguaios e argentinos, que passaram a conquistar títulos e mais títulos, em sequência rompida pelo Peru, no fim dos anos 1930. A Bolívia venceu em casa o torneio em 1963. O Peru de Cubillas e Chumpitaz; mais o Paraguai, de Romerito e grande elenco, tiveram excelentes equipas nos anos 70 e ‘levaram’ a América naquela década. Mais recentemente, colombianos (2001) e chilenos (2015 e 2016) levantaram a Taça como campeões.

Apenas dois países ainda não: Equador e Venezuela. Entretanto, já não são mais azarões: os equatorianos foram aos mundiais de 2002, 2006 e 2014. A Liga de Quito venceu a Libertadores de 2008. A Venezuela, outrora de maneira pejorativa tida pelos rivais como a “Cinderela” do futebol sul-americano”, já é protagonista.

Com a Copa América nas mãos (Foto: FIFA)

Copa América de inesquecíveis duelos, elencos; grandiosos e repletos estádios; cores e paixão. De um desporto que confere identidade local para cada sul-americano. Não muito menos importante que um mundial, a Copa América é um torneio sim pequeno. Afinal são doze equipas. Antes eram dez.

Pequeno apenas em tamanho. Por que, porém, desta dezena, são três campeões mundiais. Uma outra foi para uma meia-final de Copa do Mundo (Chile em 1962); outros são países com alto contributo para o futebol mundial, como Colômbia e Peru.

Copa América que Maradona e Pelé sequer conquistaram. Este último se lamenta muito de não tê-la conseguido.

Com tudo isso, aos olhos do mundo a Copa América talvez não seja o mais atraente e atrativo torneio continental de selecções. Inocente aquele que olhar somente sob este aspecto. Já foi dito em outros textos deste colunista que “falar” é o mais fácil, enquanto que saber o que está a se falar, o mais difícil. A isso se cabe quando não só for falar do Brasil e do futebol Brasileiro, mas também da América do Sul e do desporto-rei da região. A Copa América é assim: não basta apenas assisti-la. É preciso compreendê-la.

Em tempo: “Soy Loco por Ti”, é música dos tempos da “Tropicália” (fim dos anos 1960), autoria de Gilberto Gil e José Carlos Capinan, interpretada por Caetano Veloso.

Foto: Getty Images

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