Portugueses a jogar pelo Mundo: Xeka, adjectivo para segurança no Lille

Francisco IsaacAgosto 21, 20184min0

Portugueses a jogar pelo Mundo: Xeka, adjectivo para segurança no Lille

Francisco IsaacAgosto 21, 20184min0
Depois de uma primeira época difícil e na segunda emprestado ao Dijon, Xeka parece ser o "chefe" do meio-campo do Lille. Mas terá reais hipóteses de ser titular?

Esta rubrica é direccionada a todos os leitores que queiram ficar a perceber quem são alguns dos nossos atletas a actuar fora-de-portas. De Espanha a Inglaterra, da Holanda à MLS, fiquem a saber um pouco mais sobre estes jogadores, em que liga podem observá-los, o que de bom têm e como jogam.

XEKA, A PEÇA DE XADREZ QUE FALTAVA AO LILLE?

Miguel Ângelo da Silva Rocha, mais conhecido por Xeka, está em França desde 2016 quando o SC Braga aceitou negociar o trinco por 6M€ com o Lille, clube francês. Um médio inteligente na saída de bola, que faz uma gestão de jogo bem idealizada e duro e/ou difícil de ultrapassar por, assumindo bem o papel de trinco-pêndulo e não de um 6 destruidor de jogo. A somar a isto, sabe finalizar dentro da área, seja ao pé ou de cabeça.

Na primeira temporada realizou 19 jogos, marcou um golo e assistiu por duas ocasiões, numa clara boa estreia pelo Lille, numa época em que terminaram na 12ª posição. Contudo, a saída de Patrick Collot e Franck Passi (o segundo foi treinador interino depois da saída do primeiro em Março), suscitou problemas de afirmação por parte de Xeka perante El Loco Bielsa, treinador que não apreciava de todo as qualidades do trinco, dispensando-o.

Xeka foi para o Dijon (17 jogos, 2 golos e 3 assistências) e ironia do destino terminou bem à frente do seu clube-origem na temporada seguinte, pois o LOSC fechou a época só com um ponto de distância para o Toulouse, o último relegado da liga francesa. Bielsa, despedido em Novembro de 2017 depois de operar uma autêntica destruição do plantel do Lille, foi um passo negativo mas importante na carreira de Xeka pois o empréstimo forçou-o a aprender, evoluir e a ganhar endurance para o campeonato francês.

Com a chegada de Christophe Galtier, homem que liderou o Saint-Étienne durante 8 anos, o regresso de Xeka ao Lille foi de imediato pedido. Neste momento, apresenta-se como fundamental para a manobra de jogo dos les Dogues, operando como um 6 que facilmente assume a posição de 8, apresentando-se não só como um nato recuperador de bolas mas também num participante activo na criação de situações de ataque e subidas à área contrária.

É aquilo que alguns analistas chamam de trinco moderno, facilmente adaptável às circunstâncias de jogo, que tanto sabe dar estofo e segurança aos seus colegas da defesa (no Lille muitas vezes surge no apoio ao lateral esquerdo, o que permite sair com a bola mais rápida e melhor conduzida) como confere outra liberdade a Yassine Benzia para se chegar mais junto dos seus avançados.

Logo na primeira jornada da Ligue 1 teve uma exibição de qualidade, funcionando como o tal pêndulo que vai dando liberdade a Benzia ou ao seu colega-pivô Thiago Mendes. Durante todo o encontro teve uma percentagem alta no passe, apesar do golo do Rennes ter nascido de um mau passe seu. Ocupou bem as alas, muitas vezes deu outra profundidade ao jogo do Lille e foi subindo no terreno de maneira a tirar espaço a Bourigeaud e Grenier.

Frente ao AS Monaco, conquistaram um importante empate fora e Xeka voltou a ser um dos melhores, com uma boa leitura de jogo, facilidade de recuperação de bolas (5), determinado em manter o meio-campo do Lille activo e soube lidar com Jovetic, apresentando-se bem nos duelos individuais.

É a 3ª época do português na formação mais a nordeste de França e terá que ser o momento de controlo total no meio-campo do seu clube. Tem qualidade para se impor no campeonato francês, é um trinco que consegue mudar a sua forma de jogar dependendo do que o treinador pede e é inteligente no trabalho que realiza no centro do campo. Genial também no lançamento dos passes em profundidade, Xeka é um dos médios mais interessantes do futebol português a jogar fora do território nacional.

Para além de Xeka jogam ainda Edgar Ié, José Fonte (colegas de equipa no Lille), Gonçalo Guedes, Anthony Lopes, Pelé, Rony Lopes, Rolando, Pedro Mendes e Pedro Rebocho.


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