Os tamanho dos clássicos do futebol do Brasil

Virgílio NetoAgosto 29, 20183min0

Os tamanho dos clássicos do futebol do Brasil

Virgílio NetoAgosto 29, 20183min0
Qual o principal clássico do futebol do Brasil? Não é nacional, mas sim, regional. Em função da dificuldade de se fazer os campeonatos nacionais em função do tamanho do país, o futebol no Brasil desenvolveu-se regionalmente e, consequentemente, os clássicos do futebol Canarinho.

O Brasil é um país-continente e o futebol é um item importante para a identidade nacional, regional e local. É possível identificar isso através dos clássicos entre os clubes brasileiros. Diferentemente do que acontece em outros países, não existem clássicos nacionais. Um jogo entre os dois clubes com mais adeptos do Brasil, Flamengo e Corinthians, não tem a mesma dimensão se comparado com confrontos contra seus rivais estaduais: Fluminense, Vasco da Gama e Botafogo; Palmeiras, São Paulo e Santos, respectivamente. Os dérbis possuem uma dimensão regional e seus protagonistas possuem diferentes origens nas camadas sociais.

No princípio da modalidade no Brasil, a imigração contribuiu muito para o surgimento dos dérbis. Alguns clubes foram formados por portugueses, ingleses, espanhóis, italianos, alemães. Outros apenas aceitavam uma elite sócio-económica local. O ramo de actividade profissional também contribuiu bastante: funcionários das indústrias têxteis, dos caminhos-de-ferro organizaram suas agremiações. E assim o futebol do Brasil foi crescendo e as rivalidades, também. É isso que caracteriza um Fortaleza versus Ceará, um Remo versus Paysandu (em Belém do Pará, popularmente conhecido por “Re-Pa”, última foto do artigo), um Bahia versus Vitória (em Salvador, na foto acima, jogo conhecido como “Ba-Vi”), um Flamengo versus Fluminense, um Atlético Paranaense versus Coritiba (em Curitiba, duelo chamado de “Atletiba”) e, finalmente – para muitos o mais grande clássico do Brasil -, um Grêmio versus Internacional, o “Gre-Nal”. Porto Alegre, cidade das duas equipas, é literalmente dividida em duas e o jogo é tido como um torneio à parte (na foto abaixo um Gre-Nal de 1989).

A verdade é que existem vários clássicos no futebol do Brasil. Outrora marcado pelas dificuldades logísticas em se fazer um torneio nacional de clubes, os duelos desenvolveram-se em escalão regional. A frequência de realização, palmarés e polarização de adeptos são factores que fazem um dérbi ser mais grande que o outro. Por exemplo: na cidade de Belo Horizonte existem o Cruzeiro e o Atlético Mineiro, com muito mais massa associativa que o conterrâneo América, que possui seus numerosos e fiéis adeptos, além de muitas grandes conquistas. Por analogia, é como se fosse o Belenenses em Lisboa a dividir espaço com Benfica e Sporting. É por isso que o “Gre-Nal” é tido como o principal clássico do Brasil, já que os outros clubes de Porto Alegre não têm o tamanho como o que o América possui em Belo Horizonte. Dentro das suas proporções, por analogia – espacial apenas – o “Gre-Nal” está para como a cidade do Porto em partilhar o FC Porto e o Boavista FC.

Portanto, é equívoco achar que o jogo entre os clubes com mais adeptos no Brasil é o principal clássico. Ou um jogo entre equipas da primeira e segunda cidades mais populosas. É preciso primeiro descobrir as origens de cada um deles, o quanto polariza um local, histórico de títulos e futebolistas de projeção nacional e internacional de cada um, que faz o futebol brasileiro ser bastante rico.


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