Onde é que anda o Flop: Diego Reyes, o central sem história na Invicta

Francisco IsaacMaio 2, 20215min0

Onde é que anda o Flop: Diego Reyes, o central sem história na Invicta

Francisco IsaacMaio 2, 20215min0
Terá sido o central mexicano um flop autêntico, ou Diego Reyes merece outra atenção e respeito pela sua passagem pelo FC Porto?

Será Diego Reyes realmente um jogador merecedor do título de flop, isto quando fez 47 jogos de azul-e-branco tendo feito parte do plantel que conquistou a Liga NOS em 2017/2018? É uma reflexão que o leitor deverá fazer, mas para perceber melhor qual a etiqueta que o central mexicano merece é preciso mostrar dados concretos sobre a sua passagem pelo futebol português.

Contratado ao América em 2013 por 7M€, considerado ainda hoje em dia um dos centrais que mais euros custou ao FC Porto, chegou à Invicta aos 21 anos e prometia ser uma contratação de qualidade para o futuro, especialmente para uma posição em que no futuro iria necessitar novas referências, já que se esperava as saídas de Mangala, Maicon e Otamendi num futuro próximo, abrindo assim espaço para a sua potencial afirmação.

Porém, e como acontece com algumas das coqueluches jovens que chegam da América do Sul, Diego Reyes teve graves dificuldades em agarrar um lugar no plantel azul-e-branco, sofrendo em parte pela presença dos já supramencionados Otamendi, Mangala e Maicon, como também da chegada de reforços para o seu lugar (Iván Marcano por exemplo), somando-se ainda a falta de assertividade e agressividade no encurtar espaços ou de contrariar o ataque adversário, não sendo visto por Julen Lopetegui como um jogador de imediata necessidade para o plantel.

Aliás, foi o treinador espanhol que ia pondo um termo à carreira do mexicano, quando o atirou para a titularidade na visita ao campo do Bayern de Munique, movendo Reyes para o lado direito da defesa, o que acabou por ser uma das piores decisões possíveis, isto porque Reyes acabou por ter de sair à passagem dos 30 minutos de jogo por suposta lesão, ficando na retina a falta de confiança e desistência do jogador. A humilhação de 6-1, os problemas físicos pontuais e o facto de ter servido como bode expiatório para os fracassos da época – a par de outros jogadores – forçariam o defesa a abandonar o clube na época 2015/2016, caindo em duas épocas sucessivas de empréstimos… primeiro à Real Sociedade (27 jogos) e, depois, ao Espanyol (34 jogos).

Tanto no País Basco como na Catalunha, Diego Reyes revelou traços interessantes, com uma leitura táctica de franca qualidade, acompanhado de um bom poder de saída com bola e de controlo do jogo aéreo, revelando pelo caminho uma melhoria no aspecto físico, uma fraqueza revelada durante o seu primeiro take em Portugal.

Na La Liga foi capaz de recuperar as forças que lhe escassearam durante as duas primeiras épocas ao serviço do clube da Invicta, surgindo até várias notícias de potenciais interessados na sua contratação mas que acabaram por nunca realmente se confirmar, forçando um retorno ao Dragão, agora sob o comando de Sérgio Conceição. Curiosamente, numa época em que se esperava poucas ou nenhumas oportunidades, Diego Reyes chegou a deter a titularidade por 16 ocasiões, incluído nos 16-avos da Liga dos Campeões, atingindo quase um total de 30 jogos numa época que acabaria por se revelar de sucesso, com o título de campeão da Primeira Liga conquistado.

Efectivamente, Reyes registou boas exibições em 2017/2018 com relativas melhorias a serem vislumbradas, sendo que nunca foi colocado realmente à prova dos jogos mais “quentes”, e, no raro acontecimento que isso aconteceu acabou por voltar a cometer erros crassos. Sérgio Conceição chegou a transitar o mexicano entre posições indo de central para trinco, mais por necessidade (para quem não se recorda, deveu-se à lesão de Danilo Pereira a certo momento, que foi substituído com qualidade por Sérgio Oliveira) do que por mérito, antecipando-se o cenário de uma hipotética saída no final da temporada. O “adeus” de Diego Reyes foi minimamente surpreendente nos termos que na época seguinte teria grandes chances de vir a ser o titular na defesa ao lado de Felipe, pois Iván Marcano terminava o seu contrato e ligação com o FC Porto, abrindo um espaço no eixo defensivo, um problema que só seria resolvido com a chegada de Éder Militão, uma transferência só confirmada no final do mercado de Verão de 2018.

Ou seja, Diego Reyes pouco ou nada mostrou pelo FC Porto, participou em algumas das maiores derrotas europeias do emblema azul-e-branco, custando 7M€ aos cofres da SAD e acabou por sair a custo-zero, naquilo que foi uma passagem em que rendeu apenas um título em três/cinco épocas – se considerarmos o tempo de ligação durante os empréstimos à Real Sociedade e Espanyol. Esta “soma” de factores conta toda a história do central mexicano que também se pode queixar da falta de oportunidades oferecida por Paulo Fonseca/José Peseiro, pela falta de honestidade de Julen Lopetegui, com Sérgio Conceição a ter nenhuma culpa no “cartório”, uma vez que tentou transformar Reyes num elemento de qualidade para o plantel.

Após a Invicta, Reyes tentou ganhar protagonismo no Fenerbahce, sem conquistar de facto um lugar, situação igual no Léganes, clube que serviu antes de regressar ao México, lugar onde realmente voltou a encontrar alguma “paz”, minutos e títulos ao serviço do Tigres.

Azar ou não, o custo elevado pago pelo central, as oportunidades falhadas, as más exibições inesquecíveis acabaram por atirá-lo para a prateleira de jogadores esquecíveis que passaram pelo futebol nacional, com várias nuances de flop a cair sobre os seus ombros. Fica na história do clube pelos golo 700 do Dragão…


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