O Diário do Estagiário 2# Déjà Vu?

João NegreiraNovembro 26, 20204min0

O Diário do Estagiário 2# Déjà Vu?

João NegreiraNovembro 26, 20204min0
Novidades na vida do nosso treinador estagiário! Novas indicações da FPF levaram a mudanças drásticas! O que se passou neste mês?

Esta é uma rubrica onde um treinador estagiário partilha a sua experiência. Num contexto de aprendizagem, onde irá ser confrontado com as diferenças teóricas e práticas, vai procurar compartilhar com os leitores todas as suas vivências.

No mês passado trouxe-vos a experiência de quem teve que mudar de contexto de estágio. E não é que isso voltou a acontecer? Resumidamente, estive num contexto de Infantis sub-13 e tive que mudar para a equipa de Benjamins sub-11. Para além disso comecei a refletir sobre aquilo que alguns já previam: a não realização de competições em escalões jovens iria levar a que os estagiários tivessem que mudar-se para equipas que tivessem competições (na sua maioria, séniores).

E entre a falta de esclarecimento, indecisão e incerteza do IPDJ, fomos aconselhados pela nossa entidade académica a não arriscar e tentar entrar como estagiários numa equipa sénior. Basicamente, considerámos que o IPDJ poderia não reconhecer os estagiários com o nível I porque estavam num contexto sem competição oficial.

Posto isto, e com muita ansiedade, stress e nervosismo à mistura, encontrei uma equipa sénior em competição que me recebesse como estagiário. Felizmente, na mesma entidade, integro a equipa B feminina do SCU Torreense.

Ora esta mudança para além de muito inesperada é muito mais complexa de difícil de preparar. Algo que também tive que antecipar era a minha maneira de estar e de intervir no treino, sendo que uma mudança de infantis para benjamins é muito diferente de benjamins para contexto sénior.

Assim que soube que iria integrar esta equipa, tive que começar a refletir sobre estas questões: como intervir no futebol feminino?; qual a abertura que vou ter para planear e intervir?; e, fundamentalmente, quais as minhas tarefas e funções?

E claro que o meu mindset teve que voltar a mudar. Apesar de ser um contexto com atletas muito jovens, estamos num quadro competitivo sénior, com ligação a uma equipa de rendimento e as exigências, preocupações e cuidados têm que ser outros.

Logo a começar pela questão da competição. Com uma equipa de formação (mesmo com jogos aos fins de semana) o objetivo é o ensino do jogo e nunca a preparação da competição. E isso faz logo a diferença na operacionalização da sessão de treino. A intervenção em si tem, naturalmente, que ser claramente diferente. Não só na forma, como também no conteúdo.

Falar-vos então do meu contexto e das minhas funções. Sendo uma equipa B, temos que perceber que estamos em clara ligação com a equipa A, seja para “dar” ou “receber” jogadoras em treino ou em jogo. Participamos na série F do recém criado Campeonato Nacional III Divisão Feminino.

Como tarefas e funções, sou, essencialmente, responsável pela observação e análise da equipa. Apesar de me interessar mais pela área específica do treino em si, esta área também me interessa e acho-a muito pertinente. Tendo o jogo gravado, codifico-o quantitativamente e qualitativamente, resultando em vários cortes de vídeos que posteriormente edito e mostramos às atletas. Em treino, tenho naturalmente um papel secundário de intervenção nos exercícios.

Entrando “oficialmente” na equipa no dia 8 de novembro, procurei na primeira semana apenas ambientar-me e conhecer as várias dinâmicas da equipa, sejam internas ou externas, sejam da equipa em si ou da equipa técnica; algo que já no mês passado tinha feito, quando mudei de escalão.

Agora com mais 2 semanas de treino e competição o rescaldo é positivo e estou cada vez mais confortável neste contexto. Já me habituei às dinâmicas da equipa e estou claramente em sintonia com a equipa técnica.

Agora, resta-me continuar a trabalhar e a procurar aplicar aquilo que tenho aprendido, conseguindo retirar o máximo de experiências com este estágio.


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