Jovens estrelas que caíram cedo demais: Marvin Martin

Francisco IsaacOutubro 24, 20215min0

Jovens estrelas que caíram cedo demais: Marvin Martin

Francisco IsaacOutubro 24, 20215min0
Internacional francês aos 23 anos para jogar na Ligue 2 aos 27, esta é a história de Marvin Martin um talento que não passou de uma promessa

Quantas jovens estrelas atingiram o patamar mais alto do futebol mundial para depois caírem abruptamente ou, pior, devagar sem nunca encontrarem um rumo de regresso aos títulos internacionais e aos grandes palcos?

Nesta rubrica não procuramos descobrir quem tem culpa, mas sim as razões dessa desaparecimento, perceber onde foram parar e se há alguma hipótese de redenção. E atenção, não dissemos desaparecemos porque ainda jogam seja numa primeira, segunda ou terceira divisão.

Se conheces mais casos deixa nos comentários para investigarmos e falarmos desses nomes.

DO OLIMPO DO ELISEU AO ESQUECIMENTO AOS REGIONAIS DA FRANÇA

Espantou e deliciou as bancadas do FC Sochaux com grandes golos, para depois nem contar para um clube da 3ª divisão; bisou pela França num dos seus primeiros jogos internacionais, para, passados uns anos, desaparecer do radar do futebol profissional em França ainda com 28 anos. A história de Marvin Martin é uma daquelas que deveria ser contada, tanto aos jovens que sonham chegar ao cume do futebol profissional como aqueles que festejam só quando há glória mas desaparecem/esquecem mal surgem sinais de uma possível queda ou decréscimo de qualidade. Bem, porque é que Marvin Martin está incluído nesta rubrica? Façamos uma timeline da vida profissional do agora atleta do Hyères (regionais de França):

– Estreia aos 19 anos na Ligue 1 pelo Sochaux FC, depois de ter passado pelos escalões deste clube francês (chegou em 2002, vindo do Montrouge FC) isto em 2008;
– Assumiu a titularidade em 14 dos 27 jogos que participou pelo Sochaux;
– É chamado aos sub-21 da selecção francesa no ano de estreia como sénior (2008);
– Mantém a titularidade, é nomeado como um dos melhores jovens do campeonato francês, e em 2010 acaba a temporada como o jogador com mais assistência, com cerca de 18 no decorrer de toda a Ligue 1;
– Aos 23 anos é chamado para representar a França, e estreia-se a marcar com dois golos em 14 minutos frente à Ucrânia;
– Vai ao Campeonato da Europa de 2012 e joga dois dos quatro encontros;
– Sai para o LOSC Lille por 10M€ em 2012;
– Deixa de constar nas convocatórias dos Les Bleus desde 2012;
– Perde a titularidade no Lille a partir de 2014;
– Vai para o Dijon FCO em 2016 e acaba na Ligue 2 em 2017;
– Entre 2019 e 2021 soma um total de 18 jogos entre três clubes diferentes, estando agora a jogar no Hyères dos regionais aos 33 anos;

Olhando para esta cronologia comentada, Marvin Martin foi “vítima” de uma carreira auspiciosa que parecia prometer algo fenomenal mas acabou por ir se desvanecendo aos poucos até que deixou de ser uma referência ou um jogador de alto calibre, uma situação quase contrária ao que se pensava quando pisou os relvados da Ligue 1 pelo Sochaux a 30 de Agosto de 2008. Quando surgiu em cena, o médio-ofensivo (que podia também descair para as alas) era detentor não só de uma passada elétrica e de difícil leitura como rapidamente decidia os lances com total certeza e afirmação, o que conferia uma letalidade especial ao ataque do Sochaux, onde um romantismo clássico e brilhante impulsionava o início da carreira deste talento inesperado do futebol gaulês.

É ver que pelo FC Souchaux realizou 147 jogos nas quatro primeiras temporadas como profissional de futebol, somando um total de 15 golos e 30 assistências, isto para um clube que normalmente vivia de lutar freneticamente para não descer de divisão, o que alimenta ainda mais a curiosidade de como é que Marvin Martin caiu quase num ápice e desapareceu dos maiores palcos repentinamente. Outro dado é o facto de ter sido capaz de chegar à selecção francesa e impressionado logo na primeira oportunidade que teve, naquele grande exibição frente à Ucrânia onde vestiu o papel de MoTM em apenas 15 minutos, pois entrou, marcou o golo do 2-1, assistiu para o 3º (Younes Kaboul) e fechou a contagem com um excelente golpe com o pé esquerdo, elevando o seu nome à loucura total. Do nada, Martin apareceu, impressionou e motivou elogios e profetizações de um futuro auspicioso que, no entanto, acabaria em total desilusão. Como? Lesões? Fora de forma? Arrogância?

A verdade é que foi uma combinação de factores, sendo que o elemento “arrogância” não entrou em exercício, e sim mais a falta de agressividade quando tentou dar o salto tanto na selecção francesa (a exibição contra a Ucrânia foi algo de uma vez só) como no Lille, com uma diminuição trágica da “magia” que impunha dentro de campo e da qualidade no processamento da estratégia ofensiva, engolido várias vezes por defesas mais dotadas ou agressivas. A falta de confiança foi um pormenor determinante, e os treinadores deixaram de olhar para Marvin Martin como uma solução total e sim como um elemento errático e sem qualidade para fazer a diferença a full-time. Por outro lado, o internacional francês pareceu deixar de se importar tanto com a sua situação de preterido e foi optando pela via mais segura e confortável, saindo de clubes mais mediáticos para aqueles que lhe ofereciam contrato.

Aos 23 anos tocou no topo do futebol mundial, chegou mesmo a ir a um Europeu, para aos 27 estar na Ligue 2, praticamente afastado da titularidade… a magia, a paixão, os toques irresistíveis que colocava em cada acção deram lugar a uma apatia profunda, a um descrédito pessoal e a uma  queda imparável da sua qualidade.


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