Jovens estrelas que caíram cedo demais: Aarón Ñíguez

Francisco IsaacOutubro 23, 20185min0

Jovens estrelas que caíram cedo demais: Aarón Ñíguez

Francisco IsaacOutubro 23, 20185min0
Um produto da La Roja de formação, Aarón Ñíguez acabou por não confirmar todo o talento que denotava com uma tenra idade. Sabes onde anda hoje em dia?

Quantas jovens estrelas atingiram o patamar mais alto do futebol mundial para depois caírem abruptamente ou, pior, devagar sem nunca encontrarem um rumo de regresso aos títulos internacionais e aos grandes palcos?

Nesta rubrica não procuramos descobrir quem tem culpa, mas sim as razões dessa desaparecimento, perceber onde foram parar e se há alguma hipótese de redenção. E atenção, não dissemos desaparecemos porque ainda jogam seja numa primeira, segunda ou terceira divisão.

Se conheces mais casos deixa nos comentários para investigarmos e falarmos desses nomes.

LA PROXIMA GRAN COSA QUE NO PASO DE UNA MIRAJE

Aaron Ñíguez era essa “coisa” que ia arrebatar o futebol espanhol na segunda década dos anos 2000, muito devido à qualidade evidenciada nos escalões de formação da selecção da Espanha, prometendo muito para depois ficar completamente aquém.

Regressemos ao melhor período de Aarón Ñíguez entre os seus 16 a 19 anos. O avançado espanhol, que facilmente descaía para as alas, estreou-se pelo Valência a 8 de Novembro de 2006 na Taça do Rei frente ao RC Portuense com só 16 anos. Somou cerca de 30 minutos nas duas mãos da eliminatória, sendo que o melhor ainda estava por chegar: estreia na Liga dos Campeões.

Esse seu primeiro jogo, e ironicamente o único na maior competição europeia de futebol, decorreu a 5 de Dezembro do mesmo ano, numa derrota frente ao AS Roma. A equipa treinada por Quique Flores tinha na altura nomes como Fernando Morientes, Joaquin, Hugo Viana, Miguel, Stefano Fiore, Vicente, Raúl Albiol, David Silva ou David Villa, considerado na altura um dos melhores plantéis. Apesar disso, não conquistaram nada terminando num “normal” 4º lugar na La Liga.

Curiosamente, a presença de Ñíguez na equipa principal dos Che, relegado depois para a equipa secundária da formação valenciana, o que marcou o fim da ligação do extremo ao clube em termos de actuações. Nunca mais iria calçar as botas pelo Valencia, entrando num remoinho de empréstimos atrás de empréstimos até à cessação do contrato. Mas antes de chegarmos à fase negativa, ainda temos muito para caminhar.

No ano seguinte foi emprestado a dois emblemas, primeiro o Xerez da segunda divisão espanhola e depois em Janeiro aos gregos do Iraklis. Em ambos os emblemas jogou com relativa boa qualidade, apresentando aos 17 anos uma técnica genial e um poder de aceleração que criava sérios problemas aos seus opositores. Em terra dos helenos, Aarón (ficou subitamente conhecido pelo uso do seu primeiro nome) concretizou três golos e foi uma peça influente na manutenção do Iraklis, que sustentou algum do poder decisivo nas costas de um jovem de 17 anos.

Ao mesmo tempo, Ñíguez ia galgando internacionalizações na Roja sendo um dos principais obreiros da vitória espanhola no Europeu de 2007 com dois golos e duas assistências durante toda a competição. Um dos tentos concretizados foi até contra Portugal, através de uma grande penalidade bem metida que Hugo Ventura nem conseguiu tocar. Melhor que tudo, Aarón encantou as bancadas com o tal toque de bola, emocionante visão de jogo, virtuosismo na frente do ataque e especial capacidade em mexer com o jogo.

Aarón estava na linha dos grandes futebolistas espanhóis, fruto da excelente escola valenciana, surgindo nas listas dos “Futebolistas do Futuro a ter em atenção” ou “Wonderkids to follow”, destaques merecidos atenção. Seguiu-se os sub-20 da Espanha, em que levantou o título de campeões dos Jogos do Mediterrâneo, assim como bola de bronze no Mundial de Futebol sub-20 de 2009.

Paralelamente, a carreira de clubes teve um twist que iria alterar todo o futuro do portento espanhol, quando foi encostado pelos Rangers em 2008/2009, regressando à La Liga 2 na temporada seguinte ao serviço do Celta de Vigo. Entre 2009 e 2013, Aarón ficou-se pelo segundo escalão com claras dificuldades em convencer os emblemas de primeira linha a contratarem-lo.

Toda aquela espontaneidade e genialidade técnica de Ñíguez não correspondeu com a mesma linha de evolução em termos da compreensão do trabalho táctico, do envolvimento defensivo e da comunicação com os colegas de equipa. O cartão de visita do ex-sub-20 era por assim dizer desequilibrado, com uma clara falta de crescimento, precipitando-o para uma fase nada boa da carreira.

Nos últimos 8 anos conseguiu estrear-se finalmente na La Liga (pelo Elche), foi até Portugal onde jogou pelo SC Braga (está inscrito como um dos campeões da Taça de Portugal de 2016), sendo que depois voltou para o segundo escalão da liga espanhola ao serviço do Tenerife, Real Oviedo, Johor Darul Ta’zim (Malásia), Málaga (não jogou qualquer minuto) e La Nucía. Recuando só até à época em Portugal, foi notório que Aarón Ñíguez passava do 80 ao 8, ou seja, de um jogo de altíssimo nível para uma exibição pobre e sem possível escape.

Nunca encontrou o rumo certo para dar lugar à imensa qualidade que nutria dos seus tempos entre os 16-20 anos, e é aos 29 anos um jogador completamente “esquecido” na segunda divisão espanhola. É um caso claro de falta de crescimento e de evolução técnica-táctica, e não de lesões ou de desvio a nível de vida social. Curiosamente, o irmão de Aarón tem colhido o sucesso na família, com Samuel Ñíguez a somar minutos e golos pelo Atlético Madrid, tendo já mesmo se estreado pela selecção espanhola.

Outro dado curioso, é que também Samuel jogou o seu primeiro jogo na Europa com apenas 18 anos nas pernas… não fracassando no crescimento nos anos que se seguiram. Será que Aarón ainda vai a tempo de fazer uns excelentes últimos anos na La Liga ou noutra liga europeia de peso?


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