Jovens estrelas que caíram cedo demais: McDonald Mariga

Francisco IsaacJulho 11, 20186min0

Jovens estrelas que caíram cedo demais: McDonald Mariga

Francisco IsaacJulho 11, 20186min0
Um reforço pedido por José Mourinho em 2010 mas que acabou por não chegar ao patamar que todos esperavam. McDonald Mariga do Inter ao Oviedo. Recordas-te do trinco?

Quantas jovens estrelas atingiram o patamar mais alto do futebol mundial para depois caírem abruptamente ou, pior, devagar sem nunca encontrarem um rumo de regresso aos títulos internacionais e aos grandes palcos?

Nesta rubrica não procuramos descobrir quem tem culpa, mas sim as razões dessa desaparecimento, perceber onde foram parar e se há alguma hipótese de redenção. E atenção, não dissemos desaparecemos porque ainda jogam seja numa primeira, segunda ou terceira divisão.

Se conheces mais casos deixa nos comentários para investigarmos e falarmos desses nomes.

DE ALUNO DE “MOU” A SEGUNDA ESCOLHA EM OVIEDO, O FADO DE MCDONALD MARIGA

Estávamos em 2010 e o Inter de Milão de José Mourinho dominava Itália com desejos de conquistar a Europa. No plantel nerazzurri despontavam grandes estrelas, como Diego Milito, Lúcio, Cristian Chivu, Samuel Eto’o, Wesley Sneijder, Goran Pandev, Esteban Cambiasso ou Javier Zanetti, entre tantos outros.

Era um plantel imenso de uma qualidade fenomenal que traz grandes saudades aos adeptos do Inter de Milão… uma era diferente por assim dizer. José Mourinho tinha assim todas as armas e mais algumas para o tal domínio da equipa milanesa sobre todas as outras. Contudo, chegamos ao Mercado de Inverno e o treinador sentia necessidade de reforçar o plantel com mais uma ou duas adições de qualidade.

Primeiro chegou Goran Pandev, o avançado macedónio que fez as delícias da Lazio de Roma durante vários anos e recebia assim nova oportunidade para jogar na Champions League, em Janeiro. Para o final do mês, mas já entrar em Fevereiro, seguiu-se McDonald Mariga, um quase desconhecido para os adeptos fora de Itália. Quem era este Mariga?

Proveio do Parma (na altura ainda sobrevivia mas já respirava com muita dificuldade) a troco de 10M€, posicionando-se como trinco ou médio-centro. Fisicamente era um talento, com facilidade em acompanhar os seus adversários de perto, ganhando bem os duelos no um para um, apresentando-se como um típico recuperador de bola que também tinha jeito para colocar a bola com qualidade nos seus colegas nas alas.

Era, à altura, uma das coqueluches do Parma, que contratou-o por sua vez em 2007 ao Helsingborgs IF por 2M€. Impressionou sempre pela formação do norte de Itália, arrancando aplausos do público e interesse dos clubes rivais, onde o seu futebol de frescura física e idealismo de passe faziam a diferença.

A Fevereiro de 2010, Mourinho sinaliza Mariga e abre a porta ao queniano para fazer parte do plantel do Inter de Milão, principal candidato ao Scudetto. Nesses primeiros meses foi um conto de fadas para o trinco, uma vez que alinhou na Seria A (quase sempre como suplente), Coppa de Italia e Liga dos Campeões (também na condição de suplente). Mariga entrava e ajudava a “estancar” o jogo, impondo aquela fisicalidade que Mourinho tanto apreciava.

Era uma barreira complicada de ultrapassar, enérgico na hora de acompanhar o ataque e sempre disponível para fazer de terceiro central. Era o típico atleta que Mourinho apreciava e que mereceu a confiança do treinador português, ao ponto que fez parte da caminhada final do Inter na Liga dos Campeões. Naquele jogo mítico em Barcelona, em que os italianos chegaram a estar com 9 jogadores em campo, fruto da expulsão de Motta (polémica) e a lesão de Chivu (já mais para o fim do encontro), Mariga entrou para os 5 minutos finais e fez parte daquela muralha nerazzurri que ainda hoje assombra Pep Guardiola.

Não jogou na vitoriosa final da Champions League, mas mereceu a medalha de campeão da Europa a nível de clubes. Fez parte da equipa que fez o triplete do Inter em 2010 e a partir daí começou a queda. A saída de José Mourinho foi, sem dúvida alguma, uma razão para o seu destino final. Mariga necessitava de um treinador que tivesse a intenção de desenvolver as suas melhores capacidades e adaptá-lo em direcção à titularidade.

A chegada de Rafa Benítez e o circo de treinador que se seguiram de seguida em Milão foi nocivo para o crescimento de atletas como Mariga, que não tiveram espaço de manobra para terem oportunidades no onze e entravam de forma tímida a partir do banco. A convulsão dos milaneses forçou a saída de Mariga que esteve um ano na La Liga ao serviço da Real Sociedad, retornando ao Parma.

Infelizmente, nem em Espanha ou no clube que o lançou no futebol italiano teve sorte, jogando muito pouco em quatro temporadas… uns fracos 2000 minutos ficaram para o registo do queniano que nunca recuperou aqueles atributos que mereceram a atenção de Mourinho em 2009. Mariga estagnou por completo, as suas qualidades físicas decaíram, com a sua velocidade e intensidade a serem substituídas com lentidão e falta de capacidade em chegar à primeira bola de forma eficaz.

Perdeu autoridade no “miolo”, nunca era uma opção viável para os vários treinadores que se seguiram o que o forçou a opções de carreira pouco interessantes como foi a saída para o Latina Calcio 1932 e Oviedo, ambos emblemas de ligas secundárias. Ironicamente, a época que fez pelo Latina Calcio foi a melhor em vários anos, só que o clube no final dessa época declarou bancarrota e foi refundado… descendo à Serie D.

No Oviedo mal jogou, actuando em 15 de possíveis 42 jogos, fruto da sua fiabilidade física, lesões constantes e falta de confiança para liderar o meio-campo defensivo. Uma sombra do queniano que singrou no Parma, conquistou lugar no Inter, onde somou os seus títulos mais importantes. Nova nota irónica, o Inter depois de Mariga ter chegado nunca mais levantou um scudetto, o Parma “desapareceu” para ser forçado a reconstituir-se e o Latina foi para a Serie D.

Terá sido a ausência de um treinador com paciência para os jovens como Mourinho que levou à queda de Mariga? Ou a aquela explosão física que detinha acabou por ser um problema perante as falhas a nível de compreensão do jogo e de leitura táctica?

Mariga foi entre 2009-2010 considerado um dos jogadores jovens com mais potencial na Europa, similar a Obi Mikel na forma de jogar, que desde cedo agarrou na batuta de controlar o seu meio-campo defensivo e de apresentar-se como a primeira barreira do Parma e Inter.

“Estou satisfeito com a vinda dele [Mariga]. (…) Mariga treinou connosco pela primeira vez, apesar de ter estado lesionado nas últimas semanas… por incrível que pareça ele está pronto para jogar já. Não é um produto acabado mas gosto muito dele por causa disso, tem possibilidade de crescer, é jovem. Ele vai ter que jogar no sábado, mas é um atleta para o futuro. Vai ter que trabalhar muito e eu estou cá para ajudá-lo.”


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