O Diário do Treinador – A arbitragem e os treinadores com Pedro Vital

Fair PlayAgosto 2, 20183min0

O Diário do Treinador – A arbitragem e os treinadores com Pedro Vital

Fair PlayAgosto 2, 20183min0
O treinador do Saint Julians, Pedro Vital, começa a sua rubrica no Fair Play a falar da arbitragem e o impacto dos treinadores nesta posição

ARBITRAGEM… NÃO APONTAR O DEDO MAS AJUDAR

Sendo o primeiro artigo que escrevo, gostava desde já agradecer ao Francisco Isaac pela oportunidade. O grande objectivo deste “Diário do Treinador” será levantar algumas ideias e  tópicos dos quais nos deparamos enquanto treinadores durante os nossos treinos.

Neste primeiro texto irei abordar um tema bem presente no nosso Rugby – A Arbitragem. Não irei escrever sobre opiniões específicas dos intervenientes da arbitragem, mas sim … sobre o papel que os treinadores podem ter no ensino das regras aos seus atletas.

Nos últimos tempos passou a ser demasiado fácil apontar o dedo quando as coisas correm menos bem dentro do campo, mas até que ponto, não temos “responsabilidade” pela falta de ordem e cumprimento das regras. Somos nós os primeiros a apresentar as regras, somos nós que passamos mais de 2 a 3 horas por semana a ensinar a modalidade… não temos de ser nós  a dar o exemplo e corrigir esta situação?

Começando pelos mais jovens (até aos sub 14), sou da opinião que todos os treinadores deveriam ter um curso básico de arbitragem.

Sei que muitas vezes não nos apetece apitar os jogos dos mais novos e só estamos focados no rendimento da nossa equipa. Mas pensem na oportunidade de darmos o nosso feedback dentro de campo para que o jogo seja o mais fluido possível. Isso traria melhores jogos e os atletas iam ter a possibilidade de ter mais vezes a bola na mão, iriam crescer enquanto jogadores e de certeza que conseguiam forcar-se mais no que é importante – divertirem-se a praticar a modalidade que gostam.

Já relativamente aos escalões de competição, seria muito útil haver acções de formação a treinadores e atletas. Deparei-me muitas vezes com atletas mais velhos, que ainda têm algumas dúvidas sobre situações especificas do jogo.

Não é que os treinadores não possam estar lá para isso, pois se formos a ver, é a realidade hoje em dia. Mas se conseguisse-mos integrar todas as partes para a evolução da modalidade, de certo que traria outros resultados bem mais positivos.

Outro dos pontos que poderia ser desenvolvido para estes escalões, eram reuniões de partilha de experiências entre treinadores e árbitros. Vou sublinhar novamente que, infelizmente, só olhamos para os nossos interesses (clube), mas já pensaram na capacidade que esta partilha de informação poderia ter na qualidade de jogo e no próprio tempo útil de cada jogo?!

Felizmente praticamos uma modalidade que está em evolução constante na procura de tornar o Jogo mais dinâmico. Se cada vez que saísse uma regra nova, houvesse uma ação de esclarecimento entre árbitros e treinadores, os atletas não saiam a ganhar?

Pessoalmente sempre fui muito exigente na forma de como arbitro as situações de jogo em  treino. Isso leva a que muito dos meus jogadores, por vezes no final dos jogos, vêm perguntar porque é que na situação X ou Y as regras não foram aplicadas como treinámos.

Todo este desenvolvimento poderia ser maximizado, se em primeiro  lugar fizermos um trabalho mais cuidado ao nível da arbitragem nos treinos e em segundo lugar, se houver uma maior ligação entre os vários intervenientes do Rugby Português.


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