O Diário do Estagiário 0# O Começo

João NegreiraSetembro 23, 20204min0

O Diário do Estagiário 0# O Começo

João NegreiraSetembro 23, 20204min0
E assim começa uma nova rubrica no Fair Play. Todos os meses, teremos a partilha de um treinador estagiário, num contexto de futebol de formação! Não percas

Esta é uma rubrica onde um treinador estagiário partilha a sua experiência. Num contexto de futebol de formação, onde irá ser confrontado com as diferenças teóricas e práticas, vai procurar compartilhar com os leitores todas as suas vivências.

Quem vos escreve é um treinador estagiário de 19 anos, aluno da licenciatura de Treino Desportivo da Escola Superior de Desporto de Rio Maior. 2 anos de ensinamentos teóricos, com os melhores profissionais de todas as áreas do desporto, estão agora a ser postos à prova, com o estágio que neste mês de setembro se iniciou.

O último ano da licenciatura apresenta-se desde já muito duro, tendo que conciliar o estágio curricular com todas as outras unidades curriculares. O estágio em si, pela proximidade de localização está a ser feito no Sport Clube União Torreense, no escalão de Infantis sub-13. Com toda a situação pandémica e a – normal – indecisão e insegurança dos encarregados de educação em colocar as crianças no futebol, os atletas que nos chegam são poucos e o plantel e o consequente contexto final ainda não está fechado.

Com todas as dificuldades que têm sido impostas, existem regras sanitárias a cumprir; e o SCUT fê-lo na perfeição. Todos os atletas são medidos e desinfetados no início e fim do treino; todos os atletas utilizam máscara até entrarem no campo; todos os atletas trazem a sua garrafa de água e vão hidratar-se em pequenos grupos; todos os treinadores têm que estar sempre de máscara; e em todos os exercícios realizados os atletas estão sempre a 2/3 metros de distância de qualquer outra pessoa;

São regras novas, difíceis (e que exigem muita preparação e organização), mas às quais nos temos nos adaptar, se quisermos oferecer aos atletas um momento desportivo com qualidade, mas acima de tudo, com segurança.

E é com essas regras que surgem as primeiras dificuldades. Ora estando um aluno universitário a preparar-se para definir objetivos, criar exercícios, ensinar e estimular as crianças durante os 2 primeiros anos da licenciatura, a realidade que encontra é completamente diferente. As limitações impostas, condicionam por completo todo o planeamento que as equipas técnicas já tinham em mente e para mim como estagiário tem sido uma dificuldade ainda mais acrescida; todos os exercícios que criamos em equipa técnica têm que ser pensados para que não haja oposição e que os atletas estejam a 2/3 metros de distância.

Nesse sentido, a minha experiência tem sido ainda mais difícil e desafiante, mas ao mesmo tempo já gratificante, sabendo que estamos a cumprir com todas as regras, mas ao mesmo tempo estamos a oferecer conteúdo com qualidade aos atletas. Aquilo que temos na nossa mente é isto mesmo: como é que podemos criar um exercício que vá ao encontro dos nossos objetivos, que estimule as crianças, mas que ao mesmo tempo cumpra com as regras das autoridades de saúde?

Para além disso, o nosso contexto tem ainda mais um contratempo (que acredito não seja único): poucos atletas. Para se ter uma noção, no primeiro treino que realizámos, apareceram 6 atletas. E planeámos para 20, esperando que os atletas que já cá estavam iriam incentivar os amigos a aparecer. Não aconteceu. Tivemos que adaptar todo o treino ali na altura.

Naquele que foi o meu primeiro treino, encontrei algo que nunca tinha esperado: modificar exatamente tudo aquilo que tinha planeado com o resto da equipa técnica. Fizemos o que pudemos. Entretanto, já apareceram mais alguns e esperamos que apareçam mais com o começo das aulas.

E assim termino o episódio 0 desta rubrica. Um começo difícil, mas que me estimula ainda mais a melhorar e fazer melhor do que já tenho vindo a fazer.


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