Onde é que anda o Flop: Iturbe, o novo falso “mini-Messi”

Francisco IsaacJulho 28, 20197min0

Onde é que anda o Flop: Iturbe, o novo falso “mini-Messi”

Francisco IsaacJulho 28, 20197min0
Catalogado e adjectivado como um mágico in the making ao nível de Lionel Messi, Juan Iturbe acabou por fracassar na Europa, a começar no FC Porto. Sabes de quem falamos?

Quantos novos Cristiano Ronaldo’s e Lionel Messi’s já apareceram na imprensa e acabaram por dar em nada? De Ryan Gauld, o Messi escocês, a outros tantos, o Futebol Mundial só tem direito a um único ET argentino e assim parece ficar para todo-o-sempre, apesar da auto-promoção de alguns pretendentes.

Contudo, em 2009 começaram a surgir rumores de que um novo super-talento estaria a aparecer no Cerro Porteño, nascido em Buenos Aires mas que desde muito cedo foi viver para o Paraguai, onde cresceu como jogador. Com 16 anos chegou à equipa sénior do Cerro Porteño em 2009.

Jogou 4 jogos na sua primeira época e isto com só 16 anos, iniciando movimentações no sentido de ser um “diamante” em bruto que tinha de ser lapidado para atingir a um ponto de qualidade irreal.

Com a sua notabilização, começaram a surgir os primeiros indícios de que Juan Iturbe não teria uma carreira fácil muito pelo seu temperamento e vontade em chegar ao “cume” sem ter que escalar a “montanha”.

Mudou-se para o Quilmes, da Primeira Divisão da Argentina, sem ter conversado com o seu clube no Paraguai, ao abrigo do facto de ter 16/17 anos o que permitia mudar de emblema sem ter que pagar nada… sem contrato profissional, o agente de Iturbe começou a negociar com emblemas europeus, tendo firmado contrato com o FC Porto.

Iturbe seguiria viagem em 2011 para o clube português, mal fizesse 18 anos e assim começava a sua aventura na Europa. O Cerro Porteño ainda recebeu uns milhões assim como o Quilmes e Iturbe decidiu também fazer uma mudança em termos de nacionalidade, optando por jogar pela Argentina no Campeonato do Mundo sub-20.

O NOVO MESSI CHEGA AO DRAGÃO DE VITOR PEREIRA

Ou seja, entre 2009 e 2011, o jovem extremo paraguaio-argentino decide trocar as voltas a tudo e todos, e depois de ter chegado ao escalão sénior com 16 anos, ruma à Europa com 18.

O burburinho em redor de Iturbe era ensurdecedor, com vários a tecerem um destino formidável ao agora internacional sub-20 argentino, que tinha nos pés um toque só encontrado nos maiores, recorrendo a comparações a Lionel Messi, recebendo a alcunha mesmo de “mini-Messi”. Esta pressão seria fatal para a sua carreira europeia como mais à frente veremos.

Faz a estreia pelos Dragões, na altura treinados por Vítor Pereira, a 11 de Outubro de 2011 frente ao SC Beira-Mar, actuando apenas durante 90 segundos. Deu para entrar, receber aplausos e deixar alguns adeptos a sonhar com algo mais. Nessa primeira época Iturbe jogaria 145 minutos, ou seja, quase nada durante toda a época. Começava a casa de tortura de Iturbe na Europa e logo no primeiro clube que apostou no seu concurso, algo preocupante e que prometia ser problemático para a carreira desportiva.

O jovem extremo revelava problemas na adaptação ao futebol europeu, pouco predisposto a respeitar os detalhes tácticos e rigor estratégico que Vítor Pereira traçava para o FC Porto, revelando-se mais um espírito “selvagem”, sempre com vontade de arriscar num um para um, parecendo algo perdido no compromisso com a equipa.

Eram traços normais de um atleta que sonhava fazer algo mais e rapidamente chegar a outro patamar, queimando demasiado rápido etapas importantes no seu crescimento. Discute-se aqui se Vítor Pereira alguma vez quis dar uma verdadeira hipótese a Juan Iturbe, numa altura em eram raros os jogadores jovens que no FC Porto tinham possibilidade de jogar mas é verdade que o argentino não facilitava também.

ENTRE EMPRÉSTIMOS E A NEGAÇÃO DE VER O ÓBVIO

Em 2012/2013 voltou a jogar quase nada nos azuis-e-brancos e acaba emprestado ao River Plate onde até goza um dos melhores momentos da sua carreira, assinando 3 golos e 2 assistências em 17 jogos., numa altura em que o River Plate atravessava por problemas financeiros e desportivos complicados.

Novamente viu-se um Iturbe super-veloz, genial nos dribles e em tirar os laterais da frente, abrindo espaço para dar possibilidade de golo aos seus colegas de equipa, vibrando os adeptos a cada nova arrancada.

As belas exibições no River Plate deveriam ter-lhe aberto as portas do Dragão de novo, mas foi ao contrário, pois terminou em novo empréstimo agora ao Hellas Veronas da Serie A. Seria no clube de Verona que teve direito a uma pequena redenção no futebol europeu, realizando uma época de alta qualidade, entre pormenores técnicos mais adultos e uma lógica de jogo mais pensada (mas, mesmo assim, ainda algo desenquadrado para chegar a outro patamar).

Foram 33 jogos, 8 golos e 5 assistências, um 10º lugar (um dos melhores de sempre) para o Hellas Verona e Juan Iturbe era dos nomes mais badalados desta formação italiana.

O FC Porto foi “forçado” a prescindir dos serviços do extremo, uma vez que na altura do empréstimo incluiu uma cláusula de rescisão no valor de 15M€, accionada prontamente pelo Hellas Verona que o venderia à AS Roma por 25M€ (Juan Quintero goza hoje em dia da mesma situação, numa clara falta de cultura de leitura de negócio por parte da administração azul-e-branca).

Foi um ponto final na relação do argentino-paraguaio com o clube português, ficando para sempre muito aquém do que se esperava dele. Iturbe chegou ao Dragão com a ilusão de que viria a ser um dos nomes a tomar em conta no FC Porto, para sair pela porta pequena depois de ano e meio emprestado, a exemplo de vários outros atletas que passaram pela Invicta.

Não há dúvidas alguma deste estatuto muito pelo barulho feita aquando da sua vinda para os Dragões, pelo destino traçado por tudo e todos e pela genica e magia do seu futebol, que Iturbe ficou muito longe do prometido.

ROMA-FLOP E VIDA “ESCONDIDA” NO MÉXICO

A mudança para a AS Roma teve dois momentos: um positivo entre 2014 e 2016, altura em que foi titular em diversos jogos pelos “gladiadores”, com estreia oficial na Liga dos Campeões e Liga Europa; e o negativo, que consumou a sua carreira no Roma de titular para suplente utilizado para dispensado e emprestado ao Bournemouth, Torino, e finalmente vendido ao Club Tijuana.

Ao jeito do que foi com o FC Porto, Juan Iturbe saiu pela porta pequena da AS Roma, pois cismava em não querer evoluir ou perceber que o futebol não se joga só no último terço do terreno adversário, pecando muito na assistência à equipa. A falta de físico também foi outro dos problemas do argentino, que em 2009 mudou de nacionalidade novamente para o Paraguai, na tentativa de chegar aos mundiais de futebol de forma mais célere.

A carreira do extremo tem sido pautada por este princípio: de chegar longe sem respeitar timings, arriscando em atalhos sem ouvir os melhores conselhos dados pelas pessoas certas. Iturbe saiu a mal do Cerro Porteño, não cresceu no FC Porto, forçou uma saída para empréstimo, assinou pela Roma, voltou a falhar no crescimento e saiu da Europa.

Milita agora aos 25 anos no UNAM, emblema mexicano, longe da ribalta e ainda com tiques de astro famoso… um flop com mais futebol nos pés que muitos dos outros flops falados nesta rubrica mas que que continua longe de querer aprender e lutar contra situações difíceis.


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