Onde é que anda o Flop: Ghilas, o “canhão” argelino furado da Invicta

Francisco IsaacDezembro 5, 20195min0

Onde é que anda o Flop: Ghilas, o “canhão” argelino furado da Invicta

Francisco IsaacDezembro 5, 20195min0
O ponta-de-lança argelino chegou ao FC Porto sob o semblante que iria trazer uma opção credível para o ataque, mas foi um remate ao lado... Nabil Ghilas e a sua aventura pelo Dragão

Na temporada 2012/2013 o Moreirense FC realizou uma temporada cinzenta na Liga NOS que terminaria na descida divisão a duas jornadas do termo da competição… contudo, poderia ter sido bem pior caso não tivesse existido Nabil Ghilas na frente do ataque dos cónegos. O argelino, com 23 anos na altura, despontou nas acções ofensivas conseguindo 16 golos em 33 jogos pela formação do Minho, apresentando-se como um “tanque” móvel e munido de um pontapé certeiro, sendo o activo mais apetecível do Moreirense mal a temporada termino.

O argelino acabou no meio de uma guerra entre o Sporting CP e o FC Porto, com ambos os emblemas a engajarem num concurso cerrado pela contratação do avançado, motivando até um corte de relações entre instituições. Porquê? Os verde-e-brancos tinham chegado a um acordo com o Moreirense, mas o acordo não forçava que Ghilas assinasse pelos “leões” caso surgisse uma proposta mais vantajosa… ora, foi exactamente o que aconteceu, com o FC Porto a entrar na jogada e a rapidamente fechar acordo com o clube e jogador, impossibilitando ao Sporting CP sequer conversar com o argelino. “Caldo” entornado, corte de relações e Ghilas era dragão.

Contudo, o esforço e os 3M€ depositados no concurso do ponta-de-lança acabaram por se verificar infrutíferos e é facilmente observável pelos números finais: 36 jogos, 4 golos marcados e 6 assistências. Expandindo ainda mais os números, vemos que alinhou a titular por 9 ocasiões, sendo preferencialmente utilizado como solução de banco por Paulo Fonseca e Luís Castro. Actuou na Liga dos Campeões, marcou dois golos na Liga Europa e podemos dizer que ajudou a levantar uma Supertaça Cândido de Oliveira, isto apesar de não ter saído do banco de suplentes.

Nabil Ghilas tinha ou não qualidade para ser uma aceite como solução de banco no FC Porto? Se formos pelo registo final dos números, não, até porque foram raras as ocasiões em que trouxe “chama” ou intensidade para o jogo dos azuis-e-brancos, fracassando mesmo na frente de ataque na hora de finalizar. Mas e pelo trabalho que colocava, a pressão ofensiva e a resposta física, mereceria outra temporada?

Sim e é importante reter alguns apontamentos como o facto da época 2013/2014 de ter sido uma das piores de sempre para o FC Porto, que terminou completamente desgovernado e com um plantel fisicamente destruído, existindo várias lacunas em termos de soluções de banco (Danilo Pereira e Alex Sandro não tinham suplentes para os substituir), caindo Ghilas várias vezes num vazio estratégico de Paulo Fonseca, criando inúmeros problemas não só para quem começava de início mas sobretudo para quem entrava como suplente.

Para quem estranhe o facto de acharmos que Ghilas possuía algumas qualidades merecedoras de mais oportunidades no FC Porto, é só observar alguns dos bons momentos produzidos por si em alguns encontros… seja as notas artísticas (colocamos aqui um passe de letra genial para Jackson Martínez), os pormenores técnicos nas movimentações dentro da área, a potência física para ombrear com centrais/laterais e a “agressividade” com que partia para o esférico, eram detalhes de registo que seriam totalmente insuficientes para se manter na Invicta.

Com um fim de temporada ruinoso para o maior emblema da Invicta, e que até então segurava o bastão de tricampeão, e a entrada de Julen Lopetegui para o lugar de treinador principal tudo mudou, com a saída de vários activos do plantel como seria o caso de Nabil Ghilas, Kléber, Kelvin, Licá, Josué, Carlos Eduardo e mais outros dez, para nunca mais regressarem. Como a maioria dos atletas que foram empurrados para fora do emblema azul-e-branco, Ghilas andou de empréstimo em empréstimo (Córdoba, Levante e Gaziantepspor) até o contrato expirar, pondo fim à ligação ao clube, sem que o FC Porto conseguisse reaver o investimento colocado na contratação do argelino.

Ghilas, que chegou a Portugal em 2010 depois de ter jogado pelo Cassis Carnoux em França, assinou pelo Göztepe, alinhando em 30 jogos (7 golos marcados) pelo clube turco entre 2017-2018 e 2018-2019, sem nunca ter tido grande sorte ou brilhantismo nas oportunidades que teve nos seus pés. Como os adeptos seguidores do futebol português sabem, o poderoso striker de 1,83 metros regressou a Portugal neste defeso para assinar pelo Vitória Futebol Clube com um golo marcado a morar no seu registo pelo emblema sadino.

Com 8 internacionalizações pela Argélia e 2 golos, o avançado agora entra num novo capítulo na sua vida como jogador até porque vai cumprir 30 anos em Abril próximo e esta oportunidade em Setúbal poderá ser a sua última grande oportunidade para estar numa liga de bom nível europeia. Terá sido Ghilas um flop total no FC Porto, pelo preço que custou, apesar das expectativas na altura não serem altas, ou o momento crítico que o clube atravessou foi o grande responsável pela saída de um activo que iniciou uma guerra entre os azuis-e-brancos e o Sporting Clube de Portugal? E se tivesse ido para Alvalade, poderia ter sido outra história?

Fica para a história este momento de Nabil Ghilas pelo FC Porto


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter