Eurosport. “O’Sullivan é o embaixador do Eurosport” (Parte 2/2)

Xavier OliveiraAbril 2, 201818min0

Eurosport. “O’Sullivan é o embaixador do Eurosport” (Parte 2/2)

Xavier OliveiraAbril 2, 201818min0

Nuno Miguel Santos, multi-campeão nacional e referência do snooker em Portugal. Miguel Sancho, outra figura de referência do bilhar em Portugal. Têm em comum o facto de serem as vozes do snooker no Eurosport. Não perca por isso a segunda parte da entrevista do Fair Play, feita durante o Players Championship, onde ambos os comentadores falam sobre o passado, o presente e o futuro do snooker nacional e internacional.

Tanto o Miguel como o Nuno saíram do FC Porto no final da época passada, alinhando agora pelo Snooker Club Lisboa. Contem um pouco como se deu essa mudança.

NMS: Em primeiro lugar quero referir que foram dois anos muito bons, no meu caso foi o regresso ao FC Porto, no caso do Miguel foi a sua estreia, tendo também contado com a presença do Pedro France, e no primeiro ano do Adérito Anil. No fundo já sabia ao que ia, é sempre um prazer representar o FC Porto, foi aliás o clube que mais me marcou na minha vida desportiva, pelo clube que é e, acima de tudo pelas pessoas que tem dentro da sua estrutura. Pessoas essas que sabem valorizar os atletas, dar-lhes todas as condições que estes necessitam e, quando assim é, o caminho para os títulos está aberto ou pelo menos torna-se mais fácil. Nesta passagem de dois anos no FC Porto, dignificamos o clube, sendo que de todos os títulos que disputámos, perdemos apenas uma Taça de Portugal, como tal o FC Porto gostou da nossa participação. Por tudo isso, seria difícil esta temporada repetir todos esses sucessos, porque em primeiro lugar não poderíamos contar com o Pedro France, que deixou de jogar por não conseguir conciliar o snooker com a sua vida familiar e profissional. Por essa razão, percebemos que ou continuaríamos apenas porque sim, ou continuaríamos a jogar para vencer, como é o desígnio do FC Porto. Chegamos assim à conclusão que seria mais interessante iniciarmos um novo projecto, com a certeza porém que a porta no FC Porto ficou completamente escancarada para que possamos voltar um dia mais tarde a unir esforços. Mudamos então de armas e bagagens para o Snooker Club Lisboa, onde continuamos na mesma senda vitoriosa, pelo menos até ao momento.

MS: Na prática não houve uma grande mudança, porque o FC Porto já jogava no Snooker Club Lisboa, sendo a única modalidade que já se jogava fora do distrito do Porto. Falando agora como atleta e como responsável do Snooker Club Lisboa, foi um enorme prazer a parceria que fizemos com o FC Porto, permitiu que o espaço crescesse, já que este apenas existia apenas como espaço comercial e não como clube propriamente dito, tendo-nos permitido assim ter competição ao mais alto nível. Eu nunca tinha sido atleta do FC Porto, ouvia o Nuno e outros dizerem o que era ser atleta do clube, mas quando o senti na primeira pessoa percebi que é fenomenal ser atleta daquela casa, tal como o Nuno dizia, pelas pessoas que lá estão, desde logo pelo próprio presidente do clube, o Jorge Nuno Pinto da Costa, que adora bilhar, sendo isso desde logo uma mais-valia tremenda relativamente aos restantes clubes portugueses. Também pelo responsável máximo da secção de bilhar, que é ao mesmo tempo vice-presidente do clube, o Alípio Jorge, que deve ser a única pessoa em Portugal que é atleta de bilhar ao mesmo tempo que tem tais funções na estrutura directiva. Não sendo nenhuma inconfidência, porque foi o próprio que nos disse, Jorge Nuno Pinto da Costa não perde um jogo de snooker que dá no Eurosport e quando pode, vai ver os torneios ao vivo, seguindo de perto a modalidade. Finalmente também toda a estrutura que está montada naquela casa, na pessoa da Manuela Pinto de Sousa, sendo uma das figuras máximas do bilhar, criando assim uma família ali, que vai desde o presidente do clube até ao mais humilde funcionário, sendo quase impossível replicar tal modelo por este existir num clube grande como o FC Porto, já que são muitos anos, uma família ali criada, havendo várias gerações ali dentro e que nos dão uma força e um carinho que às vezes nem percebemos de onde ela vem, o que torna muito especial lá jogar. Posso dizer que conheço dois casos de jogadores que passando por lá, e não sendo portistas desde pequeninos, depois de passarem por lá ficaram muito marcados, o Nuno e o Pedro Grilo, sendo que hoje posso dizer que sou mais um desses casos. Espero que o FC Porto regresse ao snooker, onde este ano tivemos o regresso do SL Benfica, sendo muito importante ter os ditos três grandes no snooker. Em relação ao Snooker Club Lisboa, o projecto é uma continuidade natural daquilo que aconteceu no FC Porto, do ponto de vista do snooker, para já estamos temos o primeiro lugar garantido em Lisboa, estando assim apurados para as fases finais. Este projecto permitiu o regresso de alguns jogadores da casa à variante de Pool, estando também bem lançados para marcar presença nas fases finais nessa variante, tal como no Pool Português.

Como tem sido a afluência ao Snooker Club Lisboa desde o seu início até então? E contem um pouco acerca da vossa própria experiência em ter o Shaun Murphy lá e a impressão com que o próprio ficou do nosso país.

MS: Em relação ao Snooker Club, acho que tem estado a correr com as dificuldades normais de quem tem que fazer renascer uma casa, mas ainda assim muito satisfeito por aquilo que tem acontecido. O Snooker Club é uma das casas mais históricas de Lisboa, foi criada em 1989, passou portanto toda uma geração, passando por tempos bons, outros menos bons. Desde o falecimento do seu fundador, obviamente que a casa passou um mau período, sendo que aquilo que temos vindo a fazer, não eu pessoalmente, mas sim a equipa extraordinária que lá trabalha liderada pela Isabel Maurício, é fazer renascer das cinzas uma casa que era vital para o bilhar em Lisboa, sendo praticamente a única existente naquela zona central da cidade. O trabalho de recuperação tem sido feito agora com muito mais mulheres, jovens, gente que não ia ao Snooker Club, e que agora vai, grupos, empresas, entre outros, o que torna a casa outra. Do ponto de vista desportivo foi feita paralelamente uma aposta no Pool, no Snooker, no Pool feminino, temos também jovens em idade de esperanças a jogar, como é o caso do Rui Fonte e outros, temos estrangeiros, já que somos uma casa internacional, com jogadores de diversas nacionalidades. Como se costuma dizer, “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, sendo que nós passamos por diversas dificuldades, mas ainda assim temos tido a ajuda de muita gente, sobretudo quer das pessoas que lá trabalham quer dos atletas da casa e que acabaram por formar uma bela equipa, fazendo com que o Snooker Club seja aquilo que foi em tempos, que é uma casa de referência do bilhar nacional.

NMS: Eu jogo em competição desde os meus 16-17 anos e o Snooker Club sempre foi aquela casa de referência. Mas o Miguel acaba por ser algo modesto quando fala, já que o Snooker Club sempre foi, e ainda é, uma das melhores casas de bilhar a nível nacional. Foi uma grande aposta do saudoso António Almeida, uma pessoa pelo qual eu sempre nutri uma grande amizade, conversávamos muitas vezes, ele gostava muito de mim, creio que era recíproco. Sempre foi aquele local onde toda gente queria jogar, de facto estava vários degraus acima do que havia por cá. Chegaram a ser lá feitos torneios importantes com os melhores jogadores a nível nacional e, sempre houve ali uma grande entrega por parte do fundador, que queria ficasse tudo ao pormenor e que tinha um enorme orgulho quando alguém lhe dizia que aquela era a melhor casa do país. Eu na altura conhecia praticamente todas as casas de bilhar em Portugal e, posso dizer com certeza que aquela era sem dúvida a melhor casa, não só para se jogar, mas também para se conviver. Tinha sempre os melhores materiais, tendo feito uma aposta mais recentemente numa mesa que acho que até hoje é a única da marca Star em Portugal, tendo também comprado quatro mesas de 9 pés, tudo de qualidade topo para garantir as melhores condições aos melhores jogadores. O facto de o turismo estar em alta na cidade de Lisboa, faz com que por exemplo entrem grupos enormes de pessoas estrangeiras pela casa adentro, disfrutando e adorando o espaço porque de facto é um espaço muito bem concebido e insonorizado. Quanto ao Shaun Murphy, adorou estar cá em Portugal, no que a nós diz respeito foi óptimo, muitíssimo bem tratado, sendo que a brincadeira que fizemos com ele correu muito bem, ele colaborou imenso (risos), tanto comigo como com o Pedro France, onde na altura foi basicamente a apresentação da equipa do FC Porto. Foi um bom evento, também uma excelente oportunidade de vermos um dos melhores jogadores da actualidade em acção, sendo que nos falta uma coisa ao espectador português, que é um jogador quando joga uma bola, não tem que jogar para embolsar, eles de vez em quando também falham e quando não estão naquele modo competitivo há mais facilidade em isso acontecer. Falta-nos ainda alguma cultura de snooker, isto também já tinha acontecido em 2004, aquando da vinda do Paul Hunter cá a Portugal, no Pavilhão das Travessas, chegaram a assobiá-lo por ele ter falhado algumas bolas, como se o mais fácil ali não fosse falhar e, apesar de isso ter melhorado drasticamente, ainda há um longo caminho a percorrer. O Murphy levou ainda uma lembrança de Lisboa oferecida pelo António Barroso (jornalista do jornal A Bola), um eléctrico de Lisboa em miniatura e uma bola de cristal “The Magician”, adorou a comida portuguesa, como não poderia deixar de ser, sendo que ele já conhecia bem Portugal, já que tinha passado férias no Algarve com os pais, em miúdo. Só para finalizar, ainda levou uma “tareia” do Miguel Sancho no Pool Português (risos).

Miguel Sancho (à esquerda) e Nuno Miguel Santos (à direita) (Fonte: Vasco Simões/Eurosport)
Sobre a presença de jogadores profissionais em terras lusas, os rumores de que brevemente haverá um ‘major’ em Portugal vão aparecendo. Quão importante seria para Portugal um torneio desses tornar a acontecer? E de que forma é que se poderá alavancar esse tipo de eventos?

MS: O regresso de o snooker a Portugal obviamente seria sempre bom. A projecção mediática que houve no snooker em 2014 com o Lisbon Open, nunca tinha existido em Portugal, nem nunca a voltaremos a ter tão cedo. Só para se ter uma ideia, o Nuno deu uma entrevista para o Telejornal da RTP, sendo que não há muitas modalidades que o tenham feito para o próprio Telejornal. O João Grilo dizia na brincadeira, que não sendo jogador de snooker, só o facto de ter conseguido chegar ao quadro da fase final do Lisbon Open fez com que ele fosse mais reconhecido, do que com todas as vitórias que tinha obtido antes. Mesmo em termos de imprensa, nunca esperei que corresse tão bem, já que estamos a falar da presença dos três grandes canais generalistas, de todos os jornais desportivos e não desportivos, da Agência Lusa, meios de comunicação social estrangeiros, tendo havido conferências de imprensa com a presença de mais de 20 jornalistas. Em termos de bilhética, nem nós esperávamos uma coisa assim, com os bilhetes mais caros a serem comprados rapidamente, bilhetes a serem vendidos para o país inteiro, tendo havido inclusive um casal israelita a vir de propósito ao Lisbon Open.

NMS: Tal como o Miguel disse, seria óptimo que o snooker regressasse a Portugal. Eu gostava de ser mais ambicioso e que ele regressasse com a tal formação para os que cá ficam depois do evento. Do ponto de vista da modalidade, poderia ser esse o legado que a World Snooker poderia deixar para os anos que aí vêm, deixando por exemplo algumas mesas para projectos de formação. Claro que desta vez a vir um torneio a Portugal teria de ser feito com muito mais tempo e mais bem pensado. Se tal acontecer, acima de tudo é necessário que seja bem feito, bem negociado e que possa trazer uma mais-valia desportiva para as provas da Federação que se realizem no futuro.

Barry Hearn soube como ninguém levar o snooker a patamares estratosféricos. Até que ponto seria interessante a World Snooker apostar mais nas redes sociais, apostando por exemplo em vídeos dos bastidores, do dia-a-dia dos jogadores, etc.

MS: Eu percebo o que estás a dizer, e dou-te razão, sendo que o problema não são propriamente os direitos, mas sim o facto de o Barry Hearn não ter conseguido chegar a todo lado. A World Snooker já percebeu que havia muito trabalho a fazer nas redes sociais e acho que o estão a fazer agora, estando provavelmente a entrar um bocadinho tarde. Acho que andaram demasiado tempo ligados ao Twitter, já que os ingleses estão fixados nesta rede social, deixando o Facebook para trás. Aquilo que tem acontecido nos últimos anos é muito devido à parceria que foi feita em 2016 com o Eurosport, ou seja foi essa ligação que fez com que nos últimos dois anos a aposta nas redes sociais tenha sido maior. Na minha opinião penso que faltam fazer algumas coisas, o programa do Ronnie O’Sullivan era bom, mas é curto, acho que falta mais promoção da modalidade para além do jogo propriamente dito. Noto no Eurosport, a falta de um magazine sobre snooker, acho que era muito importante. Este tipo de magazines poderia ser inclusive criado para o YouTube. Em Lisboa aquando da prova realizada, existia uma promoção da cidade de dez segundos a passar antes do início da transmissão. O ‘behind of scenes’ é outro caminho que devia ser explorado, já que permite que conheçamos mais e melhor os jogadores.

NMS: O Barry Hearn está ligado também à Matchroom Sport, à organização da World Pool Masters e do World Cup of Pool, sendo essas provas pontualmente transmitidas em directo no Facebook para os países que não têm acordos, sendo difícil responder a essa pergunta já que não sei quais são as condicionantes que muitas vezes existem. A World Snooker tem esse acordo firmado com o Eurosport, não fazendo sentido por exemplo transmitir esses encontros no Facebook nos países em que existe o Eurosport, acontecendo o mesmo com a CCTV para os países asiáticos.  Em termos de ‘behind of scenes’ não estou muito de acordo com o Miguel, havendo o caso do já infelizmente falecido Paul Hunter, que estava assiduamente presente em revistas cor-de-rosa, muitas vezes pelo seu perfil, pela sua fisionomia e esse não é um trabalho que caiba à World Snooker, como a FIFA e UEFA não o fazem no caso do futebol.

Da esquerda para a direita: Xavier Oliveira (Fair Play), Nuno Miguel Santos e Miguel Sancho (Fonte: Vasco Simões/Eurosport)
O mundial está aí ao virar da esquina. Fazendo um balanço daquilo que aconteceu até agora e perspetivando o que possa vir a acontecer em Sheffield, quem são os verdadeiros candidatos a vencer?

NMS: Essa é das perguntas que mais me fazem e eu só consigo dizer que tudo depende daquilo que vão jogar. Quando jogamos por equipas, mesmo que haja um jogador a jogar mal, se os outros jogarem bem e ganharmos, está tudo bem. Numa modalidade individual não há essa hipótese, não há forma de refugiar em ninguém, sou eu contra o meu adversário. Em relação a vitórias, eu acho que não podemos fugir aos três “velhinhos” (Ronnie O’Sullivan, John Higgins e Mark Williams). Mark Selby acaba por ser ainda uma incógnita, é um jogador que se vai preparar e muito para este mundial. É verdade que ele esta época ganhou o International Championship, mas não deixa de ter uma época para salvar. É aquele tipo de jogador que mesmo não estando em boa forma técnica e tática, está em boa forma física, sendo que a técnica e táctica podem ser treinadas, acabando por ser um torneio que lhe entra que nem uma luva, com jogos e distâncias longas, sendo ele um jogador resistente e resiliente. Sinceramente, não sei se atualmente o Ronnie tem o estofo necessário para ganhar o mundial. John Higgins já revelou não ter forma para aguentar um torneio tão longo, mesmo a derrota de 6-0 frente ao Anthony McGill, no Players Championship, não augura nada de bom. Mark Williams está num bom período mas ainda com alguma irregularidade, tendo novamente o problema de 17 dias ser muito tempo. Judd Trump, acaba por ter uma grande vantagem em relação aos outros, já que vai estar fora do China Open, o que lhe permite descansar mais alguns dias.

MS: Eu acho que sinceramente poderemos ter Judd Trump como campeão do mundo, estando a surpreender um bocadinho contra todas as expectativas. Pelas declarações que ouvi estes dias da parte dele, acho que a derrota dele o ano passado frente ao Rory McLeod lhe serviu de emenda. Ele referiu em declarações após o encontro frente ao Neil Robertson, no Players Championship, que não quer pressão em cima dos ombros dele e que não pensa estar na linha da frente para vencer o mundial. Eu acho que ele juntamente com o Selby, do ponto de vista técnico e físico são os que têm mais capacidade. Tenho muitas dúvidas sobre Ronnie, porque depende sempre muito do estado de espírito do mesmo, já que desde 2013 vemos sempre o inglês a ter um dia mau. Mas claro que o facto de ainda não estar disponível o quadro final, complica sempre estes prognósticos.

Façam um apelo para que as pessoas acompanhem o snooker no Eurosport, com destaque para o mundial, explicando o porquê de o deverem fazer.

NMS: Devem ver o snooker no Eurosport, porque a partir do dia 21 de Abril e até 7 de Maio, o mundo pára e não há mais nada para fazer (risos). Teremos três sessões por dia, 9 a 10 horas de emissão diária, no Eurosport 1, com comentários de Nuno Miguel Santos e Miguel Sancho, levando todas as emoções do Crucible Theatre a sua casa, aqui no Eurosport, a casa do snooker.

MS: Parece que ao mesmo tempo há outras provas desportivas menores, como a Liga dos Campeões, não sabendo sinceramente do que estão a falar (risos). Portanto do dia 21 de Abril até ao dia 7 de Maio, só há uma coisa a fazer, que é ligar o Eurosport 1 ou Eurosport 2, é à escolha. Serão 150 horas de directo, sendo importante referir que o Ronnie O’Sullivan é o embaixador do Eurosport, sendo que se ele perder mais cedo, há fortes probabilidades de subir para a cabine dos comentários e ensinar-nos um pouco sobre isto (risos).

O Fair Play agradece ao Nuno Miguel Santos, Miguel Sancho, bem como toda equipa do Eurosport, pela disponibilidade e simpatia demonstrada em todo o processo da entrevista. Desejando as maiores felicidades e o maior sucesso a ambos, quer como atletas, quer como comentadores e ao canal Eurosport.


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