Arquivo de Futebol - Página 2 de 148 - Fair Play

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Bruno Costa JesuínoMarço 20, 20206min0

Em três décadas de vida nunca eu vi falar-se tão pouco de futebol. Muitas vezes parece ser um desporto que funciona num mundo à parte mas é jogado e gerido por humanos. E o ser humano tem a capacidade tanto de nos surpreender como de nos desiludir de um minuto para o outro. Mas depois de muita hesitação o futebol entrou em quarentena num mundo de oito e oitentas.

Pára. Não Pára. Pára um bocadinho. Até que pára de vez.

Houve quem tentasse manter o futebol activo mesmo numa altura em que já era o que menos interessava, mas felizmente houve consciências que o pararam. Aos poucos, mas pararam. O mundo começou a parar. O desporto parou. O futebol tinha de parar.

Várias actividades desportivas já deveriam ter parado há mais tempo. Sendo um problema transversal a todo a toda a humanidade, não fez qualquer sentido realizarem-se jogos num determinado local, enquanto outros jogavam à porta fechada ou iam sendo adiados.

Felizmente houve quem teve a ‘coragem’ de parar mais cedo. Num mundo global e com poucas fronteiras não serve a desculpa: “ah e tal mas aqui não tínhamos casos”. Com a constante circulação de pessoas de um lado para outro, um vírus de transmissão fácil como este viaja de um lado ao outro do mundo num ápice. Bons exemplos como de Macau, que ali ao lado da origem do vírus, fechou as suas fronteiras desde as primeiras notícias de casos.

O vírus que está a virar tudo de ‘pernas para o ar’

Ligamos a televisão, olhamos para as notícias. Fazemos zapping. Passamos pelos canais de informação. Nada. Nada de futebol. Vá quase nada. Nem para segundo, nem para terceiro plano, passou para décimo plano. Sendo que os outros nove se referem, por motivos tão óbvios quanto sérios, ao vírus que está a virar tudo de pernas para o ar.

O mais importante agora não é saber quem vai ser campeão ou a forma mais justa de o decidir, quando vai ser o Europeu, como os jogadores podem treinar… Como diria o grande JJ – que felizmente acusou negativo ao terceiro teste – isso são ‘peaners’. Importa centrar-nos nesta ‘guerra’ contra um inimigo invisível em que a nossa maior arma é o civismo e respeito pela ordem de quarentena, sendo esta voluntária ou não.

“O futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes”

Gostaria muito de dizer que esta frase era da minha autoria, mas infelizmente não é. Adoro frases que em poucas palavras dizem muita coisa e, esta afirmação do treinador italiano Arrigo Sacchi, encaixa que nem uma luva na situação actual. Encaixa tanto, que vou voltar a escrevê-la só para a lerem uma vez mais: “O futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes”,

A paixão sem limites que nos tira os pés do chão

Não será por acaso que é apelidado de desporto rei. O futebol move multidões, emoções, desejos, vontades, desesperos, frustrações e, tantos outros, sentimentos. É um verdadeiro fenómeno social, fortemente ligado à vida cultural em todo o mundo. Desperta a paixão de milhões de pessoas, libertando o lado mais instintivo e competitivo daqueles que acompanham cada jogo, na televisão ou na internet e até viajam para o outro lado do mundo para apoiar as cores do seu clube.

Com base neste comportamento social, o futebol muitas vezes parece a coisa mais importante da vida… pelo menos durante 90 minutos.

Futebol é uma das indústrias importantes

Apesar de não ser o mais importante, não podemos deixar de ver o futebol como uma ‘indústria’ importante. Tanto a nível de clubes como de seleções move milhões e milhões, e tem um impacto significativo no sector da economia e até do turismo. Deve ser tratado com a devida importância mas pondo, pelo menos por agora, a parte mais irracional de lado.

Muitos dos responsáveis do futebol, um pouco por todo o mundo, tentaram adiar as paragens dos campeonatos centrando-se apenas no desastre financeiro que seria. No entanto, como deveria ser sempre, os protagonistas principais foram os jogadores. Aproveitando o popularidade que têm, muitos deles lançaram nas redes sociais apelos para o futebol parar e para as pessoas ficarem em casa. Felizmente funcionou.

Portugal como campeão europeu até 2021?

O Campeonato da Europa vai ser mesmo adiado, ao que tudo indica para 2021. No entanto, também é possível que possa acontecer nos últimos meses de 2020, servindo de adaptação para o Mundial do Qatar de 2022 que se vai realizar de 21 novembro a 18 de dezembro. É uma hipótese que poderá fazer muito sentido, caso esta situação pandémica fique controlada nos próximos 3 ou 4 meses. Até lá, Portugal continua como campeão europeu até 2021.

Mas por enquanto vamos centrar-nos em vencer o campeonato da vida derrotando o Covid-19.

Vamos jogar o verdadeiro derby

Ontem, enquanto escrevia este artigo, tinha feito o apontamento que o queria acabar com o mote  “vamos jogar o verdadeiro derby”. Pouco depois, deparei-me com uma partilha que tinha esta descrição:

“Num momento que nunca foi por nós vivido, pede-se que sejamos os atores principais de um qualquer filme apocalíptico que nos habituámos a ver pela televisão”

“Agora coloquemo-nos todos a centrais e de forma bem clara vamos deixar este vírus fora de jogo!”
Venceremos ❣️🙏🏻 “

Conteúdos de qualidade. Precisam-se.

Numa altura em que a infodemia é maior que a pandemia, é bom dar relevo, partilhar e agradecer os conteúdos de qualidade, sejam eles informativos ou inspiracionais, como este. Bem precisamos. Obrigado ao Guilherme, pela autoria (mais uma), e à Sara, cujo timing de partilha fez com que visse este vídeo e o incluísse no artigo.

 

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Marcial CortezMarço 20, 20205min0

Hoje vamos falar de uma inusitada experiência que tive recentemente, quando pude assistir ao vivo um dos clássicos mais enigmáticos e emocionantes do futebol sul-americano: Racing X Independiente.

Nestes tempos de reclusão, quarentena e suspensão do futebol, nada como relembrar grandes histórias envolvendo este esporte que movimenta as multidões.

Quando se fala em Argentina, imediatamente o jogo entre Boca e River vem às nossas cabeças. Sim, é verdade, estamos a falar de um clássico gigantesco, que até já decidiu a Libertadores em terras europeias. No entanto, Boca x River não é o único clássico argentino. Há muito mais jogos interessantes nas terras portenhas do que sonha a vossa vã filosofia.

Racing x Independiente é um deles. A rivalidade começa na localização geográfica. Avellaneda, uma pequena cidade da região metropolitana de Buenos Aires, tem pouco mais de 30 mil habitantes, que se dividem em adeptos do Independiente (El Rojo) e do Racing Club (La Academia). Os dois estádios ficam a poucos metros de distância e a cidade respira futebol. No entorno das arenas, vários bares e restaurantes ficam lotados nos dias de jogos, que assim como nas principais cidades brasileiras, também contam com claque única (por questões de segurança, quando o jogo é no estádio do Racing, somente os adeptos do Racing o assistem, e vice-versa).

O estádio do Racing, conhecido como ¨El Cilindro¨, tem capacidade para 51 mil adeptos que lotam a arena em todas as partidas. É uma claque extremamente apaixonada pelo clube e conta com uma banda musical chamada ¨La Guardia Imperial¨, que comanda todos os cantos durante os jogos. No link https://www.letras.mus.br/la-guardia-imperial é possivel conhecer e ouvir os gritos de guerra e as letras dos coros dos adeptos do Racing.

E aqui começamos a fazer um paralelo entre as claques no Brasil e na Argentina. Há uma diferença fundamental entre as duas: enquanto os adeptos brasileiros costumam ¨jogar junto com o time¨, ou seja, se o time vai bem, a claque cresce, e se o time vai mal, a claque diminui o volume e costuma ficar tensa (isso ocorre com todas as claques de todos os clubes brasileiros), na Argentina o comportamento da claque parece ser independente do jogo ou do resultado do mesmo. Há um famoso vídeo no Youtube que mostra um jogo entre Racing e River Plate, no qual o River aplica uma goleada de 6 a 1 na Academia, e mesmo assim os adeptos continuam a fazer uma festa gigante, algo inimaginável nos estádios brasileiros.

Outro ponto que chamou-me muito a atenção foi que a maioria dos cantos das claques brasileiras são copiados dos coros argentinos. Muitas vezes, são apenas traduzidos para o português do Brasil e em algumas situações tem as letras adaptadas para adequação à métrica musical. Veja estes exemplos com cantos das torcidas de Palmeiras e São Paulo:

Fonte: www.letras.com.br

 

Em contrapartida, se nas arquibancadas os argentinos são melhores que os brasileiros, o mesmo não se pode dizer quanto à qualidade do futebol apresentado. As duas equipas estavam em posições intermediárias na tabela do Campeonato Argentino, com o Racing ligeiramente melhor e ainda a lutar por uma vaga na Copa Libertadores 2021 (ao final do campeonato, o Independiente ficou em 14o lugar e o Racing conseguiu a vaga para a primeira fase classificatória do principal torneio sul-americano).

E onde faltou qualidade, sobrou raça. O jogo foi Histórico. Assim mesmo, com H maiúsculo. Os donos da casa jogaram razoavelmente bem no primeiro tempo, até que aos 39 minutos o guarda redes Arias foi expulso. E na sequência, no início da segunda etapa, nos primeiros segundos de bola rolando, o jogador Sigali também levou o cartão vermelho, o que fez com que o Racing jogasse com apenas nove atletas durante todo o segundo tempo. E o que se viu a partir daí foi um verdadeiro massacre vermelho. O time do Independiente jogou o tempo todo no campo de ataque, acuando os donos da casa em sua grande área. Parecia um treino de ataque contra defesa. Mesmo nessa situação difícil, os adeptos do Racing não deixaram a energia diminuir, e a cada ataque do alvirrubro mais subia o volume e a temperatura nas arquibancadas.

Até que num desses momentos arrebatadores que só o futebol pode nos proporcionar, num contra ataque aos 41 minutos do segundo tempo, o avançado Chelo Diaz conseguiu fazer o único golo da partida, cravando a histórica vitória por 1 a 0. Desnecessário dizer aqui o que aconteceu nas arquibancadas. Foi uma festa de conquista de campeonato. O torcedor do Racing, que comemora até quando está a perder do River por 6 golos, explodiu numa alegria jamais vista, ao derrotar o arquirrival de camisola rubra em situação tão dramática. Ao Independiente, só restou lamentar a perda da oportunidade de fazer um belo resultado na casa do inimigo.

 

Foto: Marcial Cortez

Então siga a minha sugestão. Aproveite este tempo de quarentena e suspensão do futebol para assistir aos grandes clássicos deste esporte que tanto nos encanta. Garanto que não irás te arrepender. E mesmo sendo brasileiro, sou obrigado a concordar com os argentinos: no que se refere à festa nas arquibancadas, Maradona é melhor que Pelé.

 

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Bruno DiasMarço 18, 20205min0

O mundo encontra-se cada vez mais em suspenso devido ao COVID-19, e a "La Liga" não é excepção. Qual será o futuro da competição para a época actual?

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Renato SalgadoMarço 12, 202011min0

Poucos assuntos são tão maltratados no futebol quanto o fair play financeiro. Quando não são as teorias da conspiração, vêm as conclusões equivocadas pelo desconhecimento de como o mecanismo funciona e para que serve – ainda mais depois que acontece um caso controverso e gigantesco, como o banimento do Manchester City da Liga dos Campeões pela Uefa por dois anos.

Quais são as regras? Haverá um sistema similar no Brasil? Caso tivéssemos as mesmas regras do futebol europeu, nossos clubes passariam pela prova? Baseado no estudo do economista e consultor Cesar Grafietti – que dedicou o último ano ao estudo do fair play financeiro a partir de Milão, na Itália, em contato direto com dirigentes do futebol europeu, o portal tenta esclarecer as principais dúvidas.

Para que serve o fair play financeiro?

Para melhorar a condição financeira dos clubes de futebol e tornar o mercado como um todo mais estável e sólido. Caso você prefira o palavreado oficial, o trecho abaixo consta no documento em que a Uefa explica o sistema de licenciamento e fair play financeiro.

“a) Para melhorar a capacidade econômica e financeira dos clubes, aumentando a transparência e a credibilidade deles;

b) Para colocar a proteção necessária a credores e garantir que clubes cumpram suas obrigações com funcionários, impostos e outros clubes;

c) Para introduzir mais disciplina e racionalidade nas finanças dos clubes de futebol;

d) Para encorajar clubes a operar com base nas receitas deles;

e) Para encorajar o gasto responsável pelo benefício de longo prazo do futebol;

f) Para proteger a viabilidade e a sustentabilidade do futebol europeu no longo prazo.”

O sistema tenta reequilibrar o futebol?

Não. A desigualdade financeira é um problema evidente no futebol europeu, com a concentração de dinheiro em alguns poucos clubes em detrimento da maioria, tendo como consequência mais grave a perda da competitividade e a previsibilidade de campeonatos nacionais. Mas esta não é uma questão endereçada pelas regras do fair play financeiro.

Fair play financeiro é novidade?

Não. A Alemanha adota regras para estimular a boa administração financeira desde 1962, por meio da Bundesliga. Na Itália, o sistema começa a vigorar em 1981 por força de legislação. Na Holanda, o fair play financeiro surge em 2003 pelas mãos da KNVB – a federação nacional.

A Uefa cria seu próprio sistema de licenciamento e fair play financeiro em 2009, a partir daí com regras para todo o continente europeu, num momento em que os clubes passavam por mau momento financeiro. O mundo inteiro passava por uma crise econômica, na verdade.

Quais são as regras ditadas pela Uefa?

  • Prejuízo máximo de 5 milhões de euros por no máximo três anos, podendo chegar a 30 milhões de euros, se houver aporte de recursos por parte do acionista para cobrir a diferença. Custos com infraestrutura, categorias de base e futebol feminino são desconsiderados do cálculo para incentivar esse tipo de investimento
  • Acionistas ou empresas que façam parte do mesmo conglomerado – leia-se: partes relacionadas – podem injetar dinheiro na operação desde que o aporte não seja maior do que 30% sobre a receita bruta
  • A auditoria externa precisa concluir, em seu parecer sobre o balanço financeiro, que não existe risco de descontinuidade operacional
  • O patrimônio líquido deve ser positivo. Ou seja, o clube precisa ter mais ativos (bens) do que passivos (dívidas)
  • O endividamento não pode ser maior do que 30 milhões de euros. A quantia também não pode representar mais do que sete vezes o EBITDA – isto é, a diferença entre receitas e custos operacionais, antes de considerar impostos, depreciações e amortizações
  • O investimento na contratação de jogadores não pode ser maior do que 100 milhões de euros na diferença entre compras e vendas

Por que o Manchester City foi punido?

O Manchester City foi comprado pelo atual proprietário em 2008 e pertence majoritariamente à Abu Dhabi United Group, conglomerado dos Emirados Árabes que tem como controlador o sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, por sua vez membro da família real de Abu Dhabi.

Eis que o clube recebeu patrocínio da Etihad Airways, companhia aérea que pertence ao mesmo conglomerado. A Uefa entendeu que o patrocínio, muito acima do valor praticado no mercado, foi feito para burlar a regra que limita o aporte de recursos por parte de acionistas.

Manchester City — Foto: Reuters

Por que o PSG não foi punido?

O caso é muito parecido com o anterior. O Paris Saint-Germain foi comprado em 2010 e pertence ao Qatar Sports Investiments, um braço esportivo do Qatar Investiment Authority (QIA), que por sua vez representa o governo do Qatar nos negócios que realiza pelo mundo.

O Brasil vai ter fair play financeiro?

A CBF tem planos para implementar seu próprio sistema ainda em 2020, mas o anúncio oficial ainda não foi realizado pela entidade. Cesar Grafietti, inclusive, foi contratado como consultor para estudar os mecanismos europeus e desenhar um modelo para o futebol brasileiro.

Quais clubes poderiam ser punidos?

Enquanto a CBF não anunciar as regras do fair play financeiro para o país, não haverá clareza sobre ajustes necessários e riscos enfrentados pelos clubes brasileiros. Num exercício de lógica, caso as mesmas regras europeias fossem aplicadas aqui, muitos teriam problemas.

  • A maioria dos clubes possui pareceres de auditorias externas que apontam para o risco de descontinuidade operacional
  • A maioria dos clubes possui patrimônio líquido negativo – quando dívidas são maiores do que todos os bens, contratos etc
  • Apesar de ser uma exigência do Profut, muitos clubes registram deficits (prejuízos) superiores ao limite imposto pela legislação
  • No caso do Bragantino, os investimentos feitos pela Red Bull, com dinheiro vindo da Áustria, quebrariam a regra que limita em 30% do faturamento os aportes de partes relacionadas. A empresa precisaria repensar sua estratégia se houvesse esse mecanismo no Brasil

Especificamente no quesito sobre o patrimônio líquido, tendo como base os balanços patrimoniais referentes a 2018, os mais recentes disponíveis, mais da metade dos clubes do Campeonato Brasileiro reprovaria.

O patrimônio líquido do futebol brasileiro

2018 Patrimônio líquido Reprovaria no fair play?
Athletico-PR 424 Não
Atlético-GO -3 Sim
Atlético-MG 133 Não
Bahia -104 Sim
Botafogo -654 Sim
Red Bull Bragantino Não tem balanço Não tem balanço
Ceará 1 Não
Corinthians 263 Não
Coritiba -55 Sim
Flamengo 1 Não
Fluminense -257 Sim
Fortaleza -18 Sim
Goiás -12 Sim
Grêmio -60 Sim
Internacional 337 Não
Palmeiras 60 Não
Santos -302 Sim
São Paulo 107 Não
Sport 20 Não
Vasco -358 Sim
Cruzeiro -46 Sim

Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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