Arquivo de FP+ - Fair Play

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Francisco IsaacDezembro 21, 20253min0

Apresentamos mais quatro atletas portugueses que se mostraram em grande em 2025, com Pedro Pichardo entre os nomes desta segunda parte.

Pedro Pichardo (Triplo Salto)

Mais um Mundial, mais uma medalha de ouro e mais uma meta alcançada por um dos melhores de sempre no triplo salto: Pedro Pichardo! Em 2025 o atleta cubano-português foi um dos protagonistas nacionais no Mundial de Atletismo, conseguindo na última tentativa alcançar um salto de 17,91 metros para assegurar a medalha de ouro, conquistada no mesmo palco que a Olímpica em 2021! Depois de meses a lutar para recuperar a melhor forma, o atleta de 32 anos voltou a mostrar que é capaz de conquistar novas metas e horizontes, tendo honrado Portugal novamente ao mais alto nível, exibindo uma forma estrondosa, sendo agora bicampeão na modalidade.

Isaac Nader (1500 metros)

Aquele arranque final de Isaac Nader na prova dos 1500 metros ficará para sempre recordado como um dos momentos mais espetaculares do atletismo e desporto português, com o velocista a meter a 6ª para ultrapassar todos os seus adversários na final, conquistando a primeira medalha de ouro de Portugal nesta especialidade do atletismo internacional. Depois de ter somado um bronze nos campeonatos da Europa de indoor, Nader continuou a trabalhar arduamente para chegar em grande a Tóquio, conseguindo se qualificar para a final. 2025 também foi o ano em que o velocista de Faro garantiu o seu melhor record pessoal com 3:29:37 (Ostrava). Nader foi estrondoso durante o ano e parece estar cada vez mais crente nas suas capacidades.

Yolanda Hopkins (Surf)

Como o nosso autor Palex Ferreira explicou no seu último artigo para o Fair Play

“A Yolanda é a prova viva de que o talento português pode chegar ao topo mundial. A sua garra, consistência e determinação mostram que o surf feminino em Portugal não está só a crescer — está a afirmar-se. Ver uma surfista nacional no circuito mais exigente do mundo é inspirador. E mais do que isso, abre portas e mentes. Porque quando uma chega lá, muitas outras acreditam que também podem.”

A portuguesa conquistou o acesso à WSL, tendo sido a primeira a registar este feito depois de uma temporada memorável e que abrirá portas para o surf nacional.

Nuno Mendes (Paris Saint-Germain)

Poderíamos colocar Vitinha também aqui, mas a verdade é que Nuno Mendes desempenhou um papel fulcral na conquista da Liga das Nações e a qualificação de Portugal para o Mundial de Futebol como para o levantar da primeira Liga dos Campeões do Paris Saint-Germain, com o lateral-esquerdo a ter se exibido sempre em grande forma durante toda a temporada. Em 46 jogos pelo emblema parisiense, o ex-Sporting CP marcou seis golos e realizou sete assistências, impondo uma elegância quase única extraordinária que poucos jogadores possuem, sendo ao mesmo tempo um atleta voraz e capacitado de uma visão de jogo quase única. Foi eleito o melhor jogador da fase final da Liga das Nações, esteve nomeado para os melhores da Liga dos Campeões e terminou em 9º lugar na distinção do Melhor do Ano para a FIFA.

Com as conquistas da Ligue 1, Liga dos Campeões e Liga das Nações, Nuno Mendes passou a ser o jogador com ou menos de 23 anos com mais títulos conquistados, uma marca inegável do quão importante tem sido para clube e selecção.

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Francisco IsaacDezembro 14, 20254min0

Quantas jovens estrelas atingiram o patamar mais alto do futebol mundial para depois caírem abruptamente ou, pior, devagar sem nunca encontrarem um rumo de regresso aos títulos internacionais e aos grandes palcos (como é o caso de Jean-Kévin Augustin)?

Nesta rubrica não procuramos descobrir quem tem culpa, mas sim as razões desse desaparecimento, perceber onde foram parar e se há alguma hipótese de redenção. E atenção, não dissemos desaparecemos porque ainda jogam seja numa primeira, segunda ou terceira divisão.

Se conheces mais casos deixa nos comentários para investigarmos e falarmos desses nomes.

ESTRELINHA FRANCESA QUE SE ECLIPSOU CEDO

Jean-Kévin Augustin, um nome que não será de todo estranho ao adepto da bola redonda, especialmente aqueles que acompanham a Ligue1 ou a Bundesliga, duas ligas em que o ponta-de-lança de 28 anos passou por mas sem deixar uma marca inesquecível. Aos 28 anos o francês está sem contrato depois de uma experiência falhada ao serviço dos polacos do Motor Lubin, estando bem longe dos holofotes que despontaram sobre si durante os seus primeiros anos como sénior.

Formado (parcialmente) no PSG, o bombardeiro rapidamente ganhou destaque no futebol de selecções, especialmente nos sub-19, marcando 13 golos em 13 jogos quando chegou a essa categoria júnior. Capacitado de um pé quente e de um poder de velocidade aterrador, Augustin era uma total ameaça para qualquer defesa que defendesse demasiado ao homem, com o ponta-de-lança a se desfazer rapidamente do seu marcador directo, fugindo em direção à baliza adversária.

Aos 18 fez a sua estreia pelo Paris Saint-Germain, ajudando o emblema parisiense a conquistar mais uma Ligue1, somando um golo em 13 jogos no campeonato, mais uns quantos na Europa e Taça. O futuro era promissor, já que parecia que o avançado possuía todas as artimanhas e habilidades para fazer a diferença no último terço, apesar de necessitar de ser melhor trabalhado no que toca ao poder de decisão e solidariedade colectiva.

Em 2016 ajudou os sub-19 da França a conquistar o Europeu, sendo o vencedor do jogador do torneio, para além do melhor marcador com seis golos em cinco jogos. Porém, nesse Europeu o seu maior mérito nem foi os golos, o prémio do melhor jogador do torneio e o melhor goleador, foi o facto de ter sido escolhido como o jogador mais talentoso das hostes francesas, ultrapassando, na altura, o impacto de Kylian Mbappé ao serviço dos Bleus.

Passado um ano volta a ser destaque pela França agora no Mundial de sub-20. Na fase-de-grupos ensacou três golos e três assistências, ajudando à França a garantir o 1º lugar do grupo o que avizinhava bonança quando chegasse as eliminatórias. Porém, foi o contrário. Apesar do golo marcado frente à Itália, a França acabaria eliminada nos oitavos-de-final com o jovem talentoso Augustin a ficar longe dos destaques finais apesar dos 5 golos concretizados.

No entretanto, JeanKévin Augustin foi etiquetado de transferível e acabou vendido ao RB Leipzig, que via no ponta-de-lança a possibilidade de fazer uns bons vários milhões. Todavia, e como aconteceu no Mundial de sub-20, tudo correu mal mesmo depois de um arranque fulminante com 9 golos em 21 jogos. No ano seguinte faria menos jogos como titular, e, por conseguinte, menos golos. Mas qual o motivo para este retrocesso? Comportamentos pouco profissionais. Augustin foi constantemente caçado pelo staff em situações nada positivas, com a direção do clube a perder totalmente a paciência e a empurrá-lo para a lista de empréstimos.

Foi cedido ao AS Monaco por uma época e… correu mal. Poucos jogos, nenhum golo e comportamento reprovável novamente. Foi cedido ao Leeds United e… repetiu-se a saga. Colegas de equipa queixaram-se dos seus comportamentos pouco profissionais.

Seguiu-se uma ida para o Nantes no qual somou zero golos em 12 jogos, acabando mesmo por jogar uma época inteira na equipa B, numa altura em que Mbappé brilhava. Teve uma última oportunidade para singrar no futebol sénior quando foi transferido para o FC Basel, somando várias aparições e alguns golos. Contudo, nunca impressionou e depois de duas temporadas na Suíça foi transferido para a Polónia que, como já explicámos no início, foi uma estadia que durou pouco.

Está agora à procura de clube, mas devido à sua postura e atitude, parece que a carreira caminha para o fim. Quem alguma vez pensaria que um MVP do Europeu de sub-19 e bota de bronze de um Mundial de sub-20 acabaria desta forma?


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