Victor Abussafi, Author at Fair Play

alex-muralha-thiago-heleno-atletico-pr-flamengo-libertadores-26042017_dzo7kpt3a7i71hd4op7k0zx2l.jpg?fit=1200%2C675&ssl=1
Victor AbussafiSetembro 30, 20174min0

Precisamos falar do caso do Alex que deixou de ser muralha. O futebol brasileiro atual, tão carente de ídolos reais, constrói e destrói idolatrias fictícias todos os dias.

20161212224523_0.jpeg?fit=1024%2C683&ssl=1
Victor AbussafiMaio 8, 20171min0

O Campeonato Brasileiro de 2017 se aproxima e o Fair Play preparou uma série de artigos com curiosidades, histórias e o que esperar de um dos campeonatos mais disputados do mundo.


Para saber mais:
Os maiores artilheiros do Campenato Brasileiro
Balanço do Campeonato Brasileiro de 2016
Os melhores jogadores do Brasileirão 2016

Desde 2005, a CBF premia o melhor jogador do Campeonato na cerimônia de premiação do Campeonato. De Tevez a Gabriel Jesus, grandes jogadores venceram o prêmio. Por onde andam hoje? Já se aposentaram? Brilham na Europa ou ainda são reis no futebol brasileiro?

paolo-guerrero-comemora-gol-do-flamengo-diante-do-botafogo-nas-semifinais-do-campeonato-carioca-2017-1492979267423_1920x1279.jpg?fit=1024%2C682&ssl=1
Victor AbussafiAbril 29, 20175min0

Por todo o Brasil, os estaduais pegam fogo. Neste fim de semana, começam as finais do campeonatos estaduais e marcam o fim da preparação para o Campeonato Brasileiro. Duas torcidas por Estado se preparam para torcer enquanto os outros clubes já se preparam para a competição nacional.

Saiba mais sobre os jogos do Paulista e do Carioca, para além de outras grandes finais pelo país.

Campeonato Carioca – Flamengo x Fluminense

No Rio, um dos mais famosos clássicos do mundo decidirá o campeonato pela primeira vez desde 1991. Naquele ano, o Flamengo sagrou-se campeão com um 1×1 na primeira partida e um 4×2 flamenguista na segunda. Os autores dos gols do título foram Uidemar, Gaúcho, Zinho e Júnior. Pelo Fluminense, os gols foram de Ézio.

Maracanã deve estar lotado como nos velhos tempos para mais um Fla Flu (Foto: Promo)

Após 26 anos, Flamengo e Fluminense chegam em situações opostas à nova final. O Fla, em evidente avanço de profissionalização em relação aos últimos anos, foi terceiro colocado no Brasileiro do ano passado, tem um dos plantéis mais talentosos do país e é forte candidato a vencer todos os troféus esse ano. Entretanto, perdeu Diego por lesão e têm tido dificuldade de apresentar um bom futebol com regularidade.

Já o Flu, aposta na mistura de um plantel jovem com uma comissão técnica experiente, sob o comando de Abel Braga, treinador vitorioso em suas passagens pelo clube, além de campeão mundial pelo Internacional em 2006. No elenco deste ano, são os jovens formados em Xerém que ditam as regras e, com um grupo obediente taticamente, Abelão tira “leite de pedra”. Em dois grandes jogos, com Maracanã lotado, saberemos que é o melhor. A SIC Radical exibe o primeiro jogo em Portugal, no dia 30 às 20h.

Campeonato Paulista – Corinthians x Ponte Preta

Para quem apostava numa meia final com os quatro grandes do estado, a Ponte Preta já foi surpreendente ao eliminar o Santos nos quartos de final. Mas, vencer o atual campeão brasileiro, Palmeiras, nas meia finais certamente não estava no roteiro do início do torneio.

A Ponte Preta, tradicional clube de Campinas e clube mais antigo do estado de São Paulo, tem 117 anos de história e nenhum título profissional de expressão, apesar de ter sido diversas vezes finalista de Campeonatos Paulistas, terceira colocada no Campeonato Brasileiro de 1981 e finalista da Copa Sul-Americana de 2013. Clube que revelou grandes talentos para a Seleção Brasileira, como Dicá, Oscar, Waldir Peres, Carlos,  André Cruz e Luis Fabiano. Neste ano, chega à decisão com um time forte na defesa e com ótima saída em velocidade para contra-ataques, bem organizado pelo experiente Gilson Kleina.

Maior campeão do estado, o Corinthians busca seu 28o. título, após eliminar o rival São Paulo nas meias finais. Após ceder Tite para a Seleção, o antigo treinador do sub-20 Fabio Carille tem mostrado talento. Com um plantel limitado, construiu um time compacto como no auge da era Tite. A criatividade ofensiva ainda é problemática, mas a atitude tradicional dos times alvinegros compensa essa limitação. Jadson e Jô lideram pela experiência, mas Rodriguinho e os “pratas-da-casa” deram sangue novo a equipa.

Exatos 40 depois, Corinthians e Ponte Preta reeditam uma final histórica para o clube de São Paulo. Em 1977, o Corinthians sagrou-se campeão após três jogos, todos realizados no Morumbi (o último para um público de incríves 146 mil pessoas), e deu fim a um jejum de 23 anos sem títulos, o maior de sua história.

Basílio comemora o golo que encerrou o jejum corinthiano (Foto: Desconhecido)

Pelo Brasil

Nos outros estaduais do Brasil, destaque para as finais de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Santa Catarina.

No Catarinense, a Chapecoense disputa, contra o Avaí, sua primeira final após o trágico acidente do ano passado. Vencedora do segundo turno, a Chape vem em crescente e divide as atenções entre as finais do estadual e a Libertadores, onde briga para se classificar para a próxima fase.

No Paraná, a final entre Atlético-PR e Coritiba será a primeira final transmitida exclusivamente pela internet, após a confusão entre os clubes, a Federação e a Rede Globo, contada pelo Fair Play aqui. Na Bahia, o Ba-Vi, clássico entre Bahia e Vitória merece destaque por acontecer 4 vezes em sequência. São dois jogos pelas finais do estadual e outros dois pela meia final da Copa do Nordeste.

Cruzeiro e Atlético Mineiro decidem o estadual (Foto: Goal.com)

No Gauchão, o Grêmio foi eliminado nos penaltis pelo Novo Hamburgo e perdeu a chance de encerrar o jejum de títulos estaduais, que já vai desde 2010. Resta torcer para o Novo Hamburgo surpreender o Internacional, atual hexacampeão. E, por fim, em Minas Gerais, o tradicional clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG decide o título, num confronto entre duas equipas em melhor fase no Brasil, dois fortes concorrentes no Brasileirão.

Tem futebol para todos os gostos e vale a pena ficar ligado. Os vencedores, entretanto, não terão muito tempo para festejar, já que o Brasileirão começa no dia 13 de Maio.

20170329030206_58db4dde2020e.jpg?fit=1024%2C682&ssl=1
Victor AbussafiMarço 30, 20178min0

A imprensa brasileira repete insistentemente e se derrete em elogios ao jogador. O torcedor mais apaixonado não tem dúvidas. A promoção de Neymar ao título de melhor jogador do mundo ganha força com as recentes ótimas exibições e os resultados alcançados no Barcelona e na Seleção Brasileira. Será que chegou a hora do craque tupiniquim?

Nos últimos jogos de Dunga, na Copa América, e nos primeiros das Olímpiadas (dois empates do Brasil), a pressão da imprensa nacional sobre Neymar foi intensa. Criticado por estar nervoso em campo e tentar decidir os jogos sozinho, Neymar não conseguia jogar nem fazer jogar. Como resultado, o jogador se fechou e deixou de dar entrevistas coletivas nas convocações da Seleção.

O silêncio foi quebrado 244 dias depois, com Neymar em alta, num time que joga por música e já classificado para a Copa da Rússia. Até Galvão Bueno, maior narrador do país, e crítico da fase que viveu Neymar sob o comando de Dunga, já se rendeu:

O melhor Neymar da história

Uma coisa é fato. O avançado brasileiro tem jogado à um nível cada vez superior e vive, pelo menos até agora, seu auge e, com muitos anos úteis pela frente, certamente ainda evoluirá mais.

Neymar amadureceu. Isto é mais evidente na Seleção, onde é o principal destaque em campo e passou a desempenhar um papel ainda mais efetivo como líder técnico da equipe. Com Tite, que conduziu o escrete canarinho à 8 vitórias em 8 jogos pelas eliminatórias, o jogador mostra nova postura em campo e parece que tudo o que faz, dá certo.

Se com Dunga, Neymar parecia irritadiço em campo e mais caia e brigava do que resolvia jogos, com Tite, apesar de pegar menos na bola, a cada vez que aparece no jogo desespera dos defensores adversários. As últimas vítimas foram Uruguai e Paraguai pelas eliminatórias (Coates, zagueiro uruguaio do Sporting, deve ter pesadelos com ele até hoje).

Com os dois gols marcados, nos últimos jogos, faltam apenas quatro para igualar Romário, quarto maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. À sua frente, ficam Zico, Ronaldo e Pelé. Depois da conquista do Ouro Olímpico, a conquista da Copa do Mundo em 2018 colocaria Neymar num patamar dos Deuses do Futebol no Brasil, com apenas 25 anos.

Esse jogador, mais maduro e confiante, se mostra também na Catalunha, com Neymar a chamar para si o papel de decidir jogos e buscar o jogo. Isso ficou evidente no histórico jogo contra o Paris Saint-Germain:

O que dizem os números

Uma forma de tentar comparar Neymar aos mitos Messi e Cristiano Ronaldo é avaliar as estatísticas da atual temporada. Se juntarmos os jogos por clube e seleção neste ano, Neymar esteve envolvido em 16 gols (10 gols e 6 assistências).

Apesar de ter marcado menos gols do que em temporadas anteriores, sua média subiu de 0,3 gols por partida na primeira metade da época para 0,44 gols por partida em 2017. Entretanto, o novo Neymar é o novo recordista de assistências em uma edição da Liga dos Campeões, com 8, e fez em 2016 o seu recorde pessoal de assistências num mesmo ano 32 em 54 jogos.

Bons números, mas insuficientes contra os sempre eficientes craques que dominam a o prémio de Melhor do Mundo da Fifa. Os 22 gols com participação de Messi (18 gols e 4 assistências) e 19 de Cristiano Ronaldo (15 gols e 4 assistências) ainda colocam os jogadores mais experientes acima do jovem brasileiro.

Outro dado interessante é que o brasileiro é o jogador que mais sofre faltas entre as principais ligas europeias. Segundo o site “Who Scored?”, Neymar sofreu uma média 4,4 faltas por jogo na La Liga, contra 2,1 de Messi e 17 de CR7. Essa média de faltas tem aumentado todos os anos, o que mostra que o camisa 11 é cada vez mais visado pelos sistemas defensivos adversários e mais difícil de ser parado.

O que dizem os especialistas

O primeiro a rasgar elogios ao jogador é o comandante Tite: “O Neymar não pode falar, mas eu posso. Ele vai ser o melhor do mundo. Ele fez 25 anos agora e Cristiano e Messi estão nos 30 para lá. Nessa geração vejo Neymar, nesse processo de maturidade.”

Ronaldo, Ronaldinho, Belletti, Kaká e muitos outros ídolos do futebol brasileiro têm dito o mesmo e esse movimento parece ter superado os limites geográficos do Brasil.

O italiano Costacurta afirmou à Sky: “Acredito que, neste momento, Neymar seja melhor que Ronaldo ou Messi. É o melhor jogador agora, em 2017“. Para o italiano, o brasileiro tem sido mais consistente ao produzir sua melhor forma em todos os jogos. Além dele, são muitos os astros internacionais e jornais internacionais que afirmam que Neymar deve ser o próximo na linha sucessória dos Reis do futebol.

What a night for this man ✌ Future world No1? #Neymar #Barcelona #UCL

Uma publicação compartilhada por @uefachampionsleague em

Até o jornal argentino Olé já reconheceu o talento do jogador, após o jogo contra o Paraguai, e brincou com a ausência de Messi, suspenso na Seleção Argentina: “Como o melhor do mundo está suspenso e num momento delicado, o outro melhor do mundo fez reluzir o 10 do Brasil”.

Entre os grandes

Se a análise fria dos números ainda mostra uma certa distância para o panteão onde vivem Messi e CR7, é inegável para quem assiste os jogos dos três por clube e seleção que o brasileiro vive um momento mágico.

Neymar tem sido decisivo e cada vez mais importante para os times onde joga. Se no Barcelona ainda manda Messi, no campo o brasileiro é o responsável pela dinâmica ofensiva da equipa e foi fundamental para manter o clube vivo nas competições que disputa e nas quais pode, em 16 jogos, terminar com mais uma tríplice coroa.

Neymar comemora na vitória contra o PSG. Jogador liderou a remontada. (Foto: Reuters)

É muito cedo para cogitar um prêmio de melhor do mundo ao final do ano, até por que Messi pode ser decisivo num possível título europeu do Barcelona ou Cristiano Ronaldo pode faturar mais uma Champions League e tornar toda essa conversa irrelevante. Mas é evidente que Neymar hoje chegou a um nível em que está acima dos demais mortais, apesar de não ser um Deus Imortal como os dois rivais.

Neste ano ou no próximo, o semi-Deus Neymar completará suas missões e alcançará o Olimpo do Futebol. A Bola de Ouro o aguarda com a expectativa de quem, desde 2007, não é cogitada para nenhum outro jogador que não Messi ou Ronaldo. Só isso já faz com que Neymar mereça aplausos.

romario-carnaval-1995-rio-de-janeiro_16m6524k68d3f19kub6ghap9b7.jpg?fit=1024%2C613&ssl=1
Victor AbussafiFevereiro 28, 20174min0

Que jogador brasileiro gosta de Carnaval todo mundo sabe. Mas há uma história, já distorcida em lenda, que envolve dois dos maiores gênios do futebol e a maior festa do mundo, o Carnaval do Rio de Janeiro.

Johann Cruyff, um dos maiores jogadores de todos os tempos e mente por trás do brilhante estilo de jogo do Barcelona, era treinador do clube blaugrana no início dos anos 90. Nesta época, conquistaram quatro Campeonatos Espanhóis consecutivos e a primeira Champions League da história do Barça, num grupo de jogadores que ficou conhecido como “Dream Team” e contava com craques como Laudrup, Stoichkov, Koeman e Guardiola.

Em 1993, o baixinho Romário juntou-se aos campeões europeus, advindo do PSV, da Holanda. Surpreendentemente, o estilo disciplinador de Cruyff casou bem com o despojado brasileiro, mesmo com os constantes conflitos. Romário recebia uma multa de 50 dólares por cada dez minutos de atraso nos treinos, o que acontecia com frequência, e deu a seguinte declaração à revista Veja, no Brasil, antes da Copa de 94: “Não tem problema. Vou ganhar a Copa e com o dinheiro pago essas multas”.

Mauro Silva, ex-jogador do La Coruña e da Seleção Brasileira, conta um desses atritos no livro “Os 11 maiores centroavantes do futebol brasileiro”, de Milton Leite. Segundo o meia, uma vez Cruyff pediu para o seu assistente chamar Romário à sua sala e o jogador respondeu assim: “Fala para ele que quando quiser falar comigo, sabe onde me encontrar”.

Apesar do potencial explosivo dessa relação, Cruyff considerava Romário o melhor jogador que já tinha treinado e admiração era mútua, como prova o post do atacante em suas redes sociais após a morte da lenda holandesa:

A folga para o Carnaval

É justamente dessa compreensão com a saudade de casa que nasce essa famosa história. Cruyff costumava dar dias a mais de descanso para que Romário pudesse viajar ao Brasil. Numa entrevista ao jornal francês L’Equipe, em 2012, o treinador contou uma passagem curiosa: “Uma vez, ele veio me perguntar se poderia faltar a dois dias de treinos para voltar ao Brasil. Deveria ser carnaval no Rio de Janeiro. Eu respondi: ‘se você fizer dois gols amanhã, te dou dois dias a mais de descanso que o restante da equipe’. No dia seguinte, ele marcou seu segundo gol com 20 minutos de jogo e imediatamente fez um gesto para mim pedindo para sair.Ele me disse: ‘Treinador, meu avião sai em menos de uma hora’.”

Apesar de ser uma história possível de acontecer para quem conhece Romário, Johan Cruyff exagerou em sua anedota para torná-la mais caricata. O jornalista Marcelo Bechler pesquisou e não encontrou nenhum jogo com esta característica durante a passagem do jogador por Barcelona.

Romário e Cruyff marcaram época com seu talento

Enquanto esteve com Cruyff na Catalunha, Romário marcou 32 gols em 47 partidas. Foi substituído cinco vezes. Nenhuma no primeiro tempo, quatro durante a segunda etapa e apenas uma vez no intervalo – contra o Sporting Gijon, uma partida que terminou 1-1 e o brasileiro não marcou.

Será essa a verdade?

Outra história similar, que pode estar mais próxima de ser verdade, conta que o pedido aconteceu em Janeiro de 1994, antes de um clássico contra o Real Madrid, um mês antes do Carnaval.

Cruyff teria dito a Romário que daria um dia de folga extra para cada gol marcado no clássico. O Barcelona goleou por 5-0, no Camp Nou, com 3 do Baixinho, que se sagraria artilheiro do Campeonato ganho pelo clube catalão. Os gols desse jogo podem ser vistos aqui, mas o primeiro merece destaque:

O Carnaval venceu

Em 1995, campeão do mundo e recém escolhido melhor jogador do mundo, Romário desistiu do futebol europeu e escolheu voltar ao Brasil, sendo contratado pelo Flamengo para formar o “ataque dos sonhos” com Sávio e Edmundo.

No Brasil, brilhou por Flamengo, Fluminense e Vasco, onde chegou a ser artilheiro do Brasileirão com 39 anos, em 2005. Alcançou seu milésimo gol em 2007 (numa contagem polêmica por envolver gols em amistosos e festivos) e encerrou a carreira como um dos maiores jogadores de todos os tempos, pelo futebol e por sua personalidade.

Lenda ou verdade, Cruyff pode ter exagerado. Mas o Futebol e Carnaval são o que são exatamente pelo exagero. E nós, espectadores, é que decidimos se queremos ou não acreditar na lenda de Romário e do Carnaval.

Untitled.png?fit=1024%2C477&ssl=1
Victor AbussafiFevereiro 21, 20174min0

Domingo de futebol. Atlético e Coritiba se preparam para entrar em campo para mais uma jornada do Campeonato Paranaense. A torcida canta músicas de apoio aos clubes na bela Arena da Baixa, um dos palcos da Copa 2014. Os clubes sobem a campo e, juntos, saúdam os torcedores, que retribuem. Depois de alguns minutos, os clubes deixam o campo. Vitória dos dois.

A história deste ato de protesto inicia-se antes mesmo do começo do campeonato. Os dois clubes, os maiores do estado, entraram em conflito com a Rede Globo e a Federação Paranaense de Futebol pelas cotas de televisão a receber pelo Campeonato Estadual. A queixa dos clubes é pelo baixo valor ofertado pelos direitos de transmissão dos seus jogos no Campeonato, muito inferior aos valores pagos em outros estados.

Sem acordo com emissora, os clubes decidiram transmitir o jogo deste domingo pelo YouTube. Entretanto, alegando falta de credenciamento adequado para a equipe que transmitiria o jogo, a Federação proibiu. Os clubes, então, uniram-se em protesto e o que já seria um marco para o futebol brasileiro (a primeira transmissão exclusivamente on-line de um jogo de primeira divisão), tornou-se um símbolo dos problemas que enfrenta o futebol do país.

Veja abaixo a transmissão do jogo. No minuto 30, a explicação do dirigente do Atlético-PR sobre o ocorrido:

Os valores por trás da polémica

Os clubes queixam-se de serem desvalorizados perante os demais estaduais e os valores mostram mesmo uma grande diferença. Enquanto para os dois clubes, o valor ofertado foi de cerca de € 600 mil, clubes pequenos de São Paulo e Rio de Janeiro ganham valor superior em seus estaduais:

  • €6 milhões: Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo (Camp. Paulista)
  • €4,6 milhões: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco (Camp. Carioca)
  • €3,7 milhões: Atlético-MG e Cruzeiro (Camp. Mineiro)
  • €3,4 milhões: Grêmio e Internacional (Camp. Carioca)
  • €1,6 milhão: Ponte Preta (Camp. Paulista)
  • €1,2 milhão: Bangu, Madureira, Volta Redonda e Boavista (Camp. Carioca)
  • €1,1 milhão: demais times do Campeonato Paulista
  • €800 mil: América-MG (Camp. Mineiro)
  • €700 mil: Macaé e Resende (Camp. Carioca)
  • €600 mil: Atlético-PR e Coritiba (Camp. Paranaense)
  • €250 mil: Bahia e Vitória (Camp. Baiano)

Por isso, os clubes não aceitaram a proposta da afiliada local da Rede Globo e seus jogos, como mandante, no estadual não são transmitidos.

Desde que os clubes conseguiram a liberdade de negociar seus direitos individualmente, a Globo tem encontrado mais dificuldade em renovar os contratos e os valores tem crescido. O canal Esporte Interativo conseguiu costurar acordos com alguns dos grandes clubes para os direitos de transmissão dos jogos para Pay-TV, mas a força política e económica da Rede Globo favorece a manutenção do monopólio.

Os pés pelas mãos

Clubes rinais unidos (Foto: Gazeta Esportiva)

Num mercado livre, não há problema em não aceitar a proposta para vender um direito seu, como fizeram os clubes. Assim como não há nada errado em ofertar aquilo que acha justo para comprar um produto, como fez a emissora de televisão. Nas leis de procura e oferta, o preço se ajusta e pode-se não chegar a um acordo.

Se o produto do Campeonato Estadual não é interessante o suficiente para valer mais, esse é tópico para outro artigo. Mas, o grande problema ilustrado por essa situação ridícula de domingo é o crônico problema de gestão das federações brasileiras, amadoras e inoperantes para problemas realmente importantes.

Essa postura, merecedora de aplausos, dos dois clubes precisa ser valorizada e, mais, mantida para outras discussões. É justa a demanda de Atlético e Coritiba, que querem valorizar o seu produto, mas os clubes precisam unir-se para valorizar o produto como um todo. Afinal, as ligas americanas e a Premier League já ensinaram que uma mais justa divisão de recursos melhora o equilíbrio dos campeonatos e, por consequência, o produto que é vendido aos patrocinadores.

O que não se pode é deixar morrer iniciativas como o Bom Senso (movimento dos jogadores) ou aceitar que a Primeira Liga, movimento de clubes que parecia poder significar mudanças, se torne apenas mais um torneio inexplicável no farto calendário brasileiro. O amadorismo e a política impediram que essas boas iniciativas prosperassem. O que vai acontecer depois do “clássico que não aconteceu”?

borja_palmeiras-1.jpg?fit=1024%2C599&ssl=1
Victor AbussafiFevereiro 14, 20171min0

Duas transferências agitaram o mercado brasileiro no fim desta janela. Impulsionado por sua patrocinadora, o Palmeiras investiu pesado para adquirir um dos grandes destaques da última Libertadores e o São Paulo, com dinheiro após vender uma de suas maiores promessas, trouxe o ponta de lança titular da Seleção Argentina, de Bauza.

Essas duas transferências entraram no ranking das mais caras da história do Futebol Brasileiro. Juntam-se aos recordes do Corinthians, na época da MSI, da loucura do Santos por Damião (que fracassou) e de outros grandes investimentos do São Paulo.

Números vultuosos que contrastam com valores de outras épocas. Edmundo em 1993 (do Palmeiras para o Vasco por US$ 1,8 milhão) e Rivaldo em 1994 (US$ 2,8 milhões do Mogi Mirim – estava emprestado ao Corinthians- para o Palmeiras) já foram as aquisições mais caras feitas por clubes brasileiros, numa época em que os valores eram anunciados em dólar, antes do plano Real.

Confira o ranking e deixe sua opinião nos comentários. Os clubes acertaram ao investir esses valores?

Carlinhos-Corinthians-Copa-SP-2017-1440x960.jpg?fit=1024%2C683&ssl=1
Victor AbussafiJaneiro 29, 20175min0

A tradicional competição de início de ano no Brasil, e mais famosa competição nacional de júniores, terminou no último dia 25. A tradicional final, disputada sempre no dia do aniversário da cidade de São Paulo e no estádio do Pacaembu, marcou o décimo título do Corinthians e encerrou o mês de maior vitrine para os jovens aspirantes a profissionais de futebol.

A Copa São Paulo de Futebol Júnior, carinhosamente chamada de Copinha, já revelou jogadores como Fred, Kaká, Rogério Ceni, Dida, Oscar, Lucas Moura, Neymar e tantos outros. Em 2015, um dos destaques da competição foi Gabriel Jesus, que em menos de 2 anos assumiu a camisa 9 da Seleção Brasileira e chegou ao Manchester City cheio de expectativas.

Um das revelações do ano passado é agora jogador do Futebol Clube do Porto. Inácio, lateral esquerdo envolvido na negociação com o São Paulo por Maicon, brilhou no sub-20 do Tricolor Paulista.

Portanto, é dos campos enlameados pelas chuvas de verão que nascem alguns dos maiores talentos do grande celeiro de craques que é o Brasil. E nesse ano de 2017, em que os clubes olham para a base como a salvação para reforçar os elencos, quando falta dinheiro para investir em novos jogadores, é especialmente importante ter os olheiros a postos para não perder o próximo Gabriel Jesus. O Fair Play ajuda nessa missão e lista aqui alguns dos melhores talentos que apareceram nessa edição da Copa São Paulo. 

O Campeão

Jogadores comemoram a conquista da décima Copinha (Foto: Ag. Corinthians)

Em grave crise financeira e política, o Corinthians venceu sua décima Copa São Paulo na final contra o Batatais, clube do interior de São Paulo, e, mais importante, viu surgir promessas que podem ser importantes num elenco profissional que precisa de mais qualidade. Pelo menos 4 jogadores devem ser aproveitados no time principal, com a vantagem de serem comandados por um ex-treinador da formação alvinegra, Fabio Carrile. São eles:

Pedrinho (Médio, Corinthians) –  Com apenas 18 anos (a competição é sub-20), o habilidoso meia do Corinthians foi o melhor jogador da competição. Principal responsável por criar jogadas num ataque goleador, o jovem chamou a atenção de todos com os seus dribles em velocidade. Com bom remate de longa distância, com uma perna esquerda poderosa, Pedrinho fez golos importantes e ainda ajudou a consagrar seus companheiros de ataque, com 5 assistências.

Carlinhos (Ponta de lança, Corinthians) – O principal beneficiado pelas assistências de Pedrinho foi, também, fundamental para o título corintiano. Artilheiro da competição (11 golos), o avançado de 1,95m com facilidade no jogo aéreo deve brigar por uma chance com Jô e Kazim Richards no time principal.

Vinicius Del’Amore (Defesa central, Corinthians) – Não foi só o golo decisivo para a classificação corintiana contra o Flamengo, nos quartos-de-final, que fez o defensor ser um dos destaques da competição. Jogando sua última Copinha, por fazer 20 anos, o defensor é um “zagueiro-zagueiro” no vocabulário popular brasileiro, ou seja, um defensor com “cara de mal”, que joga simples e duro, mas cria muitas dificuldades para os adversários. Recebeu sondagem da Lazio, pela possibilidade de se naturalizar italiano.

Guilherme Mantuan (Médio, Corinthians) – Capitão da equipa na conquista, o jogador é polivalente e pode jogar de lateral, volante ou médio. Apesar da forte concorrência no time principal, foi um dos destaques do onze campeão pela regularidade. A capacidade de jogar em varias posições deve garantir um lugar entre os profissionais.

Outros destaques

Gerson (Guarda-redes, Batatais) – A Copinha sempre nos dá bons jogadores e ótimas histórias. É o caso de Gerson, jovem guarda-redes do vice-campeão Batatais e um dos principais responsáveis pela inédita final disputada pelo clube do interior paulista. Ele chegou a abandonar o futebol, quando tinha proposta do Sporting, por conta de uma forte depressão decorrente da morte da irmã, em um acidente de carro. Convencido pelos amigos a disputar esta Copa São Paulo, e assumidamente fora de forma, o jovem defendeu três pênaltis nas quartas-de-final e agora precisará repensar seu futuro.

Vinícius Júnior (Avançado, Flamengo) – Com apenas 16 anos, o brilho do jovem meia-atacante do Flamengo chamou a atenção do Barcelona. É o principal jogador da Seleção Brasileira sub-17 e foi, talvez, o jogador com maior potencial a disputar a competição desse ano. Em campo, com quatro golos, cinco assistências e diversas jogadas de efeito, tem tudo para ser um dos próximos grandes talentos do Brasil.

Éder Militão (Defesa central, São Paulo) – Tendo atraído o interesse de Chelsea e Benfica, antes de assinar contrato profissional com o São Paulo no ano passado, Éder é um jogador de grande qualidade técnica. Podendo jogar tanto de defesa central, como de trinco, o jogador tem grande qualidade no passe e facilidade para se antecipar aos avançados. Dizem que tem personalidade difícil, mas deve receber chances em breve nos profissionais.

Brayan (Médio, Paulista de Jundiaí) – Um jogador decisivo, que faz a bola circular e jogo ganhar velocidade em no máximo dois toques na bola. Canhoto, um médio com boa capacidade de criação e finalização, carência de quase todos os clubes da Série A do Brasil. Não deve ficar no Paulista por muito tempo.

Foram muitos os destaques e, certamente, muitos deles terão espaço nos profissionais ou serão negociados com clubes maiores nos próximos meses. Acha que faltou alguém? Deixe sua opinião nos comentários e aumente a lista à vontade!


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS