23 Out, 2017

Ding Junhui, a verdadeira muralha chinesa

Xavier OliveiraSetembro 24, 20176min0

Ding Junhui, a verdadeira muralha chinesa

Xavier OliveiraSetembro 24, 20176min0

Ding Junhui venceu e convenceu, de que maneira, no World Open, numa final onde frente ao “The Warrior” Kyren Wilson, mostrou-se ao seu melhor nível frente ao seu público. Público esse que ficou ao rubro com esta vitória clara de Ding na final e que mostra que ao contrário daquilo que se pensava há duas épocas atrás, o chinês está bem e recomenda-se.

As “inevitáveis” surpresas

Já começa a ser um hábito as surpresas nas rondas iniciais dos torneios esta época e consequentemente os respectivos vencedores dos torneios, excepção feita ao Indian Open onde John Higgins acabou por triunfar no início deste mês.

O campeão do mundo em título, Mark Selby deixou-se surpreender por Lee Walker, acabando eliminado com o resultado a fixar-se em 5-2. Não fez melhor o galês Michael White, campeão do Paul Hunter Classic desta época, tendo este caído logo na ronda de apuramento, num encontro onde saiu derrotado por Ma Chunmao. Nos homens da casa, o segundo favorito de entre os chineses, Liang Wenbo, também ficou pelo caminho cedo ao sair derrotado frente ao seu compatriota Li Hang por 5-4.

A segunda ronda também trouxe algumas surpresas, com a queda de Stuart Bingham frente a Cao Yupeng, com o resultado a fixar-se em 5-4. Marco Fu também acabou por não ter melhor sorte, já que perdeu frente ao inglês e ex-campeão do mundo, Peter Ebdon, por 5-3.

Mark Allen e Neil Robertson em confronto (Fonte: Facebook World Snooker)

A queda de Higgins e o favoritismo de Ding

Olhando para o quadro após a segunda, John Higgins era a par de Ding Junhui, o maior favorito a vencer o torneio, ou não estivéssemos a falar do segundo e o quarto do ‘ranking’ mundial à data do início do World Open. Mas o escocês vacilou fortemente e acabou por cair frente ao inglês David Gilbert, perdendo por 5-2.

Dos restantes duelos, destaque para a vitória de Ding Junhui frente a Joe Perry, por uns esclarecedores 5-1, confirmando ainda mais a sua candidatura a vencedor do torneio. Outro duelo de cartaz, foi o de Mark Allen frente a Neil Robertson, tendo o primeiro saído por cima, numa vitória conquistada na “negra”.

O alinhamento dos quartos-de-final foi então o seguinte: Mark Williams vs Kyren Wilson, Mark Allen vs David Gilbert, Anthony McGill vs Luca Brecel e Li Hang vs Ding Junhui. No primeiro destes encontros, Kyren Wilson mostrou o porquê de ser considerado por muitos a próxima grande estrela do snooker mundial e venceu o veterano Mark Williams por 5-1. Mark Allen confirmou o seu favoritismo frente ao sempre difícil David Gilbert, fixando a vitória em 5-1, marcando encontro com Kyren Wilson, onde viriam a decidir a passagem à final. Já tinha mostrado todo o seu enorme potencial esta época ao vencer o China Championship e voltou a fazê-lo ao carimbar o passaporte para a meia-final. O belga, Luca Brecel conseguiu deixar pelo caminho o escocês Anthony McGill, num encontro onde saiu vitorioso por 5-4. Quem não vinha a vacilar de forma alguma era Ding Junhui que em frente ao seu público, não deixou os crédito em mãos alheias e bateu o seu compatriota Li Hang por 5-3.

Mark Williams em acção no World Open (Fonte: Facebook World Snooker)

Há quem goste de brilhar na China 

As meias-finais do World Open colocaram num dos encontros frente a frente Kyren Wilson e Mark Allen e no outro Luca Brecel e Ding Junhui. Relativamente ao primeiro encontro, o norte irlandês Mark Allen era o favorito a vencer, apesar de ter tido pela frente um Kyren Wilson que vinha a crescer de forma. Mesmo pressionado pelo facto de estar a defender os pontos relativos à vitória do Shanghai Masters de 2015, Kyren Wilson não se deixou intimidar e bateu na “negra” Mark Allen, carimbando assim passagem para a final, a terceira da sua carreira.

Na outra meia-final estava de um lado, o 4º jogador do ‘ranking’ mundial e última esperança dos adeptos da casa, Ding Junhui. E do outro o único belga a jogar no circuito profissional e 15º da hierarquia, Luca Brecel. O favoritismo esse era claro e estava do lado homem da casa, mas frente a Brecel todos os cuidados eram poucos e Ding sabia bem disso. O chinês venceu e convenceu frente ao jovem belga, vencendo por 6-4, num encontro onde mostrou a sua superioridade principalmente na primeira parte.

Mark Allen descontente no encontro frente a Kyren Wilson (Fonte: Facebook World Snooker)

Uma final de um só sentido

A final entre Ding Junhui e Kyren Wilson, foi o sétimo encontro entre ambos. Até então, o chinês tinha vencido em quatro ocasiões contra duas do inglês, sendo que o último confronto foi na temporada passada, nos quartos de final do China Open.

diferença em termos de ‘ranking’, com Ding a figurar no 4º lugar e Wilson no 13º, acabou por de alguma forma se traduzir na mesa. Na primeira sessão, Kyren Wilson ainda conseguiu de alguma forma manter o encontro equilibrado, saindo a perder por 6-3, resultado que ainda deixava o inglês com alguma esperança nesta final. Mas a segunda sessão foi ainda mais desequilibrada, com Ding a mostrar toda a sua superioridade e resolver o assunto logo na primeira parte da segunda sessão, fechando o encontro em 10-3.

Esta é o sexto ‘major’ que Ding vence no seu país e o primeiro que vence esta temporada. De salientar que com esta vitória, o chinês sobre ao segundo lugar do ‘ranking’ mundial e aproxima-se do “eterno” nº1 Mark Selby.

Ding Junhui e Kyren Wilson na final (Fonte: Facebook World Snooker)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter