20 Fev, 2018

Lobos perdem o “Ouro” por 13 minutos – A Bola Rápida do World Trophy

Francisco IsaacSetembro 10, 20177min0

Lobos perdem o “Ouro” por 13 minutos – A Bola Rápida do World Trophy

Francisco IsaacSetembro 10, 20177min0
Portugal perdeu ante o Japão na final do World Rugby Trophy por 14-03. Fica a conhecer a nossa análise, os destaques e a pontuação final da selecção Nacional de sub-20

Uma final triste, inglória e sem sabor não tanto para Portugal ou para o Japão, mas sim para a World Rugby, que acabou por ficar em “mãos” com um problema dramático: uma final que terminou aos 67 minutos de jogo. Com o resultado a beneficiar os japoneses em 14-03, Portugal perde desta forma a hipótese de subir ao pódio e ao Mundial “A” a realizar-se em 2018. A quarta e última Bola Rápida do World Rugby Trophy


Ao fim de 67 minutos de jogo, o Japão foi declarado campeão do Mundo do World Rugby Trophy, a 2ª divisão dos Mundiais de rugby sub-20. Se o leitor ficar surpreendido por dizermos “67 minutos” não estranhe, pois o comissariado do jogo entre Portugal e o Japão, decidiu  dar por terminado o encontro, após uma falha eléctrica e que debilitou (por momentos) a visibilidade. Todavia, a explicação e argumentação (passível de se ouvir na transmissão) foi tudo menos clara e lógica, o que levanta sérias dúvidas nos procedimentos levados a cabo pela equipa de juízes da final do Campeonato do Mundo “B”.

Os Lobos sub-20 perdiam por apenas 11 pontos, quando estavam a carregar a equipa do Japão há largos 18 minutos, ou seja, com claras possibildiades de somar mais pontos ao placard. Todavia, a tal decisão terminou com uma competição que não teve um final feliz quer para portugueses, japoneses (vitória sem honras), organização local (o campo empapado e sem condições para se jogar desde o primeiro minuto de jogo) e World Rugby (os regulamentos serão realmente os adequados?).

Portugal realizou quatro jogos, que “navegaram” entre a boa e excelentes prestaçoes, sendo que contra o Japão a chuva prejudicou, em muito, o fio e estratégia de jogo idealizada pelo comando técnico da selecção Nacional. A 4ª e última Bola Rápida do World Rugby Trophy

RECALCULAR ESTRATÉGIAS EM MOMENTOS CRÍTICOS – 5 PONTOS

Chuva, chuva e mais chuva, com um relvado que apresentava uma combinação de tonalidades esverdeadas-acastanhadas, com a lama a realizar autênticas placagens aos jogadores de ambas equipas. Portugal sentiu altas dificuldades em lançar o seu trio de trás, assim como encetar jogadas a partir dos seus centros, o que impediu que se realizassem outro tipo de jogadas que permitissem explorar o espaço concedido pelo Japão.

Mas, e como se tem visto e revisto nesta campanha dos jovens Lobos sub-20 em terras uruguaias, Portugal soube reorganizar-se e recalcular a estratégia de jogo que passou por pontapear a bola para dentro do meio-campo ou 22 metros do Japão e explorar um possível avant (como aconteceu com o Uruguai na 1ª ronda) ou exercer uma pressão total para forçar um erro no breakdown e “arrancar” uma penalidade.

A estratégia estava a correr de feição, com Portugal a atirar os japoneses para trás, sendo que a equipa nipónica só esteve 9 minutos dentro dos últimos 22 metros de Portugal… um deles daria ensaio, por erro de pontapé de Jorge Abecassis (excelente pressão do nº6 do Japão, um dos melhores jogadores do torneio). Mas Portugal foi “desgastando” a equipa do Japão, que a partir dos 58 minutos começou a ter sérias dificuldades para sair dos seus 40 metros.

Com a entrada de Martim Cardoso, Portugal começou a aumentar o ritmo, a apostar no “risco” e a meter a equipa adversária em sérios problemas defensivos (apesar de apresentarem sempre uma boa postura perante o caos total). Fica a dúvida do que seriam aqueles 13, quase 15, minutos finais.

ALINHAMENTO E MAUL QUASE NO PONTO – 3 PONTOS

Se o alinhamento e o maul estiveram bastante bem perante as condições atmosféricas sentidas (Portugal conquistou 12 das 15 oportunidades que teve, conquistando um total de 38 metros a partir do maul), já a FO teve sérios problemas em alguns momentos, uma delas, em especial, à passagem do minuto 48′.

O Japão conseguiu uma FO nos últimos 5 metros de Portugal e “demoliu” até atingir o ensaio de penalidade… merecido, mas com algumas dúvidas para a decisão da equipa de arbitragem, uma vez que na FO que precedeu a essa, pode ter existido falta dos jogadores nipónicos, que não foi escrutinada.

Todavia e apesar de quatro FO’s menos claras, Portugal soube aguentar o maior poder físico da equipa japonesa, chegando a contra-atacar e bem, a partir desta plataforma de jogo. Uma das melhores jogadas de Portugal nasceu de uma FO, que terminaria num avant.

Ponto alto do jogo ofensivo de Portugal foi, sem dúvida, o maulO Japão nunca soube contrariar bem este aspecto (algumas faltas por derrube nunca foram assinaladas, ficando a ideia que a equipa de arbitragem decidiu não marcar por causa das dificuldades que o terreno de jogo apresentava), chegou a ser atirado para trás e apresentou até um certo nervosismo quando as tinha de defender.

Durante anos e anos, as equipas de formação de Portugal sentiam graves dificuldades frente a selecções mais “experientes”, sucumbindo perante o crescer da pressão dessas mesmas equipas adversárias. Porém, nos últimos 12 meses, as selecções tanto de sub-18 como de sub-20 têm dado a volta a esta situação e apresentando uma consistência total que só abre boas “ideias” para o futuro.

O PRINCÍPIO DE UM NOVO FUTURO: A DEFESA DA NOVA ALCATEIA – 5 PONTOS

4º jogo e novamente Portugal aplicou a linha defensiva “agressiva”, arrogante e irritante, que pôs termo a várias tentativas de jogada do Japão. Os jovens Lobos sub-20 estiveram implacáveis na final, não sofrendo mais que duas quebras-de-linha, atirando a equipa japonesa para trás, arrastando os portadores de bola e a disputar no contacto com muita raça e inteligência.

Se a ausência de José Luis Cabral poderia criar alguma “tristeza”, já que se perdia um dos melhores portadores de bola em jogo, Francisco Vassalo foi um autêntico “empecilho” para o três-de-trás dos nipónicos, com 7 placagens bem armadas (uma das quais fez recuar o nº8 do Japão), ocupando bem o lugar de nº13 na final.

Nuno Mascarenhas (um “panzer” total, seja a defender ou a atacar), Vasco Ribeiro, David Wallis, Manuel Picão, João Granate foram outras das “personagens” que realizaram excelentes exibições na defesa, naquela que foi mais uma grande exibição de equipa nas provas internacionais da World Rugby.

Faltou, talvez, um trabalho mais minucioso no breakdown, mas perante as condições atmosféricas foi impossível realizar melhor as funções de “caçar” a bola no chão ou pelo menos disputá-la e arrancar uma penalidade. Portugal tem um princípio de novo futuro a partir desta inteligente, elegante e “agressiva” defesa.

NOTA FINAL – 13 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: Alinhamentos bem executados, apesar de terem perdido dois nos últimos 5 metros; maul dinâmico e extremamente acutilante, conquistando bons metros no terreno; Trabalho defensivo de enorme eficácia, com uma linha de defesa poderosa, dinâmica e intensa, que não “partiu” perante a maior insistência japonesa; Estratégia bem montada do jogo ao pé, lendo bem as condições atmosféricas e de terreno, explorando bem a pressão ao jogador que disputava a bola no ar;

ASPECTOS NEGATIVOS: Formação ordenada sofreu alguns “danos” em certos momentos; O arriscar chegou tarde demais e precisava de ter sido mais “dinâmico”; Passes do ruck e da FO demorados que permitiram o Japão “apanhar” Jorge Abecassis ou o movimentador da bola em certos momentos;

PORTUGAL: 1 – João Melo  ; 2 – Nuno Mascarenhas; 3 – Gonçalo Domingues; 4 – Tomás Pereira; 5 – Manuel Picão; 6 – João Granate; 7 – David Wallis; 8 – Duarte Campos; 9 – Duarte Azevedo; 10 – Jorge Abecassis (3); 11 – António Vidinha; 12 – Vasco Ribeiro; 13 – Francisco Vassalo; 14 – Caetano Branco; 15 – Cardoso Pinto
Suplentes: José M. Sarmento, Ruben Pimentel, Duarte Torgal, João F. Vital, Gonçalo Prazeres, Martim Cardoso e Rodrigo Freudenthal

Equipa Técnica: Luís Pissarra (Seleccionador), António Aguilar (Treinador), Carlos Polainas (Team Manager), Francisco Moreira (Médico) e José Carlos (Fisioterapeuta).

Post-Match com Luís Pissarra, seleccionador Nacional:

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Foto: World Rugby


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