18 Dez, 2017

José Azevedo. “O objetivo passa por vencer uma grande volta”

Davide NevesNovembro 17, 20176min0

José Azevedo. “O objetivo passa por vencer uma grande volta”

Davide NevesNovembro 17, 20176min0
José Azevedo, 44 anos. Natural de Vila do Conde e diretor-geral de uma das equipas mais poderosas do mundo. É ele o próximo entrevistado do Fair Play.

Depois de uma época que finalizou com um pódio numa grande volta (Zakarin fez 3º na Vuelta), o Fair Play esteve à conversa com José Azevedo, diretor-geral da Katusha-Alpecin. O português, depois de uma carreira cheia de sucessos, abraçou a nova carreira de diretor imediatamente a seguir ao terminus da sua carreira como ciclista. Senhoras e senhores, José Azevedo.

José, desde já muito obrigado pela oportunidade de o entrevistar. A minha primeira pergunta é muito simples: sente saudades de competir, passados 9 anos desde o seu fim de carreira como ciclista profissional?

JA: Desde que terminei a minha carreira em 2008 nunca senti em nenhum momento vontade de competir novamente.

Como foi a transição de ciclista para diretor de uma equipa de ciclismo?

JA: Foi uma transição fácil devido á motivação com que iniciei a minha carreira como director desportivo. No entanto o facto de ter na equipa ciclistas que tinham sido anteriormente meus colegas de equipa por vezes era estranho no entanto desde inicio que me aconselharam que para poder fazer bem a minha função tinha que deixar de pensar como ciclista.

O Benfica foi a última equipa da sua longa carreira, depois de mais uma participação na Volta a França, pela Discovery, onde envergou o dorsal nº1. Na altura, o Benfica tinha um jovem ciclista, de seu nome Rui Alberto Faria da Costa, a despontar no pelotão nacional. Viu como naturalidade a ascensão de Rui Costa a nº1 nacional e a um dos melhores do mundo, em 2013?

JA: Desde as categorias mais jovens que o Rui sempre se afirmou como sendo um dos melhore no seu escalão, via-se que tinha um grande potencial e depois de passar a profissional teve uma evolução que o levou ao topo do ciclismo mundial.

Azevedo como chefe de fila do Benfica.
(Foto: Jornal de Notícias)

Aproveitando o tema “Benfica”, veria com bons olhos o regresso do Benfica ao ciclismo nacional, depois dos regressos de Sporting e FC Porto?

JA: Sem dúvida, penso que era benéfico, desde que fosse um projeto bem organizado.

Em 2001, estava na equipa espanhola O.N.C.E, e terminou em quinto lugar no Giro d’ Italia. Qual é  a melhor recordação que guarda desse ano?

JA: Logicamente que o 5º lugar no Giro é o melhor resultado mas felizmente tenho muitos boas recordações desse ano. Por exemplo o 5º lugar no Paris-Nice.

 Em 2002, e depois em 2004, fez 6º e 5º lugar, respetivamente, no Le Tour de France. Nessa equipa de 2004, o chefe de fila era Lance Armstrong. Como era correr ao lado do norte-americano
JA: Motivante, era o nosso líder e eu trabalhava para chegar ao Tour a 100% e poder cumprir com aquilo que me era pedido.
​​​​​​​

José Azevedo, pela Discovery, na Volta a França.

Consegue resumir, em cinco palavras, a Team Katusha-Alpecin?

JA: Uma equipa super competitiva e profissional.

Ocupa o cargo de diretor geral da Katusha há dois anos. Para a próxima época, a equipa perdeu Alexander Kristoff, mas ganhou o Marcel Kittel. A alteração do sprinter permite à equipa focar-se noutros objetivos?

JA: Sim, permite, pois são dois ciclistas de características diferentes.

O Tiago Machado, com quem nós já falámos, e o José Gonçalves compoêm a presença lusa na Katusha. Como é trabalhar com estes dois ciclistas portugueses?

JA: São 2 excelentes profissionais e com os quais estamos satisfeitos, daí termos renovado os seus contratos para os manter na equipa.

Gostou da brincadeira do bigode do Tiago Machado, no Tour?

JA: ​​​​​​​Foi uma aposta que penso que nem o Tiago esperava o resultado e ter de cumprir com o prometido.

Qual será o principal objetivo da Katusha-Alpecin para o ano de 2018? 

JA: Ganhar o máximo de corridas possível.

Ilnur Zakarin continua a ser o chefe de fila da Katusha. Estará algo mais “especial” reservado para ele, depois do 5º lugar no Giro e do pódio na Vuelta?

JA: Logicamente que agora o objectivo passa por vencer uma grande volta.

Portugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

JA: Claro que sim, alguns já venceram e neste lote estão ciclistas com capacidades de vencer no WT (n.d.r: World Tour).

A nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que tem ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa? ​​​​​​​

JA: Temos que ser realistas e objetivos, neste momento o importante é que esta nova geração de jovens tenha oportunidades e continue a trabalhar. A qualidade existe.

Qual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

JA: Acho que seria importante para o ciclismo português e para Portugal pela visibilidade que daria

Por fim, e fazendo jus ao nome do nosso ‘site’, acha que existe Fair Play no ciclismo?

JA: Penso que é um dos desportos com um maior nível de fair-play.


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