Arquivo de W52-FC Porto - Fair Play

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Davide NevesAgosto 8, 20176min0

Amaro Antunes é o último convidado na nossa mini-série de entrevistas a personalidades do ciclismo, depois dos irmãos Sabido, de Helena Dias e de Rui Vinhas. O ciclista português tem sido destaque nos últimos anos. No dia em que faz segundo no alto da Senhora da Graça, o Fair Play falou com Amaro Antunes.

 

fpAmaro, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play, por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: como foi vencer no Alto do Malhão, no fecho da Volta ao Algarve 2017?

AA: Vencer na Volta ao Algarve já é algo inesquecível, ser junto de todos aqueles que mais carinho têm por mim é ouro sobre azul.

fp: A W52-FC Porto é uma equipa que domina no ciclismo nacional, havendo rumores de uma possível subida de escalão. O trabalho desenvolvido é diferente de outras equipas, ou a qualidade do grupo faz a diferença?

AA: Sem dúvida que a qualidade deste grupo é notória e creio que é a grande arma desta equipa.

fpQual foi a principal razão para a mudança para a W52-FC Porto?

AAFoi uma equipa que me reuniu todas as condições e oportunidades que ambicionava.

fpNeste ano, para além da vitória na Volta ao Algarve, e respetivo 5º lugar da geral, fechou também top-20 na Volta à Comunidade Valenciana e venceu o renomeado Troféu Joaquim Agostinho. Está a ser o melhor ano da carreira?

AA: Sim. Está a ser um ano fantástico tanto para mim como para a equipa.

fp: E qual foi a melhor vitória da carreira?

AA: Todas as vitórias têm o seu sabor especial, mas a vitória no Alto do Malhão é algo inesquecível para mim.

Amaro Antunes no Alto do Malhão. Um sonho tornado realidade.
(Foto: Região-Sul.pt)

fp: Qual é o significado de vencer um prémio que tem o nome do melhor ciclista português de todos os tempos?

AA: É algo que me enche de orgulho e motivação.

fp: Qual foi o país onde mais gostou/gosta de correr? 

AA: Itália.

fp: No ano passado, a W52 venceu a Volta a Portugal, colocando três ciclistas no top-5, com o Rui Vinhas a vencer. Como está a ser planeada a Volta a Portugal pela equipa e pelo Rui?

AA: É o principal objetivo da equipa. Logicamente, todos os atletas da equipa trabalham arduamente para aqui chegar na melhor forma e pudermos cumprir ao que nos propusemos.

fp: A Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua opinião, o grande problema?

AA: Creio que o facto de a data ficar bastante perto da Volta a Espanha poderá ser uma das causas.

fp: Proponho um desafio, então. Gostaria de saber, para si, quem foram os cinco melhores ciclistas que viu a atuar em Portugal, na Volta.

AA: Pessoalmente vibrava bastante com o Cândido Barbosa na Volta a Portugal.

fp: Quem parte com favoritismo para esta edição?

AA: Creio que esta edição da Volta está bastante equilibrada, todas as equipas têm as suas armas e todas elas são favoritas.

fpEm 2015 e 2016, ficou em 4ºlugar nos campeonatos nacionais de estrada. Quando poderemos ver o Amaro como campeão nacional?

AA: É algo que não se pode afirmar, mas é algo que posso assumir que ambicionava.

fp: Portugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

AA: Sem dúvida alguma. Portugal tem muita qualidade.

fp: Em jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

AA: Gosto bastante do Alberto Contador, pela sua entrega e garra. Em relação ao português, pelos resultados e por tudo o que tem feito pelo nosso país, Rui Costa.

fp: Qual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

AA: Acho que seria benéfico tanto para o ciclismo português, como para todos nós, ciclistas.

fp: Num nível mais pessoal, como é a vida de ciclista? Muitas viagens, muito treino, pouco tempo em casa. Acredito que seja duro…

AA: É uma vida de bastantes sacrifícios e privacidades, mas é algo que já estamos habituados.

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

AA: Por vezes sim, outras vezes não.

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Davide NevesAgosto 4, 20173min0

A Volta a Portugal está de volta. Apesar de não trazer grandes nomes, nem equipas de topo, promete espetáculo, principalmente na etapa que culmina na Senhora da Graça. Sem chegada à Torre, promete ser bastante… antecipado o nome do vencedor desta edição: é só escolher dentro da equipa W52-FC Porto, uma equipa que está a frente de todas as outras. A Volta a Portugal começa esta sexta e decorre até ao dia 15 de Agosto.

A Volta que pára o país já não é o que era. Outrora uma prova que trazia equipas que preparavam a Vuelta, foi ultrapassada e agora não pode receber sequer equipas World Tour, ao contrário da Volta ao Algarve ou da Volta ao Alentejo. Apesar disto, o país continua com expetativa de ver os ciclistas a passarem, numa prova que inicia em Lisboa e termina num contra-relógio em Viseu.

As equipas

Rebellin e a equipa Kuwait-Cartucho.es.
(Fonte: Cyclingpro.net)

São 6 as equipas portuguesas em prova: W52-FC Porto, Efapel, Rádio Popular-Boavista, LA Alumínios, Sporting-Tavira, Louletano-Hospital de Loulé. Juntam-se a estas 12 equipas estrangeiras, com a equipa israelita (Israel Cycling Academy) a ser a equipa mais reputada, por ser equipa Pro Continental (segundo escalão do ciclismo), enquanto que todas as outras são Continental (terceiro escalão do ciclismo). Entre as equipas estrangeiras, destaque para a Euskadi, a JLT-Condor, a Armee de Terre ou a Unieuro-Trevigiani. A Kuwait-Cartuchos.es traz os bem conhecidos Davide Rebellin e Stefan Schumacher. Rebellin, com 45 anos, conta com um grande palmarés, com vitória no trio das Ardenas (Amstel Gold Race, Fleche Wallone e Liège-Bastogne-Liège), no Tirreno-Adriático e no Paris-Nice, bem como uma vitória de etapa no Giro d’Italia, em 1996, onde andou 6 dias com a camisola rosa.

O Favorito

A equipa da W52-FC Porto.
(Fonte: desporto.sapo.pt)

Em condições normais, diríamos que o corredor “x” seria o favorito. E poderíamos fazê-lo agora mesmo, ao apontar Gustavo “Papá” Veloso como o grande favorito a vencer a Volta a Portugal. Mas sentimos que deveríamos colocar toda a equipa W52-FC Porto aqui, nesta categoria. Para além do espanhol, a equipa do norte conta com Amaro Antunes, Rui Vinhas, Ricardo Mestre, António Carvalho ou Samuel Caldeira. Uma equipa de luxo, que poderá estar para subir ao escalão Pro-Continental. A quantidade enorme de vitórias assusta de uma forma positiva, e começamos a perguntar-nos, no início de uma prova nacional, se “será desta que a W52-FC Porto não vence?”. Um caso á parte.

Os candidatos

O principal concorrente à W52 seria Jóni Brandão, mas com a doença que o afetou, a Sporting-Tavira irá ter todas as suas atenções viradas para Rinaldo Nocentini, que fez pódio nos campeonatos nacionais de estrada italianos. A Efapel confia em Sérgio Paulinho e na sua experiência, a Louletano-Hospital de Loulé em Vicente de Mateos, a LA Alumínios em Edgar Pinto e César Fonte, e a Rádio Popular-Boavista conta com o trio composto por Rui Sousa, Filipe Cardoso e o também muito conhecido Igor Silin.

No que diz respeito a nomes de equipas estrangeiras, nomes como Ian Bibby e Brenton Jones (JLT-Condor), Jason Lowndes (Israel Cycling Academy), o sensacional João Almeida (Unieuro-Trevigiani), Garikoitz Bravo (Euskadi), Damien Gaudin e o irmão de Julian Alaphillippe, Bryan Alaphillipe (Armée de Terre).

 

Uma prova que já foi icónica, mas que perdeu o brilho nos últimos (largos) anos. É assim a Volta a Portugal em Bicicleta, com início esta sexta-feira.

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Davide NevesAgosto 3, 20177min0

Rui Vinhas é o próxima convidado na nossa mini-série de entrevistas a personalidades do ciclismo, depois dos irmãos Sabido e de Helena Dias. O ciclista português foi destaque no ano passado, com a vitória na Volta a Portugal. Este ano, por exemplo, foi segundo nos Campeonatos Nacionais de Estrada. A um dia do início da Volta a Portugal, o Fair Play falou com o atual dorsal nº1.

 

fp: Rui, numa primeira instância gostaria de agradecer, em nome de toda a equipa do Fair Play,
por ter aceitado o nosso convite com enorme prontidão e simpatia. A primeira pergunta passa por algo muito simples: qual é a sensação de vencer a nossa volta, a Volta a Portugal?

RV: Uma sensação muito boa. Trata-se da prova rainha do ciclismo nacional

fp: A W52-FC Porto é uma equipa que domina no ciclismo nacional, havendo rumores de uma possível subida de escalão. O trabalho desenvolvido é diferente de outras equipas, ou a qualidade do grupo faz a diferença?

RV: O trabalho é desenvolvido de forma normal com muita dedicação e muito profissionalismo. Quanto ao
grupo somos muito unidos e isso faz toda a diferença.

fpQual é a principal razão para o sucesso da W52-FC Porto?

RV: Muita dedicação de toda a equipa e uma boa tática por parte do diretor desportivo.

fp: 2016 foi o seu melhor ano?

RV: Sim, sem dúvida.

fp: E qual foi a melhor vitória da carreira?

RV: A Volta a Portugal e ser o atleta do ano do FC Porto

Rui Vinhas está optimista na vitória da W52-FC Porto.
(Foto: desporto.sapo.pt)

fp: O Rui disse, após a sua vitória na Volta, que é um ciclista que “faz o que lhe pedem”. A vitória na Volta a Portugal foi algo surpreendente, tendo em conta que não era o líder da equipa. Houve uma mudança de liderança na equipa depois daquela fuga fantástica?

RV: Não. O líder continuou a ser o Gustavo mas fui igualmente protegido, pela equipa, após a fuga.

fp: Qual foi o país onde mais gostou/gosta de correr? 

RV: Portugal.

fp: No ano passado, a W52 venceu a Volta a Portugal, colocando três ciclistas no top-5, com o Rui a vencer. Como está a ser planeada a Volta a Portugal pela equipa e pelo Rui?

RV: Da mesma forma que o ano transato. Temos o Gustavo como líder e eu estarei às ordens do diretor

fp: A Volta a Portugal é uma prova que, para nós, portugueses, tem grande importância, mas
que, no entanto, não consegue atrair grandes equipas World Tour a participar. Qual é, na sua
opinião, o grande problema?

RV: O calendário não é propicio devido ao “poder” das outras grandes voltas.

fp: Proponho um desafio, então. Gostaria de saber, para si, quem foram os cinco melhores ciclistas que viu a atuar em Portugal, na Volta.

RV: Nuno Ribeiro, Gustavo Veloso, Cândido Barbosa, David Blanco, e Joaquim Gomes

fp: Quem parte com favoritismo para esta edição?

RV: Gustavo Veloso, Raul Alarcón, Edgar Pinto, Sérgio Paulinho, Alejandro Marque, Rinaldo Nioncentini,
Vicente de Mateos e João Benta

fp: Em 2017, ficou em 2ºlugar nos campeonatos nacionais de estrada. Quando poderemos ver o Rui Vinhas a vestir como campeão nacional?

RV: É um dos grandes objetivos envergar as cores nacionais. Este ano estive perto, não foi possível mas
continuarei na luta.

fp: Portugal apresenta um contingente elevado de ciclistas no escalão máximo do ciclismo, com o Rui Costa, o José Mendes, o Nélson Oliveira, o Tiago Machado, o José Gonçalves, o André Cardoso, o Rúben Guerreiro, entre outros. Acha que Portugal pode voltar a sonhar com nova vitória lusa numa prova World Tour?

RV: Sim. O Rui Costa encontra-se num bom caminho e os restantes têm estado em bom plano e a qualquer
momento podem surgir essas vitórias

fp: A nível sub-23 também há enorme talento, com os irmãos Ivo e Rui Oliveira, o Rúben Guerreiro ou o João Almeida, que têm ganho algumas provas lá fora. Existe potencial para ambicionar, com a geração atual e com as próximas que começam a despontar, com novo campeão mundial, depois do Rui Costa?

RV: Sim. Os mais jovens têm mostrado garra e dedicação e espero ver grandes vitórias.

fp: Como viveu a vitória do Rui Costa em Florença, em 2013? Esse dia foi histórico para o desporto português, com a vitória também do tenista João Sousa num torneio ATP…

RV: Foi um orgulho para nós portugueses ver o Rui Costa a sagrar-se campeão mundial de ciclismo

fp: Em jeito de curiosidade, qual é, para si, o melhor ciclista de sempre? E o melhor português?

RV: Eddy Merckx e o Joaquim Agostinho, apesar do Rui Costa estar no caminho indicado para ser o melhor
ciclista português de todos os tempos.

fp: Qual é a sua opinião relativamente à ideia de incluir Portugal na Volta a Espanha, num futuro próximo? Não digo que seja completamente anexada, mas não daria maior visibilidade ao nosso país?

RV: Era bom isso acontecer.

fp: Num nível mais pessoal, como é a vida de ciclista? Muitas viagens, muito treino, pouco tempo em casa. Acredito que seja duro…

RV: Não é fácil. São muitos dias fora de casa, muito empenho, dedicação e sofrimento.

fpPor fim, e fazendo jus ao nome do Website, acha que existe Fair Play no ciclismo?

RV: Dentro da corrida cada equipa tem os seus objetivos, fora de competição existe uma boa relação entre
todos.


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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