Arquivo de Torino - Fair Play

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Pedro CouñagoAgosto 15, 201724min0

Em Itália, mora um dos campeonatos mais notáveis em toda a Europa, com grandes equipas a comporem-no. Nos últimos anos, no que toca à luta pelo título, a equipa da Juventus tem tido sempre vantagem sobre os adversários, não lhes dando a mínima hipótese, partindo, portanto, como favorita para a época 17/18. No entanto, existem duas ou três equipas que pretendem subir o seu nível. Ao mesmo tempo, a luta pelas competições será longa e dura, não havendo espaço para muitos erros, existindo algumas hipóteses plausíveis sobre quem poderá ocupar essas posições. Como poderá ser a próxima época?

Juventus

Não existe maior candidato a liderar a Série A e a conquistar o campeonato de Itália do que a Vecchia Signora. Nos últimos seis anos, foram seis campeonatos ganhos pela Juventus, sem qualquer tipo de oposição minimamente tangível. Clubes como Roma e Nápoles ainda têm tentado ombrear com a Juventus, mas simplesmente não conseguem porque não têm os mesmos argumentos, principalmente financeiros.

Os adeptos da Juve estão mais que habituados a festejar, já vão no hexacampeonato (Foto: Jornal de Noticias)

A época de 2017/2018 será, ainda assim, certamente bastante interessante de seguir para os lados do clube de Turim, principalmente depois da saída de um dos ídolos do clube, como era Bonucci. A sua saída para o rival Milan foi uma surpresa para todos os tiffosi da Juve, resta ver se tem algum impacto dentro de campo na mística que a equipa apresentará. Deste lado, tal não se espera, pois a restante espinha dorsal do clube (Buffon, Chiellini, Marchisio, Barzagli) continua aí para as curvas. No entanto, tal não durará muito mais tempo, começando por Buffon, que fará o último ano da carreira de jogador esta temporada, e em 2018/2019 será, em princípio, substituído na titularidade por Sczeszny, chegado neste defeso ao clube.

Dani Alves saiu também do clube após uma época realizada, mas uma em que foi uma das estrelas da equipa e uma das melhores da sua carreira. Certamente fará falta, e será uma das poucas posições para as quais faria falta uma solução. Fala-se no português João Cancelo, que poderia ser uma boa solução para a equipa, mas já chegou De Sciglio, que certamente é também uma boa solução.

Pelo restante poderio individual (Higuain, Dybala, Mandzukic, Pjanic, Cuadrado, por exemplo), a Juventus acaba por se sobrepor às restantes equipas da Série A, ainda por cima quando tão bem estes jogadores jogam juntos. A estes cinco principais juntaram-se agora Douglas Costa e Federico Bernardeschi, duas “bombas” de mercado que prometem dar uma vasta panóplia de soluções ao ataque bianconeri. Só estes talentos já chegam para continuar a levar a Juventus aos títulos, não existe nenhuma equipa em Itália com esta profundidade no seu ataque.

A Juventus pode chegar a um histórico heptacampeonato, mas deve ter cuidado para não se desleixar com as restantes conquistas. Na passada época, chegou à final da Liga dos Campeões catorze anos depois da última, mas acabou por perder por 4-1 para o Real Madrid. Veremos se esse não poderá ter sido um momento de viragem para aquilo que será o futuro. A época não começou da melhor forma, depois de uma derrota por 3-2 diante da Lazio, que deixa algumas reticências sobre aquilo que pode ser o início da campanha, ainda por cima depois de uma má exibição da equipa, em que realmente se notaram as falhas defensivas. No entanto, foi o primeiro jogo da época, e a Juventus certamente consolidará melhor os seus processos e conseguirá recuperar.

O campeonato vem ficando cada vez mais competitivo, não só devido a Roma e Nápoles, já destacados, mas também graças ao possível renascimento dos clubes de Milão, que têm investido muito forte para a próxima temporada. Como tal, a Juventus deve-se precaver, dar sempre tudo dentro de campo e utilizar a sua mestria e inteligência a si associadas. Se tal acontecer, muito dificilmente não chegará ao sétimo campeonato consecutivo.

Possíveis candidatos a lutar com a Juventus

O Nápoles será, em teoria, a equipa mais capaz de poder lutar abertamente com a Juventus, ainda que a tarefa seja bem difícil. A nível individual, a equipa do Sul de Itália será, talvez, aquela que mais se aproxima dos valores individuais da Vecchia Signora (o Milan parece querer reduzir a distância). Com jogadores como Insigne, Hamsik, Callejón e, principalmente, Mertens, o espetáculo a nível técnico é garantido, tanto que a equipa napolitana tem sido recorrentemente considerada como aquela que melhor joga em Itália. Nos últimos anos, tem conseguido crescer de forma sustentável, com bons resultados todos os anos, mas não tem conseguido chegar ao nível da Juve.

É uma equipa muitíssimo bem orientada por Maurizio Sarri, técnico elogiado principalmente por causa do futebol rendilhado e bonito que as suas equipas praticam, algo que se reflete no estilo de jogo implementado no San Paolo. A equipa pouco mudou em relação ao ano passado, destacando-se a chegada de Adam Ounas, mais uma excelente opção para os corredores, jovem e com grande margem de progressão. Também o lateral esquerdo português Mário Rui chegou ao clube, que é uma excelente alternativa a Ghoulam, que é muito pretendido mas que parece que irá ficar no San Paolo. Além disso, a equipa manteve Nikola Maksimovic e Marko Rog, dois jogadores que estavam emprestados ao clube na temporada passada e que ficam agora em definitivo.

Nenhum jogador relevante do plantel principal saiu do clube, algo que abona a favor da equipa, que assim ganha estabilidade e, com os novos reforços, ganha uma maior profundidade no plantel. Por aqui se verifica o maior poder poder que o clube tem nos dias de hoje. Veremos se Arek Milik consegue justificar a sua contratação feita no passado Verão e se faz esquecer Higuain, visto que esteve meia época lesionado na passada temporada. Talvez o que possa faltar ao clube seja um guarda-redes de maior valia, visto que Reina já não vai para novo.

De resto, se a equipa, até ao final de Agosto, resistir ao assédio que vem sido feito aos seus principais jogadores, como Insigne, Koulibaly e Ghoulam, parece-nos que o Nápoles tem tudo para não só se qualificar para a Liga dos Campeões, como também dar mais luta à Juventus na corrida pelo título. A segundo classificado, pelo menos, o Nápoles é forte candidato.

Quem também tem esperanças de poder subir um pouco mais é a Roma. O clube romano vem crescendo de rendimento nos últimos anos, mas nunca o suficiente para realmente perturbar a Juventus na corrida pelo título. Aliás, o seu último Scudetto chegou há já longínquos dezasseis anos, em 2000/2001. O clube romano tem poucos campeonatos para a sua real valia: apenas três.

Há muito tempo que o clube pretende dar o próximo passo, chegar finalmente ao cume da montanha, mas tem sido sistematicamente relegada, nos últimos anos, para uma luta com o Nápoles pelo segundo lugar. Face à descida de rendimento dos clubes de Milão, esta tarefa tem estado mais facilitada, e tem feito com que o clube esteja presente com frequência na Liga dos Campeões. O clube tem-se cimentado no pódio das equipas mais poderosas da Série A, mas tal não será tão fácil este ano, o campeonato está cada vez mais competitivo.

Vamos por partes. Esta época será a primeira da era Pós-Totti. O craque italiano representa um legado de vinte e cinco anos de uma das histórias mais bonitas de real amor a uma camisola. É certo que o jogador foi perdendo importância nas últimas temporadas, a idade não perdoa, mas continuava a ser o grande comandante no balneário romano. Será que a equipa conseguirá reagir à perda do seu comandante? Parece-nos que sim, principalmente através de Daniele De Rossi, outro dos jogadores mais carismáticos do clube.

O clube ficou ainda órfão de quatro dos seus principais pilares da passada temporada: Szczesny, Rudiger, Paredes e Salah. O último, principalmente, representa uma enorme perda para o conjunto romano, pois o egípcio era o principal motor do ataque da equipa, era sinónimo de golo ou assistência em quase qualquer jogo. Para o seu lugar, tem-se falado com frequência em Riyad Mahrez, que seria certamente uma boa alternativa, ainda que com menos capacidade de aceleração que Salah. Essa era uma das principais características do jogo da Roma, também muito por culpa de Luciano Spalletti, que é conhecido por privilegiar o ataque rápido.

No entanto, Spalletti saiu para o Inter, chegando para o seu lugar Eusebio di Francesco. Este será mais um dos motivos que gera curiosidade para a próxima época. Será interessante perceber se o jovem treinador consegue ter o mesmo sucesso que teve no Sassuolo e que estilo de jogo implementa na equipa. Tem todo o potencial para o conseguir, e, no que toca a reforços, até não se pode queixar. Do seu anterior clube, trouxe dois: Lorenzo Pellegrini e Grégoire Defrel. Além destes, alguns outros chegaram, muito por culpa de um homem.

Monchi, o emblemático diretor desportivo espanhol, chegou ao clube para esta nova época, e consigo chegaram os negócios “pechincha”. Assim, o clube contratou jogadores como Hector Moreno, Gonalons, Fazio (após empréstimo ao clube) e Kolarov por cerca de 19 milhões de euros. São quatro elementos que garantem qualidade e experiência à equipa. Monchi é ainda conhecido pela sua capacidade de scouting e de encontrar jogadores apetecíveis em territórios menos esperados. É nesse sentido que chegam Rick Karsdorp, Cengiz Under e também Rezan Corlu, provenientes de Feyenoord, Istambul Basaksehir e Brondby, respetivamente, sendo estes elementos mais wildcards face àquilo que podem oferecer à equipa, mas, se vêm com o selo de Monchi, só podem ter qualidade assegurada.

Monchi pode vir a ser o melhor reforço da Roma para as próximas temporadas, garantindo os melhores negócios (Foto: asroma.com)

De resto, todos os jogadores destacados, na companhia das estrelas como Manolas, Strootman, Nainggolan, Florenzi e Dzeko, podem dar cartas. O plantel é bastante completo, com excelentes soluções, estando preparado para, mais uma vez, chegar à Liga dos Campeões de forma direta. Será, no entanto, que o clube conseguirá alcançar o próximo nível e realmente lutar até ao fim pelo Scudetto? Sem Totti nem Salah e com Di Francesco, veremos o que nos reserva a próxima temporada.

Candidatos ao quarto lugar, se possível algo mais

Como quarto maior candidato, surge o Milan. O clube milanês será o grande wild-card da próxima edição da Série A. Tanto pode tudo correr tudo muito bem como muito mal, mas uma coisa é certa: há muito tempo que não se esperava tanto dos rossoneri e agora a equipa está sob real pressão de alcançar resultados no imediato.

Tem sido uma chuva de contratações por parte do clube, algo que se deve à compra do clube por Lin Yonghong em abril deste ano. O poderio financeiro da equipa subiu drasticamente, e com ele foi possível contratar os defesas Bonucci, Musacchio, Ricardo Rodriguez e Andrea Conti, os médios Biglia, Késsie e Çalhanoglu e os avançados André Silva e Fabio Borini. De todas as contratações, é obrigatório destacar a aquisição de Leonardo Bonucci à rival Juve, algo que se pensava impensável e que apenas foi possível não só devido ao maior poderio financeiro mas também ao projeto ambicioso que o clube tem para implementar no imediato. Outro dos “reforços” é Gianluigi Donnarumma, que pareceu com um pé fora do clube mas que viu a sua situação devidamente resolvida. Além disso, poderá estar ainda para chegar um ponta de lança, que ocupará a vaga de Carlos Bacca, que parece de saída.

É estranho ver Bonucci com a camisola dos rossoneri. Que impacto poderá ter o central no Milan? (Foto: Goal.com)

Todas estas contratações têm de levar o clube a resultados, não só na Série A como a nível europeu. O clube está de volta às competições europeias, participando na Liga Europa. Sendo apenas a segunda competição mais importante de clubes, a equipa tem obrigação de chegar longe na competição. Certamente menos que os quartos de final, no mínimo, será um fracasso.

Mais que isso, o clube tem de lutar pela qualificação para a Liga dos Campeões. Será algo ilusório poder afirmar que o clube lutará pelo título, existem muitos mecanismos táticos em fase de implementação, e o clube não pode ter ambições desmedidas depois das más épocas que tem feito. Demorará o seu tempo até tudo carburar a cem por cento, portanto a luta pela qualificação para a Liga dos Campeões parece um objetivo realista. Um quarto lugar, no mínimo, é a obrigação do Milan depois das contratações efetuadas. 

Foram dadas as melhores condições possíveis a Vincenzo Montella, que, se tudo correr bem, pode levar o clube a um nível que não alcançou nos últimos cinco anos. Tem feito um razoável trabalho, pode fazer bem melhor agora. Com as contratações efetuadas, mais a base de jogadores italianos como Donnarumma, Bonaventura, Abate, Calabria, Locatelli ou Montolivo e a permanência de jogadores decisivos como Suso, tudo parece poder correr bem para os pupilos do antigo avançado.

Quem não quer que tal aconteça é o rival do Milan, o Internazionale. A equipa nerazzurri, bem como o seu rival de Milão, tem feito investimentos significativos com vista a melhorar a performance da época 16/17, em que tudo correu mal, desde a eliminação da Liga Europa logo na fase de grupos, a chegada apenas aos quartos de final da Taça de Itália e o mau sétimo lugar no campeonato.

Afinal de contas, o Inter não joga nenhuma competição europeia esta temporada, algo que se pode revelar uma vantagem, na medida em que os jogadores estarão exclusivamente focados no campeonato e, assim, podem lutar pelos lugares de Champions, pelo menos o quarto lugar, portanto. Com uma Roma que poderá ser imprevisível este ano, veremos se o Inter, juntamente com Milan também, não poderá dar mais trabalho na luta pelo terceiro lugar, inclusivamente.

O Verão foi marcado pela contratação de Vecino e Borja Valero, excelentes opções para o meio campo da equipa, além das aquisições de Milan Skriniar e Dalbert, o lateral que, no Verão passado, saía de Portugal para França por 2 milhões de euros e agora sai por um valor dez vezes mais alto. Foram contratações sonantes para lugares certamente necessitados, em que se aumenta a quantidade e qualidade das opções da equipa. A lateral esquerda tem estado debilitada nos últimos anos e o meio campo teve performances bem abaixo do esperado no ano passado, com Kondogbia, principalmente, a ser candidato à saída, sendo assim contratações bastante cirúrgicas as feitas pelo clube. Com a contratação dos dois médios mencionados, João Mário pode ganhar mais preponderância como médio mais avançado. Skriniar vem substituir Gary Medel, que foi vendido de forma duvidosa (apenas 3 milhões de euros) para a Turquia.

É mais importante mencionar a chegada de Luciano Spalletti ao comando técnico do clube. É um treinador com muita pedalada nestas andanças, que tem capacidade de liderança e um mestre tático, com bastante sucesso ao longo da carreira. Certamente será um upgrade àquilo que vinha sendo uma “dança das cadeiras” na liderança da turma nerazurri. Com Spalletti, os primeiros resultados foram animadores, tendo a equipa feito uma boa pré-época. Se conseguir iniciar bem a liga, fazendo um bom trajeto até dezembro, em que a taça, aí, se intrometerá, o Inter pode estar destinado a uma grande melhoria face à temporada passada.

Com a manutenção de jogadores como Perisic, Candreva e o próprio João Mário, acrescentando-se a segurança que Handanovic e Miranda dão à defensiva, em conjunto com a juventude de Skriniar, a mestria no meio campo de Vecino, Borja Valero e outros como Brozovic e o nosso português João Mário, acrescentando-se o faro de golo de Icardi, bem secundado por Éder, a equipa tem tudo para fazer um bom desempenho na próxima edição da Série A.

A luta pela Liga Europa

Num patamar mais abaixo, candidata a uma presença na Liga Europa, chega a Atalanta. Será muito curioso ver o que pode fazer a equipa de Bérgamo na ressaca de uma das suas melhores épocas de sempre. A equipa conseguiu um brilhante quarto lugar, catapultando-se para um tão aguardado regresso às competições quase 30 anos depois, mas esse mesmo quarto lugar parece difícil este ano.

Muito se pode agradecer a Gian Piero Gasperini, que fez um fantástico trabalho na época passada, lançando jogadores como Kessié, Mattia Caldara, Andrea Conti ou Gagliardini, todos vendidos por valores acima dos 15 milhões de euros, depois de uma primeira época num nível mais elevado na Série A.

Gasperini, o grande obreiro da Atalanta que agora conhecemos (Foto: Goal.com)

No caso de Caldara, o negócio foi especialmente apetecível porque contará com o jogador até ao final da próxima temporada, rumando depois à Juventus com uma outra bagagem e experiência competitiva. A equipa perdeu também um dos pontas de lança, Alberto Paloschi, este emprestado com cláusula de compra obrigatória à SPAL. A equipa perdeu alguns elementos de extrema importância, algo que se aceita tendo em conta a salvaguarda financeira do clube para os próximos anos.

No entanto, o clube tem uma academia reconhecida tanto a nível nacional como internacional que lhe permite sempre gerar novos craques de qualidade inegável que podem jogar futuramente na primeira equipa. Além disso, desengane-se se pensa que a equipa não tem estado ativa no mercado.

Com efeito, a equipa tem feito movimentos magníficos no presente defeso. Além de segurar em definitivo o guarda-redes Berisha, a equipa já foi buscar João Schmidt a custo zero, Timothy Castagne, um potencial grande lateral direito, por 6 milhões de euros, Andreas Cornelius por 3.5 milhões, garantiu a jovem estrela Riccardo Orsolini por empréstimo, conseguiu o regresso de Marten de Roon por 13 milhões e, por último, garantiu o craque esloveno Josip Ilicic pela modesta quantia de 5.5 milhões de euros. Não parece que a equipa fique a perder, bem pelo contrário. Não só consegue estabilidade financeira, como vai buscar elementos que não garantem imensa qualidade no imediato e no futuro. A contratação de Ilicic não vem nessa filosofia mas sim numa de oferecer magia ao meio campo ofensivo da equipa.

Não será fácil a equipa repetir o quarto lugar da passada temporada quando as principais equipas do campeonato estão a fazer uma forte aposta. Além disso, o clube jogará a Liga Europa, algo que gerará mais cansaço nos jogadores. Ainda assim, com a chegada dos reforços e a manutenção dos restantes esteios da equipa, como Alejandro Gómez, Andrea Petagna, Leonardo Spinnazola, Jasmin Kurtic e Rafael Tolói, pode-se esperar mais uma boa época dos pupilos de Gasperini, possivelmente a lutar novamente pelas competições europeias. Talvez um sexto, sétimo lugar esteja mais ao alcance do clube.

A Lazio entra com vontade de passar à frente da Atalanta em 2017/2018. A equipa romana fez uma boa época em 16/17, conseguindo chegar ao quinto lugar da Série A e garantindo a Liga Europa. Era difícil exigir mais ao clube depois de tamanha boa época da Atalanta e a diferença de qualidade para Nápoles, Roma e Juventus. Foi uma época estável, com a equipa a chegar também aos oitavos de final na Liga Europa e chegando à final da Taça de Itália, perdendo para a Juventus. No entanto, já conseguiu a sua vingança, começando muito bem a época e conquistando a Supertaça italiana, vencendo por 3-2 frente à Vecchia Signora.

O clube contratou alguns jogadores importantes para a próxima temporada, com principal destaque para Adam Marusic e Lucas Leiva, dois jogadores que parecem ter garantida a entrada direta no onze da equipa. Lucas Leiva vem compensar a grande perda do clube neste defeso: Lucas Biglia, que saiu para o AC Milan.

Começou bem esta nova etapa de Lucas Leiva, com a conquista da Supertaça de Itália. Veremos que pujança traz o brasileiro ao meio-campo dos romanos (Foto: 101 Great Goals)

De resto, entraram ainda Davide de Gennaro a custo zero e Filipe Caicedo, que vai servir de cobertura à estrela Ciro Immobile. Destaque ainda para o regresso de empréstimo de Ricardo Kishna, que pode ser o substituto de Keita Baldé caso o jogador saia, ou poderá ser inclusivamente contratado outro jogador, como Brahimi.

Assim, o plantel não mexeu muito, sendo garantidas alternativas que podem dar mais profundidade a um plantel de qualidade, em que existem ainda jogadores como Marco Parolo e Felipe Anderson que fazem a diferença. Prevê-se mais uma época a lutar, pelo menos, pelo sexto lugar para a equipa romana. Simone Inzaghi tem condições para continuar o seu bom trabalho ao leme do clube.

Por fim, surge uma equipa que poderá tentar fazer uma gracinha na próxima edição da Série A: o Torino. Tem vindo sempre a fazer campeonatos estáveis, figurando na primeira metade da tabela. É um clube que tem vindo a recuperar, aos poucos, um pouco da mística daquilo que era o grande Torino de há 5 décadas atrás, tendo disputado a Liga Europa na passada temporada. Com essa experiência adquirida e sem a ter de jogar este ano, parece-nos possível que o Torino melhore o seu nono lugar e possa andar a disputar lugares superiores, intrometendo-se numa possível luta pela Liga Europa, dependendo também da possível vaga aberta ao sétimo lugar, dependendo dos finalistas da taça.

É certo que não será fácil, tendo em conta a cada vez maior competitividade do campeonato. Da equipa que acabou a temporada, saíram quatro jogadores mais importantes: os guarda-redes Joe Hart e Daniele Padelli, o defesa Gastón Silva e o médio Marco Benassi. O médio será, certamente, a saída mais notável, devido à sua preponderância no meio campo. Para as saídas, a equipa encontrou soluções, e bastante boas até.

Os centrais Lyanco e N´Koulou, este principalmente, são excelentes contratações da parte do Torino, traduzindo-se num claro upgrade no centro da defesa com a experiência competitiva do camaronês e o “sangue na guelra” de Lyanco. Para a saída de Benassi, o clube foi buscar Tomás Rincón à Juventus, não ficando, neste aspeto, a perder muito no imediato, a não ser num potencial encaixe futuro, porque Benassi ainda não está num nível acima de Rincón. E, para a baliza, chegaram Vanja Milinkovic-Savic, uma aposta de futuro, e Salvatore Sirigu, um excelente guardião que andou nos últimos dois anos perdido e que chega agora a custo zero a Torino, podendo voltar à seleção italiana e tendo hipótese de relançar a carreira.

O clube foi ainda buscar Álex Berenguer ao Osasuna, que pode ser um excelente backup de Adem Ljajic. O esloveno, em conjunto com Iago Falqué e, principalmente, Andrea Belotti, formam uma tripla de ataque possivelmente mortífera, que, com o upgrade da linha defensiva, pode significar a melhoria da equipa. Se Belotti permanecer no clube, será também uma grande vitória para Sinisa Mihajlovic, que não sendo um fantástico técnico, tem muito conhecimento do futebol italiano enquanto jogador e parece estar a assentar bem no clube de Turim. Ainda que não seja o candidato mais forte aos lugares europeus, o Torino tem uma boa hipótese de se tentar intrometer na luta, ainda para mais com uma Fiorentina que não parece destinada a tais voos.

Assim, ficam os dados lançados no que toca às equipas mais poderosas da Série A. Veremos se as previsões quanto à luta pelo título, Champions e Liga Europa se confirmam. Está lançada a luta pelos lugares cimeiros do campeonato italiano. 

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Fair PlayAbril 2, 201716min0

O que é o mundo do futebol? Esta é uma questão que espelha bem a realidade que nos rodeia, em termos absolutos, e que podemos transpor para o fenómeno futebolístico. A realidade que conhecemos é uma ínfima, maior ou menor, parte do todo real e aquilo a que tantos apelidam de mundo do futebol retrata habitualmente uma fatia pequena daquilo que é, do que envolve, da verdadeira dimensão do ‘mundo do futebol’.

Esta pode ser uma viagem pelo meu mundo, de mente e braços abertos, sem preconceitos, procurando abrir horizontes, como tento fazer a cada dia – e já antes da sua criação – no Observatório das Ligas Europeias de Futebol, que começou como uma página de suporte a uma ideia de investigação científica, não concretizada por falta de apoios, mas que se transformou numa referência para quem gosta do alternativo, de se aprofundar nas várias temáticas envolventes do ‘Belo Jogo’, de tirar dúvidas, de seguir a Diáspora portuguesa menos mediatizada, de olhar para todas as ligas europeias, mundiais, secundárias, terciárias, distritais, seguido por diversos profissionais de medias desportivos portugueses e internacionais.

Respondendo ao desafio do Ricardo Lestre em escrevinhar algo para o Fair Play, com liberdade temática, optei por uma crónica de índole mais intimista e pessoal, para fugir realmente ao que se lê, seja na análise de um encontro ou de um atleta, seja nas imensas temáticas que envolvem o futebol e o desporto e que muito me fascinam, a psicologia, o marketing, a comunicação, a promoção.

Portugal sempre viveu confundido, somos uma sociedade confusa e com imensas dificuldades em se olhar ao espelho. Pela minha experiência in loco por toda a Europa, Ocidental, Central, Nórdica, Balcânica, Mediterrânica, pelo Médio Oriente, somos o povo com maior dificuldade em assumir culpas, em se enfrentar ao espelho e isso reflecte-se em todas as áreas, na justiça, na saúde, na educação e, claro, no desporto.

O meu gosto pelo desporto nasceu cedo, talvez por razões genéticas, sem grandes influências directas, mas crescendo rodeado de alguns jovens que seriam futuras estrelas do(s) desporto(s) português(es), e logo tido, respeitado e procurado como ‘enciclopédia desportiva’, na verdadeira essência da expressão, ao contrário do utilizado em Portugal para tantos outros. A confusão que se faz entre se saber um pouco, ou bastante, de futebol – desde tenra idade – e realmente ter-se conhecimento multidesportivo é uma das notas fáceis de conotar com a falta de cultura desportiva portuguesa e como se toma o futebol por todo o desporto.

Foto: Getty Images

Desde os 12 anos, talvez, ainda os jornais desportivos lusos eram editados três vezes por semana, que chegava à escola com o periódico debaixo do braço, pernas arqueadas e dar ‘postulados’, de quando em vez, para receber os ‘cognomes’ de ‘Mister’ ou ‘Almirante’ (sim, gostava do David Robinson, é verdade, entre outras estrelas da NBA). Eram tempos em que nos intervalos de aulas não se falava apenas de futebol, discutia-se andebol, o basquetebol da NBA, que acabava de chegar à RTP2, hóquei em patins (em escola de ‘campeões’ como Reinaldo Ventura – ainda me lembro quando calçou patins as primeiras vezes no café do seu padrinho, deveria ter ele 2/3 anos), voleibol, Fórmula 1, Rali, Moto GP, entre os amantes de Kevin Schwantz, de Wayne Rayney, de Wayne Gardner, de Eddie Lawson, de Mick Doohan e eu, um confesso admirador do espectáculo que Randy Mamola trazia a cada corrida, em interessantíssimas e ricas conversas (não, não se pense que apenas se discutia desporto).

Mais tarde, já adolescente, no café matinal cruzava-me por vezes com as ‘estrelas’ jovens do Salgueiros, Pedrosa e Sá Pinto, um bar chamado ‘Help’ onde as manhãs (pelas 8h00) tinham grandes ‘serões’ futebolísticos, entre N conversas paralelas, as dicotomias entre secundária e colégio, que ali partilhavam espaço, o fumo, a confusão, por vezes ânimos exaltados, mas sem nunca ir além de encontrões, o futebol ganhava dimensão e a minha voz era solicitada, afinal já tinha experiência passada de rádio (ainda eram piratas quando o fiz) e apresentava argumentos bem justificados e ponderados, qual século das luzes, eram mesmo o final dos anos 80 e anos 90.

A vantagem de cedo e facilmente aprender e conhecer outras línguas, das viagens quando ainda nem tinha a maioridade completa, de ter acesso a parabólica, deram-me imensos utensílios, ferramentas para me aprofundar neste meu amor, o desporto.

 

Foto: sjpf.pt

Amor!

Eis mais um tema onde o português se confunde, os significados e significâncias das palavras amor, paixão, tesão, obsessão fundem-se e baralham-se nas mentes, seja em termos latos, seja no sentido estrito que aqui se relaciona – o futebol. Existe uma enorme obsessão por clubes em Portugal, não é amor, pode ser paixão, mas é muitas vezes obsessão pura, ali encontrando uma fuga, uma relação para substituir problemas na ‘vida real’.

É engraçado como tanto se diz e escreve que os portugueses amam ou adoram o futebol… mentira. Nota-se que não existe tanto interesse assim pelo futebol no seu conceito mais puro, há gostos relativos, entreténs, mas não uma adoração, essa existe – como acima notado, a extravasar para a obsessão – por equipas de futebol. Essa é uma parte, importante, dos problemas constantes, crónicos e estruturais do futebol português. Não havendo um amor pelo jogo, uma capacidade de compreender para além do próprio umbigo, onde se incluem profundamente vários dos responsáveis de clubes, de pensar micro e macro, de raciocinar e não agir meramente por emoções, aceitando – após esfriar a mente – as derrotas como parte da vida.

Percebe-se – ou intui-se, pelo menos – que o ‘Belo Jogo’ na visão portuguesa apenas existe na medida da vitória do clube desse indivíduo, basta ouvir comentários do género “bom mesmo é ganhar nos descontos com penálti inventado” para se ter essa noção bem presente. Isto tem muito a ver com a falta de cultura desportiva, uma ausência de respeito mútuo, uma sensação de impunidade e o gosto pela trapaça, pelo ‘chico-espertismo’, que tanto caracterizam a sociedade portuguesa.

Foto: Fotos da Curva

Media

A obsessão mediatizou-se, assumiram gestão dos media portugueses pessoas com estas visões redutoras, que entendem o fenómeno futebol como a soma de três partes, acrescentando-lhes outras duas ou três, como sejam a selecção sénior masculina e os mediáticos Mourinho e Cristiano Ronaldo, deixando de valorizar aquilo que faz cada clube existir, a competição.

Se não existissem competições a sério essas forças tão sobrevalorizadas pelos media portugueses não seriam nada além dos Harlem Globetrotters do futebol ou, se preferirem, o Hungaria, aquela famosa equipa de desertores magiares liderada por Daucik e onde estavam Fuzesi, Liska, Gyula Toth, Hrotko, Zsengeller, Ferenc Mészáros (o que alinhou no Sporting Braga nos anos 50), Janos Kiss, Andrej Nagy, Imre Danko, Turbeky, Bela Sarosi, Monsider, Rakoczi, Magay, Marik e, claro, a lenda Kubala, que brilharam em amigáveis na Europa Ocidental enquanto a FIFA não permitiu que alinhassem por clubes do lado de cá da ‘Muralha de Ferro’, geniais, mas uma equipa de amigáveis, que seria aplicável a estas mesmas equipas caso não existissem ligas, taças e outras competições.

As televisões contratam especialistas a peso de ouro, muitos deles pelo menos, mas sem o necessário conhecimento, são indivíduos que se guiam por uma avaliação de campeonatos e equipas assente em visões enviesadas dos mesmos, desconstroem uma liga por três ou quatro equipas que vêem ou, ainda pior, assentes em pressupostos definidos alguns anos antes, já desactualizados e descontextualizados, como se vem notando desde 2015, por exemplo, com a Série A italiana.

Foto: imortaisdofutebol.com

Exemplos

Como nas outras áreas da sociedade e onde os media intervêm, as comparações cingem-se quase sempre a nações/liga de comparação quase impossível, seja pelos distintos estágios de desenvolvimento/capacidade económico-financeira, população, desenvolvimento industrial, mas a falta de capacidade para ir além do óbvio traz este recalque cíclico.

Ainda sou do tempo em que os estádios portugueses – como os pavilhões – estavam bem compostos. Por um lado, os clubes não souberam acompanhar a evolução dos tempos, o surgimento de tantas novidades ao nível do entretenimento, o afastamento dos mais jovens, a vertente virtual-social, a comunicação, todas estas áreas continuam com exploração desajustada e pouco potenciada, acordando-se tarde para todos estes fenómenos, a nível de clubes e estruturas federativas nacionais e regionais.

Por outro lado, o serviço público de televisão tem muito que se lhe aponte. Ainda hoje tenho conversas onde me lembram dos tempos do domingo desportivo e das tardes de sábado e domingo com desporto na RTP2, com os directos das várias modalidades. Esse serviço era essencial. Apesar de hoje ser mais fácil encontrar toda a informação, o ser humano é preguiçoso, é como deixar de se raciocinar para fazer um cálculo ou lembrar uma informação quando se tem uma ligação à internet disponível e dois cliques ou três dão a resposta – ou não. Ter o ‘cartaz’ dos jogos, dos horários, fazer abordagens com o devido distanciamento e sem a obsessão acima identificada, levava o adepto mais facilmente ao estádio, estava motivado por toda aquela informação que lhe entrava pelo televisor adentro.

A RTP subtraiu-se por completo do seu dever enquanto serviço público, no que ao desporto diz respeito, não só deixou de garantir os directos das várias modalidades (excepção aos grandes campeonatos de atletismo e à Volta a França, além de uma ou outra adenda mais) como também se abstraiu de passar quaisquer informações sobre o desporto português, optando pela estratégia de ‘seguidismo’, que nunca deveria guiar um serviço público de televisão. Sim, transmitiu os Jogos Olímpicos, sim, vai assegurando uma ou outra, como os mundiais de hóquei em patins, mas sem o devido enquadramento e acompanhamento que permita ao telespectador melhor compreender e querer se aprofundar, querer ir ver ao vivo, ganhar interesse. Ao invés, perde horas de discussões vazias sobre tácticas e tacticismos em torno de três equipas de futebol, traz comentadores às manhãs, tardes e noites informativas, bem pagos, para se debruçarem apenas sobre isso, continuamente.

Foto: RTP

Escolas

Uma das temáticas que mais me fascina dentro do universo futebol relaciona-se com as escolas de futebol. Como na música, na filosofia, na literatura, no cinema e noutras áreas, o futebol também tem escolas bem vincadas e cada uma delas com características muito próprias. É interessante notar como os italianos são os classicamente associados ao tacticismo, ainda que sejam mais cínicos do que tacticistas, não têm a obsessão absurda que lhes é conotada por tal, sabem é tirar o melhor partido das tácticas para o sucesso (ou sabiam), contudo os técnicos franceses são realmente absurdamente obcecados pelo tacticismo, uma das razões do seu insucesso europeu, o frenesim pela gestão do golo marcado impede-os de serem mais ambiciosos e chegarem mais longe. A inteligência de Leonardo Jardim percebeu isso, notando-se o sucesso da ousadia – que nunca se lhe tinha visto antes – no Mónaco 16/17.

As escolas de futebol são-no de treinadores, mas também de futebolistas, de formação de futebolistas, onde Portugal também necessita de melhorar. O exemplo alemão, de trabalhar os jovens nas várias posições dentro da sua zona de intervenção, de experimentarem as outras zonas de intervenção, no seu processo de aprendizagem, faz seniores capazes de desempenhar funções muito mais amplas no terreno, dão uma versatilidade obrigatória num desporto sempre em movimento e em evolução.

Seria fastidioso viajar pelas várias escolas, mas um dos casos mais contagiantes pela sua inesperada idiossincrasia é o servo-croata. Mesmo tendo-se desenvolvido para o futebol moderno dentro de um mesmo país, a Jugoslávia, dispondo de armas técnicas desportivas de topo, o que facilmente se comprova com quase todos os países resultantes do fim da Jugoslávia se terem tornado referências nas várias modalidades, no basquetebol, no andebol, no voleibol, no pólo aquático, nas vertentes masculina e feminina de todas, a verdade é que a Sérvia apresenta-se com jogadores tecnicamente dotados mas uma vertente de jogo muito anglófona, como que bebida do antigo modelo inglês de futebol, física, menos burilada colectivamente, enquanto a Croácia ganhou o epíteto de ‘Brasil da Europa’, o perfume dos seus futebolistas parece ser ainda maior dado o rendilhar futebolístico que boa parte das suas equipas apresenta, tantas vezes abdicando mesmo de um médio defensivo (quando o fazem é comum avançarem um central para posição), para terem unidades de criação no miolo.

É fascinante, como o é a forma tão única da Eslovénia jogar andebol, um ‘andebol total’ que pode não dar títulos mas chega a dar ‘ouras’ de ver, os seis em constante movimento. Escolas tão distintas que evoluírem até 1990 em comum, dentro de um mesmo país, mas que ainda assim criaram identidades nacionais (para quem não sabe, um país pode ser ou ter um conjunto de nações).

Foto: Record

Mundo do Futebol

Já vi jogos de todas as camadas jovens, desde os benjamins até aos veteranos, já mirei partidas de mais de 100 países, em mais de metade destes olhei para diversos escalões, sempre procurando enquadrar o meu próprio visionamento no contexto de cada faixa etária ou escalão. Claro que se pode comparar um encontro do quinto escalão sueco com a Allsvenskan, mas de forma vazia, em sentido lato apenas, um desafio de uma quinta divisão deve ser enquadrado dentro do contexto desse escalão e, mesmo ao estabelecer pontes comparativas com quintas ou quartas divisões de outros países, deve-se ter bastante cuidado, para compreender os estágios evolutivos, o nível de preparação, de treino, a escola.

É curioso como várias vezes leio, ouço comentários depreciativos sobre ligas, outras ligas, outros futebolistas, habitualmente por desconhecedores, que se limitam a ler ou ver algo sobre essa situação, que porventura nem uma partida viram, mas apresenta logo um juízo de valor, assente na sua própria realidade, curta, ou em visões distorcidas que são alimentadas, bebidas dessas estéreis horas de televisão dedicadas a partes mínimas do futebol e com as mesmas ideologias desconhecedoras das realidades.

Só assim se compreende a crítica da liga mexicana, a piada à liga japonesa, o desrespeito pelos feitos na liga polaca, o riso perante as ligas do Médio Oriente e a incompreensão (europeia) do porquê talentos daquelas regiões não rumarem à Europa, o achincalhamento da liga chinesa, como se alguém que rotula as escolhas de futebolistas pela CSL iria abdicar de se mudar para o mesmo local se lhe oferecessem três, quatro, dez vezes o salário que aufere, além de tudo o resto pago, habitação de luxo e restante enquadramento.

Foto: essentiallysports.com

Eu gosto de ir à Islândia virtualmente ver jogos, já adorava antes do Europeu 2016, de ver os pitorescos sintéticos das Ilhas Faroé, de me imaginar a atravessar uma vinha georgiana para chegar a três degraus cheios de erva e assistir a uma partida local, de ver o comboio a passar o estádio na Eslováquia, de ir até ao reino do Butão e ver a liga local ou sentir o frenesim vibrante das ligas nipónicas, sempre a acelerar, de atravessar o antigo relvado do Platanias e ver o Mediterrâneo atrás da baliza, de sair do Riazor e ir tomar um banho gélido nas águas do Atlântico, de sentir o Adriático a entrar pelo Kantrida de Rijeka ou de passear pela Riviera francesa e me perder nos vários campos e relvados locais, entre as vilas e os areais, tenho saudades de chegar a Turim e escandalizar os locais como adepto ‘Granata’ e ‘Bianconero’, gosto do Torino e da Juventus, é verdade, ou deixar em choque os escoceses por ser um católico de 12 ou 13 anos e preferir o Rangers ao Celtic, de passear pelas margens do Reno à espera de ver o Fortuna no Rheinstadion, de virtualmente ver as ligas secundárias australianas, do Território do Norte à Tasmânia, as ligas indonésia, filipina, de me fascinar com os estádios a rebentar pelas costuras na República Democrática do Congo, do ‘Todo Poderoso’ Mazembe, de ver os perigos que rodeiam os ‘derbies dos derbies’, do Al Ahly x Zamalek em Cairo, dos Boca x River e Nacional x Peñarol, separados por dois países mas apenas uma baía, de ver o sucesso ‘luso’ dos ‘Ferroviários da Transilvânia’, o Ce-Fe-Re de Cluj-Napoca, de imaginar-me a viajar interminavelmente de Kaliningrado até Vladivostok para observar os ‘Tigres’ do Luch receberam o Baltika, ou ir até à ilha de Sacalina ver o Sakhalin, em pleno Pacífico, a passear pelo Shopping de Belgrado antes de subir ao seu topo para observar o Vozdovac, gosto, adoro tudo isto e tanto mais, pois o mundo do futebol é enorme, sem fim.

O dérbi do Cairo. (Foto: footyfair.com)

Artigo da autoria de António Valente Cardoso – Observatório Ligas Europeias de Futebol e autor do livro “Globall – Do Foot-Ball ao Futebol”

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Tomás da CunhaMarço 31, 20175min0

Haverá poucos países no mundo com uma tradição tão forte na formação de pontas-de-lança de topo como Itália. Neste século, porém, o número de goleadores nascidos na “bota” tem vindo a diminuir drasticamente. Depois do final de carreira de nomes como Pippo Inzaghi, Christian Vieri ou Luca Toni, a Squadra Azurra tem andado numa busca que parece não ter fim por um herdeiro à altura. Em parceria com a Talent Spy, olhamos para o melhor “9” italiano do momento.

Para júbilo dos transalpinos, e especialmente do seleccionador Giampiero Ventura, Andrea Belotti, avançado do Torino, reúne todas as características essenciais para ser uma referência por muitos anos. Sem entrar em comparações com nomes sonantes do passado, é seguro dizer que, pela qualidade e margem de progressão que apresenta, o jovem de 23 anos veio para ficar.

A segunda época de Belotti ao serviço do Torino – foi contratado ao Palermo em 2015 – tem sido simplesmente deslumbrante. Apesar da concorrência de Higuain, Icardi ou Dybala, vai liderando a corrida pelo prémio de Capocannoniere, que distingue o melhor marcador da Serie A. O feito do avançado do Torino, que leva 22 golos apontados, ainda se torna mais impressionante se pensarmos que actua numa equipa bem menos poderosa do que as dos seus rivais directos. Dos 54 golos marcados pelo Torino, 22 foram da autoria do ponta-de-lança, o que diz bem da sua preponderância no conjunto granata.

Fonte: Soccerway

Ainda numa fase prematura da época, quando não se imaginava que pudesse ter um rendimento tão elevado, Andrea Belotti foi chamado à Squadra Azurra e estreou-se pela equipa nacional. Giampiero Ventura trabalhou com o avançado no Torino e conhece perfeitamente as suas qualidades, dando-lhe a possibilidade de se tornar internacional AA (tem um percurso longo nas selecções jovens). Em boa hora o fez.

Ver Belotti jogar é quase uma viagem ao passado. Com uma cultura de movimentos que faz lembrar alguns dos grandes avançados italianos, o jovem de 23 anos apresenta muitas soluções no seu jogo. É especialmente forte na exploração da profundidade, sendo inúmeras vezes solicitado no espaço pelos seus companheiros. Destaca-se pelo timing com que procura a desmarcação e pela forma inteligente como normalmente ganha vantagem, fazendo uma diagonal curta e colocando o corpo à frente do adversário.

Tendo uma capacidade invulgar no jogo aéreo, Belotti é a referência quando a equipa necessita de jogar longo. Sabe utilizar o corpo para se impor, resistindo ao choque e esperando pela chegada de apoios. Além disso, é um avançado com uma postura altamente combativa, tendo, por isso mesmo, um papel importante no processo defensivo.

Não sendo um prodígio em termos técnicos, o avançado do Torino tem todas as competências que um jogador da sua posição deve ter, nomeadamente ao nível do remate. Com um sentido de baliza excepcional e muita agressividade no ataque a zonas de finalização, Belotti consegue antecipar-se e visar a baliza com espontaneidade.

O que distingue o goleador do Torino, porém, é um atributo que não é facilmente perceptível. Podemos chamar-lhe instinto: aquela capacidade de os avançados estarem no sítio certo à hora certa, como se tivessem algum poder de adivinhação. Se pensarmos que essa qualidade se vai aprimorando com o passar dos anos, imagine-se o que poderá ser Belotti daqui a uns tempos.

O “galo”, alcunha que recebeu pela forma como festeja, fazendo uma espécie de crista, pode evoluir na forma como se associa com a restante equipa, contribuindo mais activamente na fase de criação. Não sendo um avançado que se esconda do jogo, sente-se mais confortável quando procura a profundidade e ataca zonas de finalização (o modelo do Torino também acaba por propiciar esse tipo de movimentos).

Ainda jovem, o italiano terá o maior desafio da carreira quando se transferir para um emblema com outras ambições, algo que poderá acontecer já na próxima reabertura do mercado, apesar da cláusula de rescisão de 100 milhões de euros. Habituado a ter muitos metros à sua frente, Belotti terá de provar que consegue adaptar-se a outro tipo de jogo, com menos espaço e maior vigilância. Se mantiver a consistência e regularidade que tem mostrado nesta época,  será cada vez mais um “natural born killer” de referência.

BOA OPÇÃO PARA…

Chelsea FC – Numa altura em que se fala insistentemente de um possível regresso de Diego Costa ao Atlético de Madrid, a transferência de Andrea Belotti para os blues não é uma hipótese irreal. Por motivos óbvios, Conte tem uma ligação próxima com o mercado italiano e as qualidades do ponta-de-lança do Torino certamente não terão passado despercebidas. Com um estilo relativamente semelhante ao de Diego Costa, seria uma aposta interessante do clube e uma escolha inteligente do jogador.

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Ricardo LestreAgosto 19, 201621min0

A Serie A está de regresso com uma série de “caras novas”, mexidas profundas e uma rivalidade intensa: Juventus, entre Higuaín e a saída de Pogba; Roma com empréstimos sonantes; Inter entre uma saída de treinador e uma possível crise? Milão decepção no mercado será revelação no campeonato? Em Nápoles prepara-se um futuro de sucesso? Estas e outras dúvidas aqui na antevisão da liga italiana.

Juventus

2015/2016: Campeão
Estrela: Paulo Dybala
A seguir: Marko Pjaca
Treinador: Massimiliano Allegri
Estádio: Juventus Stadium (41.475 espectadores)
Títulos: 32

Não é obra do acaso a hegemonia da Vecchia Signora. Os anos passam, mas a Juventus continua a provar o porquê da sua sequência de recordes. É um clube campeão, ganhador. Um clube de enormes proporções que não atira a toalha ao chão nas fases menos positivas. Um clube que para além de demonstrar um grande coração, utiliza a astúcia como sua principal arma. A temporada transacta oscilou entre extremos. Por um lado, os comandados de Massimiliano Allegri registaram um dos piores arranques dos últimos tempos com 3 derrotas em 6 jogos e por outro, já no fecho, alcançaram o segundo pentacampeonato na sua e na história de todo o futebol italiano. Para 2016/2017, os Bianconeri contam com duas mexidas no plantel absolutamente bombásticas. Numa primeira instância, Pipita Higuaín foi adquirido ao Nápoles por uma verba a rondar os 94 milhões de euros e, recentemente, Paul Pogba sofreu o trajecto inverso ao assinar contracto com o Manchester United por, nada mais, nada menos que 105 milhões de euros.  A chegada do goleador argentino acaba por desfalcar e muito um rival directo na luta pelo título e promete imensos golos, não fosse Paulo Dybala o seu parceiro na dianteira. A opção Mandžukić, ao invés do esperado, ganhou força e o croata será um enorme trunfo para Allegri. Com a baliza e uma linha defensiva bem firmes, resta saber em que medida a saída de Pogba afectou o meio-campo. O desfalque é, obviamente, significativo, até porque o estatuto de um jogador multi-funções não se substitui com facilidade. No entanto, Miralem Pjanić deverá assumir a posição do internacional francês ainda que a Juve continue à procura de um elemento extra com características defensivas. Fora o resto, avizinha-se mais uma dura travessia para o campeão. Inegável. Mas se algo tem esta equipa demonstrado ano após ano, é a capacidade de contornar todos os obstáculos possíveis e imaginários.

Foto: ESPN
Foto: ESPN

Nápoles

2015/2016: 2º lugar
A estrela: Marek Hamšík
A seguir: Piotr Zielinski
Treinador: Maurizio Sarri
Estádio: San Paolo (60.240 espectadores)
Títulos: 2

Depois de uma época 2015/2016 memorável, causando um certo incómodo ao campeão em título, o Nápoles parte para um novo teste com a pole-position na mira. Aliás, não se espera menos de uma equipa que tanto surpreendeu a crítica ao leme do icónico Maurizio Sarri. Futebol atraente, explosivo e com uma gigante propensão ofensiva marcada pela frente de ataque assombrosa liderada por Gonzalo Higuaín. A saída do argentino causará mossa, em várias vertentes, e o seu substituto, Arkadiusz Milik, padece de outro tipo de qualidades que não o instinto goleador. A janela de transferências Partenopei têm-se prendido mais com entradas do que saídas. Será interessante verificar, por exemplo, como Sarri potenciará Piotr Zielinski no centro do terreno, visto que o meio-campo composto por Jorginho, Allan e Hamsik se apresentou a um excelente nível. Emanuele Giaccherini e Filip Raicevic, sérvio que se destacou ao serviço do Vicenza, são outros atletas que irão atribuir um diferente espaço de manobra ao seu treinador. A designada Máquina de Sarri sabe o quão árdua é a tarefa. No entanto, o principal objectivo passa por fazer ainda melhor do que o ano passado.

Foto: goal.com
Foto: goal.com

AS Roma

2015/2016: 3º lugar
A estrela: Mohamed Salah
A seguir: Diego Perotti
Treinador: Luciano Spalleti
Estádio: Olímpico de Roma (73.261 espectadores)
Títulos: 3

Na capital, o desfecho obtido acabou por cobrir um pouco a desilusão naquela que foi a era de Rudi Garcia. O sucessor, Luciano Spalleti, gerou uma enorme divisão de opiniões no seio dos Giallorrossi mas, na verdade, o técnico italiano colocou a Roma num patamar completamente diferente quando iniciada a segunda volta do campeonato. A linha defensiva sofreu um forte upgrade, não fosse este sector o tendão de Aquiles da equipa no ano passado, com as entradas de Bruno Peres, Juan Jesus, Thomas Vermaelen, Federico Fazio e do português Mário Rui, todos atletas com créditos firmados no futebol europeu. Spalleti tem, de facto, um vasto leque de matéria-prima de qualidade – certamente que se confirmarão várias saídas de modo a equilibrar a balança – à sua disposição. Com o maior foco no trio Mohamed Salah-El Sharaawy-Perotti (juntando Edin Dzeko como alternativa) e perante alguns ajustes, a AS Roma pode e deve assumir um ataque localizado ao top-3.

Foto: news.superscommesse.it
Foto: news.superscommesse.it

Inter

2015/2016: 4º lugar
A estrela: Mauro Icardi
A seguir: Antonio Candreva
Treinador: Frank De Boer
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 espectadores)
Títulos: 18

O Internazionale terá a oportunidade de se redimir paulatinamente. Roberto Mancini abandonou o cargo dos Nerazzurri e o seu trabalho ficou, mais uma vez, aquém das expectativas. O polo azul de Milão terminou no 4º posto a 13 pontos da AS Roma e a 24 (!) da Juventus e o futebol practicado, ao contrário do Nápoles, não empolgou em nenhuma ocasião. As ideias de Roberto Mancini e da direcção acabaram por não coincidir e Frank De Boer foi apresentado no imediato como novo head coach da equipa ainda na pré-temporada. O sistema táctico sofrerá alterações pelo que se o holandês reeditar o trabalho realizado no Ajax, jogará em 4-3-3 tentando assumir o jogo com uma certa insistência nas alas, mas com alguns desequilíbrios defensivos no momento da perda do esférico. De Boer não é um fora de série, porém, poderá trazer ao Internazionale algo novo, fresco. Sem grandes adições/saídas no plantel e com a continuidade de unidades importantíssimas como Handanovic, Mauro Icardi, a dupla de centrais Miranda-Murillo, Jovetic e Perisic, o cenário, embora permaneça uma incógnita, ganha outro tipo de confiança.

Foto: ESPN
Foto: ESPN

Fiorentina

2015/2016: 5º lugar
A estrela: Nikola Kalinic
A seguir: Federico Bernardeschi
Treinador: Paulo Sousa
Estádio: Artemio Franchi (47.290 espectadores)
Títulos: 2

Muito contestado aquando da sua chegada para o comando técnico dos Viola, Paulo Sousa não tardou a impor o seu futebol de posse e bem focado no ataque. A Fiorentina teve um período inicial absolutamente estrondoso e figurou, inclusive, no lugar de topo da Serie A. Perspectivou-se uma época muito acima da média para a realidade da Fiore mas, conforme o avanço das jornadas, a sua forma caiu a pique. O 5º posto não deixa de ser, ainda assim, um feito assinalável. O núcleo é bastante coeso e contém jogadores de extrema importância – Kalinic, Matías Vecino e Borja Valero surgem patamar superior – para atacar a nova época. A necessidade de reforços é mais que óbvia – Di Maio e Hrvoje Milic, ambos defesas e Cristian Tello já foram confirmados – até porque “sem ovos não se fazem omeletes”, mas Paulo Sousa já deu provas suficientes de que pode manusear, de forma eficiente, o material que tem à sua disposição.

Foto: runningtheshowblog.wordpress.com
Foto: runningtheshowblog.wordpress.com

Sassuolo

2015/2016: 6º lugar
A estrela: Domenico Berardi
A seguir: Gregoire Deffrel
Treinador: Eusebio Di Francesco
Estádio: Città del Tricolore (20.084 espectadores)
Títulos: 0

O feito extraordinário de 2015/2016 não passou despercebido a ninguém. O Sassuolo brilhou e é o modelo perfeito a seguir para as formações de média-baixa cotação que ascendem à Serie A. Não existe um ingrediente-chave. Os três anos vividos no topo do futebol italiano são fruto de muito trabalho, aposta na prata da casa e de uma gestão minuciosa, longe de investimentos milionários. Di Francesco, treinador dos Neroverdi, tem resistido ao assédio exterior direcionado a algumas das suas principais armas como Domenico Berardi e Nicola Sansone e com isso a equipa demonstrou um equilíbrio constante ao largo da época. A chegada de Alessandro Matri proveniente do AC Milan injectará mais experiência na dianteira e alargará as escolhas do seu manager tal como Letschert, uma das maiores pérolas do moderno Utrecht. Afastado o Luzern da Suiça num dos play-offs da Liga Europa, segue-se o Estrela Vermelha e o sonho do Unione Sportiva Sassuolo Calcio não vai ficar por aqui.

Foto: forzaitalianfootball.com
Foto: forzaitalianfootball.com

AC Milan

2015/2016: 7º lugar
A estrela: Carlos Bacca
A seguir: Suso
Treinador: Vincenzo Montella
Estádio: San Siro (80.018 espectadores)
Títulos: 18

O colosso emblema de Milão atravessa períodos amargos. Contratações milionárias e ao mesmo tempo incompreensíveis, despedimentos ridículos – como o caso de Siniša Mihajlović – e decisões frequentemente erradas. A gestão em tempos brilhante de Silvio Berlusconi e Adriano Galliani não tem remédio. É, actualmente, uma gestão danosa. Que prejudica a identidade do AC Milan por não apostar na colocação de várias lendas do clube nos demais órgãos directivos. No meio de um eterno impasse que rodeou o futuro da instituição nas mãos de investidores chineses, Vincenzo Montella foi o eleito para substituir Cristian Brocchi no comando. A contestação fez-se sentir. Montella fora uma lenda da AS Roma e não do AC Milan. Retirando esse pequeno percalço, a sua experiência como treinador demonstrou que as suas ideias são bem definidas e o futebol que pretende é agradável a olho nu. Todavia, terá de lhe ser atribuído tempo e espaço para retirar o melhor do nada famoso leque de jogadores que irá liderar.

Foto: gazzettaworld.com
Foto: gazzettaworld.com

Lazio

2015/2016: 8º lugar
A estrela: Lucas Biglia
A seguir: Keita Baldé
Treinador: Simone Inzaghi
Estádio: Olímpico de Roma (73.261)
Títulos: 2

A Lazio já respirou bem melhor. A última posição atingida não reflecte em nada o potencial da equipa Biancocelesti e a situação não se desmoronou muito por culpa de Simone Inzaghi. O ex-internacional italiano substituiu Stefano Pioli numa fase adiantada e conseguiu segurar levemente o barco. Contratações interessantes como Milinkovic-Savic e Kishna não renderam como o esperado. Marcelo Bielsa chegou a ser oficializado como grande aposta da direcção mas a estadia de El Loco durou apenas dois dias. Inzaghi voltou ao comando e já confirmou novas e interessantes transferências como a de Leitner, Bastos e Wallace. Se porventura a Lazio regressar ao topo, como em 2014/2015, o Calcio elevará a fasquia da competitividade.

Foto: calcionews24.com
Foto: calcionews24.com

Chievo

2015/2016: 9º lugar
A estrela: Valter Birsa
A seguir: Paul-Jose Mpoku
Treinador: Rolando Maran
Estádio: Marc’Antonio Bentegodi (39.371 espectadores)
Títulos: 0

Para o Chievo, lutar pela manutenção era quase como uma constante. 2015/2016 mudou radicalmente o estigma dos Gialloblu. Rolando Maran, o obreiro da classificação, conseguiu atribuir um certo atrevimento ofensivo e recolheu, mais tarde, os seus frutos. Está prestes a começar um novo ano. Repetir a façanha não deve ser um dado adquirido se não provável. O mais indicado é assegurar o mais cedo possível a manutenção e manter um pouco daquilo que fez os homens de Verona contrariarem o esperado. Só com Daprelà em iminência de se juntar ao plantel, devido à realidade financeira do clube, Maran terá um árduo desafio pela frente.

Foto: larena.it
Foto: larena.it

Empoli

2015/2016: 10º lugar
A estrela: Riccardo Saponara
A seguir: Assane Dioussé
Treinador: Giovanni Martusciello
Estádio: Carlo Castelanni (19.847 espectadores)
Títulos: 0

O Empoli é outro exemplo de sucesso na primeira liga italiana. O profundo golpe provocado pelos abandonos de peças cruciais, como o treinador Maurizio Sarri e os jogadores Matías Vecino, Daniele Rugani e Elseid Hysaj não abalou a confiança dos Azzurri que registaram, inclusive, um melhor resultado em comparação à época de Sarri. A escolha inesperada recaiu em Marco Giampaolo que com um 11 base rotinado silenciou tudo e todos, superiorizando-se a conjuntos de maior dimensão.  Um pouco à imagem do Chievo, a manutenção para 2016/2017 é o principal aspecto a ter em conta, mas no futebol existe sempre um pequeno espaço para sucessivas surpresas.

Foto: empolichannel.it
Foto: empolichannel.it

Génova

2015/2016: 11º lugar
A estrela: Leonardo Pavoletti
A seguir: Lucas Ocampos
Treinador: Ivan Juric
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 espectadores)
Títulos: 9

A equipa perdeu alguns elementos importantes (à cabeça as saídas de Ansaldi, para o Inter, e de Suso, que terminou o empréstimo, regressando agora ao Milan), mas chegaram reforços interessantes ao Luigi Ferraris, que podem permitir ao clube manter uma ideia de jogo positiva, e que permita ao Genoa entrar em campo em praticamente todos os jogos com o intuito de ganhar. As chegadas de Ocampos e Giovanni Simeone podem dar outra capacidade ofensiva, e o regresso de Miguel Veloso dará outra experiência e profundidade ao meio-campo. Juric terá desde logo um problema pela frente nas primeiras semanas, com Mattia Perin a regressar em Setembro aos relvados, estando ainda a recuperar de uma rotura de ligamentos, sofrida em Abril, numa partida frente ao Sassuolo.

Foto: pianetagenoa1983.net
Foto: pianetagenoa1983.net

Torino

2015/2016: 12º lugar
A estrela: Adem Ljajić
A seguir: Iago Falqué
Treinador: Siniša Mihajlović
Estádio: Olímpico Grande Torino (27.958 espectadores)
Títulos: 7

Desapontante. O 12º lugar obtido em 2015/2016 não espelha o verdadeiro potencial da turma Granata. Foi uma temporada de altos e baixos, recheada de lesões e com uma troca Ventura- Mihajlović no comando técnico. No entanto, as belas demonstrações de Baselli, Bruno Peres e Belotti esfriaram o pouco famoso trajecto marcado por alguma contestação da massa adepta. A base do Torino é sólida, sustentável por muito que a saída de Glik seja uma baixa de vulto. As exigências continuam em alta e não há qualquer margem de erro para o novo Il Toro. Os lugares de acesso à Liga Europa são, agora mais do que nunca, uma meta a atingir.

Foto: ilcalciomagazine.it
Foto: ilcalciomagazine.it

Atalanta

2015/2016: 13º lugar
A estrela: Maurício Pinilla
A seguir: Alejandro Goméz
Treinador: Gian Piero Gasperini
Estádio: Atleti Azzurri d’Italia (26.562 espectadores)
Títulos: 0

Emblema catalogado por normalmente se posicionar na metade inferior da tabela, a Atalanta, pelas mãos do contestado Edy Reja, cumpriu com o exigido: a manutenção. Em termos de destaques individuais, de ressalvar Marten De Roon e Alejandro Goméz, que abrilhantaram, tal como Sportiello na baliza, os jogos dos Orobici. O interesse em De Roon concretizou-se neste mercado e o holandês rubricou um contracto com o Middlesbrough da Premier League, deixando um enorme vazio na posição. Gian Piero Gasperini, ex-Génova, é agora o novo comandante, mas, por muito que se pretenda colocar a Atalanta em voos mais altos, os objectivos propostos não deverão fugir à realidade.

Foto: repstatic.it
Foto: repstatic.it

Bolonha

2015/2016: 14º lugar
A estrela: Mattia Destro
A seguir: Amadou Diawara
Treinador: Roberto Donadoni
Estádio: Renato Dall’Ara (38.279 espectadores)
Títulos: 7

O Bolonha viveu tempos bastante conturbados sob a tutoria de Delio Rossi, até à 10ª jornada, e assim que Roberto Donadoni pegou de estaca, o futebol Rossoblù ganhou um outro sorriso. As aquisições dos jovens Amadou Diawara, Donsah e Erick  Pulgar deixaram excelentes impressões e, contrastadas com a experiência de Mirante, Rossettini, Giaccherini, Destro e Brienza, formaram um elenco interessantíssimo. Assim que a manutenção fora matematicamente possível, o Bolonha tirou o pé do acelerador e desperdiçou uma boa oportunidade para se destacar na classificação. As recentes aquisições (Dzemaili e Adam Nagy) revelam a enorme capacidade de trabalho do clube no mercado de transferências. O Bolonha tem condições para, sem grandes alaridos, causar uma bela surpresa neste campeonato.

Foto: worldfootball.net
Foto: worldfootball.net

Sampdoria

2015/2016: 15º lugar
A estrela: Fabio Quagliarella
A seguir: Bruno Fernandes
Treinador: Marco Giampaolo
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 espectadores)
Títulos: 1

Se o congénere Génova acabou por desiludir no cômputo geral, o que dizer da Samp? Terrível. De um lugar europeu para um lugar próximo da linha de água. Desde cedo que o desastre se desenvolveu pelas mãos de Walter Zenga, ao sofrer um humilhante afastamento aos pés do Vojvodina na Liga Europa. Os Blucerchiati nunca encontraram a sua zona de conforto. Boas peças, jogo de posse, mas defensivamente, uma nulidade. E isso custou bem caro à equipa. Primeiro Zenga e, mais tarde, Montella não conseguiram encontrar um sistema compatível e a Sampdoria atravessou tempos muito delicados. Marco Giampaolo, depois de deixar óptimas impressões ao serviço do Empoli, assumiu as rédeas do novo projecto e é com grande entusiasmo que se preza pelo futuro desta histórica instituição.

Foto: abola.pt
Foto: abola.pt

Palermo

2015/2016: 16º lugar
A estrela: Alberto Gilardino
A seguir: Oscar Hiljemark
Treinador: Davide Ballardini
Estádio: Renzo Barbera (36.349 espectadores)
Títulos: 0

Não é novidade que Maurizio Zamparini seja perito em despedir treinadores. Porém, 2015/2016 bateu todos os recordes: 10 (!) técnicos passaram no comando técnico dos Rosanero e por mais impressionante que seja, a permanência na Serie A ficou garantida. Não existe remédio para a capacidade de liderança desastrosa de Zamparini. Como seria de esperar, a época do Palermo foi bastante irregular mesmo para alguns das estrelas como Franco Vázquez (agora no Sevilha) e Oscar Hiljemark. O rótulo de maior reforço recaiu sobre Alberto Gilardino (assinou, recentemente, pelo Empoli) que, apesar dos seus 34 anos, somou 10 golos na sua conta pessoal. Davide Ballardini conta com uma adição de peso, o experiente Alessandro Gazzi (ex-Torino), mas com Zamparini no topo da hierarquia… ninguém está seguro.

Foto: mediagol.it
Foto: mediagol.it

Udinese

2015/2016: 17º lugar
A estrela: Duván Zapata
A seguir: Adalberto Peñaranda
Treinador: Giuseppe Iachini
Estádio: Friuli (25.144 espectadores)
Títulos: 0

O esquecido da enigmática família Pozzo. A Udinese tem sofrido e de que maneira com o desinvestimento feito nos últimos anos em prol das apostas fortes nas ‘filiais’ Watford e Granada, controlados, igualmente, por Giampaolo Pozzo e companhia. Bruno Fernandes, um dos melhores activos dos Zebrette, assinou pela Sampdoria e desfalcou ainda mais o núcleo. Do ano passado, apenas Théréu, Karnezis, Widmer e Zapata conseguiram encher as medidas enquanto que o veterano goleador Di Natale se debateu com várias lesões e terminou a época com 2 golos marcados. Alguns interessantes upgrades como Peñaranda, Fofana, Perica e De Paul darão boas dores de cabeça a Iachini que tentará potenciar ao máximo as suas qualidades. A tarefa, essa, não será nada fácil.

Foto: el-carabobeno.com
Foto: el-carabobeno.com

Cagliari

2015/2016: 1º lugar na Serie B
A estrela: Marco Borriello
A seguir: João-Pedro Galvão
Treinador: Massimo Rastelli
Estádio: Sant’Elia (16.000 espectadores)
Títulos: 1

Um regresso do Cagliari à elite principal é sempre um motivo de satisfação. A batalha pelo primeiro posto na Serie B foi árdua pelo que os Sardi só terminaram um ponto de vantagem sobre o Crotone. Diego Farias, João-Pedro Galvão e Marco Sau foram os homens golo e, ao que tudo indica, manter-se-ão no plantel. Dos três clubes que garantiram a subida de divisão, o Cagliari é o que apresenta melhores reforços. Contam-se Bruno Alves, Maurício Isla, Marco Borriello e Marko Pajac sendo que o segundo e o terceiro contam com uma larga experiência em Itália.

Foto: gazzetta.it
Foto: gazzetta.it

Crotone

2015/2016: 2º lugar na Serie B
A estrela: Rafaele Palladino
A seguir: Andrea Barberis
Treinador: Davide Nicola
Estádio: Ezio Scida (9.547 espectadores)
Títulos: 0

O FC Crotone já escreveu um novo capítulo na sua história independentemente do que se desenrolar em diante. A primeira aparição dos Pitagorici na Serie A ficou confirmada à passagem da 39º jornada num empate frente ao Modena orientado pelo agora técnico do Génova, Ivan Juric. Uma mescla entre juventude e experiência é visível no plantel. A contratação cirúrgica de Aleksandar Tonev e a permanência de Rafaele Palladino darão outro tipo de confiança ao meio-campo assim como a de Simy Nwankwo (ex-Gil Vicente), nigeriano de 1,98 cm, que atribuirá uma forte presença no ataque.

Foto: tuttosport.com
Foto: tuttosport.com

Pescara

2015/2016: 4º lugar na Serie B
A estrela: Gianluca Caprari
A seguir: Ahmad Benali
Treinador: Massimo Oddo
Estádio: Adriatico-Giovanni Cornacchia (20.476 espectadores)
Títulos: 0

O vencedor dos play-offs regressa três anos após a sua relegação. O Delfino Pescara 1936 viu a sua maior estrela, Gianluca Lapadula, rumar ao AC Milan depois dos quase 30 golos apontados no campeonato. Enorme coração e muita raça caracterizam na perfeição os Delfini que, sob a batuta de Massimo Oddo, antigo internacional italiano, voltaram a catapultar o nome do Pescara para a ribalta. Defesa experiente (Hugo Campagnaro e Andrea Coda saltam à vista), meio-campo jovem e cheio de potencial e um ataque um pouco desfalcado (Caprari é um nome a reter), resumem bem a margem de manobra de Oddo. Contudo, ainda resta um pequeno espaço para alguns atletas de maior calibre internacional.

Foto: rete8.it
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