Arquivo de Munster - Fair Play

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Francisco IsaacAbril 4, 20176min0

Munster, Leinster, Saracens e Toulouse estes são os vossos finalistas para a European Champions Cup. Chris Ashton bate o recorde, o Leinster arma um “show” em Dublin, a Red Army continua no caminho certo e o Clermont é o resistente francês. 4 pontos sobre os quartos da Champions Cup

A EQUIPA: RED ARMY NÃO É SÓ UM MOVIMENTO, É UMA FORMA DE SER

O Munster está qualificado para as meias-finais numa época que foi marcada pelo falecimento do seu treinador, Anthony Foley.

É fenomenal o que 30 jogadores têm feito em 2016/2017, motivados em surpreender a Europa e repor o Munster no mapa europeu.

Com um estádio cheio (algo que foi norma nos dois jogos das equipas irlandesas), a equipa, agora treinada por Rassie Erasmus, liquidou o super campeão europeu, Stade Toulousain, por 41-16.

Uma atmosfera incrível, um apoio de sonho e uma crença na equipa sem igual, estes foram três factores evidentes deste encontro, em que Tyler Bleyendaal foi a grande figura com 21 pontos em todo o encontro.

A capacidade de trabalho da avançada, onde CJ Stander (marcou mais um ensaio) desponta como a unidade mais dinâmica em campo, foi fulcral para “quebrar” fisicamente com a equipa “pesada” do Toulouse que só teve argumentos nos primeiros 30 minutos.

O Munster capitalizou sempre que pôde, imprimiu outra velocidade no jogo e foi sempre de encontro ao seu “sonho” de chegar à meia-final da European Champions Cup.

Foley estaria orgulhoso do que os seus jogadores, colegas e adeptos estão a fazer… pois a Red Army deixou de ser um simples “movimento” ou “alcunha”, é uma forma de ser e sentir o rugby.

O JOGADOR: O BRITISH BAD BOY, CHRIS ASHTON

Chris Ashton tem tudo para ser um típico Bad Boy ou vilão de um filme de James Bond. Com o seu arrogante, a sua forma de ser que vive no limiar do “ultraje” e as várias “cenas” estranhas que já foi responsável, o ponta merece esse alcunha.

Todavia, Ashton representa para os Saracens muito mais que isso, já que é neste momento o jogador com mais ensaios da European Champions Cup, a par de Vincent Clerc… 36 ensaios no total.

O 1º ensaio do jogo frente aos Glasgow Warriors, Ashton bateu o pé, procurou o espaço e depois já no chão, não deixou de rebolar até conseguir meter a bola dentro da caixa… êxtase nas bancadas e os Saracens a dominarem.

Num jogo que foi “relativamente” pacífico para os campeões em título, Ashton foi sempre um “quebra-cabeças” assumindo o papel de catalisador de jogadas de perigo, com boas trocas de pés, uma boa presença na linha de vantagem e uma clara vontade de deixar a sua marca no jogo.

O 2º ensaio chegou na altura mais oportuna, pondo fim ao sonho dos Warriors em seguir em frente… recepção à bola na ponta, aceleração no máximo para depois meter o pé para dentro e cravar mais um ensaio na sua – longa – lista.

Ashton tem mais um jogo para se afirmar como o melhor marcador de ensaios da Europa, demonstrando que os Saracens estão no topo da hierarquia europeia e serão o principal alvo (a par do Leinster) a abater na competição.

Em jeito de brincadeira, Ashton admitiu que “a minha mulher tem mais hipóteses de ir aos British&Irish Lions do que eu”, numa clara demonstração que o Bad Boy tem um sentido de comédia muito cativante.

O CANDIDATO: LEINSTER É A HORA DE DAR O 4º A DUBLIN

Vingança servida… foi assim que o Leinster sentiu no final dos 80 minutos frente aos ingleses dos Wasps no jogo de apuramento para as meias-finais da competição.

O Leinster em 2015/2016 tinha sofrido “humilhantes” derrotas às mãos da equipa de Coventry, por 06-33 e 10-51, algo que nunca foi esquecido pela formação de Dublin.

Mas as derrotas são lições de aprendizagem e erros do passado serão transformados em forças do presente… o Leinster seguiu essa “directiva” e na recepção aos irriquietos Wasps brindaram os seus adeptos com uma valente vitória.

Um jogo absolutamente irrepreensível, de uma classe tal que meteram os 50 mil adeptos do Aviva Stadium em euforia. 32-17 no final do encontro (estiveram a ganhar por 22-03 ao intervalo), em que nomes como Johnny Sexton, Sean O’Brien ou Robbie Henshaw fizeram a diferença durante os 80 minutos.

Os Wasps bem que tentaram alterar o rumo dos acontecimentos, mas nada lhes valeu a boa segunda parte (14 pontos) que fizeram… as meias-finais eram do Leinster.

A equipa de Dublin soma três títulos europeus no seu palmarés e sonha, neste momento, em atingir o 4º, rivalizando com o Stade Toulousain (que já está fora da corrida) pelo topo da hierarquia europeia.

O grande destaque da partida vai para o defesa Joey Carbery, que correu mais de 165 metros, completou duas assistências e tem umas série de rasgos que tiraram a capacidade de “ferrar” dos Wasps.

A QUEDA: RC TOULON: UM ATÉ JÁ OU ATÉ NUNCA

O Toulon foi eliminado, mais uma vez, nos quartos-de-final da European Champions Cup. Verdade que o adversário era o Clermont, o que lhes tirava o favoritismo e uma boa parte das possibilidades de seguir em frente, mas há sempre reparos a fazer.

No jogo frente ao seu grande rival dos últimos anos, o Toulon nunca foi uma equipa que conseguisse “danificar” as pretensões dos Jaunards em chegar às meias-finais.

O melhor que a equipa de Mike Ford (pai de George Ford) conseguiu fazer, foi chegar ao intervalo com um 06-06, apesar do domínio da equipa da casa.

Na 2ª parte a quebra física, a apatia geral e a falta de conexão entre jogadores, levou a que surgissem erros graves na linha de ataque e em alguns sectores da defesa. As penalidades transformaram-se em inícios de ensaio do Clermont e assim acabou a campanha do RC Toulonnais na Europa.

Nem com uma linha de 3/4’s admirável, onde está Ma’a Nonu, Basteraud, Leigh Halfpenny, François Trihn-Duc, entre outros, conseguiram fazer um ensaio sequer neste jogo dos quartos-de-final.

O que se passa com a suposta super equipa do TOP14? O excesso de estrelas está a “minar” a coesão de equipa? Ou isto é uma fase mais “negra” antes de voltarem ao domínio na Europa e em França?

São boas questões para o futuro e, decerto, haverão outras mais… o Toulon já foi tricampeão de forma consecutiva e nada nos diz que em 2018 não o venha a ser… mas, é necessário que se criem laços entre a equipa, onde o equilíbrio mental seja respeitado e não hajam pressões externas ou da direcção.

As meias-finais ficaram assim agendadas

Foto EPCR
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Francisco IsaacDezembro 31, 20169min0

A última jornada antes da paragem para Natal, trouxe várias “prendas” de última hora tanto para o Munster como para os Wasps. Mas, foi em terras escocesas que se fez ouvir o mair estrondo da semana: os Glasgow Warriors “abateram” os vice-campeões europeus e campeões do TOP14, o Racing 92. Este jogo e outros 3 pontos na nossa análise da 4ª jornada

Será a temporada 2016/2017 o “grito” das equipas da PRO12? Munster, Ulster, Leinster, Connacht e Glasgow Warriors são todos candidatos a passar à fase a eliminar da Champions Cup, algo que seria inédito para o rugby europeu. Mas no horizonte estão os Saracens que são, para já, a única equipa que não consentiu derrota nesta fase-de-grupos. Fiquem com as nossas ideias, opiniões e questões da 4ª jornada da ERCC

Para os que não leram a 1ª, 2ª e 3ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8kgoo.gl/7yO3Qd e goo.gl/yQqzop

A Equipa: NEVER PLAY GAMES WITH A SCOTTISH WARRIOR!

Bem-vindos a Scotstun, reino dos Glasgow Warriors, reino onde tudo é possível para as gentes que vivem nas Highlands. Em 2015/2016 a equipa de Gregor Towsend terminou em 3º lugar com 14 pontos, muito devido às duas vitórias ante os Scarlets que se ficaram pelo último lugar com 0. Coincidência ou golpe do destino, a equipa escocesa voltou a encontrar o Racing 92 nesta nova temporada na fase-de-grupos.

Na altura, tinha conseguido uma vitória e uma derrota – frente aos parisienses -, insuficientes para seguir em frente na competição máxima de clubes da Europa. Porém, esta temporada já foi diferente… a 1ª vitória aconteceu em Paris (23-14) e “impulsionou” os escoceses para o 2º lugar do grupo. Para poderem continuar a sonhar com um apuramento quase histórico (a última vez que foram à fase a eliminar foi exactamente há dez anos), tinham de garantir quatro pontos em casa.

Perante a sua massa adepta, as cores do azul escuro brilharam com grande fulgor naquela que foi uma das melhores prestações de sempre da equipa escocesa em provas europeias. Com Finn Russell a “deslumbrar”, a equipa dos Warriors “varreu” os vice-campeões europeus com facilidade. 18-00 no final da 1ª parte, com ensaios de Josh Strauss (100 jogos com a camisola de Glasgow ao peito) e Fraser Brown (o 1ª linha pode ser uma das revelações da Vern Cotter para as Seis Nações), permitiram um segundo tempo ainda mais “calmo”, sem necessidade de acelerar o jogo (excelente Russell, Hogg e Price nesse aspecto), aproveitando da falta de capacidade em transformar posse de bola e metros (550 metros conquistados).

Foram 20 os erros ofensivos da equipa de Paris, com 11 avants, 8 turnovers e um pontapé interceptado, algo incomum para uma equipa do TOP14. A somar isto tudo, Dan Carter acabou o jogo sem qualquer metro conquistado, quebra-de-linha, defesa batido e com meros 15 passes, ao contrário que o seu adversário escocês, Russell, completou 81 metros, 1 assistência para ensaio, 4 quebras de linha e 5 defesas batidos.

Feita as contas, a equipa de Glasgow está com a “passagem” nas mãos, para isso basta só ganhar ao Leicester ou Munster que garantirão um lugar na fase a eliminar. Conseguirá Gregor Towsend quebrar com a malapata que dura há dez anos? Será interessante ver como Towsend vai voltar a montar o “cerco” às equipas do Munster e Leicester Tigers. A receita para ganhar o jogo frente ao Racing, passou pela construção de fases curtas e “pesadas”, com a avançada escocesa a não perder o controlo da oval.

Depois de “amontoar” a defesa parisiense, Russel/Hogg/Dunbar pediam a bola para colocar uma jogada de alta rotação (com a participação mínima de um avançado na linha da frente de ataque), abrindo espaço entre os defesas. Depois foi só explorar os “buracos”, encontrar o caminho e garantir uma linha de corrida com grande apoio. É o jogo que a Escócia gosta de jogar, mas com um pouco mais de velocidade e mais disponibilidade mental para assegurar boas transições de jogo.

Fiquem com a exibição de Finn Russell:

O “David” da Jornada: CONNACHT ALERT!

Tínhamos alertado que o Connacht podia ser uma “caixinha de surpresas” durante esta prova… os campeões da PRO12 em título, receberam a equipa dos London Wasps, que esperava um jogo controlado e que a vitória não fugiria, mesmo que fosse por um ponto.

Bem, a surpresa caiu encima dos 82 minutos (dois minutos para lá do tempo regulamentar), quando a equipa irlandesa Galway marca um ensaio para Jack Carty converter… o olhar atento do médio de abertura a fitar os postes… silêncio profundo, pontapé enviado e bola a voar… passou! 20-18 e o Connacht está na disputa para seguir em frente na competição.

Mas vamos recuar no tempo de jogo para percebermos como é que isto pode ter acontecido a uma das grandes equipas da actualidade da Europa. Os Wasps começaram com a “guerra” de ensaios, com o primeiro a surgir aos 13′ pelo formação Joe Simpson. Excelente insistência de Thomas Young e Nathan Hughes, para depois o nº9 captar e “afundar” na área adversária.

O domínio de jogo inverteu-se a partir deste momento, com o Connacht a duplicar esforços e a tentar ir ao ensaio. Porém, uma boa defesa dos ingleses (Thomas Young estava irrepreensível na hora de parar os seus oponentes, com 16 placagens no final do encontro, para além do “monstro” Joe Launchbury), impediu a equipa de Pat Lam de chegar ao ensaio… até ao 39′.

Nesse momento, após 5 fases de ataque e em cima dos últimos 5 metros, Carty (MVP deste encontro) “arma” um crosskick que Danie Poolman consegue apanhar do ar, passando a linha da área de validação, deixando a oval pelo caminho.

Uma entrega completa, uma vontade de apostarem no virtuosismo e um acreditar, motivou ainda mais os homens do Connacht que iam atrás das investidas de Bundee Aki (novamente foi um dos jogadores com mais metros percorridos, com 94 em 19 carries, o que prova que é a peça principal deste esquema de Lam).

Só que o “balde de água fria” (o primeiro daquela noite gelada) veio por parte dos Wasps, quando Simpson sai rápido de um ruck e atira um passe para Bassett marcar o seu 3º ensaio na competição à ponta. Gopperth não converte e deixa o resultado num 18-13 com 5 minutos para jogar. Os Wasps nunca pensaram no que se iria suceder a seguir… primeiro uma sequência de faltas que os recuou até à sua área de 22, com os irlandeses a terem noção que uma penalidade não lhe servia de nada.

Os ingleses de Coventry defenderam, defenderam e defenderam, atirando as intenções de ensaio para trás… não havia jogada que passasse pela linha de defesa, bem montada, com uma pressão alta. Chegámos aos 80′, nova penalidade… alinhamento e ensaio… 18-18. E pronto, voltamos ao primeiro parágrafo deste 2º ponto. A força de provar que até os mais “pequenos” têm uma palavra a dizer na maior competição europeia de rugby.

O Jogador: MY NAME IS FARRELL… OWEN FARRELL! 

2016 marca um ano formidável para vários atletas: Israel Dagg, Beauden Barrett, Samu Kerevi, Stuart Hogg, Maro Itoje, James Haskell, Brice Dulin, entre outros… mas Owen Farrell é outro dos nomes a incluir.

A sua importância no desenho táctico e estratégia de jogo dos Saracens demonstra o seu peso a todos os níveis. Nos 24 pontos da vitória no fim-de-semana passado frente aos Sale Sharks (24-19), Owen Farrell foi responsável por 19, tantos como os seus adversários (pouco importa este dado, mas sempre importante de observar o “peso” da pontuação final de um jogador).

Farrell é um jogador moderno, rápido, com uma visão de jogo soberba, para além de reunir todas as competências e valências que gostamos de ver num abertura/centro. No jogo frente aos Sale Sharks, Owen Farrell completou duas quebras-de-linha, 40 metros conquistados, um ensaio (excelente a captar um offload de Bosch) e oito placagens (mais que qualquer outro colega dos 3/4’s), num jogo muito intenso e duro.

Farrell foi sempre uma peça fundamental para que o jogo estivesse – quase – sempre sob domínio dos campeões em título. No final dos 80′ nova vitória sorria aos londrinos que agora são a única equipa que não perdeu na European Champions Cup e devem isso, em muito, a Owen Farrell. 67 pontos em quatro jogos, dá uma média de 17 pontos (aproximadamente) por jogo.

O Caso: NOT SO SAINT(S) AS WE THOUGHT

Um pouco de polémica? Os Northampton Saints estão sob alçada disciplinar porque possivelmente não levar a sua melhor equipa até Dublin, naquela que foi uma das maiores vitórias de uma equipa irlandesa ante uma formação inglesa. 60-13 a favor do Leinster, com um atropelamento dos Saints a ficar bem  vincado.

Os irlandeses foram imperiais em todos os sectores do jogo, como provam os 60 pontos finais. A equipa de Northampton ainda começou com o “pé direito” com um ensaio espectacular de Pisi aos 20’… só que depois começou tudo a tremer e, com facilidade, a equipa liderada por Jamie Heaslip somou uma vitória em grande. Passado um dia de ter terminado o jogo, começaram a sair as grandes questões… terão os Saints jogado com a sua melhor equipa? Houve alterações deliberadas para poupar jogadores para o campeonato?

Até este momento, a EPCR (organização que rege as competições europeias de rugby de clubes) afirmou que está a analisar a situação uma vez que destaca que o rugby é um desporto que faz valer o espírito do fairplay, da honestidade e integridade. Há dúvidas se os Saints assim o fizeram, uma vez que já tinham poucas oportunidades por passar à fase seguinte.

É possível que tenha existido um problema desta magnitude? Ou será simplesmente excesso de zelo da EPCR? Dúvidas por esclarecer nas próximas semanas.

Seguem-se duas jornadas de grandes decisões com muito por decidir, em que só há uma equipa invicta (Saracens), dois candidatos em queda (Wasps e Ulster) e uma reafirmação da PRO12. Quem serão os finalistas?

 

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Francisco IsaacDezembro 12, 201610min1

Retorno da European Champions Cup para a 3ª jornada, com o novo amanhecer irlandês, a classe dos campeões, a invasão dos Warriors de Glasgow em Paris e a estreia de um Wallaby na Ricoh Arena. A 3ª jornada em 5 pontos de Belfast a Paris!

Regresso aos jogos da European Champions Cup, num fim-de-semana glorioso para as equipas irlandesas, com Munster, Ulster e Leinster a somarem só vitórias; Glasgow Warriors invadem Paris e nem o génio de Carter “salva” o Racing;

Para os que não leram a 1ª e 2ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8k e goo.gl/7yO3Qd

O Jogo: LES JAUNARDS NÃO SOBREVIVEM À REVOLUÇÃO ULSTERINA

No jogo mais improvável de ganhar o “título” de Clássico ou Lição de Perfeição, o Ulster-Clermont desta 3ª jornada foi um regalo para os “olhos”. 39-32, 71 pontos no total, 9 ensaios e três pontos de bónus (1 para o Ulster e 2 para o Clermont), foram alguns dos números marcantes do jogo da Pool 5. Sem Julien Bardy (ainda a contas com uma lesão), a equipa francesa entrou a “matar” com um ensaio logo no 1º minuto por P. Yato, o nº8 dos Jaunards.

A entrada forte do Clermont não ficou sem resposta e, obviamente, o Ulster ,motivado pelo bom rugby que têm praticado esta época, “respondeu” com um ensaio de belo efeito, com Paddy Jackson a descobrir Luke Marshall, que quebrou a linha, bateu Lamerat e Fofana e caiu dentro da área de validação.

No meio da disputa, Morgan Parra converte uma penalidade, num momento em que o Ulster já “gritava” por domínio que se materializou em novo ensaio, carregado de “engenho”. Ruan Pienaar  aplica um up and under mas em formato de cross kick, que vai ter às mãos de Louis Ludik com o ponta a conseguir fazer um offload para o imparável Ian Henderson.

A defesa do Clermont permitiu muito espaço aos irlandeses de Belfast, o que beneficiou a equipa de Les Kiss ao longo dos 80′. De qualquer forma, foi o Clermont a aproveitar duas penalidades para subir no terreno e sair “disparado” para a linha de ensaio, desta feita por Scott Spedding.

A partir dos 30 minutos o jogo pertenceu ao Ulster que foi ao ensaio por Paddy Jackson (grande visão do nº10 a descobrir espaço por detrás das costas da defesa do Clermont), Luke Marshall e Charles Piutau (ensaio da semana?), pondo os Ulstermen em polvorosa! Sempre tinham acabado de chegar aos 39-18 perante uma das equipas mais fortes dos últimos 10 anos do contexto europeu! O Clermont conseguiu mais dois ensaios por Abendanon e Chouly (em grande momento de forma), só que ficou num “avant” de Spedding.

Porquê ver este jogo? Pela intensidade dos avançados a cada formação ordenada, pelo génio de ambos os aberturas (especialmente o terrível Paddy Jackson), pela agressividade de Piutau e a entrega física de Spedding, pela classe que os 15,000 adeptos espalharam durante uma tarde de rugby clássico. O rugby saiu a ganhar, especialmente o irlandês.

Piutau é de Belfast! (Foto: Irish News)

A Estreia: AND NOW THE BEALE WALLABY SHOW STARTS

Novo “Rei” nos Wasps de Coventry, de seu nome Kurtley Beale! O centro/defesa/ponta australiano (60 internacionalizações e 118 pontos marcados), recuperou de uma lesão no joelho que o atirou para “fora dos relvados” durante 7 meses, impossibilitando-o de participar na selecção dos Wallabies, jogar o início de época pelos Wasps e dar o seu contributo ao rugby. Mas, todos os “males” podem ser debelados e Beale, ao jeito de um Wallaby que se recusa a “desistir”, voltou em força.

Na sua estreia com a camisola preta-amarela, a nova vespa espetou o seu “ferrão” na defesa do Connacht logo aos 4 minutos. Este ensaio foi uma “ode” ao que Kurtley Beale consegue fazer… lutar pela posse de bola, explorar a linha de defesa e batalhar pelos metros, sejam 10 ou 2.

O jogador de 27 anos entrou com uma “fome” de bola fenomenal,  abrindo caminho para a vitória dos Wasps, num jogo muito complicado até à chegada do 4º ensaio (32-17 final).

Beale recebeu mesmo ordem de expulsão aos 20′, por pretensa placagem alta (o jogador do Connacht, baixou-se no contacto, algo que complicou a missão de placar de Beale), voltando ainda mais forte e motivado para a segunda metade do encontro. Quando o resultado vibrava num 27-17, Beale pôs fim às esperanças dos campeões da PRO12 com um offload de sonho para Basset.

Toda a elegância de Kurtley Beale resultou em 10 pontos para os Wasps, no fecho da 3ª jornada da Pool 2. Para além disso, o centro foi responsável por 6 placagens e 2 turnovers (Joe Launchbury foi um autêntico devorador de roubos de bola, com 3 em todo o jogo), provando que não é só a atacar que é um dos jogadores de grande classe mundial.

O Campeão: MUST EUROPE BOW AT THE FEET OF THE SARACENS?

Saracens F.C., o novo paradigma de domínio nesta Europa de rugby? No regresso à “actividade” europeia (o campeonato local decorreu durante os três últimos jogos da Selecção inglesa, com os sarracenos a registar duas vitórias em três jogos), a equipa de Mark McCall cilindrou os “vizinhos” do Sale Sharks por 50-03.

Num jogo fácil para a equipa londrina, os Sharks pouco conseguiram fazer perante a “agressividade” física de Bosch, os “pezinhos eléctricos” de Maitland, a visão de Owen Farrell ou o génio de Maro Itoje (regresso à Champions do 2ª linha, após três meses de fora por lesão).

Melhor que tudo é a forma como o plano de jogo é executado com uma fluidez que deixa qualquer um fã dos Saracens. A grande dificuldade para as equipas que jogam contra estes sarracenos passa pelo facto de não ser só Farrell a produzir ou a ser o ponto de convergência das jogadas e movimentações, já que existem outros pontos de início.

Quem por exemplo? Goode (vejam como o defesa aplica o grubber para que Chris Wyles capte no limiar da linha de fora e marque o seu ensaio), Wigglesworth (aos 33 anos, o formação continua numa forma de invejar) ou Bosch (o 2º ensaio de Maitland tem um toque de fora de série do centro argentino) conseguem “vestir” essa responsabilidade de criarem/conduzirem o jogo ofensivo dos campeões ingleses e europeus de 2015/2016.

Vai ser muito complicado parar estes sarracenos que continuam na sua demanda de dominar o contexto nacional e europeu, com um rugby prático, alegre, eficaz e seguro.

Na sua máxima força (vão ter Will Skelton, 2ª linha da Austrália, até Março de 2017) são imparáveis, seja no ataque ou na defesa (num jogo que só atacaram, nos momentos em que foram obrigados a defender não falharam uma placagem, conseguindo 5 turnovers, argumentando a favor da tal eficácia que já mencionámos). Quem vai conseguir parar estes Saracens?

A Polémica: HARTLEY NO MEIO DA CONFUSÃO

Um jogador mal-amado pela comunidade internacional da Oval, Dylan Hartley voltou a dar espaço para que se questione a legitimidade de ser capitão ou sequer integrar os British&Irish Lions em 2017.

As críticas vão mesmo ao ponto de pedir que Hartley seja excluído da selecção inglesa nas próximas Seis Nações 2017 (isto poderá acontecer dependendo se o capitão seja chamado à comissão de Ética da World Rugby), o que não deixa de ser um exagero e, talvez, alguma “raiva” contida para com o nº2 dos Saints.

Quando Dylan Hartley entrou em campo, os Saints já perdiam por 20-10 (ensaio de Sean O’Brien a culminar o domínio do Leinster)… nem dois minutos passaram quando o talonador saiu disparado para a placagem e acertou em O’Brien com o braço, colocando o asa em KO.

Não houve solução... cartão vermelho e saída do jogo ao fim de uns poucos minutos em campo, isto quando faltavam 25 minutos para terminar o jogo. O Leinster voltou a carregar e acabou por cima, com mais três ensaios, atingindo o 37-10 final.

Olhando para as imagens, terá Dylan Hartley tido desejo em desferir um “golpe baixo” no seu adversário? Errou na avaliação à placagem? Todas as questões são pertinentes, mas o facto é que a acção de Hartley vai levantar uma discussão acesa sobre a capacidade mental do nº2. De qualquer forma, o jogador nascido na Nova Zelândia, mudou por completo o “chip”, tendo guiado a Selecção inglesa ao seu melhor período desde 2012… 16 vitórias em 16 jogos.

Não merecerá mais respeito pela comunidade? Hartley passou a fase das semanas a fio de castigo para chegar a uma estabilidade emocional e de nível de jogo de alta categoria, algo que deve ser considerado por todos aqueles que colocam-no como um jogador violento, mau e que não tem espaço na modalidade.

Keep your chin high (Foto: The Guardian)

A Sequência: MUNSTER, NOVA VITÓRIA, NOVO SONHO

Sequência de excelência do Munster, que perdeu o seu grande timoneiro a 16 de Outubro… dessa data até ao dia 12 de Dezembro a equipa liderada agora por Rassie Erasmus jogou 6 jogos, somando só vitórias.

Quatro para a PRO12 e mais dois para a Champions Cup. No último jogo na Champions Cup, decidiram “varrer” a equipa dos Leicester Tigers por 38-00, com uma exibição de gala, onde o colectivo é a verdadeira força desta Red Army.

O sistema de Foley continua bem assente, onde a terceira-linha assume um papel importante na gestão de jogo (CJ Stander está na luta pelo melhor nº8 da Europa), seja no apoio ao ataque (Stander percorreu cerca de 60 metros com a oval na mão, em 18 tentativas) ou pela execução defensiva.

Depois há a excelente harmonia entre Connor Murray (grande final de 2016 para o formação da Irlanda) e Tyler Bleyendaal, que foram responsáveis por 28 pontos de forma directa/indirecta, com o nº9 a conseguir duas assistências para ensaio, enquanto que o médio de abertura completou 18 pontos ao pontapé (3 conversões e 4 penalidades) fundamentais para a vitória à passagem da 3ª ronda da prova máxima de clubes europeus.

Há toda uma intensidade, um “coração”, uma paixão em levar o Munster a vôos mais altos, que torna ainda mais apaixonante aquela “mancha” vermelha que acompanha o Munster para todo e qualquer lado… neste jogo, em casa frente aos Tigers, 25,600 adeptos marcaram presença no Thomond Park para mais uma grande tarde de rugby dos Red Army.

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Francisco IsaacOutubro 20, 201615min0

Primeira jornada e logo algumas surpresas ao jeito da Champions Cup: Warriors “caçam” Tigers, Saracens quebra com o recorde do Toulon, Connacht não verga ante o Stade, Leinster em grande e Clermont, de Bardy, envia uma mensagem aos candidatos. Esta foi a 1ª jornada em 5 pontos

Daqui até ao final da fase de grupos, iremos falar da European Champions Cup em 5 pontos, em alusão a cada uma das Pools da competição mais importante de clubes de rugby da Europa. Em cada ponto abrimos questões, falamos do jogador da jornada do grupo, destacamos um ensaio ou falamos em estratégias.

A Estratégia: NEVER TRY TO TACKLE A WARRIOR IN GLASGOW

O jogo mais “badalado” da competição, uma vez que os Glasgow Warriors tiveram a audácia de derrubar um antigo campeão da competição em casa… 42-13, a favor dos escoceses deixando os Tigers de Leicester num estado catatónico e sem possível contra-reacção. Até foram os ingleses que começaram melhor com uma penalidade, ensaio e conversão entre os 5-20 minutos de jogo, metendo o resultado para um bom 10-03 em casa dos escoceses. Porém, a estratégia de Gregor Townsend entrou em marcha e os Warriors rapidamente foram tirando fôlego à defesa dos Tigers que se viu por largos minutos remetida aos seus 22 metros. A estratégia do treinador escocês (lembramos que em 2017 assumirá a Selecção da Escócia em substituição de Vern Cotter) passava por ter os avançados como as unidades mais móveis, atacando rapidamente a linha de vantagem, onde Pyrgos com os seus passes bala encontraram sempre alguém embalado que escolhiam, de propósito, o sector mais “frágil” da equipa de Leicester que era entre o jogador-poste do ruck e o que seguia ao seu lado… sempre que alguém recebia a bola, batiam o pé para dentro e criavam uma situação de rotura defensiva que dificilmente os ingleses conseguiram “reparar”… as falhas começaram a surgir na linha de defesa, os Warriors cada vez mais embalados, motivados e com alta crença que a estratégia ia resultar… uma, duas e três e os ensaios começaram a surgir.

Sarto aproveitou uma bela entrada de Finn Russell, para “sacar” a bola do ruck e sair disparado para a área de ensaio. Depois Fraser Brown culminou uma estupenda jogada de toda a equipa, com os Warriors a “balançarem” a bola entre si, obrigando os Tigers a desconjuntarem-se e procurarem a defesa individual invés de se manterem um grupo defensivo coeso, abrindo uma “brecha” suficientemente boa que Fraser Brown aproveitou. Daí para a frente foi sempre a somar, com um ataque bem montado, onde o apoio ao portador da bola era de extrema qualidade, a velocidade de pés e vontade de surpreender dos avançados era de se louvar e as linhas atrasadas aproveitaram cada “nesga” para ganhar metros que se foram acumulando no score. A defender foram imperiais, já que montaram um sistema que deixou os Tigers desesperados, obrigando-os a arriscar no passe o que levou a mais dois ensaios da equipa da casa por Mark Bennett (aos 67′) e Sarto (aos 75′). Cinco pontos, vitória categórica e a primeira surpresa na primeira jornada… conseguirão os Warriors repetir a façanha neste fim-de-semana? Para mais ver o seguinte artigo já que se trata de uma análise bem detalhada da estratégia e gameplay dos escoceses: goo.gl/cpHngM

No Warriors left behind (Foto: The Guardian)
No Warriors left behind (Foto: The Guardian)

O Jogador: LIKE A GOOD WINE, BARDY GET’S BETTER WITH AGE

F-E-N-O-M-E-N-A-L… é esta a palavra que melhor descreve a grande exibição de Julien Bardy em Exeter, onde o seu Clermont decidiu limpar os Chiefs por 35-08. O asa português “ceifou corpos”, declarou uma ode à placagem sem descurar a elegância com a oval na mão. O ASM Clermont tem vindo, desde o início de época, a demonstrar um nível soberbo no rugby francês com uma capacidade para derrubar qualquer adversário, já que o seu rugby de excelente pace, visão de jogo acutilante e formas de garantir uma defesa “fresca” têm permitido dominar o Top14. Neste jogo em específico, Bardy somou 25 placagens (falhou mais uma) e ainda “cavou” dois turnovers, numa exibição quase imaculada, já que cometeu duas faltas (no meio-campo do adversário). Melhor que tudo foi o sentido posicional do asa português, que soube atacar bem o ataque algo “monótono” dos Exeter Chiefs, destruindo as várias  tentativas e movimentações (pouco velozes ou sem grande capacidade perfurante) dos ingleses demonstrando uma capacidade de apoio ao portador da bola que parecia ter desaparecido na última temporada.

Bardy tem feito um início de época assombroso com vários destaques e recordes somados na defesa (placagens), sendo uma peça fundamental do XV de Franck Azéma. Para além desses “pontos” na defesa, Bardy foi autor do 1º ensaio da sua equipa (apareceu a apoiar à ponta Noa Nakaitaci) para além de mais 8 carries, 20 metros percorridos e uma quebra de linha. Se o Clermont mantiver o ritmo… dificilmente os vão parar na fase-de-grupos e, quem sabe, não teremos os franceses nas meias-finais/final da competição… mas ainda é cedo para “vendermos sonhos” e promessas. Para Julien Bardy pode ser a época de “regresso” ao que era o grande asa dos Jaunards!

Le noveau Bardy (Foto: The Telegraph)
Le noveau Bardy (Foto: The Telegraph)

O Streak: A CHAMPIONS IS ALWAYS A CHAMPION

Como se esperava a super equipa dos Saracens de Londres entraram a “matar” na competição, abatendo o RC Toulon, que jogava perante o seu público. Acima de tudo um streak foi “desfeito” no Stade Mayol e que já vinha a ser “engordado” há uns bons e belos anos: o RC Toulon nunca tinha perdido em casa para as competições europeias, ou seja, desde 2010/2011 que não registaram qualquer derrota nos 28 jogos que jogaram em França, algo inacreditável para os dias de hoje. Mas, todos os recordes e streaks são para serem quebrados, um desafio que os Saracens meteram na cabeça que iam conseguir. Uma exibição de gala garantiu uma vitória por 31-23 no lançamento da fase-de-grupos. Exibição de gala de Owen Farrell (está com um pontapé bem afinado e um organizador de jogo de alta categoria), que foi um autêntico rei na “casa” que fora de Johnny Wilkinson por três temporadas, com 16 pontos (4 penalidades e 2 conversões) e uma assistência para ensaio, num jogo em que os Saracens chegaram ao intervalo a ganhar por 28-09.

Ensaios de Sean Maitland (grande trabalho do impressionante Maro Itoje na conquista de metros), Wigglesworth (saída de 8 na formação ordenada de Vunipola para depois Jamie George completar um belo offload a assistir o formação) e Chris Wyles (jogada de grande nível entre Farrell e Bosch) nos primeiros 40′ ditaram uma vantagem bem confortável para os londrinos que entraram para a cabine com essa vantagem, para além do RC Toulon ter entrado para a 2ª parte com menos fruto do amarelo a Ma’a Nonu (placagem perigosa do neozelandês). Os “milionários” ainda tentaram “acordar” e fizeram uma recuperação de 14 pontos na 2ª parte, só que os Saracens agarraram-se e lutaram contra todas as investidas “imaginadas” por Trinh-Duc com Vunipola a terminar com 17 placagens e 3 turnovers (MVP), Maro Itoje com 13 e George Kruis com 12. O streak dos franceses foi “desfeito” pela cimitarra dos Saracens que parecem estar aí para manter a Europa sob o seu controlo.

Farrell contra o strak (Foto: David Rogers/Getty Images)
Farrell contra o strak (Foto: David Rogers/Getty Images)

O Jogo: CONNACHT A BOX OF IRISH DELIGHTS

Foi sem dúvida a semana das surpresas, já que para além da vitória dos Glagsow Warriors tivemos o Bordeaux-Bégles (vitória categórica frente ao Ulster) e o Connacht que derrubou outra equipa lendária da competição, o Stade Toulousain aka Toulouse. Pois é, a equipa de Pat Lam que tinha surpreendido meio-Mundo com a conquista da PRO12 em 2015/2016, voltou ao convívio dos “grandes” com uma vitória gloriosa ante o Toulouse. Com as bancadas do SportsGround Galway completamente cheias (8,100 pessoas), a equipa do Connacht viu-se a perder logo a partir dos 6′ com uma penalidade bem convertida por Bézy. Os franceses chegaram aos 19 minutos a ganhar por 09-00, com um rugby muito pragmático, fazendo uso das entradas dos seus avançados em formato curtopick‘ go, o que obrigou os irlandeses a terem profundas dificuldades em virar o domínio territorial e dos avançados franceses… todavia, apareceu o herói da tarde, Bundee Aki, o neozelandês que torna qualquer jogada numa movimentação de alto perigo crítico para quem defende… à passagem dos 19′, Aki recebe uma bola de Jack Carty e mete toda a linha do Toulouse a tentar placá-lo, passando por um, escapando de um segundo e enganando um terceiro, com um offload de requinte que permitiu Caolin Blade seguir a jogar para depois em dois passes chegar às mãos do nº14, Niyi Adeolokun, para o primeiro ensaio da tarde. A partir daqui o equilíbrio foi repartido e entrámos na “sessão de cortar a respiração”. O Toulouse ia espalhando o terror através dos alinhamentos com Richie Gray a saltar bem nas alturas e a sair a correr, para no momento seguinte vermos Yann David a tentar forçar uma quebra de linha, apesar das placagens de Aki ou John Muldoon. A oval começou a cair “redondinha” nas mãos do Connacht que tiveram mais tempo com ela e tentaram criar situações que dessem o tão desejado segundo ensaio. Infelizmente, para os homens de Lamb, na primeira parte só conseguiram converter duas penalidades, enquanto que o ataque mais “mordaz” e eficaz do Toulouse lhes garantiu dois ensaios e uma conversão.

O 2º ensaio dos franceses foi um “mimo” de Houget, com o ponta internacional pela França, a bailar e fazer a equipa de Galway cair ante si, para depois verem Doussain a receber a bola e a cair entre os postes… 21-11 e o jogo parecia assegurado pelos franceses. Depois veio a “montanha” a la Connacht, que decidiram meter o Toulouse a vivenciar aquele rugby ardiloso e que esmaga qualquer “gigante” do rugby europeu: aos 58 O’Halloran recebeu uma bola perto da linha de fora e conseguiu quebrar a linha, perante um Toulouse que ficou na expectativa, permitindo ao veloz nº15 trocar os pés, meter velocidade e aguentar o 1º impacto para depois saltar para dentro da “caixa”. O ensaio até tinha nascido “coxo”, com a oval a andar aos saltos entre o chão e as mãos dos jogadores irlandeses. Mas o ensaio estava feito e aí vinha nova cavalgada, desta feita e mais uma vez, por Aki. À passagem do minuto 67′, as duas formações estavam perto do “arrastar” físico (jogo muito “pesado” para ambas, especialmente entre os 8 avançados de cada equipa), com o jogo a ter já poucas aberturas à ponta ou arrancadas de alta velocidade, o que beneficiou Aki, que recebeu uma bola aparentemente sem grande expressão… o nº13 viu o espaço, meteu uma marcha acelerada e com um handoff e um aguentar de impacto de classe, seguiu para a linha de ensaio… Galway veio abaixo, era uma estocada no Toulouse, aquela equipa que tem 4 estrelas de campeão europeu e que estava perto de ser vergada pelos “pequeninos” do Connacht. A conversão bem sucedida… viveram-se 10 minutos de sofrimento, com as duas formações a querem a mesma coisa, a vitória.

Doussain já não tinha a mesma velocidade nem de pernas nem de mãos e não conseguiu fazer mexer os seus colegas, o que beneficiou o Connacht que é uma equipa unida e que não inventa nestes momentos de maior perigo… aguentaram duas investidas na formação ordenada do Toulouse, não caíram ou cederam à pressão e garantiram a bola… 80′ chegou, a buzina soou e o Connacht despachou a oval para fora do campo. 23-21, a equipa inovadora de Lamb abate o eterno candidato Toulouse de Ugo Mola.

O Regresso: THE MEN IN BLUE LIVE

Leinster, como a Europa tinha saudades do rugby vibrante da equipa que fora, em tempos, de Brian O’Driscoll. Os Men In Blue lá voltaram aos grandes na “orla” europeia e conseguiram conquistar uma vitória bonificada frente ao Castres Olympique. Foi um comeback ao estilo que os irlandeses de Dublin precisavam, já que estão há algum tempo fora das grandes glórias europeias (2013 foi o último ano que conquistaram uma prova na Europa, com a conquista da Challenge Cup) e precisam de voltar a esse “trono” o mais rápido possível. No jogo frente ao Castres, o bloco avançado dominou por completo nas fases estáticas (10 alinhamentos e 7 formações ordenadas 100%, para além de um “roubo” de bola no alinhamento do Castres e forçaram duas penalidades na formação ordenada dos franceses), tendo Sean Cronin (por duas vezes) e Jack McGrath conseguido um ensaio cada, o que prova que foi através do sector dos avançados que o Leinster catapultou para a vitória.

O Castres pouco conseguiu fazer, sentiu grandes dificuldades em aguentar com a enorme pressão dos 5 da frente irlandeses e com a mobilidade da 3ª linha do Leinster, para além da velocidade do capitão, Isa Nacewa, que “tramou” na 2ª parte a equipa francesa, que ainda assim somou 15 pontos em casa dos Men In Blue. Mas isto é um regresso curto ou é mesmo para ficar? Sem Sexton e O’Brien, ainda a “contas” com pequenas lesões, a equipa do Leinster tem estado num revivalismo que pode ser fundamental para atingirem novos desígnios tanto a nível nacional (PRO12) como na Europa (Champions Cup). Rugby prático, inteligente e fortemente inspirador, é este o princípio que Leo Cullen quer que os seus jogadores imponham a cada jogo, a cada metro, a cada segundo desta época. Para os adeptos do Leinster, o 33-15 pode ter sido um anúncio de regresso… mas, para o Fair Play, ainda é muito cedo para acreditarmos no comeback daquela equipa que apaixonou a Europa.

In the Forwards lie the secret (Foto: Irish Times)
In the Forwards lie the secret (Foto: Irish Times)

Menção Especial: GOODBYE BIG ANTHONY

É um sentido adeus a um asa que não era fenomenal no jogo aberto, mas era um senhor no trabalho curto, na entrega e no motivar dos seus colegas. Anthony Foley é, talvez, o maior símbolo do Munster dos últimos 30 anos, província pela qual jogou a carreira toda tendo conquistado títulos na Celtic League/PRO12 assim como na Champions Cup. Um placador exímio, punha sempre o seu corpo on the line sofrendo as consequências que fossem necessárias para carregar a sua província e Selecção ao mais alto pedestal. Em 2014 conseguiu chegar ao cargo de sonho, assumindo o lugar de treinador principal dos Stags e tentou deixar a sua marca no Munster. Não sabemos qual teria sido o desfecho desta época com Foley no “leme”, pois o campeonato está altamente “quente” e na Champions Cup dificilmente conseguirão fazer “mossa”. Porém, em todos os jogos dos irlandeses o espírito e ideais de Foley transpareciam e marcavam, sem dúvida alguma, os jogos do Munster. Seria a 3ª temporada de Anthony Foley ao serviço do Munster e o seu “desaparecimento” vai deixar um vazio na Irlanda, na Europa e no mundo do Rugby. O Munster lutará pelos metros com Foley na memória e os restantes adeptos farão odes ao asa e treinador que marcou o rugby pela sua sagacidade, força e motivação de querer fazer mais e melhor a cada jogo, a cada ano, a cada novo desafio.

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