Arquivo de Mariana Barros - Fair Play

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José AndradeAgosto 2, 20225min0

Melgaço foi “casa” para a Seleção Feminina sub-15 que estagiou e realizou três jogos de preparação com a Polónia com os resultados a serem o menos importante e neste texto fazemos um balanço deste estágio.

O futuro da seleção nacional esteve em Melgaço no 5º estágio de observação das sub-15 marcado por três duelos com a Polónia. Nota inicial para o muito talento desta geração, a começar pelo facto de terem ficado de fora deste último estágio jogadoras que além da muita qualidade vão também elas complicar as escolhas nos próximos tempos para os selecionadores nacionais. Depois, olhando de forma simplista para os resultados, foram três derrotas e óbvio que não foram os resultados pretendidos, mas tal como já sabíamos antes destes duelos, a seleção polaca era mais forte e a importância destes encontros estava no “confronto” com uma seleção mais rotinada e num outro nível. Os resultados eram o menos importante destas partidas, a grande chave era a aprendizagem que as atletas lusas iam retirar de Melgaço.

Observando o conjunto polaco, um dos primeiros aspetos que saltava à vista era mesmo o facto de algumas jogadoras já possuírem experiência nos campeonatos profissionais da Polónia, somando já bastante tempo de jogo atendendo à idade. Confronto de atletas em fase de evolução diferentes que permitiu retirar muitas ilações, com a primeira ser obviamente a da comprovação do muito talento existente nesta seleção feminina sub-15.
Em relação aos jogos, Portugal foi em crescendo em cada um deles, foi-se notando uma melhoria natural imposta pelo trabalho do selecionador nacional, André Silva e da ótima equipa técnica com que estas atletas puderam trabalhar e aprender. Em outras ilações e olhando para cada um dos jogos, ficou sempre presente as dificuldades iniciais, em todos os duelos Portugal demorou para conseguir mostrar o seu jogo. A pressão polaca foi sempre muita e logo aí esteve um dos pontos que mais problemas criou às lusas neste duelos.

Depois o maior e mais esperado problema foi a questão da luta das tabelas, a altura e maior “andamento” custaram bastante a Portugal com exceção do último duelo onde as melhorias foram evidentes, o crescimento esteve à vista e onde a maior questão foi a eficácia, acabou por ser o ponto fulcral para que os resultados não fossem outros. A seleção feminina sub-15 conseguiu sempre criar, ter uma boa troca de bola no ataque, mas os turnovers resultantes de precipitações no ataque e depois a baixa eficácia em alguns períodos acabaram por criar as diferenças que assistimos e tivemos nos respetivos placares 54-89, 52-84 e 38-72 foram os resultados destas três partidas.

Olhando para o mais importante, é notória a evolução ao longo dos estágios, estas atletas estiveram expostas a uma outra realidade e o acumular de estágios já se fez notar nestes encontros, o crescimento é visível. O trabalho físico, tático e estes duelos com uma seleção que está um pouco mais avançada, todos estes pontos foram de extrema importância para a evolução e crescimento destas atletas que conseguiram trabalhar com os melhores e quem olha para este duelos consegue ver isso mesmo, o quanto evoluíram nestas concentrações do futuro de Portugal.

Esta é uma geração bastante completa e das com maior potencial, existe já um conjunto grande de atletas capaz de estar na seleção, falamos de algumas das maiores promessas em diversas equipas e jogadoras que foram destaques nas fases finais nacionais que tivemos oportunidade de falar no Fair Play e que ao longo da temporada foram conquistado espaço em escalões acima. O talento existente é mesmo muito e estes estágios com encontros como este são oportunidades muito enriquecedoras para estas jovens promessas do nosso basquetebol. Felizmente é algo cada vez mais comum, conseguimos ver isto em todos os escalões, óbvio que outros em preparação para Campeonatos da Europa, mas todas as seleções tiveram ao dispor jogos de preparação com adversárias em fases evolutivas acima e isso foi muito importante para que pudéssemos ter as sub-20, as sub-18 e em seguida as sub-16 preparadas para brilhar nos respetivos europeu.

Aqui o objetivo e o foco era outro, olhar e preparar o futuro e foi isso mesmo que aconteceu, claro que trabalhar em cima de vitórias é melhor, mas o ponto era perceber se existia evolução neste conjunto de atletas e foi isso mesmo que aconteceu e que pudemos constatar no final destes três duelos com a Polónia, por isso mesmo palavra para o grande trabalho do selecionador nacional, André Silva e da sua equipa técnica que ajudou bastante as nossas futuras estrelas.

Na nossa seleção feminina sub-15 tivemos alguns destaques individuais, Mariana Barros foi quem mais brilhou, mas Denise Neves, Laura Silva, Ana Alves, Mercedes Schneider, Rita Chainho, Isabel Azevedo ou Miriam Queta, também se evidenciaram bastante, todas as nossas jogadoras mostraram algo ao longo dos três jogos, reforçando mesmo o que já sabíamos, todas elas têm imensa qualidade. Muitos destaques, Portugal jogou bem, mesmo que por vezes a espaços todas as atletas conseguiram colocar-se em evidência em vários momentos destes duelos e fica ainda mais a certeza que vamos ouvir falar muito destas jogadoras em breve e que todas elas vão chegar bastante longe não só no nosso basquetebol como a nível internacional.

Este texto não serve para relativizar resultados, mas sim para reforçar a importância destes momentos e principalmente o quão importante foi ver como cresceram nas últimas semanas as mais jovens promessas do nosso basquetebol constatando ainda e mesmo perante a qualidade da Polónia e as dificuldades que sentimos, a muita qualidade de jogo da seleção feminina sub-15.


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