Arquivo de Kieran Read - Fair Play

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Francisco IsaacJulho 31, 20176min0

De um susto da semana passada para um vitória esmagadora, os Lions voltam a estar numa final frente aos supra Crusaders, que derrotaram com “facilidade” os Chiefs. As meias-finais do Super Rugby no Fair Play

A EXIBIÇÃO: 40 MINUTOS DE CAMPEÃO

Duas partes distintas, mas com o final desejado… os Lions sobreviveram aos 12 pontos de diferença dos primeiros 40, para terminar com 44-29 frente aos campeões em título, os Hurricanes. Sem um Elton Jantjies no seu melhor (pouco mais para além do ensaio e alguns pontapés), foi Ross Cronjé, o formação, a liderar os Leões de Joanesburgo.

Se na primeira metade do jogo foi domínio dos Hurricanes, que podiam até ter chegado com uma vantagem “pacífica” ao intervalo não fossem arriscar em excesso, perdendo oportunidades importantes nos últimos 10/5 metros, o jogo nos 2ºs 40 pertenceram, por inteiro, à equipa da casa. Cronjé, como dissemos, “mexeu” com a equipa, que gozou de um “acordar” de Kwagga Smith e Jaco Kriel (outra exibição fenomenal do asa da África do Sul) que assumiram uma agressividade altíssima.

A velocidade de jogo atingiu um timbre alto que os Hurricanes não conseguiram acompanhar, muito pela alguma falta de qualidade do seu 5 da frente (Allen, May, Abbot ou Lousi foram uma decepção durante todo o tempo que jogaram) e da falta de banco que não trouxe melhorias no momento que precisavam.

Para além disso, Jordie Barrett e Vince Aso foram, também, duas desilusões. O defesa All Black fracassou na mudança de velocidades, na tomada de decisões e até em dois dos seus cinco pontapés. Jordie é um jogador excelente, mas o excesso de importância dada ao 15 não ajudou nada nos momentos de maior pressão… Chris Boyd, mais uma vez, cometeu um erro na leitura do jogo.

Os Lions entraram nos 2ºs 40 a abrir, sem paragens “cerebrais” e cresceram fisicamente para um jogo que pedia exactamente esse aspecto. Foi “assustador” a forma como tomaram controlo dos rucks, a entrega na luta do breakdown e o aproveitamento na hora de ter a oval nas mãos (90% das oportunidades passaram a linha de vantagem). Passar de 10-22 para 44-29 só está à altura de uma equipa que acredita em si mesmo e que quer ser campeã na maior prova de clubes do Mundo.

Destaque final para Andries Coetzee, o defesa, que deu uma autêntica lição de jogar com 170 metros conquistados. Coetzee pode ser uma das armas para desarmar quer os Crusaders quer os All Blacks nas próximas semanas… para além de velocidade, soma um jogo ao pé fora-de-série e uma visão de jogo fora do normal.

A VANTAGEM: A MELHOR AVANÇADA DO MUNDO?

Segundo jogo a eliminar e os Crusaders voltam a dominar na arte da defesa, reacção imediata no contacto e contra-ataque, três elementos que foram fundamentais para garantir o bilhete para a final do Super Rugby.

Os Chiefs até tiveram bem mais metros com a oval, mas sempre que chegavam aos últimos 15/5 metros acontecia alguma coisa… ora era um avant ou um mau passe, ou uma jogada que isolavam o portador da bola e permitia um turnover dos Crusaders, acontecia sempre um erro que permitia à equipa da casa “sobreviver” ao super ataque dos Chiefs.

Os números provam esse facto: Crusaders com 185 placagens realizadas e 11 turnovers, com 360 metros a atacar, enquanto que os Chiefs só tiveram que realizar 66 placagens, arrancaram 5 turnovers e correram 540 metros com a bola nas mãos, tendo ainda dominado no território com cerca de 67% (!) de controlo do mesmo. Ou seja, todos os indicadores e números dão “vantagem” ofensiva à equipa de Cruden, McKenzie ou Lowe.

Mas uma defesa tão bem apetrechada, com uma avançada altamente móvel, resistente e dura, permitiu aos Crusaders saírem vitoriosos do encontro. Nas seis oportunidades que tiveram dentro dos 22 metros, saíram de lá com 4 ensaios, onde Israel Dagg foi um dos desbloqueadores, com duas assistências e um ensaio.

A atitude na placagem, a forma como trabalham no chão, a reacção rápida à saída para o ataque e a simplicidade na montagem do seu jogo, permitiram aos Crusaders devastar com a defesa dos Chiefs que não teve a capacidade de parar no sítio os portadores de bola da equipa da casa (o ensaio de Seta Tamanivalu é um exemplo disso mesmo).

É difícil não conseguir dizer que estes 8 avançados dos Crusaders não são dos melhores do Planeta… dos oito titulares, seis são All Blacks neste preciso momento, com Matt Todd com possibilidades de voltar já para o Rugby Championship… dos seis, cinco são titulares, o que lhes dá uma enorme consistência exibicional. 90 placagens e 5 turnovers  foi o registo dos 8 titulares no seu papel defensivo.

Os erros foram acumulando-se, os Chiefs atacavam de forma inconsequente e os Crusaders devolviam o nervosismo com uma demonstração de eficácia e firmeza. Ao fim de dois anos, a equipa de Kieran Read, Israel Dagg, Sam Whitelock, Matt Todd e Owen Franks está de novo na final do Super Rugby… conseguirão voltar aos títulos?

A DÚVIDA: QUEM PODE SER O CAMPEÃO?

Lions e Crusaders, uma final sob os timbres de duas formações altamente dominantes, fisicamente consistentes e com particularidades que vão “abanar” o jogo desde o 1º minuto.

Se os Crusaders são enormes na questão dos avançados (fenomenais no trabalho nas formações ordenadas ou no avançar do maul), os Lions têm sido “gigantes” na velocidade de jogo e condição física.

Nas meias-finais ambas as formações derrotaram as melhores equipas a nível individual, caindo Beauden Barrett, Julian Savea, TJ Perenara, Broadie Rettalick, Anton Lienert-Brown ou Damian McKenzie, perante aquelas que foram os melhores colectivos de todo o Super Rugby.

Não há forma de o negar ou de contrariar, tanto os Lions como os Crusaders dominaram as suas divisões e terminaram em 1º e 2º lugar na fase regular, respectivamente. Ambas consentiram apenas uma derrota (Jaguares para os sul-africanos e Hurricanes para os de Christchurch) em 15 jogos, foram autoras de reviravoltas nos resultados (os Crusaders viraram jogos nos últimos cinco minutos, como aconteceu no encontro frente aos Highlanders) e ainda conseguiram uma pequena renovação dentro das próprias equipas.

Se os Lions voltam a possuir uma (bela) oportunidade de conquistar o título (após o perderem em 2016 frente aos Hurricanes), os Crusaders vão tentar conquistar o título pela 8ª vez… a última vez foi há quase 10 anos, em 2008.

O favoritismo vai para os Lions, que jogam em casa, estão no pico de forma (e motivação) e têm algo que os Crusaders não se dão totalmente bem… a velocidade de jogo.

No entanto, os Chiefs também possuíam esse pormenor, mas fraquejaram na hora de jogar em equipa (desapoio total entre linhas de ataque), o que dá alguma possibilidade de resposta à equipa de Scott Robertson.

Naquele que é o ano do adeus de Ruan Ackermaan e de Faf de Klerk, que partirão para Inglaterra após esta final, os Lions não vão querer desiludir os seus adeptos em casa.

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Francisco IsaacJunho 8, 201711min0

Os Lions já estão em terras kiwis e os All Blacks finalmente apresentam as suas “armas”. Quem são os líderes, as surpresas, as grandes ausências e as dúvidas? A análise à convocatória no Fair Play

Junho de 2017, os British&Irish Lions chegam à Nova Zelândia… uma vitória na estreia frente aos Provincial NZ Barbarians e uma derrota frente aos Auckland Blues marcaram as primeiras duas semanas de treinos e jogos dos britânicos.

Contudo, silêncio absoluto entre as hostes dos All Blacks… nem dos Maori All Blacks (uma “espécie” de 2ª equipa da Nova Zelândia) há informações. Quem serão os 33 jogadores a formar a mítica selecção que vai ter que estragar (ainda mais?) o Tour dos Lions?

Steve Hansen, à meia-noite portuguesa (12h00 na Nova Zelândia) anunciou os 33 All Blacks que voltarão a tentar fazer história frente à lendária formação das Ilhas Britânicas.

Os 33 TODO-PODERSOS DE HANSEN

Sem o “espectáculo” do anúncio dos Lions em Abril, os 33 All Blacks foram escolhidos com algumas surpresas como podem ver abaixo.

3/4’s
Formações: Aaron Smith, TJ Perenara e Tawera Kerr-Barlow
Aberturas: Beauden Barrett, Lima Sopoaga e Aaron Cruden
Centros: Lienert-Brown, Ryan Crotty, Sonny Bill Williams e Ngani Laumape
Pontas: Waisake Naholo, Julian Savea e Rieko Ioane
Três de trás: Jordie Barrett, Israel Dagg e Ben Smith

Avançados
Pilares: Owen Franks, Joe Moody, Wyatt Crockett, Ofa Tuungafasi e Charlie Faumuina
Talonadores: Dane Coles, Nathan Harris e Cody Taylor
2ªs linhas: Broadie Retallick, Scott Barrett, Luke Romano e Samuel Whitelock
Asas: Ardie Savea, Liam Squire, Jerome Kaino e Sam Cane
Nº8: Kieran Read

Substitutos em caso de lesão: Liam Coltman (Talonador), Vaea Fifita (2ª linha), Akira Ioane (asa), Matt Todd (asa) e Jack Goodhue (centro)

The man of the hour (Foto: Getty Images)

AS NOVAS ESTRELAS

Rieko Ioane / Ponta ou Centro / Auckland Blues / 20 anos

O novo Malakai Fekitoa com umas “pitadas” de Nehe Milner-Skudder, Rieko Ioane mereceu a confiança de Steve Hansen para os jogos frente aos Lions. Na sua 2ª época no Super Rugby (2016 marcou a estreia do centro/ponta, apesar de só ter realizado quatro jogos, uma vez que esteve quase sempre com a selecção de 7’s), Rieko foi sempre um dos highlights dos Blues, com duas mãos cheias de ensaios em quase mil metros conquistados com a oval na mão. Rieko tem uma capacidade de “partir” a defesa adversária tanto com um side-step maldoso ou um atropelamento carregado de classe. Figurará a ponta ou a centro nos All Blacks?

Ngani Laumape / Centro / Hurricanes / 24 anos

Fixar bem este nome: Ngani Laumape. Um estrondoso centro que desmancha com qualquer bloco defensivo que se apresente pouco expedito e disponível para placar. O centro dos Hurricanes beneficiou da ausência de Halaholo (transferiu-se para o La Rochelle em Agosto de 2016) para se afirmar no centro do terreno dos campeões do Super Rugby. Com 14 ensaios marcados, Laumape é o melhor centro do Super Rugby da actualidade, com uma capacidade explosiva de encontrar espaços no meio da defesa, de trabalhar no contacto, da percepção de jogo que apresenta e da defesa muito ardilosa que demonstra possuir. Uma dupla com SBW seria demasiado nociva para os British&Irish Lions.

Jordie Barrett / Defesa ou Centro / Hurricanes / 20 anos

Começamos com intriga: não mereceria mais Damian McKenzie ser convocado para os All Blacks? Bem, Jordie no seu ano de estreia tem estado impressionante, com alguns pormenores que agarraram rapidamente Steve Hansen e uma série de antigos All Blacks. A leitura de jogo, a capacidade de perceber as necessidades da equipa num flash de segundo, o jogo ao pé, o apoio ao portador da bola e subsequentemente a explosão que aplica ao receber a oval , fazem de Jordie um jogador de alto calibre. Não deixa de ser uma jogada de marketing algo interessante, já que se junta aos seus irmãos na mesma selecção e ao mesmo tempo… mas pensemos, alguma vez Steve Hansen iria arriscar numa jogada de marketing e não tornar mais forte a sua selecção? Não, deixemos Jordie ser Jordie e cativar e conquistar o público como o fez com os Hurricanes.

Jordie time! (Foto: Getty Images)

OS COMANDANTES

Kieran Read / Nº8 / Crusaders / 31 anos / 97 internacionalizações

Será Read o melhor nº8 de todo o sempre ou estamos condicionados pela época em que vivemos? O 3ª linha dos Crusaders tem sido sempre um jogador de um patamar diferente, onde a classe encontra-se com a fisicalidade, a técnica de passe com a “manha” de explorar a defesa e a capacidade de liderar e comunicar com a vontade de não parar de participar e atacar. Read é um jogador fenomenal por todas as valências que apresenta… se tudo correr bem somará 100 internacionalizações no jogo 3 contra os Lions. Vale a pena notarem o comportamento táctico de Read durante os jogos, dispondo-se como um pêndulo, sempre a comunicar e a trabalhar directamente quer seja com o nº9 ou 15. Um jogador influente, um capitão carismático e uma lenda viva do rugby mundial.

Dane Coles / Talonador / Hurricanes / 30 anos / 49 internacionalizações

Uma escolha nossa algo polémica, uma vez que Coles poderá mesmo falhar toda a Series devido a uma concussão que cisma em não “abandonar” o talonador dos Hurricanes. Coles tem sido nos últimos três anos uma das melhores unidades do set-piece de Steve Hansen, com um jogo de mãos (quase) ao nível de um abertura, uma capacidade para encontrar os seus colegas ao largo e um placador insano que não pára de trabalhar até garantir estabilidade defensiva para a sua equipa. Nas palavras de Hansen, Coles “poderá estar bom já amanhã… como só daqui a uns tempos… já não joga desde Março por isso teremos de ver até onde vai.”. É um líder dentro de campo, um “maestro” no 5 da frente e uma peça nuclear no jogo rápido, eficaz e eléctrico dos All Blacks.

Beauden Barrett / Abertura / Hurricanes / 26 anos / 49 internacionalizações

Sem contestação possível, é o jogador para o qual todos os seus colegas olham nos momentos de maior necessidade… Beauden Barrett é, sem contestação, o melhor médio de abertura em 2017. A forma como consegue mudar o ritmo de jogo, de meter as linhas ofensivas a “mexer”, de ele próprio “rasgar” a defesa e dilacerar um pontapé venenoso, um passe assombroso ou ir para o ensaio sem que ninguém o agarre. Para além disso, Barrett sabe defender, é um médio de abertura que gosta de “sujar as mãos” (no sentido positivo de gostar de se envolver em tarefas defensivas de forma activa), de até ir ao ruck quando é preciso e de dar outra dimensão à “grelha” defensiva dos All Blacks. Barrett até “numa cadeirinha” consegue criar situações de ensaio… já aconteceu este ano pelos Hurricanes. É uma voz de confiança e um guia da equipa.

QUEM FICOU DE FORA E PORQUÊ?

Nehe Milner-Skudder / Ponta ou defesa / Hurricanes / 26 anos / 8 internacionalizações

Para alguns uma surpresa, para a maioria aceitável a ausência de Skudder da convocatória final de Hansen. É verdade que o ponta vai integrar a equipa dos NZ Maori (como que uma equipa “B” dos All Blacks), mas fica de fora pelo tempo que esteve de fora em 2017… no entanto, tal ideia poderia ser aplicada a Kaino, Dagg, Read, Coles ou Crotty. Mas o nível de Savea, Naholo, Ioane e Jordie retiraram espaço a Skudder (para já) nos All Blacks. Vai fazer falta, especialmente pelos ensaios ou assistências que cria do nada com uma simples mas brilhante troca de pés.

Malakai Fekitoa / Centro / Highlanders / 25 anos / 23 internacionalizações

Uma das “bombas” da convocatória, Fekitoa vai falhar os All Blacks. O centro com uma capacidade quase inigualável de defender, disputar o breakdown e recuperar a bola para depois rapidamente jogar, não conta para Hansen o que poderá ter desvendado o futuro do jogador dos Highlanders. Vai integrar os Maori, é certo, mas ficará um “sabor amargo” para Fekitoa por ter falhado a convocatória dos jogos contra os Lions. Um dos jogadores mais em forma do Super Rugby, Malakai Fekitoa fará falta aos All Blacks… ou não?

Fekitoa to be missed ? (Foto: Getty Images)

Damian McKenzie / Defesa / Chiefs / 22 anos / 2 internacionalizações

Um prefeito escândalo… o jogador que mais “decide” no Super Rugby, que te mais carries (178), metros (1260), no top-5 de quebras de linha (24) e que já deu vitórias aos Chiefs, ficou de fora dos All Blacks. A troca parece evidente… McKenzie ficou no “frio” para entrar Jordie Barrett. É o “motor” da equipa de Hamilton, é um dos jogadores mais sagazes quando tem a bola nas mãos, tem uma visão de jogo estupenda para além da capacidade de fazer a oval “girar” e entrar no espaço correto para um colega seu “furar” e ir para a linha de ensaio. McKenzie tem um jogo ao pé de qualidade e é um trabalhador nato. Irá, também, jogar nos Maori All Blacks, mas a sua ausência dos Lions é questionável.

COMO VÃO JOGAR OS ALL BLACKS

Existem várias questões a pôr a Steve Hansen e aos restantes treinadores, assim como à equipa dos All Blacks. Vejamos algumas:

Kaino, Read e Coles… são soluções para o jogo 1 contra os Lions ou não?

Três dúvidas e todas elas de um peso “enorme” para o XV inicial dos All Blacks. Coles irá falhar o 1º jogo é já uma perfeita certeza, mas Kieran Read e Jerome Kaino parecem estar no caminho da recuperação total e integrarem a equipa mal saiam da cabine de lesionados. Em todo o caso, a lesão de Coles será suprimida por Nathan Harris (ou Codie Taylor), enquanto Read tem Savea na sua “sombra” e Kaino pode ser suplantado por Squire (ou Scott Barrett… o 2ª linha pode jogar na 3ª).

Que tipo de centros vai Hansen optar?

Após o jogo com os Blues, o seleccionador dos All Blacks deve estar “feliz” com as “dores de cabeça” que tem… Sonny Bill Williams está de volta ao seu melhor estilo e deverá agarrar o spot a nº12 dos neozelandeses. Crotty ainda está a contas com uma lesão (entre 2 a 4 semanas), por isso será Laumape ou, mais certamente, Anton Lienert-Brown. Laumape é uma “caixa de dinamite”, um espectacular jogador na linha de vantagem e um defesa resiliente… Porém, Lienert-Brown tem todas as qualidades que fazem qualquer kiwi olhar e sentirem uma “paixão” brutal pelo jogo. Com SBW e Brown, a equipa vai ganhar a parte física e a magia dos offloads, com a capacidade de fugir à defesa ou mudar as linhas de corrida em instantes de segundos. Mas a Nova Zelândia está pejada de qualidade nos centros e será um factor fundamental para ganhar aos Lions.

Trio de trás… quem?

Rapidamente: Julian Savea, Waisake Naholo e Ben Smith. São os três jogadores mais em forma, mais acostumados aos lugares e que mais gostam de “destruir” equipas do Hemisfério Norte. Aqui podemos especular se Israel Dagg vai ter hipótese de entrar a ponta atirando Naholo para o banco. E se isto acontecer, qual é a razão? Naholo é forte, rápido e difícil de parar… porém, tem falhas anímicas durante os jogos, não é um jogador tão competente como Savea na leitura defensiva ou na recepção ao pontapé. Por outro lado, Israel Dagg é um jogador fenomenal a atacar, de confiança a defender e que está bem dentro da moldura de jogo que Hansen gosta de seguir. Dagg pode aparecer a defesa também, colocando Ben Smith a ponta. Se tudo correr bem… no 3º jogo Rieko Ioane e Jordie Barrett deverão fazer a sua estreia seja no banco ou titular, sendo eles (com McKenzie) o futuro do trio-de-trás da Nova Zelândia.

O Tour segue-se nos próximos dias e aqui deixamos a grelha de jogos e horas! Poderão ver os jogos em directo no George Pub (centro de Lisboa) e em mais alguns espaços no resto do país. Para quem está em casa recomendamos o Batmanstream.com

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Francisco IsaacNovembro 25, 201610min0

Derradeiro jogo do Tour da Nova Zelândia pela Europa termina em Paris frente aos Les Bleus. Conseguirá Novés surpreender o Mundo? Ou será mais um jogo “fácil” para os All Blacks? Um jogo com mais de 110 anos de História, transmitido na Eurosport1 no dia 26 de Novembro às 20:00

All Blacks Les Bleus, um duelo centenário pela Glória. Desde 1906 que os franceses desafiam os neozelandeses a cada novo ano que passa (houve hiato entre jogos, com os maiores a verificaram-se entre as duas Grandes Guerras, ou seja, 1906-1924 e 1925-1954). Nos últimos nove jogos, a Nova Zelândia conquistou 9 vitórias, com a última a ser um autêntico rolo compressor  em pleno Mundial de Rugby em 2015. Nesse jogo Julian Savea tratou de “imitar” Jonah Lomu, com três ensaios de grande qualidade, onde a expressividade física e o detalhe técnico do ponta, criaram sérios problemas para uma defesa débil, pouco flexível e sem a “raça” necessária para parar as intenções de vitória dos All Blacks.

A última vitória francesa foi no distante ano de 2009, quando os Les Bleus se deslocaram até Dunedin (Nova Zelândia). No dia 13 de Junho, desse ano, a França de Marc Lièvremont conquistou uma vitória por 27-22, expondo algumas das debilidades de então da Nova Zelândia. De 2009 para 2016, a França manteve, na convocatória, só um jogador: Louis Picamoles. Entre reformas, jogadores que caíram do “pedestal” do Top14 ou as sucessivas “revoluções” dentro do rugby dos Les Bleus, Louis Picamoles resistiu e voltará a jogar contra a Nova Zelândia. Maxime Médard, Vincent Clerc e François Trinh-Duc (lesionado até Janeiro) são outros três nomes que poderiam estar ao serviço da selecção para este encontro mas Novés teve outras ideias, ou pelo menos, foi forçado a mudar a equipa.

A queda de 2007 (Foto: Rugbyrama)
A queda de 2007 (Foto: Rugbyrama)

Mas o que há de especial com esta Nova Zelândia? Em poucas palavras podemos dizer que entre 2009 a 2016 conquistaram 90 vitórias em 100 jogos, um recorde único entre selecções mundiais de todos os desportos. 8 derrotas (três contra Austrália e África do Sul, uma contra Inglaterra e Irlanda) e 2 empates (sempre contra a Austrália) são o registo mais “negativo” nestes últimos sete anos, o que demonstra o espectacular trabalho de Sir Graham Henry (sobreviveu ao Mundial 2007, quando a Nova Zelândia perdeu nos quartos-de-final…contra França) e Steve Hansen. A Nova Zelândia fez jus à ideia que o Mundo tinha de si, transformando-se num “monstro” quase imbatível de “abater” com um elenco de 50 jogadores que mantêm a qualidade de jogo para jogo, mês para mês e ano para ano.

Os dois mundiais (2011 e 2015), cinco rugby championships (em oito) e vários recordes batidos espelham um domínio total por parte dos All Blacks que parece não ter data para terminar. Mas como chegaram a estes números e recordes? Já fizemos várias alusões em artigos anteriores ao facto da Nova Zelândia ter os básicos bem limados, em que os detalhes mais práticos são trabalhados ao ponto em que não há erros críticos que os impeçam de seguir no caminho da vitória. Vejamos os dados estatísticos dos últimos quatro jogos (3 vitórias e 1 derrota):

  • 2629 metros conquistados (max. contra a Itália com 1079 / min. contra a Irlanda com 470 metros);
  • 23 ensaios (max. contra a Itália com 9 / min. contra a Irlanda no 2º jogo com 3);
  • 76  erros forçados/próprios (max. contra a Itália com 22 / min. contra a Irlanda no 2º jogo com 17);
  • 535 placagens efectivas com 66 falhadas, o que perfaz 12% do número total de tentativas (max. contra a Irlanda no 1º jogo com 193 / min. contra a Itália com 71);
  • 31 turnovers conquistados;
  • Formações ordenadas com 95% de eficácia (22 em 23 tentativas bem sucedidas);
  • Alinhamentos com 90% de eficácia (31 em 37 tentativas bem sucedidas);

O que provam estes números? Eficiência, concentração, equilíbrio, consistência e um trabalho bem executado. A Nova Zelândia procura ter as fases estáticas (formações ordenadas e alinhamentos) quase nos 100% de modo a garantir uma base de saída para fases de ataque. Com Beauden Barrett essa ideia ficou ainda mais bem vincada, já que no The Rugby Championship, a Nova Zelândia marcou 38 ensaios, sendo que 20 provieram de alinhamentos (12) e de formações ordenadas (8), o que prova o trabalho exaustivo do staff dos All Blacks em ter estas “secções” na sua máxima qualidade (91% de alinhamentos conquistados e 93% de formações ordenadas ganhas).

Outro dado importante de vincar, é a forma como a Nova Zelândia dá uso aos pontapés que recebe dos adversários, verificando-se 12 ensaios dos últimos 9 jogos (excluímos o jogo da Itália) a partir desse ponto. Nisso as linhas atrasadas (maioritariamente composta por Israel Dagg, Julian Savea e Ben Smith) e o formação (melhor TJ Perenara que Aaron Smith neste ponto) conseguem transformar uma recepção num lance de perigo iminente para o adversário que teve de “despejar” a bola para o território neozelandês.

A somar a isto tudo, os avançados dos All Blacks são uma “máquina oleada” que está em perfeita sintonia com os 3/4’s, já que gostam de ter a oval na mão, sabem manobrá-la como poucos (veja-se Dane Coles, Kieran Read, Ardie Savea, Broadie Retallick ou Jerome Kaino), conquistam bons metros e têm noção de como podem fazer a diferença no espaço aberto. Dane Coles é o principal “rei” nestas características, já que é um autêntico “ponta” a jogar com a camisola nº2, provando-se como um jogador letal e fulcral para a manobra defensiva ou ofensiva dos All Blacks.

Isto explica o porquê da Nova Zelândia ser bi-campeã Mundial em título, do porquê de tornar uma situação de “aperto” numa jogada de perigo e do porquê de conseguir ganhar qualquer jogo. Para além do mais, a NZRU tem produzido inúmeros jogadores de um talento e qualidade inegável, que sabem que têm de ser os melhores na sua posição para chegarem ao nível de selecção.

Quando em 2015 Ma’a Nonu, Conrad Smith, Daniel Carter, Richie McCaw e Kevin Mealamu se retiraram, muitos temeram pelo futuro dos All Blacks… poucos meses depois surgiram Anton Lienert-Brown, Ryan Crotty, Beauden Barrett, Sam Cane e Ofa Tu’ungafasi como soluções directas ao problema, para além de Sonny Bill Williams, Charlie Faumuina, George Moala, Waisake Naholo ou Codie Taylor, jogadores que já se estavam a afirmar no universo neozelandês. E, melhor ainda, os vários jovens que despontam a cada dia como Ardie Savea, Damian McKenzie, Akira e Rieko Ioane, Vaea Fifita, Patrick Tuipulotu ou Seta Tamanivalu, vão dar outra coesão aos eleitos de Steve Hansen.

Barrett the Best Player on The World 2016 (Foto: The Guardian)
Barrett the Best Player on The World 2016 (Foto: The Guardian)

No meio disto tudo está a França que tem a missão ingrata de parar os All Blacks no Saint Denis em Paris neste sábado. Guy Novès não poderá contar com Trinh-Duc ou Jefferson Poirot, verdade, mas a chamada de Camile Lopez ou a titularidade de Charles Ollivon foram adições importantes para o jogo contra a Austrália (23-25) e que quase deram uma vitória aos Les Bleus.

A França está à beira daquilo que Novès procura, com uma equipa que sabe conquistar as suas fases estáticas e que consegue, também, “roubar” as do adversário. Frente à Austrália a França ganhou os seus alinhamentos (10) e formações ordenadas (6), o que permitiu sair para o ataque, conquistando metros e até ensaios (ensaio de Doussain veio de um alinhamento no meio-campo). A França já consegue, até, conquistar formações ordenadas dos adversários, o que penalizou a Austrália em três faltas e três pontos (Spedding e Machenaud falharam os outros dois pontapés). Por isso, será importante que mantenham a postura, concentração e qualidade exibicional que se fizeram sentir nos dois últimos jogos.

O problema dos avançados “gauleses” passa pela sua participação no jogo ao largo, que ainda está longe de ser “agradável”. Os níveis estão no “satisfaz”, o que não é positivo quando se preparam para enfrentar a Nova Zelândia. Para evitar riscos, talvez, o melhor é manter o jogo fechado, intenso e cansativo, obrigando os All Blacks a cometer erros no ruck (é o sector do jogo onde os neozelandeses cometem mais faltas e subsequentemente penalidades) e a perder a paciência, dois elementos que foram vistos em Chicago. Se Guirado e Picamoles conseguirem um equilíbrio entre “risco” de sair com a bola em direcção à linha de vantagem e de manter a oval “parada”, em certos momentos do jogo, talvez consigam bloquear o plano de Steve Hansen.

Mais atrás está uma boa linha atrasada que sabe criar, construir e executar o plano estabelecido com Wesley Fofana a assumir o protagonismo, com Lamerat e Spedding a encaixarem-se bem na lógica estabelecida por Novès. Fofana conquistou 160 metros, fez duas assistências e marcou um ensaio, para além de 6 quebras-de-linha e 9 defesas “fintados”, completando estes números com 8 placagens e 1 turnover (que deu ensaio no jogo com a Samoa). Com o crescimento de Fofana, a França conseguiu ganhar outra proporção e está mais confiante quando tem de atacar a defesa ou tem de esperar pelo ataque.

Um pouco de Fofana para quebrar os All Blacks (Foto: L'Equipe)
Um pouco de Fofana para quebrar os All Blacks (Foto: L’Equipe)

Frente à Nova Zelândia, Camille Lopez assume o lugar de 10, completando com Fofana, Lamerat e Nakaitaci o quarteto do ASM Clermont. Para além disso, Vakatawa está numa forma espectacular (quatro ensaios em dois jogos), sendo um verdadeiro perigo para as equipas que defendem de uma forma “estática” e sem pressão alta. Spedding falha o jogo, o que obrigou ao staff dos Les Bleus promover Dulin para a posição de 15, podendo ser um dos problemas da equipa francesa.

De qualquer das formas, não será uma reedição do Mundial 2015, estando uma vitória por uma margem excessiva fora de questão. A França terá poucos argumentos para conseguir conquistar uma vitória que lhe escapa desde 2009, mas fará uma exibição personalizada.

Poderão assistir ao jogo na Eurosport1 a partir das 19:45 num dos últimos jogos dos Internacionais de Outono. Não percam a possibilidade de ver a Nova Zelândia em canal aberto pela primeira vez em 18 anos!ffrnz


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