Arquivo de João Silva - Fair Play

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Francisco IsaacJunho 21, 201710min0

Os participantes, os prize-moneys, os horários e todos pormenores sobre o Ericeira Beach Rugby 2017 com um bónus de termos João Silva, o principal “obreiro” de todo este evento que já dura quase há uma década

Já marcaram na vossa agenda o dia 24 e 25 de Junho? Não? Então desfaçam os vossos planos, tratem de traçar a rota (no GPS) para a praia Foz do Lizandro na Ericeira e sigam para um dos eventos mais aguardados do calendário Nacional: o Ericeira Beach Rugby.

O torneio de seniores e femininos está marcado para o dia 24, com início dos jogos às 11h30 em plena praia. As equipas, jogadores e dirigentes (assim como os amigos e famílias que os acompanham) deverão chegar antes para montar o seu “acampamento” e preparar com (relativa) calma toda a operação “Ericeira Beach Rugby”.

Para já estão confirmados: Agronomia, São Miguel, GD Direito, CR Caldas, Caparica Sharks, Ericeirense, Belas, Os Manitos, Lycaones RC e os Gaivotas.

Estas equipas irão disputar o título da Ericeira, sub-divididos em dois grupos de cinco, tendo cada equipa quatro jogos na fase-de-grupos mais uma final seja Cup, Shield ou Bowl. 75% do valor das inscrições irá para o Campeão da Etapa, sendo que os restantes 25% vão para o vice-campeão. Ainda assim, há mais três prémios a considerar: o último lugar do pódio receberá o prémio “Mar das Latas”, enquanto que o campeões da Shield e Bowl ganham um jantar nos restaurantes “O Pescador” e “Pizzaria d’Alho”, respectivamente.

Por isso, são cinco prémios diferentes, o que ajuda sempre a “aliciar” a participação de mais clubes na Ericeira. Os Caparica Sharks partem como favoritos ao “título”, mas outros clubes poderão tentar “estragar” a festa ao Fins Up! do rugby Nacional.

Não fiquem “desiludidos” com o número de equipas, pois não são preciso muitas para terem um autêntico show de placagens, ensaios e detalhes do melhor possível… os Caparica vão garantir ensaios, a Agronomia sempre com uma escola de “irrequietos” especialmente na placagem, os Lycaones com um jogo entusiasmante, o Direito com o jogo físico e de belo colectivo e o Ericeirense, a equipa da casa que não é de todo para “brincadeiras”.

Vai ser uma competição intensa e vale a pena estar presente para não perderem pitada dos pormenores que vão “colorir” a Foz do Lizandro.

A competição feminina ainda está em dúvida… para já só GDS Cascais e São Miguel (são dois habituais participantes nestas andanças) confirmaram a presença e ao manter-se assim, farão só dois jogos de exibição para promover o rugby feminino.

Mas, o grande “diamante” da Ericeira não está no dia 24, mas sim no dia 25 com a competição de formação que vai encher a praia com mais de 200 atletas de vários clubes Nacionais.

É, sem dúvida alguma, o maior evento de rugby de praia de formação da Europa, envolvendo 16 equipas nos diversos escalões. São eles: Ericeirense, São Miguel, CF “Os Belenenses”, Sintrense, GDS Cascais, São João da Talha, Mabecos, CDUL, St. Peters/Vitória, Tigers, Belas, AIS Agronomia, Pedro Arrupe, Caparica Sharks, CR Caldas e RC Moita.

No escalão sub8 estarão 4 equipas, enquanto que os sub-10, 12 e 14 terão 11, 11 e 17 respectivamente. Os sub-16 e sub-18 já serão jogos mais “a sério”, com outra tonalidade física e que promoverá não só o espírito e os valores da modalidade, mas também dar uma ponta de competitividade aos participantes.

Fins up! (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

Nos sub-16 teremos o campeão Nacional e vencedor da Taça, CDUL… a vontade participar é tanta que trarão duas equipas à Ericeira, numa clara demonstração de força colectiva. Para além do CDUL, Caldas, Caparica Sharks, Sintrense, St. Peters/Vitória, Belas, São João da Talha, Agronomia e Ericeirense também irão participar.

Já nos sub-18 só há cinco confirmações com os Sharks (duas equipas) e Agronomia a assumirem o protagonismo, seguido do Belas, São Miguel, Sporting e Moita.

Por isso, ao todo são 66 equipas a participar na Ericeira entre o dia 24 e 25 de Junho. Uma tarefa hérculea para a organização, que terá de gerir os árbitros, águas, apoio logísitco, calendário de jogos, sequência dos mesmos e finais.

O Fair Play foi tentar perceber como é possível fazer todo este exercício e manter um “sorriso na cara”. João Silva, o grande “mestre de obras” do Ericeira Beach Rugby (e um dos pais do Ericeirense) abriu as portas do evento à nossa página.

fpJoão… mais uma grande edição para 2017? O que nos espera na praia da Foz do Lizandro?

JS. Espera-nos um Torneio feito com muito amor e dedicação por um grupo de voluntários que admira muito os verdadeiros valores do rugby e que os leva muito a sério. Haverá boa disposição, boas condições para a prática, reforço alimentar, àguas, apoio médico, passatempos, música ambiente, troféus, prémios e 3ª parte no final da competição sénior (com caldo verde, fatias de pizza, frango assado e umas cervejinhas)

fpContinua uma aposta acérrima neste evento… a autarquia e o Município têm ajudado e participado no desenvolvimento desta actividade?

JS. Sim. Dentro das suas possibilidades acreditamos que sim. Sabemos que a autarquia não tem muito para repartir por muitos mas que faz um esforço para chegar a todos. Senti-mo-nos bem tratados,  acarinhados e reconhecidos pelo trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo da nossa história de 9 anos. Se gostaríamos de mais e se faria falta mais? Claro que sim, eheh. Mas tudo se conquista com trabalho e dedicação e acreditamos fazer a nossa parte em relação a isso.

fpComo explica todo o sucesso do Ericeira Beach Rugby, especialmente na parte de rugby de formação? E qual é o feedback que tem dos participantes?

JS. Todos os que cá vêm querem voltar. Acreditamos que é pelo bom ambiente e pelas excelentes condições proporcionadas tanto pela organização do torneio como da praia da Foz do Lizandro que é óptima para as crianças por também ter zona de banhos na área do rio e uma grande área de areal. Também deve contar o facto de ser tudo gratuito para os jogadores até aos sub-18. Quem vier e só tiver o equipamento consegue passar o dia a jogar, conviver, comer e beber e ainda se arrisca a levar algum prémio de passatempo para casa.

fpSe pudesse mudar algo o que seria? Ou adicionar?

JS. Se pudesse mudava a visão dos empresários que só apostam neles e não partilham com a comunidade nenhuma parte dos lucros das suas empresas. Isso poderia fazer com que se conseguisse mais apoios para ter ainda melhores estruturas de apoio ao Evento.

Para adicionar escolhia a internacionalização do Torneio, que é um objectivo que já está a ser tratado para a 10ª edição.

Adicionava também a existência de um circuito nacional de Beach Rugby organizado em 4 ou 5 etapas espalhadas pelo país e que contemplasse escalões desde os sub-14 aos veteranos.

Acredito que o Beach Rugby, desde que efectuado em locais onde seja visível para muitas pessoas (como é o caso da Foz do Lizandro) é uma das formas de o rugby chegar a mais “pessoas fora do rugby”, que é uma das grandes dificuldades do rugby Português. Acho importante os principais clubes se envolverem e fazerem questão de participar, por forma a garantir o máximo de qualidade possível para todas as pessoas que na praia observam rugby ao vivo pela primeira vez

fpQual é o sentimento que tem ao ver antigos atletas do Ericeirense a despontar em alguns clubes da Divisão de Honra? O trabalho está a ser bem feito e qual é o futuro da Associação?

JS. O sentimento é de grande orgulho. Se eles (e elas) chegam aí e a grandes conquistas é porque trabalham muito e com muito amor. É isso que lhes é ensinado aqui – apenas com trabalho, dedicação, amizade e amor é que conseguimos lá chegar, seja no rugby seja na vida. Temos por lema “Fazer amigos através do Rugby” independentemente de ser com A, B ou C, Aqui na Ericeira queremos ser amigos de todos, seja quem for merece e precisa de amizades sérias e honestas e nós estamos no rugby para isso.

Para o futuro há que continuar a procurar mais amigos colaboradores e treinadores para ajudar a passar a mensagem e para ensinar o jogo, com o objectivo de tornar ainda mais o Rugby Ericeira como uma referência de transmissão de bons valores no concelho de Mafra e em todo o país. Temos grande orgulho de sermos reconhecidos como uma equipa com uma forma de estar sempre exemplar e nada melhor do que isso para os nossos atletas e para as suas famílias.

fpExplique, em algumas palavras, o porquê das pessoas terem que vir à Ericeira ver o Beach Rugby. Como convidaria alguém que não está familiarizado com a modalidade a visitar a Foz do Lizandro no dia 24 e 25 de Junho?

JS. Quer um dia bem passado? num local lindíssimo, com um ambiente fantástico? com desporto?  animação? Então terá que vir assistir ao 9º Beach Rugby Ericeira, nos dias 24 e 25 de Junho na praia da Foz do Lizandro. Quer perceber qual a razão do rugby ser um desporto de brutos jogado por cavalheiros? Apareça e traga a sua família. Será um fim de semana Fantástico!!!

Pouco mais há para dizer… é hora de marcar na agenda e preparar a mala do carro (ou a bicicleta) e fazerem-se à estrada até à Ericeira. Para as equipas que estão em dúvida o valor de inscrição é de 100€ (seniores) e que cobre o fee de participação, águas, comida, 3ª parte e um dia excelentemente bem passado na Ericeira.

Começou a época do Rugby de Praia, é a Ericeira o nosso primeiro ponto de partida, não falhem!

It’s all about the kids (Foto: Luís Cabelo Fotografia)

 

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João BastosJunho 19, 20175min0

O cenário idílico de Kitzbuhel foi o palco dos Campeonatos da Europa de Triatlo, entre os dias 16 e 18 de Junho. As atracções para os adeptos lusos da modalidade eram muitas…e as expectativas não saíram defraudadas

À partida para a prova que coroaria os novos campeões da Europa, havia uma certeza e uma dúvida. A certeza que os portugueses João Pereira e João Silva partiriam no lote dos favoritos à vitória final, mas que o grande candidato seria o líder do mundial, Fernando Alarza. A dúvida seria o estado de forma de Vanessa Fernandes nesta sua primeira abordagem a uma competição internacional.

Começando pelas senhoras, Vanessa não teve o regresso que certamente desejava. O lançamento da prova na natação foi extremamente rápido, com a britânica Jessica Learmonth a fazer o que já tinha ensaiado na última etapa do mundial, ou seja, a sair disparada na natação, mas desta vez a conseguir sair destacada na frente.

Este ritmo na natação provocou cortes, deixando a penta-campeã da prova sozinha no ciclismo. Como é seu timbre, e mesmo não se apresentando nas melhores condições, Vanessa assumiu que faria a perseguição a solo no segmento de ciclismo, mas momentos antes de iniciar os 10 km de corrida finais, cedeu e abandonou a prova.

Quem já não cedeu foi Learmonth, ao contrário do que tinha sucedido em Leeds, quando pagou caro o ritmo imposto na natação. Desta vez formou um trio no ciclismo com a sua compatriota Sophie Coldwell e com a italiana Alice Betto (que tem estado em boa forma) e deixaram a decisão dos lugares do pódio para a corrida. Learmonth viu recompensada a sua estratégia e sagrou-se campeã da Europa de elites. Coldwell completou a dobradinha para a Grã-Bretanha e Betto repetiu o 3º lugar da etapa de Leeds.

Foto: European Triathlon Union

Ainda nas senhoras, mas na categoria de juniores, destaque para as duas portuguesas que cumpriram a prova na distância de sprint. Gabriela Ribeiro conseguiu um bom 15º lugar, tendo em conta que competia com triatletas dois anos mais velhas e Mariana Vargem foi 41ª classificada, numa prova ganha por outra britânica: Kate Waugh.

Se no sector feminino as britânicas dominaram, no sector masculino foi outra potência do triatlo a ter a primazia. E provavelmente há poucas outras modalidades onde este país é uma potência. Falamos de Portugal!

O nosso país, particularmente no sector masculino, tem tido uma afirmação na modalidade estrondosa. Muito por culpa dos Joões (Pereira e Silva) e de Miguel Arraiolos que completa o triunvirato. Os três formam um verdadeira geração de ouro, que nesta prova ficou mostrado que terá continuidade.

O dia 17 de Junho de 2017 ficará guardado na História da modalidade como um dos dias mais felizes para as cores lusas. 

Por ordem inversa dos acontecimentos, começamos com a prova de elite. Os três triatletas portugueses já citados, acompanhados de Pedro Gaspar, partiram para a prova de Kitzbühel, sabendo de antemão que Silva e Pereira partiriam no lote dos candidatos à vitória (como partem em todas as provas), e que a mais forte oposição deveria vir dos espanhóis: Fernando Alarza e Vicente Hernandez seriam os nomes com maior cartel para contrariar as pretensões portuguesas.

Como tantas outras provas, Richard Varga saiu na frente da água, seguido pelos irmãos Polyanskiy. Pereira e Silva partiram logo a controlar Hernandez (o melhor nadador entre os dois espanhóis) e à saída da natação levavam uma vantagem interessante de 30 segundos para Alarza, vantagem essa que se dilataria no ciclismo.

Com cerca de um minuto de avanço no início da corrida, Alarza já não representaria perigo para os portugueses, apesar de ser um corredor fortíssimo (mas Silva e Pereira também são). No segmento de corrida só o francês Raphael Montoya teve pernas para os portugueses, sendo o único que ameaçava a dobradinha lusa.

O final foi disputado ao sprint com João Pereira a superiorizar-se aos adversários, sagrando-se Campeão Europeu de Triatlo pela primeira vez na carreira, e Montoya a intrometer-se entre os portugueses no pódio.

Veja o fantástico sprint que valeu ouro a João Pereira a.k.a. Puras:

O sucesso português em terras tirolesas não se ficou por aqui e Vasco Vilaça fez o pleno para os homens portugueses, sagrando-se Campeão Europeu de Juniores. O triatleta do Benfica fez um segmento de corrida extraordinário para bater ao sprint o espanhol Javier Lluch e o húngaro Csongor Lehmann.

Menção ainda aos restantes portugueses em prova: Na prova de elites, Pedro Gaspar foi 40º e Miguel Arraiolos desistiu. Na prova de juniores, Tiago Fonseca foi 14º, Duarte Brás foi 19º, Ricardo Batista foi 24º e Tiago Pinto foi 39º classificado.

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João BastosMarço 5, 201712min0

O Mundial de Triatlo voltou e com ele também voltou Javier Gomez Noya, o azarado espanhol que ficou fora dos Jogos Olímpicos do Rio. Abu Dhabi marcou o arranque do circuito que percorrerá quatro continentes até Setembro

Os Emirados Árabes Unidos foram o primeiro dos 9 palcos por onde passará o Mundial de Triatlo 2017. A etapa árabe foi marcada por muitas ausências, mas também por alguns regressos.

Para as cores nacionais, foi uma prova onde se pôde ver os nossos atletas já a um nível bastante interessante para esta altura crepuscular da temporada.

Mario Mola e Flora Duffy não iniciaram da melhor forma a defesa dos seus títulos. Duffy, então, não iniciou de todo. Mas, certamente, ainda vamos ver ao longo do circuito o que os dois campeões mundiais em título são capazes de fazer.

Hewitt vence ao sprint

Como já falado, Flora Duffy não alinhou à partida da prova de Abu Dhabi, mas houve mais ausências de relevo na start list, sendo a mais notada a da campeã olímpica em título, Gwen Jorgensen, que deixou a representação americana a cargo de um quinteto de luxo composto por Sarah True, Katie Zaferes, Kirsten Kasper, Summer Cook e Renee Tomlin.

Também a britânica Helen Jenkins, sempre candidata, optou por não participar, mas a armada britânica nunca está desfalcada e apresentava outras candidatas como Jodie Stimpson e India Lee.

Outra das ausências foi (ainda) a de Vanessa Fernandes, que anunciou recentemente o regresso à competição e já estava inscrita nesta primeira prova, o que indicia que o seu regresso em pleno estará para muito breve.

Vanessa Fernandes anunciou o regresso à competição no passado dia 27 de Fevereiro | Foto: Lusa

A prova começou como tantas outras começam, com a espanhola Carolina Routier a vir para a frente na natação e a fazer a principal despesa dentro de água até ao parque de transição para o ciclismo.

À saída da água, as americanas Sarah True e Katie Zaferes vinham muito bem posicionadas (como também é apanágio das americanas).

Pedalando no autódromo de Abu Dhabi, o grupo mais restrito que seguia na frente rapidamente se deixou apanhar pelo pelotão mais numeroso que seguia atrás.

Por volta dos 20 km de ciclismo, Sarah True desiste e Zaferes passa ao ataque, voltando a fragmentar o pelotão, formando-se um grupo na frente formado pela americana, pelas australianas Gillian Backhouse e Charlotte McShane, pela italiana Alice Betto, pela japonesa Yuko Takahashi, pela holandesa Rachel Klamer, pela austríaca Sara Vilic e ainda pela neozelandeza Andrea Hewitt e pela britânica Jodie Stimpson, as duas que representavam as mais fortes ameaças às aspirações de Zaferes.

E na verdade foram as duas que passaram imediatamente ao ataque no segmento de corrida, deixando em dificuldades a americana que tanto tinha forçado no ciclismo para as deixar para trás.

A meio do segmento de corrida de 10 km, o pódio começava a definir-se quando Hewitt, Stimpson e Vilic deixam para trás Klamer, a última resistente do grupo de nove que começou a correr junto.

Sara Vilic também não viria a aguentar durante muito mais tempo o ritmo das duas triatletas mais cotadas.

A 50 metros da meta, Stimpson – que tinha sido a mais empenhada durante a corrida em ir encurtando o grupo – parecia ter tudo encaminhado para iniciar o circuito com uma vitória (como tinha feito no ano passado), mas num sprint final “do outro mundo” foi Andrea Hewitt que levou a melhor, conseguindo a vitória mesmo em cima da linha de meta.

Veja e impressione-se com o recta final da prova:

Hewitt sofreu uma experiência pessoal, há cerca de um ano e quatro meses, absolutamente traumática. O seu treinador e marido, o francês Laurent Vidal – um dos melhores triatletas do pelotão internacional, que por problemas cardíacos deixou a competição em 2014 e dedicou-se ao treino da neozelandesa – faleceu em Novembro de 2015, vítima de ataque cardíaco.

No final, uma Hewitt emocionada, dedicou a vitória a Laurent Vidal…que certamente lhe deu um empurrãozinho naquele final de prova!

A neozelandesa começa assim o circuito mundial da melhor forma. Ela que no ano passado foi 6ª no final das 9 etapas, mas que este ano quererá, certamente, melhorar essa posição.

Já Jodie Stimpson tinha ganho esta etapa em 2016, mas desta vez teve de se contentar com a prata.

Sara Vilic fechou o pódio, chegando 7 segundos depois das duas primeiras.

Veja o resumo da prova feminina:

Gomez volta ao seu lugar habitual: o primeiro

Tal como a prova feminina, também a prova masculina foi pautada por várias ausências, com a dos irmãos Brownlee a ser a mais notada (Jonathan lesionou-se poucos dias antes da etapa).

Mas a nota dominante não foi das ausências, mas sim das presenças. O maior vencedor de sempre de etapas do Mundial, Javier Gomez Noya, estava de regresso, depois de se ter lesionado o ano passado, a apenas um mês do início dos Jogos Olímpicos, o que o retirou da luta pelo ouro no Rio de Janeiro.

Fonte: MundoTRI

Gomez vinha liderar uma armada espanhola de luxo, composta também por Mario Mola, actual campeão do WTS e vencedor desta etapa em 2016 e Fernando Alarza, 3º classificado no ano passado, no final do circuito.

A probabilidade da primeira prova internacional do ano ser ganha por um espanhol era grande, mas o trio tinha de se preocupar com fortes rivais, nomeadamente Richard Murry (África do Sul) que este ano já se tinha mostrado em boa forma em provas no seu país.

Sem Richard Varga em prova (o habitual animador na natação), foi o francês Aurelien Raphael que impôs o ritmo…e que ritmo!

Durante o segmento de natação, Raphael chegou a andar completamente isolado, mas na saída da água já o medalha de bronze do Rio, Henri Schoeman e o russo Igor Polyanskiy tinham conseguido recolar ao francês.

No entanto, os estragos estavam feitos e o pelotão seguiu para o ciclismo completamente fragmentado. Na frente seguia um grupo composto por 10 elementos, onde seguia Gomez mas não seguia nem Mola, nem Alarza, nem Murray, o que começava, desde logo, a abrir expectativas animadoras para o espanhol, que passava a ter em Henri Schoeman e Vincent Luis os seus potenciais maiores adversários na corrida (se é que há adversários à altura do espanhol na corrida).

No entanto, na última volta do ciclismo, o grupo perseguidor, liderado por Murray, Mola e Alarza conseguiu inverter o que já parecia definitivo, recuperando o minuto de desvantagem que tinha para o grupo da frente, vindo baralhar as contas da prova.

Nem se pode considerar que os perseguidores estavam com um desgaste superior a Gomez, já que o espanhol assumiu muitas das despesas na imposição do ritmo, na frente da prova.

Mas como Javier não sabe correr de outra forma, veio para a frente ao km 0 do último segmento e com ele só levou o britânico Thomas Bishop e o sul-africano Henri Schoeman (que só aguentou 3 km ao ritmo de Gomez – 3 min/km).

Mais atrás, vinha-se formando um grupo perseguidor de luxo: Murray, Mola, Alarza e o português João Pereira, quatro excelentes corredores que vinham paulatinamente a recuperar posições.

A três quilómetros do fim, Gomez cansou-se da companhia de Bishop e desferiu o ataque final, que o levou tranquilamente até à sua 13ª vitória em etapas do Mundial de Triatlo.

Thomas Bishop chegou 14 segundos depois e Vincent Luis conseguiu chegar ao bronze, resistindo à aproximação de Fernando Alarza, que foi o mais rápido em prova no segmento de corrida.

Veja o resumo da prova masculina:

A prova dos portugueses

Abu Dhabi foi a prova de melhor memória para as cores nacionais em 2016, já que foi a única onde Portugal conquistou um pódio, por intermédio do 3º lugar de João Silva.

Este ano o feito não foi repetido, mas houve bons apontamentos por parte da comitiva portuguesa:

A primeira a entrar em acção foi Melanie Santos, que até começou bem no segmento da natação, saindo da água num segundo grupo, a 40 segundos do primeiro, lado a lado com as três triatletas que terminaram no pódio.

O problema veio no ciclismo. O forte ritmo do grupo onde seguia, que queria apanhar as fugitivas o mais rapidamente possível, obrigou-a a desistir por volta do 16º km. Não foi a estreia no circuito deste ano que Melanie desejaria, mas foi certamente uma etapa muito útil para a jovem do Benfica retirar ensinamentos tácticos para futuras etapas.

Foto: Unspot Design

Na prova masculina, João Pereira conseguiu um excelente 6º lugar. Ele que tinha perdido o comboio da frente na natação e seguiu no ciclismo no 2º grupo, mas mais uma vez fez um segmento de corrida em crescendo, tendo sido mesmo o quarto mais rápido em prova, nesse segmento, cumprindo os 10 km em 31 minutos e 25 segundos.

Ficou à frente de nomes como Mario Mola ou Henri Schoeman.

Foto: Triathlon.org

Já a João Silva a prova não correu da forma que tinha corrido em 2016. Foi ainda mais surpreendido na natação do que João Pereira e ficou num terceiro grupo do ciclismo, onde não rolavam grandes referências e a distância para a frente foi aumentando significativamente.

No entanto, na corrida, Silva puxou dos galões e imprimiu um ritmo muito forte (foi o sexto mais rápido na corrida). A diferença para os restantes grupos já era grande, o que não o permitiu fazer uma grande recuperação em termos de classificação. Quedou-se pelo 19º lugar final.

Pódio de 2016 com João Silva no 3º lugar | Foto: Triathlon.org

O terceiro português foi Miguel Arraiolos que seguiu no grupo de João Silva até ao início da corrida. Fez uma prova bastante regular, evidenciando que é já um triatleta mais maduro e experiente neste tipo de provas. A natação continua a ser o grande calcanhar de Aquiles de Arraiolos, ficando a expectativa sobre o que ele poderá fazer numa prova em que o ritmo imposto nesse segmento não seja tão alto.

Classificou-se no 27º lugar, subindo 6 pontos em relação à classificação nesta etapa em 2016, amealhando 105 pontos para o ranking WTS.

Foto: Facebook Miguel Arraiolos – Triatleta

O jovem David Luís, de apenas 21 anos de idade, tinha feito a sua estreia em etapas do Mundial no ano passado na Grande Final de Cozumel.

E nesta sua segunda participação quis mostrar serviço e começou a prova com um ritmo muito forte, conseguindo seguir no grupo da frente da natação, e na frente se manteve durante quase 8 km no ciclismo, mas o ritmo de 40 km/h em que o grupo da liderança seguia tornou-se insuportável para o português, que após estabilizar o seu ritmo, instalou-se no 33º lugar da classificação geral. Lugar que ocupou durante toda a corrida e onde acabou na classificação geral final. Uma estreia promissora para o jovem português.

Foto: Carlos Maia

Filipe Azevedo fechou o quinteto português. À semelhança de David Luís, também se tinha estreado em etapas da Mundial em Cozumel, sendo este o primeiro circuito integral que cumpre.

Nos Emirados Árabes Unidos o azar foi parceiro de Azevedo que no final da primeira volta do ciclismo se viu envolvido numa queda que o forçou a abandonar.

Foto: Clarisse Henriques

As World Triathlon Series seguem agora para a Gold Coast australiana, disputando-se a segunda etapa nos dias 8 e 9 de Abril.

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João BastosFevereiro 27, 20172min0

O Mundial de Triatlo começa já no próximo fim-de-semana na capital dos Emirados Árabes Unidos. Depois do ano olímpico, este ano as atenções dos melhores triatletas mundiais voltam-se para o circuito composto por 9 etapas

As ITU World Triathlon Series estão de volta!

Depois de 2016 ter consagrado o espanhol Mário Mola e a triatleta das Bermudas, Flora Duffy, como campeões do circuito, este ano os motivos de interesse do Mundial são mais que muitos.

Se no ano passado os Jogos Olímpicos levaram muitos triatletas a optar por disputar menos etapas, ou fizeram-no longe da sua melhor forma, este ano o circuito mundial será a grande aposta de todos os que tiverem hipóteses de o vencer.

Alistair Brownlee (GBR) e Gwen Jorgensen (USA) partem com o estatuto de campeões olímpicos e têm de ser encarados como favoritos. Mas atenção ao regresso do espanhol Javier Gomez Noya que falhou os JO por lesão.

Do lado português, há vários pontos de interesse. Nos homens, a participação olímpica de João Pereira leva a crer que o caldense está, ano após ano, mais próximo do topo da hierarquia mundial; João Silva foi o único português a alcançar o pódio de uma etapa na Taça do Mundo em 2016 mas abdicou da competição assim que assegurou a qualificação para o Rio; Miguel Arraiolos continua a sua escalada no ranking Columbia Threadneedle – o ranking mundial do Triatlo. (Revisite a entrevista do triatleta alpiarcence ao Fair Playhttps://goo.gl/N79yQr)

Já em femininos, espera-se muito da jovem sub-23 Melanie Santos que já no ano passado deu boa conta de si, acabando na 39º posição entre as melhores do mundo. Mas o grande destaque é o regresso de Vanessa Fernandes, que anunciou hoje que estava de volta à competição.

Apesar de não prometer resultados, as expectativas em torno da maior ganhadora de etapas do Mundial (19 na sua carreira) são sempre elevadas.

Conhece os 9 palcos da maior disputa do triatlo mundial em 2017:


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