Arquivo de Barrett - Fair Play

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Francisco IsaacJulho 12, 201723min0

Acabou… os British and Irish Lions garantem o troféu das Series a meias com a Nova Zelândia, com um 15-15 no jogo final. O Fair Play revisita alguns momentos, discussões, ideias, jogadas, jogadores e decisões técnicas

Empate… foi desta forma que terminou o tour mais esperado dos últimos vinte anos. Um 15-15 entre All Blacks e Lions pôs termo a umas incríveis Series onde tivemos de tudo: discussões entre técnicos, casos de “televisão”, ensaios de antologia, jogadores que se superaram, pormenores deliciosos, detalhes técnicos de sonho, ídolos in the making, etc.

O Fair Play recorda toda as Series com uma série de pontos que nos cativaram e provocaram êxtase ou apreensão.

Oh Capitan my Capitan!

Os capitães são, sem dúvida alguma, um eixo fulcral para qualquer equipa. Sem uma liderança forte, consistente, inteligente e astuta, uma equipa acaba por sofrer um decline mais cedo ou mais tarde.

Nas Series entre Lions e All Blacks, os capitães dominaram a “cena”, especialmente no último jogo em que Kieran Read e Sam Warburton continuaram a pavimentar o seu caminho para o Pedestal das Lendas.

A luta dos capitães (Foto: Telegraph)

Em todos os jogos dos Lions tivemos o prazer de vê-los capitaneados por vários capitães: Peter O’Mahony, Rory Best, Sam Warburton ou Alun Wyn Jones (coincidência que a Inglaterra não teve o “prazer” de fazer parte do círculo dos capitães e nem se pode falar da Escócia).

O que saltou mais à vista foi Warburton, um imenso atleta que facilmente ganharia o cognome de “O Sacrificado” pelo espectacular trabalho que produz pela equipa, com um coração inigualável e uma alma anormalmente “gigante”. A produção de Warburton nos dois últimos jogos prova o porquê de Warren Gatland o ter escolhido para capitão, sendo um dos chatos que amarrou Ngani Laumape em alguns momentos do 3º jogo.

20 placagens em três jogos (sendo que no 1º entrou do banco de suplentes), zero penalidades, uma voz de chefia intensa e um carisma contagiante, Warburton é dos asas que melhor ocupa o seu espaço no terreno de jogo, fechando bem o canal entre o 9 e o 10 (após a formação ordenada), que melhor se coloca após o alinhamento ou que tem um trabalho irrepreensível no breakdown da sua equipa.

Do outro lado do campo estava Kieran Read… o nº8, capitão dos All Blacks, é como fosse a transfiguração de um sonho de verão: comunicação perfeita, placador nato, líder intenso e apaixonante e um enforcer do melhor que há (sem violência).

Read atingiu as 100 internacionalizações ao fim dos três jogos, um número “redondo” e especial ainda por mais quando se é capitão dos campeões do Mundo. Read teve um 1º e 3º jogo quase “brilhante”, com uma dinâmica muito alta, onde a sua presença na formação ordenada foi essencial para o outcome final.

Para além disso, Read é um jogador que está sempre predisposto a aparecer numa 3ª ou 4ª fase para garantir território ou surgir junto do nº12, a fim de receber a oval e partir a linha.

No final a grande questão: qual dos dois para o XV das Series como capitão? A nossa opinião cai, ligeiramente, para o capitão dos All Blacks, pois foi uma chama imensa para a equipa durante os três jogos. Todavia, e é importante frisar isto, quando Warburton recuperou o lugar a titular, os Lions nunca mais perderam. Ambos são faces da mesma moeda.. e que moeda!

 Quando Rookie significa “Boss”

Os vários rookies das Series ganharam um destaque enorme na nossa crítica. Quem escolhemos? Maro Itoje, Tadhg Furlong, Elliot Daly, Ngani Laumape e Rieko Ioane.

De todos, Itoje e Furlong merecem o trono de rookies do tour pelo papel que tiveram nos Lions. Itoje é, como já tantas vezes o dissemos, um autêntico “monstro” de Rugby… um génio no breakdown (7 turnovers), um intenso lutador no ar (dois alinhamentos “roubados”), um supra placador (27 placagens com apenas três falhadas) e uma unidade incrivelmente móvel.

Maro Itoje respira rugby, cria jogo, resolve problemas (também os arranja com algumas penalidades) e impõe um respeito “duro” perante os seus adversários. Não é fácil ter que lutar contra Broadie Retallick ou Samuel Whitelock, mas Itoje fê-lo e fê-lo com elegância.

Por outro lado, Tadhg Furlong teve uma batalha incrível contra Joe Moody, sustendo bem a pressão do pilar dos All Blacks (apesar das seis formações ordenadas perdidas/consentidas) e apresentando um rugby muito característico. Em alta forma, o pilar do Leinster foi sempre um “rochedo” difícil de abater ou de mover.

Elliot Daly e Rieko Ioane, pontas dos Lions e All Blacks respectivamente, estiveram brilhantes em alguns momentos das Series. Daly ocupou sempre bem a sua posição de 11, com uma série de fugas bem trabalhadas à ponta (duas delas resultaram em ensaios para a sua equipa), onde a forma como trabalha o defesa adversário ganha uma especial atenção da nossa parte. Daly foi porventura das melhores surpresas da equipa de Gatland, assumindo um lugar preponderante na estratégia dos britânicos.

Já Rieko teve o prazer de meter “na gaveta” dois ensaios frente aos Lions no jogo 1: o 1º um finisher (ou seja, quando só tem mesmo de pousar a oval no chão) e o 2º após uma grande conquista de bola (erro de Liam Williams) e fuga de 40 metros pelo flanco esquerdo.

Ioane tem tudo para ser uma das futuras grandes peças da Nova Zelândia, apresentando qualidades a la Savea (forte fisicamente, consegue “empurrar” o seu adversário com uma boa força de impulsão) e SBW time (um defesa sólido, com uma boa dose de raça, para além de munido de um offload de alto calibre), algo que Steve Hansen aprecia.

Por fim, Ngani Laumape, o novo poço de energia dos All Blacks, fez o seu début contra os Lions no 2º jogo. O centro dos Hurricanes (no qual já leva 14 ensaios no Super Rugby 2017) é apelidado de mini-beast graças ao poder de choque que apresenta, para além da explosão que impõe na hora do contacto.

Não foi fácil para os Lions pararem-no em certos momentos, Laumape é como um panzer com nitro, que facilmente consegue tirar o primeiro placador da sua frente e invadir o território adversário com eficácia. Precisa de entrar em harmonia nos All Blacks, a fim de evitar alguns erros próprios (somou três avants cruciais no 3º jogo) e assim garantir um lugar que está entregue a Sonny Bill Williams… para já.

MVP’s… take your pick!

Escolher sempre um melhor jogador das Series é complicado. Tende terminar em discussão e num debate acesso, pelas mais variadas razões e motivos. Para o Fair Play cinco jogadores apresentaram-se como os MVP’s das Series: Beauden Barrett, Owen Farrell, Sean O’Brien, Jonathan Davies e Samuel Whitelock.

O mais polémico será, talvez, Beauden Barrett pois o médio-de-abertura dos Hurricanes e All Blacks concluiu as Series com uma média de 75% em frente aos postes. No 1º jogo conclui com 100% (três penalidades e três conversões), o 2º com 75% (sete penalidades convertidas em dez) e o 3º, e último, só 50% (quatro pontapés, concluindo uma conversão e uma penalidade, falhando até uma bastante simples logo no início do encontro).

Porém, vamos mais além dos pontapés (podemos discutir se foram ou não decisivos para as Series, uma vez que viver nos cenários dos “se’s” é um princípio errado para o desporto).

O médio de abertura foi um autêntico quebra-cabeças, tendo semeado “destruição” na defesa dos Lions sempre que a oportunidade se apresentou. Querem exemplos? Terceiro jogo: pontapé que resulta no ensaio de Laumape (o crossk-kick foi parar às mãos do seu irmão Jordie com uma classe primorosa) ou como abriu a defesa com um belo passe para a entrada em grande do mesmo jogador.

Há muito mais, seja no 1º (a forma como agarra a bola do chão, tirando logo um adversário do caminho), 2º (bola recuperada quase nos seus 22, um hand-off que tira Farrell da disputa e um sprint bem trabalhado) ou 3º (os exemplos já apresentados).

Beauden Barrett é, neste momento, o melhor médio-abertura do Mundo e um estupendo jogador com a oval nas mãos… sem ela, também o é, como prova a placagem que fez a Anthony Watson no 2º jogo, parando-o e quase recuperando o controlo da oval. Se não conseguem ultrapassar o facto que falhou 5 pontapés (nem Daniel Carter foi sempre perfeito), então revejam os jogos e apercebam-se que 136 metros conquistados, 10 defesas batidos e 6 quebras-linha, “rasgaram” com os Lions em vários momentos… foi o All Black com melhor stats a atacar e um dos que melhor defendeu.

Owen Farrell continua na senda de Johny Wilkinson… jogadores algo diferentes (como Barrett e Carter), Farrell é um kick-master tendo contribuído com 31 pontos ao pontapé, “fechando” as Series com os All Blacks com uns impressionantes 85% de eficácia (se somarmos o jogo dos Crusaders baixaria para 80%) ao pontapé.

Farrell não teve a mesma oportunidade que Barrett para brilhar com a oval nas mãos, não deixando de ser um dos ball carriers de melhor qualidade nos Lions. Prova disso passa pelo facto de só ter feito dois erros com a oval nas mãos em doze oportunidades.

Foi um dos jogadores mais “marcados” por Jerome Kaino e Kieran Read, que tentaram a todo o custo fechá-lo, impedindo-o de abrir espaços na muralha defensiva. Para além disso, Farrell defende… defende e defende! Relembra Wilko (alcunha atribuída à lenda, Johny Wilkinson) também devido a isso… foram 25 placagens (e mais 6 falhadas) em três jogos, na posição de 10/12, apresentando-se como um jogador altamente versátil, com um carisma inspirador e um decisor fundamental para os Lions.

Em suma, um placador nato, um chutador de topo e um atacante resiliente. É possível pedir mais?

Sean O’Brien e Samuel Whitelock merecem referências pelos monumentais jogos que protagonizaram durante as Series. O asa irlandês (no qual falaremos noutro “aspecto”) placou, defendeu, “roubou”, “destruiu”, placou de novo, marcou ensaio… isto é, voltou o Sean O’Brien que deliciou adeptos do Planeta da Oval naqueles anos em que atingiu o seu melhor pico de forma. A forma como ocupa o espaço entre a formação ordenada e o primeiro jogador das linhas atrasadas foi decisiva em alguns momentos, impedindo Beauden Barrett, Julian Savea/Rieko Ioane ou SBW de passarem a linha de vantagem e darem sequência ao Total Rugby dos All Blacks.

Samuel Whitelock esteve uns “furos” acima do seu parceiro do lado, Broadie Retallick, provando que é o melhor 2ª linha a nível mundial. Resiliente, duro de placar, difícil de meter no chão, uma preocupação constante para quem ataca e um líder nato, Whitelock completou com o resto do 5 da frente All Black, uma das melhores formações ordenadas nos últimos anos. Duas menções importantes que iremos já referir de seguida de outra forma.

Mas o jogador das Series foi, sem discussão, Jonathan Davies. Como diriam os galeses com um sotaque posh: Amazing! Os All Blacks tiveram dificuldades enormes em parar Davies, que não procurou escapar-se na defesa pela força, mas sim pela estratégia e inteligência.

Um desbloqueador no ataque, com 6 quebras-de-linha, Davies formou uma quadrupla incrível com Watson, Daly e Williams, assumindo-se como um peça fundamental para mexer o três-de-trás, assim como garantir apoio às acções quer do 1º centro (foi mais difícil ler o que Ben Te’o iria fazer do que Farrell) ou de algum asa que entrasse no 2º canal de jogo. Davies funcionou sempre como uma arma de arremesso dos Lions, pondo o seu pontapé rasteiro em funcionamento, o que criou enormes dificuldades aos All Blacks, forçando-os a recuar até aos seus 22 metros.

Foi sempre dos jogadores menos contestados na equipa titular, mas que também passou despercebido antes do início das Series. Para além de ter conquistado o público, mereceu o título de Lions of the Series 2017, o que deve deixá-lo carregado de orgulho (e a Warren Gatland, que voltou a ter o seu centro a 100%, cheio de confiança para os próximos anos que se avizinham).

Com quatro turnovers na defesa e 20 placagens, vale a penar reverem os jogos para perceber como Davies fechou bem o espaço na defesa, impossibilitando aos All Blacks de quebrar-a-linha. Isto forçou-os procurar outras ideias e soluções para chegarem ao ensaio(os bicampeões do Mundo procuraram jogar ao pé quando não conseguiam transpor o eixo Farrell-Davies). Um MVP com direito a honras!

Um Praça a Praça ou um Cross-Kick?

Infelizmente não foram três jogos carregados de ensaios, já que tivemos direito a nove ensaios, cinco dos All Blacks e quatro dos Lions. A produção ofensiva não foi a melhor devido às condições atmosféricas que se fizeram sentir no 2º encontro, por exemplo… mesmo assim, três dos nove ensaios merecem alto destaque.

Comecemos pelo melhor: Sean O’Brien. Um ensaio que começou quase nos últimos 5 metros defensivos dos Lions e que terminou dentro da área de validação dos All Blacks. Um quebra-rins de Liam Williams a Kieran Read, uma finta a Aaron Cruden e um prender a Israel Dagg, meteram três All Blacks fora de funcionamento. Depois um passe rápido de Davies para Daly, com o último a tirar Lienert-Brown da frente e a devolver ao centro galês, que ainda colocou problemas a Barrett… placado, mas com possibilidades para um offload, Davies não decepcionou Sean O’Brien e entregou a oval em perfeitas condições para o asa. Um ensaio de antologia, um ensaio que motivou os Lions para o 2º e 3º jogo.

O tal ensaio de Jordie Barrett, que começou numa bela captação no alinhamento de Retallick que ainda tentou fugir pelo meio dos leões esfomeados… depois Aaron Smith (belo regresso do formação dos Highlanders) para Barrett, com este a fazer um mini-mini compasso de espera, para uma entrada explosiva de Laumape.

O centro apresentou uma boa postura no contacto, forçou uma placagem de Davies às pernas, o que permitiu um offload fácil para Lienert-Brown partir a linha e seguir para dentro da área de 22 (os Lions conseguiram, na maioria das vezes, placar de forma que não surgisse um offload no momento da queda, porém nem sempre é possível impossibilitar os All Blacks a tal, como foi neste caso em específico). E depois numa situação de 3 para 1, bastou a ALB passar a bola para Jordie Barrett, com o defesa de 20 anos dos Hurricanes a pôr um ensaio na sua primeira internacionalização pela Nova Zelândia.

No 2º jogo há o ensaio de Taulupe Faletau que começa nos 40 metros dos Lions e em quatro fases termina num belo ensaio do nº8 do País de Gales. A corrida de Watson é quase imparável, com os All Blacks a apanhá-lo com bastantes dificuldades… seguiu-se um passe rápido para Farrell que “descobre” Liam Williams com o defesa a bater a defesa e a transmitir a oval para o seu parceiro Faletau. Ensaio.

Aqui o que é importante ressalvar é a velocidade e a capacidade de fazer mexer dos Lions, que demonstraram que tinham tudo para igualar a aceleração de jogo dos All Blacks nos momentos capitais do jogo. Faltou isto no 3º jogo, em que estiveram mais preocupados em acertar nos postes do que conseguir entrar na área de ensaio… um empate é, como disse Steve Hansen, Like Kissing your Sister.

Just play an Oldie please…

Sean O’Brien, Wyatt Crockett, Alun Wyn Jones e Israel Dagg… podiam perfeitamente serem títulos de uma banda sonora. Quanto mais “velhos” melhor e nenhum dos quatro defraudaram nas Series.

Chamar a jogadores com 30 anos Oldies é um exagero (bem grande) da nossa parte… mas a nossa argumentação parte do facto dos quatro jogadores estarem há anos envolvidos nas suas selecções, de serem “símbolos” magnos quer dos Lions ou All Blacks.

Sean O’Brien… que dizer do asa de 30 anos, que viveu fustigado por lesões nos últimos três anos? Foi um atleta imenso, um British&Irish Lion sensacional que carregou todo o espírito e emoção que os irlandeses impõem em qualquer jogo de rugby. 30 placagens, 5 turnovers, 1 ensaio, 62 metros conquistados e duas quebras-de-linha valem a Sean O’Brien o título de 3ª linha da competição… repartido com outro Oldie, Kieran Read.

E o que dizer de Alun Wyn Jones? No seu terceiro tour pelos Lions, o 2ª linha com 31 anos, foi uma peça de força e resiliência no plano de Warren Gatland. Chegou a assumir no 1º jogo o papel de capitão, naquele que parecia ser, até ao fim da primeira parte, o melhor jogo dos Lions. Competente com uma paixão imensa, Alun Wyn Jones foi dos avançados dos Lions que melhor percebeu em como “estragar” os alinhamentos dos All Blacks, lendo bem as movimentações, atacando com eficácia o salto do 2ª linha adversário, disputando veemente no chão.

É difícil não ficar atraído pela forma como Jones comanda os seus colegas, pois passa toda uma mística e orgulho que facilmente catapultam qualquer um para cima.

Israel Dagg, o “Mal Amado”, acabou por ser um dos melhores All Blacks em prova. No ar foi responsável por 9 capturas em dez, conseguiu parar algumas acções do adversário com qualidade (não obstante de ter sido empurrado por Faletau no 2º jogo) e assumiu sempre um papel preponderante no três-de-trás… por alguma razão Steve Hansen confia em Dagg, e não é pelo estatuto.

Recordemos que o defesa dos Crusaders foi excluído em 2015 da equipa que viria ganhar o Mundial em Inglaterra, com Hansen a seleccionador. Dagg é um “mágico” com a oval, tem uma capacidade de partir a defesa que poucos têm, sabe combinar bem quer no papel de 11, 14 ou 15, não tem medo de receber a oval e de partir para a frente.

Por fim, Wyatt Crockett… 62 internacionalizações, 176 jogos pelos Crusaders, dois mundiais de rugby e tantas, mas tantas formações ordenadas que só elevam a sua categoria de lenda na Nova Zelândia. Começou sempre do banco, algo que já é normal nos dias de hoje para o pilar, mas nem isso tira-lhe a vontade de entrar em campo e de pôr fim a algumas acções do seu adversário.

Crockett sempre que entrou “abanou” com a formação ordenada, foi um batalhador nos rucks e um true great no momento de ajudar a equipa. 34 anos, dos jogadores mais velhos a participar nas Series, Wyatt Crockett é aquele Oldie que merece estar a rodar no “gira-discos” do Rugby mundial eternamente.

O Bom, o Mau e o Vilão… e o palhaço?

Meus senhores e senhoras, tapem os “ouvidos” porque Warren Gatland e Steve Hansen não estiveram e estão para modas… uma batalha de palavras seguiu-se durante todas as Series da competição, tendo começado com a imprensa neozelandesa a meter um nariz de palhaço (respeito pela profissão) em Warren Gatland… o seleccionador dos Lions, que é kiwi, não gostou nada e como prova disso foi ter usado esse adorno na conferência de imprensa pós-terceiro jogo.

Hansen foi também distribuindo “lenha”, em busca de abanar os Lions de alguma forma… ninguém disse que os Mind Games pertenciam só ao mundo da bola redonda. Mas a batalha foi tão longe que Hansen parou-a por completo quando a intensidade estava a atingir um nível que seria prejudicial para a imagem das Series. O irónico é que ambos estavam a gostar da troca de palavras, mas perceberam que a imprensa estava a elevar a conversa para outros contornos mais “mediáticos”, polémicos e algo “enlameados”.

Warren Gatland saiu das Series por cima, conseguiu empatá-las e garantir o troféu (dividido a meias com a formação da casa). A estratégia dos Lions para o 2º e 3º jogo funcionou na perfeição, mesmo que no encontro do meio tenham jogado contra 14. Funcionou e é isso que ficará para a história.

Construiu uma dupla de centros séria, Farrell e Davies, musculou e garantiu uma terceira-linha de “sonho” com Warburton, O’Brien e Faletau, potenciou uma primeira-linha “maldosa” em Vunipola, George e Furlong (Vunipola foi essencial nos jogos, a imprimir uma certa agressividade que roçou o limiar do legal, mas que era necessária para meter os All Blacks em bicos de pés) e ainda deu show ao seleccionar um três-de-trás que poucos adivinhavam com Daly, Watson e Williams.

Os Lions foram impressionantes a defender, somando 411 placagens com 49 falhadas, ou seja só cerca de 10% é que não entraram ou pararam o opositor. A isto deve-se a Andy Farrell, o treinador de defesa da Irlanda que conseguiu construir uma muralha de qualidade, que só pecou no 1º e 3º jogo (falhas de placagem no ensaio de Jordie Barrett). Depois de tantas críticas que sofreram, principalmente pelas fracas exibições contra os NZ Provincial Barbarians, Blues, Highlanders e, talvez, frente aos Hurricanes, Gatland volta às Ilhas Britânicas com o seu estatuto redobrado… os Lions voltam a não perder umas Series sob o seu comando.

Já Steve Hansen arriscou em alguns momentos como: titularidade de Rieko Ioane, Jordie Barrett, Ngani Laumape ou a não convocação quer de Julian Savea ou Malakai Fekitoa nos dois primeiros jogos. Se Ioane garantiu pontos no 1º jogo, já no 2º esteve algo afastado (a jogar com 14 é difícil fazer um uso das pontas como os All Blacks gostam) e no 3º não jogou devido a lesão.

Mas a não inclusão de Fekiota foi um erro tremendo de Hansen. Goste-se ou não da forma de jogar de Fekitoa, é dos centros em melhor forma na Nova Zelândia. Fisicamente poucos igualam-no, é um poço de vitalidade único, com uma raça total para enfrentar qualquer que seja o adversário à sua frente.

Isto aplica-se a, também, a Julian Savea que apesar do avant que faz no início de jogo, conseguiu dar uma excelente réplica atropelando jogadores, aparecendo bem entre os centros e a dar o “corpo às balas”. Os All Blacks perderam só um jogo, no tal em que SBW recebeu ordem de expulsão aos 25’. De resto, ganharam por uma diferença de 15 pontos no 1º e deixaram escapar a vitória no 3º por um somatório de erros preocupante para os All Blacks.

É aqui talvez o maior senão dos All Blacks, o falhar em momentos-chave nestas Series. No 3º jogo a quantidade de erros ofensivos nos últimos 10 metros foi gritante… Laumape, Lienert-Brown, Jordie Barrett, Fekitoa, Cane, etc, seja na transmissão de bola, na recepção, na procura do espaço, etc. Parecia que os neozelandeses esqueciam-se dos básicos no momento de dar uma estocada nos Lions.

A jogada do ensaio do Jordie Barrett podia ter sido repetida um bom par de vezes, não fossem esses erros. Se passou por uma falha de concentração, de combinação ou simplesmente porque a defesa aplicou uma pressão alta, não sabemos. Até pode ser um mix das três, fruto da intensidade de jogo, das ganas de ganhá-lo, da quantidade de jogadores novos a participar e da elegância defensiva dos Lions. Steve Hansen não sai beliscado destas Series e, até, deviam todos estar preocupados com o que aí vem… os All Blacks gostam de aprender com os erros e facilmente vão entrar em fase de reflexão – que será muito rápida -, para aplicarem já soluções para entrarem a todo o vapor no Mundial de 2019.

Os British and Irish Lions voltam a casa, Sam Warburton e Warren Gatland “calaram” as críticas, Julian Savea acabou por sair por cima, Jordie Barrett provou que ainda está algo “verde”, Farrell e Barrett deram show – cada um à sua maneira-, Sean O’Brien e Kieran Read vão-nos obrigar a ver as Series de novo pela qualidade que impuseram, Jonathan Davies conquistou o seu lugar entre os Mitos dos Lions e a Nova Zelândia fica em paz… até Agosto, quando começar o The Rugby Championship.

Palavra de Ordem: Fair Play! (Foto: The Guardian)
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Francisco IsaacMaio 29, 20179min0

Entre um empate no Blues-Chiefs, uma vitória improvável dos Force em Queensland, a (quase) qualificação dos Sharks para a fase seguinte e o “atropelar” dos Brumbies em terra de Jaguares, o Super Rugby começa a esboçar a sua fase final. 5 pontos da 14ª ronda da maior competição de Rugby do Planeta

A EXIBIÇÃO: O GALOPAR DOS BRUMBIES

Com uma exibição de qualidade, os Brumbies estão muito perto de assegurar nova presença na fase a eliminar do Super Rugby. A viagem até Buenos Aires correu da melhor forma, apesar das várias reticências que se colocavam no pré-jogo, uma vez que os Jaguares ainda sonhavam (tenuemente) com uma passagem à fase dos playoff da competição.

Ou seja, para a equipa da casa era a hora do mata-mata, enquanto que os Brumbies podiam, praticamente, assegurar o playoff na Conferência australiana em caso de vitória.

Uma exibição muito personalizada, bem ao estilo do melhor rugby australiano, com o três de trás a explodir na linha de vantagem com uma série de falsos e de boas fugas, em que Thomas Banks, o defesa de 22 anos, conseguiu dois ensaios.

Os Jaguares até tiveram algum controlo de território, conseguiram estar por cima no ataque com uma vantagem de 10-07 até aos 25′. A reviravolta no marcador e no domínio de jogo, para os Brumbies, proveio de uma queda física dos Jaguares para além de psicológica. A equipa de Raúl Pérez está menos intensa, menos dominante nos rucks, menos assertiva nas fases estáticas e, mais importante de tudo, não consegue encontrar espaço nos seus 3/4’s para ganhar metros na linha de vantagem.

Moyano, Ezcurra, Moroni ou até Tuculet (e porque não juntar o lesionado Cordero também) lutam pela oval mas raramente a recebem em condições de poder fazer “qualquer coisa” de diferente. Os Brumbies aproveitaram esta queda, tomaram controlo do jogo nos avançados com mais uma grande exibição de Josh Mann-Rea (o talonador poderá ser o nº2 dos Wallabies), de Chris Alcock (aquele pontapé para assistir Banks para o seu 2º ensaio é de mestre) ou Scott Fordy.

Os Jaguares nunca foram uma equipa ameaçadora na segunda-parte, pouco conseguiram fazer na linha de vantagem (sofreram dez turnovers, seis realizadas pela 3ª linha australiana) e acabaram “engolidos” pelo maior atrevimento da equipa de Canberra.

Uma atenção especial para Joe Powell, o formação dos Brumbies, que parece estar cada vez mais à vontade, com um sentido de jogo muito interessante e que deveria de ser bem trabalhado por Michael Cheika.

O SUSPENSE: WELLINGTON WE HAVE A PROBLEM, BARRETT IS DOWN

Os Hurricanes tiveram um jogo difícil contra os Bulls de Pretória, com uma vitória por 32-20. Porém, a “boa” notícia (a qualidade exibicional dos campeões do Super Rugby foi satisfatória, longe do que devia/pode ser) ganhou várias reticências, especialmente para a NZRU, quando souberam que Beauden Barrett falhou o jogo por ter contraído “dores de cabeça”.

O número 10 dos All Blacks ficou de fora dos 23, horas antes do jogo, para evitar que a situação piorasse. Contudo, este sintoma físico pode ser derivado das altas altitudes do local de estágio e jogo dos Hurricanes, uma vez que outros jogadores também se queixaram de alguma indisposição e mau estar.

Sem Barrett, Otere Black assumiu a posição de médio de abertura… e não foi propriamente o homem mais seguro do Mundo, com a equipa a ter graves dificuldades em fazer circular a oval. Valeu a capacidade de perfuração de Julian Savea (100 metros e três quebras de linha) e Jordie Barrett (mais um ensaio, mais 100 metros e mais um par de detalhes de alto calibre) que garantiram uma saída para o ataque veloz e que criou dificuldades à defesa dos Bulls.

Por seu lado, os Bulls voltaram a ter mais vontade de jogar, foram especialmente “físicos” no jogo curto, impossibilitaram os Hurricanes de criar tanto espaço entre os centros como de costume e conseguiram controlar o segundo apoio do ataque dos Hurricanes. Porém, os erros nas placagens continuam a ser um problema grave, especialmente nos 3/4’s, onde foram muito premiáveis em situações de 1ª fase.

Durante o jogo surgiram mais duas notícias complicadas para Chris Boyd: Ardie Savea e Mark Abbot sofreram concussões que os podem pôr na lista de lesionados durante duas ou três semanas. São três baixas importantes para os jogos das próximas semanas especialmente frente aos Chiefs a 9 de Junho.

O MINUTO: UM VAIVÉM DE EMOÇÕES COM DOIS QUASE ENSAIOS E UM ENSAIO

Cenário: Emirates Airlines Park. Incidências: Lions e Kings a jogar com 14 jogadores cada, após um cartão vermelho e amarelo a Robbie Coetzee e Chris Cloete, respectivamente. Os Lions dominavam assim-assim contra uns Kings bem “alegres” mas que não davam sequência às boas situações de ataque que criavam, muito devido à grande defesa dos vice-campeões do Super Rugby nos últimos 5 metros.

Momento do jogo: aos 38′ os Lions conseguiram conquistar uma penalidade e seguiram a jogar. Mapoe consegue uma espectacular quebra de linha e faz a equipa jogar rápido, com Faf de Klerk a dar ímpeto à “magia” ofensiva dos Lions… a escassos metros da linha de ensaio, os Kings conseguem uma intercepção com Ntabeni Dukisa (suplente que entrou por Bock) a correr quase 100 metros, valendo uma alta placagem de Skosan já quando faltavam escassos 15 metros para o ensaio.

Os Lions viraram, o tempo já se tinha esgotado mas não quiseram pôr a bola fora… uma fase, nova entrada de Whiteley (exibição monumental do novo capitão dos Springboks), Faf volta a jogar, Whiteley volta a receber e transmite para um explosivo e portentoso Kwagga Smith que já não parou até à linha de ensaio para dar aos Lions uma vantagem de 19-03 na primeira parte.

Foram dois minutos do melhor que o Super Rugby tem para oferecer, com belas trocas de pés, sentido de ataque e velocidade no contacto, quebras de linha (Mapoe está a regressar à sua melhor forma), intercepções, try saving tackles e explosão na recepção da bola.

A ESCOLHA: NAHOLO E KOLBE, O MUNDO QUE OS JUNTA E OS SEPARA

Dois jogadores amplamente diferentes, sobretudo pela estrutura física que possuem e pela forma como abordam o defesa adversário, acabam por ser iguais no que toca a ajudar as suas equipas a andarem para a frente.

Waisake Naholo é o melhor ponta neozelandês do momento, com uma forma invejável e que dificilmente não verá o seu nome nos 23 convocados para o primeiro jogo frente aos Lions. Contra os Waratahs, Naholo completou 135 metros em 14 carries, com destaque para uma corrida de 60 metros em que simplesmente mete Cameron Clark estendido no chão para depois assistir Lima Sopoaga para o ensaio.

Naholo é um jogador que procura menos interactividade no jogo interior e sobretudo trabalha mais entre o espaço entre o 2º centro, o defesa e o corredor, onde encontra terreno suficiente para criar uma boa situação ofensiva.

Cheslin Kolbe difere em 15 centímetros de altura de Naholo, não tem a “fisicalidade” do ponta neozelandês, mas não é por isso que não deixa de ser uma ameaça total para quem o tenta defender. Frente aos Sharks foi um dos únicos a querer andar para a frente e até foi o único jogador a conseguir mais de 100 metros com a oval na mão, com seis quebras de linha e uma série de pormenores de altíssima qualidade.

Infelizmente não foi suficiente para “salvar” os Stormers de mais uma derrota (apesar da vitória da semana passada, os Stormers estão piores do que o período homólogo em 2016). Os Sharks continuam a amealhar pontos e a preparar a fase final, sem Curwin Bosch (na selecção sub-20 da África do Sul) ou Pat Lambie.

Naholo e Kolbe fazem parte de uma lista de pontas a ter em atenção nas franquias da competição, onde se encaixam ainda Julian Savea, Ruan Combrinck, Courtnall Skosan, James Lowe, Eto Nabuli, entre outros tantos.

A RECTA FINAL: SUPER FINISH PARA QUEM?

Estamos a três jornadas do fechar da fase regular do Super Rugby e ainda há alguns jogos de máxima importância a reter. Começamos pelo Highlanders-Crusaders já na próxima semana (2 de Junho às 08:30) que será decisivo para o objectivo dos visitantes em assegurarem o 1º lugar da competição; os Chiefs vão receber os Waratahs e qualquer passo em falso pode ser nocivo, uma vez que na semana seguinte vão à casa do campeão em título, os Hurricanes (9 de Junho).

Depois paramos durante três semanas para dar espaço aos Internacionais de Verão, com particular interesse da visita dos Lions a terras neozelandesas. Após esta pausa, só temos direito a uma jornada de equipas sul-africanas (atenção que no fim-de-semana de 2 e 3 de Junho só jogam equipas da Nova Zelândia e da Austrália, uma vez que os Springboks começam a preparação mais cedo) onde surgirão os Jaguares e Sunwolves.

E depois seguimos para a última jornada… que vai aquecer com um Hurricanes-Crusaders (um passar de “chama” ou os Hurricanes vão voltar a exercer domínio?) e um Sharks-Lions (a equipa de Ackermann tem de ganhar, para entrar no playoff com o killer instinct no máximo), para além de um Cheetahs-Kings (conseguirão os Kings subir ainda mais na tabela?) ou um Force-Waratahs. Estamos perto do final, não percam a possibilidade de seguir a maior competição de rugby de clubes do Mundo.

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Francisco IsaacAbril 16, 20178min0

Defender foi o princípio da vitória dos Lions, os Chiefs fazem uma reviravolta mirambolante, os Hurricanes “aguentam” a pressão, mais um amarelo a estragar a “noite” aos Jaguares. O que aconteceu na 8ª ronda do Super Rugby em 5 pontos

O PROBLEMA: JAGUARES E O VÍCIO PELO AMARELO

Não está a ser nada produtiva a viagem dos Jaguares por terras sul-africanas já que averbaram nova derrota, agora contra os Bulls de Pretória. Algo surpreendente quando estamos a falar de uma das equipas que pior está a jogar em 2017 e que pouco tem feito para ir no caminho das vitórias… os Jaguares, por outro lado, têm sido uma surpresa com alguns resultados de boa nota, porém o jogo de Sábado deixou muito a desejar.

O ensaio de Travis Ismael, na 1ª parte, foi uma completa atrapalhação de ambas as equipas, mas com o ónus de culpa a cair nos ombros dos argentinos que não mostraram intensidade a defender (um apatia muito estranha), abriram espaço na defesa e nem as placagens do costume se viram.

Quando o resultado estava num “tremido” 10-03 a favor da equipa da casa, Santiago Iglesias, o médio de abertura, vai receber “convite” para sair do campo durante 10 minutos. Uma falta desnecessária (entrada ilegal no ruck e não larga a oval no chão) que acabou por penalizar os visitantes.

Com Iglesias fora os Bulls aproveitaram para subir de 10 para 16 e nem o ensaio que os Jaguares conseguiriam marcar logo aos 49′ permitiu a reviravolta. Os Jaguares voltaram a pecar na disciplina (13 faltas), tendo contribuído directamente para o resultado final.

É o 9º amarelo da equipa da Argentina em apenas 7 jornadas, um recorde no Super Rugby e algo que serve para reflexão. Os cartões têm punido faltas (algumas desnecessárias) por anti-jogo ou excesso de fisicalidade que “estraga” por completo o domínio dos Jaguares.

Nove amarelos em sete jogos é um assunto “sério” e que tem de merecer reflexão, caso contrário os Jaguares irão ter problemas sérios a curto, médio e longo prazo no Super Rugby.

A REVIRAVOLTA: CHIEFS DO ZERO AO 46!

Que primeiros 40 minutos das Cheetahs do Free State, estando a ganhar por 24-00 até aos 28 minutos da primeira parte. Mohojé, Rhule ou Marais estavam a criar dificuldades à formação de Waikato, que nem por Lowe, McKenzie, Cruden conseguiam encontrar um “fio de jogo” para carregar a oval até à área de ensaio.

Estava a ser um dia, no mínimo, complicado… os Chiefs voltariam a cair na África do Sul? Não, de forma alguma… quem tem uma equipa cínica, fria e inteligente como têm os Chiefs tudo é possível.

Em menos de 50 minutos viraram uma desvantagem de 00-24 para 41-27, algo só ao alcance dos campeões (um statement ou previsão?). Lowe e McKenzie foram duas “pulgas” incansáveis, sempre à procura do espaço ou da rotura defensiva que permitisse ir ao ensaio, com Pulu a aproveitar para chegar ao ensaio por duas vezes (o 2º num voo acrobático que quase o atirava para uma lesão).

A capacidade física, a gestão do “pulmão” e a vontade de manter um ritmo de jogo alto por parte dos Chiefs quebrou por completo com a equipa da casa que não teve capacidade de os parar e segurar uma vantagem que até tinha sido bem larga.

Hurricanes, Chiefs e Lions parecem mais “maduros”, mais competentes e cada vez mais “sozinhos” nesta luta pelo Super Rugby. Será o “adeus” perfeito de Aaron Cruden à franquia de Waikato?

A “MURALHA”: LIONS THE ULTIMATE PRIDE

Os campeões fazem-se na defesa… não há dúvidas disso, especialmente numa modalidade como o rugby. Sem uma defesa competente, sem uma equipa de placadores acérrimos e sem um colectivo que queira sacrificar-se em prol do clube, não há vitórias ou títulos.

Os Lions nesta 8ª ronda deram um “espectáculo” no que concerne ao como bem defender, impedindo os Stormers de conseguirem chegar ao ensaio, especialmente, nos últimos 10 minutos da primeira parte.

Com Kriel em beast mode (15 placagens e três turnovers) e Whiteley a liderar a entrega do seu pack avançado, os Emirates Lions crivaram as “garras” nas camisolas dos Stormers, pondo fim às tentativas dos azuis em chegar ao ensaio.

Só mesmo um rasgo de D. Leyds (aos 11′) é que passou pela muralha dos Lions, que sustiveram a sua vitória nesse ponto para depois responder com boas movimentações de equipa, subindo o pace e a velocidade para um ponto que os da casa não conseguiram aguentar.

Uma defesa segura, sem faltas (só 7 penalidades cometidas num jogo intenso e extremamente dinâmico) e que quis “estragar” (dentro das leis do jogo) a estratégia dos Stormers (9 turnovers).

Especial atenção à forma como defenderam junto ao ruck, placando baixo com uma pressão decidida ou quando placavam mais alto, sustinham o adversário no “ar” e tornavam a bola injogável conquistando formações ordenadas a seu favor.

Para além disso, a comunicação de Faf de Klerk (o formação) com as linhas atrasadas, a pressão “armadilhada” e a eficácia na placagem de toda a equipa (são especialmente bons a proteger o canal mais externo) garantem uma defesa inexpugnável.

Os Lions quando se unem são uma equipa inesquecível, apaixonante e inspiradora, com um rugby destemido e carregado de união… a defesa do jogo contra os Stormers disse tudo sobre quem eles são.

O RISCO: QUADE COOPER UM GÉNIO PROBLEMÁTICO

Som do apito, árbitro estica o braço, penalidade conquistada (dentro dos 10 metros defensivos) e Quade Cooper decide atirar um pontapé para o outro lado do campo… encontra Karmichael Hunt que segue para a área de validação, oferecendo os 5 pontos a Perese.

É sublime o que Cooper fez, é um toque de génio, um risco tão desnecessário como especial… é tudo o que representa o médio de abertura da Austrália. É o que o rugby deve procurar, quando há hipótese para tal… o risco, saber arriscar, contornar a monotonia do costume e ir à procura de algo tão louco que “obrigue” os adeptos a irem ver os jogos.

É criticável a solução do nº10, podia ter ido ao alinhamento e assim ganhar metros para jogar umas fases mais seguras. Porém, com Cooper há um “universo” infindável de opções, de ideias, estratégias e loucuras.

Os Reds voltaram a “sorrir”, apesar de terem consentido 34 pontos dos Kings, com um jogo bem dinâmico e “alegre” onde Karmichael Hunt (que bela temporada que o defesa está a fazer) foi uma das principais “personagens” para além de Cooper.

A forma como os Reds arriscaram no lançamento de jogo, esticando-o o máximo possível, sem ter que depender da capacidade física e de penetração de Kerevi, prova que os koalas conseguem melhor do que têm feito até aqui.

O médio de abertura realizou duas assistências para ensaio, converteu 12 pontos e ainda teve em mais duas jogadas que deram ensaio. Era bom que Cooper mantivesse esta bitola, o Super Rugby, a Austrália e os Reds assim o precisam!

O JOGADOR: BARRETT = DOR DE CABEÇA

Mais um fim-de-semana, mais um jogo memorável de Beauden Barrett, o Melhor Jogador do Mundo para a World Rugby. Incrível, inexplicável e imparável, o nº10 dos Hurricanes “destruiu” a defesa dos Blues em vários momentos do jogo.

É um dez absolutamente carismático, com uma pujança e um poder de explosão excepcional, onde o jogo ao pé é um factor decisivo (veja-se que um pontapé para fora, a sacudir a pressão, “andou” mais de 55 metros…) para além da “fome” que tem para o ensaio.

Revejam a primeira ida dos Hurricanes até à área de validação: saída de uma formação ordenada, Barrett recebe a oval  e mete “a 5ª”, seguindo sozinho com a linha de defesa dos Blues em desespero de causa. Um bom apoio de Laumape (temporada incrível do centro, piscando o “olho” aos All Blacks) vai resultar num belo ensaio, onde Barrett conseguiu prender quatro adversários ao seu redor.

Sucederam-se as situações de jogo, os pontapés, as roturas na defesa contrária e, até, um ensaio que foi bem apanhado após um erro de transmissão de bola dos Blues, em que o médio de abertura jogo ao pé (e não é ao calhas) captando a oval e aumentando em mais 5 pontos a sua conta pessoal.

Ter Barrett é colocar uma “enxaqueca” brutal aos adversários dos Hurricanes, onde o ensaio está sempre iminente e a vitória está, quase, garantida.

Os Hurricanes continuam com um jogo muito dinâmico, intenso e exigente… os erros, quando acontecem causam um dano complicado, mas quando conseguem criar e lançar jogo são uma formação “assustadora” pelo perigo iminente que lançam.

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Francisco IsaacAbril 8, 201712min0

Os All Blacks, a maior máquina de ganhar a nível mundial, a selecção mais temida no rugby e mais respeitada em todos os desportos, vai receber a selecção com maior misticismo do Planeta da Oval, os British & Irish Lions. O que sabemos dos neozelandeses e quem são estes Leões que provêm das ilhas da Grã-Bretanha?

O que é aquele desporto de brutamontes chamado Rugby?

Rugby, aquele jogo de selvagens praticado por cavalheiros (desconhecemos de onde proveio a frase), está na sua fase dourada em termos de eventos desportivos, número de jogos e praticantes, assim como de crescimento a nível de adeptos.

Não há dúvida nenhuma que é uma modalidade diferente, altamente física, mas onde a técnica e estratégia são determinantes para o desenrolar do encontro. Desengane-se quem pensa que o rugby é só “brutalidade”, “ir contra o adversário” e “duelos de corpo contra corpo”.

Pelo contrário. O objectivo é conseguir criar, encontrar e atacar o espaço entre os placadores (é o nome dado aos quinze jogadores que estão sem bola e que a querem recuperar), para criar uma situação de ensaio iminente.

Mas avançando nos “manuais básicos e intermédios” do Rugby, vamos “placar” o tema em questão: All Blacks e British & Irish Lions.

Foto: Getty Images

And The World is All Black(s)

Todos sabem quem são os All Blacks, a mítica selecção da Nova Zelândia que enverga um equipamento negro como a noite, que tem aquela dança de guerra (há mais do que um tipo de “dança”, dependendo da ocasião) e que normalmente ganha quase todos os jogos que disputa.

Tricampeões mundiais (duas vezes de forma consecutiva, em 2011 e 2015), só 7 derrotas nos últimos 100 jogos (a última frente à Irlanda, num estádio cheio em Chicago), dominadores no Hemisfério Sul e Norte, os All Blacks tomaram controlo do Planeta da Oval.

É normal ouvir pessoas que nunca viram rugby dizer que sabem quem são os All Blacks e, em especial, Jonah Lomu (falecido em 2015), aquele “monstro” avassalador que tirava um, dois, três, quatro ou cinco adversários do caminho para chegar à linha de ensaio.

Por isso, rugby muitas vezes é igual a All Blacks, pelo ímpeto, intensidade, dinâmica e ritmo que os neozelandeses dão ao jogo. Mas de onde vem este ascendente e como se explica?

Expliquemos (muito resumidamente), recorrendo a cinco palavras-chave: recrutamento, trabalho específico, estrutura interna, competição e regras rígidas.

O recrutamento no rugby neozelandês define-se não só através do potenciamento do produto interno bruto (jogadores nascidos na Nova Zelândia), mas também pela “captura” dos melhores dos melhores jovens (com 12/13 anos) dos territórios da Samoa (o falecido Jerry Collins), Tonga (Malakai Fekitoa, por exemplo) ou Fiji (Waisake Naholo).

Ao fazer isto, a Nova Zelândia aumenta “brutalmente” a sua base de escolha para as várias equipas que possui a nível escolar/universitário, as equipas de regiões (há duas competições dedicadas a esse patamar) e, adicionalmente, os profissionais (que competem no Super Rugby, Liga composta pelas melhores franquias da África do Sul, Austrália, Japão, Argentina e, claro, Nova Zelândia).

Foto: The Guardian

A ideia é engrandecer os All Blacks, levando-os ao máximo possível. É uma cultura assente nesse princípio primário, de que a selecção está em 1.º lugar.

Depois, as outras palavras-chave são traduzidas através do facto do país possuir dos melhores técnicos a nível mundial (a quantidade de clubes e selecções estrangeiras que têm neozelandeses como seleccionadores ou treinadores específicos supera é enorme), das regras rígidas de seleção (para se jogar nos All Blacks tem de se estar a jogar efetivamente na Nova Zelândia, jogadores a praticar a modalidade fora do país não são elegíveis) ou da forte estrutura interna (a federação neozelandesa preocupa-se primeiro consigo e só depois com a World Rugby, federação internacional da modalidade).

A título de exemplo, veja-se a saída de um dos jogadores mais promissores (Steven Luatua). O n.º 8 estava em vias de receber um novo contrato (mais três anos de ligação com a federação da Nova Zelândia) mas optou por seguir para Inglaterra, uma situação que despoletou uma pequena escaramuça e repreensão. Steve Hansen, selecionador da Nova Zelândia, afirmou que era “lamentável a saída de um jogador, principalmente porque” da parte da federação “houve comunicação” e da de Luatua, “não”. Isto implica que Luatua deixe de ser elegível para alinhar pelos All Blacks em qualquer situação.

Para além disso, o equilíbrio financeiro, as boas práticas e as regras “sérias” levam a que até o amadorismo (que existe nas ligas secundárias) seja tão belo ou perfeito de tal forma que, na Nova Zelândia, só respira rugby… ou quase.

Adicionalmente, não esquecer que o rugby é uma modalidade instalada a nível escolar, afirmando-se nas escolas como o Desporto Rei da Nova Zelândia, nem tão pouco o marketing e a venda do produto “All Blacks”, por si só uma super marca a nível mundial (ainda que muitos dos que têm uma camisola, t-shirt ou polo dos All Blacks possam não saber, exatamente, do que se trata).

A soma destes “bens” possibilita que a seleção de rugby neozelandesa seja aquele “monstro” inacreditável, quase inultrapassável e incrível, que o Mundo veio e vem a conhecer desde sempre.

E esta é também a forma de proteger o rugby neozelandês, de não dar espaço a intromissões, propiciando a que os jogadores lutem para ser os melhores, não só na selecção, mas nos treinos, nos clubes e nas franquias.

Por tudo isto, os kiwis (alcunha dos habitantes da Nova Zelândia) são o produto de rugby mais apetecível a nível mundial: todos querem ter um jogador/técnico neozelandês.

Com a loucura geral que os All Blacks geraram desde os anos 90 ((muito além do público fiel ao rugby, tendo Lomu sido, mais uma vez, fundamental para tal), a selecção neozelandesa é, talvez, a par do Brasil (futebol), das equipas mais reconhecidas e com mais adeptos a nível mundial.

A comparação é feita de propósito… O Brasil (mesmo perdendo jogos) é o “Brasil”, um ícone do desporto, uma das marcas que melhor se vende a nível mundial. Há um fascínio pela seleção de terras de Veracruz, é um símbolo do desporto, é a melhor forma de mostrar o futebol em estado puro, com aquele zigue zague e “brincadeira” que só os brasileiros sabem tão bem fazer.

A Nova Zelândia está assente na mesma lógica, noutra modalidade, não só pelo já enumerado, mas também pela sua capacidade de ganhar jogos e títulos.

Prova disso é que estamos em 2017 e a Nova Zelândia é tricampeã mundial e domina a modalidade, até nos prémios a nível individual, onde há 5 anos que tem o melhor jogador/treinador e equipa. No fundo, tem o Mundo do rugby a seus pés… Então, quem se atreve a fazer frente aos All Blacks?

British & Irish Lions, os candidatos a quebrar a hegemonia?

A resposta à pergunta poderá ter três palavras: British & Irish Lions, uma seleção que agrega os melhores jogadores (36, para sermos mais precisos) e técnicos das Ilhas Britânicas (Reino Unido e Irlanda), que se juntam (mais ou menos) a cada quatro anos para uma digressão ao Hemisfério Sul.

Ora, 2017 é ano da equipa composta pelos pelos melhores jogadores do Reino Unido e Irlanda fazer nova tour por terras neozelandesas e o jogo entre ambos os conjuntos poderá ser o maior encontro do século XXI a todos os níveis.

Imagine-se: em junho, teremos os 30 melhores jogadores do Mundo a alinhar dos dois lados, mais uns quantos suplentes de luxo, orientados por treinadores com várias honras de campeão ao peito. (Curiosamente — e daí talvez não… —, o seleccionador dos British&Irish Lions é… neozelandês.)

Foto: Rugby360

Os jogos entre Lions e as seleções do Hemisfério Sul foram, durante muito tempo, o grande momento do rugby mundial, já que o Mundial da modalidade só surgiu em 1987 (vitória da Nova Zelândia) e, portanto, até lá, era nas digressões dos vários países ou super nações que se faziam pequenos “mundiais”.

A primeira tour remonta a 1888 e foi precisamente na Austrália e Nova Zelândia que 21 homens partiram para jogar rugby. Na altura só faltavam as “irmãs” irlandesas para formar o atual composto dos Lions.

Contudo, os British & Irish Lions como hoje conhecemos só foram constituídos oficialmente após a 2.ª Grande Guerra. Até 1950, as federações (ou Unions no rugby) não tinham controlo sobre o selecionado; a partir dessa data, assumiram a direcção da “seleção” das Ilhas, onde já figuravam as Irlandas.

Nos 36 tours que já se realizaram, entre 1888 e 2013, a Nova Zelândia recebeu-os por 11 vezes e jogaram um total de 38 jogos. Quanto ao saldo, é claramente favorável aos kiwis: só por seis vezes os Lions conquistaram vitórias. De resto, 29 derrotas e 3 empates.

É sempre particularmente duro jogar contra os All Blacks em sua casa… Mais duro ainda quando, atualmente, do outro lado se encontram bicampeões mundiais de forma consecutiva, detentores (de forma partilhada) do recorde de vitórias consecutivas (18) e o produto mais apetecido no desporto mundial.

No entanto, 2017 será um ano bom para os Lions seguir em direção a terras kiwis. Os jogadores ingleses estão na sua melhor forma (são bicampeões das Seis Nações e ganharam outra maturação mental), os irlandeses têm uma capacidade física e energética de ponta, a Escócia (deixamos este nome para o tentarem seguir: Stuart Hogg) traz magia e o seu jogo fluído e o País de Gales proporciona um certo charme ao jogo que vai para além da mítica frase “três pontos para o País de Gales!”.

Por isso, os Lions representam o momento de grande união entre federações das Ilhas Britânicas —contrastando, até, um pouco, com a situação política daquela zona da Europa —, onde a rivalidade das Seis Nações se desvanece para dar lugar ao companheirismo, solidariedade e partilha de histórias e ombros.

O passado de ambos vai mais para além do que um simples jogo

O último encontro entre Lions e All Blacks deu-se em 2005, quando a digressão durou um mês, com três jogos frente à Nova Zelândia, mais oito jogos frente a equipas locais.

Desses três jogos, houve um, em particular que foi, no mínimo, “chato” para as hostes dos Lions: Daniel Carter (médio de abertura, nº 10 na camisola e mítico dos All Blacks) marcou 33 dos 48 pontos da vitória dos neozelandeses frente aos britânicos.

Ainda hoje, este é considerado o jogo perfeito de um médio de abertura (o tal n.º 10, máximo responsável por criar jogo e movimentar as linhas de ataque) e, melhor que tudo, aconteceu numa digressão dos Lions.

E chegamos a 2017, 12 anos após o último encontro entre ambas as seleções. O rugby mudou, não muito, mas o suficiente. Está mais “aberto” para a sociedade, o número de espetadores cresceu amplamente (só a final do Mundial de 2015 foi vista por 120 milhões de pessoas), há mais países a apostar efetivamente na modalidade (veja-se a Alemanha ou o Quénia, por exemplo) e a época profissional atrai cada vez mais atletas.

Por isso, o jogo entre Lions e All Blacks será um produto precioso para os desígnios do rugby mundial, já que é o grande momento (não o único, mas o maior) da modalidade em 2017.

Se nunca assistiram à modalidade ou só a conhecem muito superficialmente, marquem nas agendas os dias 24 de Junho, 1 e 8 de Julho e vejam só os jogos (às 7:40 da manhã, hora portuguesa). Não precisam de saber nomes, clubes ou quem é quem, porque é extremamente fácil: os de negro são os All Blacks e os que usam o vermelho são os Lions. Vejam cada finta, cada placagem (a “lealdade” da modalidade não permite placagens acima dos ombros), cada ensaio (quando o jogador consegue tocar a bola dentro de uma área retangular onde estão dois postes) e cada jogada.

Para todos os outros que seguem a modalidade, são apaixonados pela mesma ou, simplesmente, estão no campo do fanatismo positivo, terão a oportunidade de ver George North versus Julian Savea, Beauden Barrett versus Owen Farrell (mesmo que não vá para n.º 10, será o pontapeador), James Haskell versus Sam Cane, Maro Itoje versus Ardie Savea, Stuart Hogg versus Israel Dagg, entre outros tantos duelos que vos farão perder horas de sono mas ganhar anos de plena loucura.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Francisco IsaacAbril 5, 20178min0

Os irmãos Barrett deram o “mote” para a vitória em Queensland, Lions-Sharks foi o grande jogo da ronda e os Stormers continuam a “assustar” a concorrência. Estes e outros pontos na nossa análise do Super Rugby

O LUXO: PERENARA + BARRET’S + SAVEA’S = SHOW

Quem pensava que ia ser um passeio dos campeões em título em Queensland estava totalmente enganado. A equipa dos Reds deu luta, cresceu e obrigou aos Hurricanes suarem durante 80 minutos.

Não fossem as exibições magníficas de TJ Perenara (o melhor formação do Super Rugby de momento), Jordie Barrett (uma assistência e três quebras de linha para além de um pé de ouro), Ardie Savea (100 metros corridos pelo nº8 e uma assistência para ensaio mais 10 placagens e três turnovers) e Beauden Barrett.

O médio de abertura foi o deal breaker nos momentos em que a equipa de Wellington sentiu-se mais “ameaçada”, conseguindo encontrar espaço para fugir ou para passar.

O primeiro ensaio do jogo, por Julian Savea, foi graças a uma movimentação de Barrett que deixou a defesa australiana “presa”, sem saber pelo que optar: ir ao 10 ou esticar a linha de defesa?

Barrett quando consegue estar a escassos centímetros da passar a linha de vantagem é uma total ameaça para quem defende…mínima “frecha” e ele vai encontrá-la para “fugir” para o ensaio.

Foi assim que aconteceu no último ensaio do encontro, quando Barrett recebe a bola perante uma defesa que meteu uma pressão a dois tempos, concedendo demasiado espaço.

O 10 simulou o passe, meteu o pé para dentro e acelerou até à linha de ensaio… não havia forma de pará-lo para o desespero dos Reds.

Quando uma equipa tem Perenara, os Savea e os Barrett, para além de outros nomes, o luxo pode dar direito a vitórias… mas voltará a dar títulos em 2017?

O CLÁSSICO: ENTRE MANDÍBULAS DE LEÕES E TUBARÕES

Jogo inacreditável em Joanesburgo entre Lions e Sharks… incrível o ambiente, com 58 mil espectadores a assistir a um dos clássicos da África do Sul.

Se o ambiente foi arrebatador o que dizer do jogo em si? Teve de tudo desde ensaios de alto gabarito (o último, por Kriel por exemplo), placagens de estalar ombros (Du Preez e Mostert foram os monstros da defesa), drops de 50 metros (Curwin Bosch começa a “assustar” com tanto rugby nas pernas), quebras de linha, dribles, offloads… bem de tudo.

Foi um jogo imenso, um tipo de encontro que faz falta ao rugby sul-africano já que promove toda uma imagem diferente daquele rugby maçador, sem velocidade ou dinâmicas nas linhas atrasadas.

Com jogadores como Skosan, Van Wy, Mvovo, Andries Coetzee (começa a surpreender o defesa dos Lions), o jogo só podia ser jogado em alta velocidade, sem nunca parar.

Se tiverem tempo seria o jogo (a par dos Reds-Hurricanes) que convidaríamos a ver pela qualidade que se reflectiu nos 80 minutos.

Notem que aos 75′ o encontro estava empatado num 29-29, com um barulho frenético, uma loucura incontrolável e as duas equipas em busca da vitória… no final sorriu aos vice-campeões em título, os Lions.

O rugby só tem a ganhar com este tipo de jogo, com este tipo de abertura e de vontade de jogar… a equipa jovem dos Sharks e a dos Lions podem ser os grandes catalisadores dos Springboks no futuro… é só dar espaço e tempo para que assim o seja.

Tomem gosto do 1º ensaio do jogo, aos 7’… reparem na velocidade de jogo, na forma como o nº9 dos Sharks, Jacobus Reinach, põe a equipa toda a mexer com o seu ritmo alto de jogo, com um 1ª linha a correr quase 20 metros com a oval na mão.

O PEDIDO: IS IT TIME TO GIVE THE 15 TO MCKENZIE?

Respondendo à pergunta que está no título, na nossa opinião…ainda não é o momento, muito pelo facto de Ben Smith ainda estar a 100% nos All Blacks por exemplo.

Mas que McKenzie é um jogador surpreendente, que reúne tudo aquilo que uma equipa precisa para ganhar, sim isso sim.

Neste momento, o 15 dos Chiefs soma quase 500 metros com a oval nas mãos, com 10 quebras de linha e 16 defesas batidos.

Não tem stats tão altos como em 2016, o que não significa nada… os números muitas vezes não nos contam metade de uma “história” que merece ser lida alto a todos.

Veja-se o impacto que McKenzie teve no jogo frente aos Bulls, onde a vitória por 28-12 foi conquistada depois de muito batalhar.

O 1º ensaio é só de Stevenson, com uma leitura brilhante do ponta, aproveitando uma subida do ponta e um centro dos Bulls para meter uma finta de passe e um pontapé curto para chegar ao ensaio.

O ensaio de McKenzie foi uma jogada incrível de Kerr-Barlow (que pontapé mágico) com o electrizante defesa a vir a correr e a apanhar a bola do chão (dificuldade máxima) para meter a oval entre os postes.

McKenzie fez uma exibição que deu bastante trabalho aos Bulls de defender, com uma série de quebras de linha, defesas “plantados” no chão (6 batidos) e uma mão cheia de pormenores que fazem dele o grande diamante da Nova Zelândia do momento.

Não esquecer outro destaque do jogo, o 150º jogo de Liam Messam pelos Chiefs, um momento sempre de celebração!

A CELEBRAÇÃO: HAPPY 100th GAME AARON SMITH

Aaron Smith, o mestre da camisola nº9 dos All Blacks e Highlanders celebrou o seu centésimo jogo no Super Rugby com uma vitória frente aos Rebels.

Num ano que está a ser particularmente difícil, já que a equipa conta com 10 lesões (8 deles titulares), Aaron Smith vai ressurgindo como o líder da formação de Dunedin.

No encontro frente aos Rebels, Smith foi importante logo no 1º ensaio, onde a forma como “grita” com os avançados, pedindo mais um “go, go” permitiu conquistarem a formação ordenada, levando o 9 a jogar directamente para o nº10.

Smith deu sempre um ritmo alto jogo, obrigou aos avançados quererem ter a bola nas mãos, de procurarem o espaço e de a devolverem em condições para fazer jogo outra vez.

Com 90 passes em 80 minutos, Smith é uma das “pilhas duracell” da formação dos Highlanders, que estão a tentar recuperar o tempo (e as derrotas) perdido na competição.

Com Aaron Smith tudo fica mais acessível, é um 9 que sabe ler o jogo, encontrar os pontos críticos dos adversários e explorá-los com exactidão, para além de perceber como “respira” a formação ordenada da sua equipa.

Numa vitória por 51-12, os 100 jogos de Smith valem uma “soma” incalculável para a formação de Dunedin.

Happy 100th game Aaron Smith!

O BANCO: IOANE’S TO THE RESCUE

Estava particularmente difícil pôr fim aos Force, não estava Tana Umaga? Os Blues continuam a não estar no seu melhor e nem uma nova vitória pode disfarçar esse ponto.

Os Force, de Perth, chegaram a estar à frente do resultado por 08-00 durante 29 minutos, o que é um claro sinal que existe alguma inconsistência da parte dos homens de Auckland.

Mas, quando se tem um banco espectacular tudo pode mudar de figura… Akira Ioane, o nº8 que estava no banco, saltou de lá aos 26′ e quatro minutos depois fez o 1º ensaio dos Blues, após uma boa saída de um maul.

Akira entrou para fazer uma exibição monumental, já que percorreu 80 metros, foi responsável por três quebras de linha e colocou uma pressão soberba sobre a linha ofensiva dos Force, que tiveram dificuldades em passar pela defesa dos Blues.

Quando os Force voltaram a aplicar pressão e estavam perto de criar problemas à equipa da casa, lá veio outro jogador, saído do banco, para dar a volta à questão: Rieko Ioane.

Recordam-se do jovem de 19 anos que marcou um hattrick na estreia? Bem, dele nasceu o ensaio da “acalmia” com uma corrida a partir dos 22. É perfeito o movimento de Ioane que explora o espaço entre dois defesas, obrigando-os a quase juntarem-se.

Depois veio um offload (a defesa podia ter placado o centro), com Collins e Nanai a explorarem o espaço para o último transmitir a oval para Ioane e este a seguir para a área de validação.

E só para ser a “cereja em cima do bolo” foi outro jogador saído do banco a construir o 4º e último ensaio dos Blues: Ihaia West. O abertura recebeu a bola em movimento, alargou a passada e aproveitou uma desatenção para fura a defesa…depois foi só passar a Collins e ver a sua equipa a festejar.

Os Blues não estão a jogar bem e há várias lacunas no seu jogo, tudo verdade… mas quando um banco destes opera com excelência tudo é possível. Há possibilidade de Tana Umaga conquistar um lugar no playoff 2017?

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Francisco IsaacMarço 28, 20178min0

Fim-se-semana sem tempestades dos Hurricanes ou a eficácia dos Chiefs, ficámos entregues a uns excelentes clássicos na África do Sul, a um frenético Brumbies-Highlanders e à recuperação fenomenal dos Stormers em terras nipónicas. 5 pontos da 5ª ronda do Super Rugby 2017

O PORMENOR: MAUL DE VÁRIAS FORMAS E FEITIOS

Quem não gosta de um bom maul? Bem as equipas que sofrem ensaios através desta fase dinâmica não devem apreciar, mas de resto o maul é um ponto de jogo, chave  para várias franquias do Super Rugby.

Os Jaguares arrancaram um cartão amarelo após mais um bom maul (tem sido uma constante durante 2017), iniciando o seu caminho para a vitória.

Cheetahs também sabem fazer um excelente contra-maul, como aconteceu no jogo com os Sharks aos 23 minutos, demonstrando que a “lição bem estudada” pode surtir “frutos”.

Aqui o “truque” foi atacar imediatamente não só o eixo da bola, mas tirar o pilar que fazia de lifter do sítio empurrando-os para fora. O formação não teve tempo para colocar a bola nas suas mãos e a descoordenação resulta num avant.

No mesmo jogo os Sharks responderam bem na 2ª parte, com um maul bem construído onde o 1º saltador sai do alinhamento no momento em que a bola está para ser introduzida, saltando o 2º saltador que ao cair no chão entrega a bola de volta e dali é criado um pod altamente móvel que resulta em ensaio.

Os Lions conquistaram 10 pontos através do maul (atenção para as equipas sul-africanas que estão a voltar a “engrandecer” o seu jogo de avançados) sem grandes “pressas” ou correrias, com um esquema bem montado.

Os mauls podem ser de várias formas e feitios, formados em fila ou em modo pack, podem ser rápidos e trucidantes ou lentos mas altamente dinâmicos.

Quando bem usados significam pontos e um crescimento avassalador de uma avançada sobre a outra e, no decorrer de 2017, serão fundamentais para os jogos mais “résvés”.

O vídeo em baixo demonstra a importância que Ackerman (treinador dos Lions) dá ao Maul

O CLÁSSICO: O ÚLTIMO SHARKS-CHEETAHS?

Sharks versus Cheetahs, um jogo sempre de alto interesse com duas equipas que nunca ganharam o Super Rugby (desde o seu início até aos dias de hoje) mas que apresentam sempre uma série de jovens de alto calibre.

O jogo desta semana entre ambas as formações foi emotivo, acelerado e com excelentes pormenores de ambas as equipas.

Tivemos um clash entre dois asas que lutam por um lugar nos Springboks: Mohojé e du Preez. Vantagem para o 2º que terminou o encontro com 14 placagens, ajudou a construir um dos ensaios e não fez qualquer falta, enquanto que Mohojé recebeu um amarelo e, pior, falhou 4 das 11 placagens que realizou (para além de 4 penalidades).

Houve um desafio de pontas com Jacobus Van Wyk, dos Tubarões, a ganhar a frente de corrida com 2 ensaios e 150 metros conquistados, com Raymond Rhule logo atrás com 120 metros 1 ensaio e uma assistência.

Foi um jogo “cheio”, com 68 pontos marcados no total (vitória dos visitantes de Durban por 38-30) e um encontro digno de ser apelidado de Clássico.

Mas até quando, uma vez que as Cheetahs podem ser uma das franquias que vão ficar “sem cabeça” quando a Guilhotina da SANZAAR chegar em finais de 2017.

Valeu a pena pelo jogo que foi, com muita emoção, com ensaios (7 no total), bons detalhes ofensivos, grandes placagens e toda uma intensidade que sentíamos falta nas equipas da África do Sul.

O IRMÃO: O BARRETT QUE QUASE TODOS SE ESQUECEM

É normal que numa família de quatro irmãos que o The One in the Middle fique sempre esquecido por toda a gente. Neste caso falamos de Scott Barrett.

O 2ª linha jogou a asa no jogo dos Crusaders frente aos australianos da Force e foi um “regalo” ao vê-lo jogar nessa posição.

É normal que Beuaden e Jordie (Kane esteve nos Blues mas agora só está a jogar a nível das regiões neozelandesas) recebam todos os “louros” porque jogam nas linhas atrasadas, fazem malabarismos e criam ensaios do nada… mas Scott merece atenção.

Com estreia nos All Blacks (marcou um ensaio frente à Irlanda na fatídica derrota em Chicago) em 2016, é agora em 2017 que tem de lutar por um lugar na mítica selecção.

Barrett contra os Force conseguiu um ensaio (agradecer aos seus colegas por se terem “amarrado” a ele e o empurrado lá para dentro) e foi preponderante nos alinhamentos e nas movimentações no maul (outra equipa que tirou o partido desse aspecto).

Com 15 placagens confirmadas (foi o jogador que placou mais nos Crusaders) e 0 penalidades (é um atleta, sai rapidamente do chão e volta a disponibilizar-se), Barrett foi uma peça importante para Scott Robertson no planeamento e execução do plano de jogo.

Pode não ser um médio de abertura, pode não ser um criativo, pode não marcar muitos ensaios, mas é um atleta dedicado aos seus colegas, um trabalhador nato, um avançado multifacetado e um defesa de qualidade.

Se continuar neste nível poderá ser uma das escolhas de Steve Hansen para os jogos frente aos British&Irish Lions em Junho de 2017.

O CAPITÃO: CREEVY… LAS GANAS DE JUGAR

Agustín Creevy, talonador, capitão dos Jaguares e da selecção da Argentina… uma lenda do rugby sul-americano e um símbolo de um “guerreiro” na forma de jogador.

Creevy é a força que move os Jaguares, sente o rugby como poucos, coloca o seu corpo em risco para que a sua equipa consiga atingir os objectivos.

O ano de 2016, o de estreia da franquia sul-americana, foi difícil com várias derrotas e, por vezes, resultados pesados. Mas Creevy esteve sempre lá para dar o corpo e espírito pela equipa.

Agora, em 2017, tudo parece estar a correr bem aos Jaguares que já sonham com um playoff para a fase seguinte, com uma nova vitória frente aos Reds de Queensland.

Creevy apareceu nos top-3 de vários sectores de jogo: 2º melhor placador (com 10), 3º jogador com mais entradas (8), 1º com mais offloads (5), entre outros.

A importância de ter um capitão bem formatado e que sabe puxar pela sua equipa, mantendo-a unida mesmo em momentos de grande “sofrimento”, como à passagem dos 62′ altura em que os Jaguares ficaram a jogar com 14 durante 10 minutos.

O capitão segurou a equipa, motivou-os para manterem a exibição equilibrada e acabou por receber o prémio de nova vitória na fase regular do Super Rugby.

Creevy é “chato”, “irritante”, um “estigma” para as equipas que não gostam de lutar contra avançados dinâmicos e inquietos, que apoiam sempre a equipa e que querem aparecer no jogo.

É o típico jogador argentino que faz jus ao estilo e forma de viver que os Pumas vincaram sempre bem no seu jogo. É o ano de Creevy.

O ERRO: QUANDO A “LÍNGUA” NÃO É A MESMA…

Só vendo ouvindo é que uma pessoa pode ficar de “boca aberta” para a tamanha da asneira que saiu do excelente jogo entre Sunwolves-Stormers.

Uma anulação a um ensaio “limpo” partiu de uma má comunicação entre o juiz de jogo, Frederico Anselmi (já tinha estado menos bem no Force-Reds ) e o TMO, que era japonês.

A jogada (que podem ver no vídeo disponibilizado) é perfeitamente legal após a repetição. Anselmi para ter a certeza que o jogador que capta a bola e marca estava em linha, pede auxílio ao TMO para confirmar ou anular.

O vídeo-árbitro que tem algum problema com a língua inglesa, diz (se escutarem com bastante atenção) “no offside…award try“. Anselmi percebeu o contrário, não ouviu o que o seu colega estava a dizer até ao fim e anulou a jogada.

Este tipo de incidentes pode acarretar consequências de jogo para uma das equipas, uma vez que o único responsável é o juiz de jogo… uma das equipas foi prejudicada por um erro (humano sim, mas de gravidade alta) e Anselmi tem de se aperceber disso.

Não só isso, como também a SANZAAR precisa de encontrar um ponto de convergência melhor em termos de línguas… o inglês, por mais incrível que pareça, falhou entre um árbitro argentino (que fala inglês) e o vídeo-árbitro nipónico (que não domina a língua).

Casos existirão sempre no rugby ou qualquer modalidade, faz parte… o árbitro é de carne e osso, tem espaço para uma margem de erro (reduzida, mas tem).

Só que é necessário que estes erros sejam evitados porque põe em causa a qualidade da equipa de arbitragem, seja por falta de calma, de reflexão ou de entendimento.

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Francisco IsaacMarço 6, 201712min1

Force prometeu na 1ª ronda e cumpriu na 2ª, Hurricanes continuam a “tempestar” os seus adversários, os Crusaders dão a volta ao jogo em 25 minutos, Sharks com last minute try e muito mais na 2ª jornada do Super Rugby

O UNDERDOG: FORCE RESURRECTED!

Uma vitória em casa ao fim de 668 dias… ao fim de quase três edições de Super Rugby, a equipa de Perth conseguiu reaver a “dignidade” e “glória” de ganhar em casa. Foi frente aos Reds de Quade Cooper, Samu Kerevi, George Smith e Stephen Moore.

Já na semanada passada a equipa da Western Force tinha complicado a “noite” aos Waratahs (a suposta melhor equipa australiano do Super Rugby), tendo obtido um ponto de bónus defensivo que serviu de aviso.

O underdog voltou a dominar nas formações ordenadas, conquistando duas directamente e mais três em formato de penalidade. Para além disso, “espoliou” cinco penalidades dos dez que os Koalas dispuseram.

A partir daqui, foram indo aos “poucos” para cima dos Reds, operando bem no jogo curto, fechado e concentrado, uma vez que a maioria das bolas “compridas” eram perdidas no “ar” ou no contacto (8 turnovers dos Reds, 6 deles realizados pelos 3/4’s).

Contudo, talvez o melhor ensaio da ronda foi “montado” pela Force, com Chance Peni a “cavar” em alta velocidade logo no primeiro minuto de jogo. Vale a pena rever a boa comunicação, os passes e a linha de corrida das linhas atrasadas da equipa de Perth.

A Force demonstrou que num ano (ou dois) podem ser um “saco de pancada” de 95% das outras equipas para depois darem a volta por cima e deixarem os seus adversários preocupados em ter que jogar com uma equipa excelente na formação ordenada e “aguerrida” no contacto.

O Super Rugbby é feito de underdogs e a Force bem que pode ser uma delas.

OS SKILLS: CHIEFS SCHOOL OF HANDLING AND SHOW

2ª jornada e os Chiefs já provaram que estão cá para ganhar o Super Rugby 2017, desta feita não com uma exibição cínica, mas sim com uma carregada de jogadas estonteantes, passes delirantes e ensaios de categoria máxima.

Com o supra assistente Aaron Cruden (três assistências para ensaio) a criar ensaios e o flash Damian McKenzie a conquistar metros, metros e metros (115 no total em 15 tentativas), a equipa dos Chiefs facilmente dispôs da dos Blues com seis ensaios contra três.

Facilmente é visível o quão bom foi o jogo da equipa de Waikato/Hamilton quando ao fim de 40 minutos tinham 300 metros somados, para só 140 dos Blues o que se traduziu em 10 quebras de linha para apenas uma dos Blues.

Ou seja, sempre que os Chiefs conquistavam a bola, facilmente “corriam” com ela, mantinham domínio sobre a posse de bola (sempre que perdiam recuperavam-na rapidamente na formação ordenada ou no contacto), o que se traduziu em pontos (22 mais precisamente).

A expulsão de Luatua (placagem sem bola, alta e fora de tempo) valeu 40 minutos a jogar contra 14 o que facilitou, ainda mais, a missão desta equipa de fantasistas.

No final dos 80′ registou-se um 41-26 (boa reacção final dos Blues, onde Kaino, Ranger, Tupou, Faumuina e Tu’ungafasi merecem destaque pelo excelente trabalho que trouxeram a partir do banco de suplentes), altamente merecido para uma equipa que dá uma importância central aos skills, técnica de passe e linhas de corrida.

Se McKenzie voltou a espalhar algum do terror que o notabilizou em 2016, já Kerr-Barlow foi um formação irritante e que não deu paz aos seus avançados, assim como James Lowe (já vai em três ensaios em dois jogos) no momento de passar o placador e seguir imparável até à finish line.

Vejam só este pormenor de Atunaisa Moli, pilar dos Chiefs, como demonstração da importância dada aos skills por Dave Rennie

A RECUPERAÇÃO: A REAL CRUSADER(S) BELIEVES UNTIL THE END

Uma pergunta para o leitor: a perder por 25-06 a 25 minutos do final do jogo, no estádio do adversário, acreditavam na reviravolta no resultado? Esta questão é lançada de modo a criar alguma dúvida, com a “dica” que no rugby tudo é possível.

Tanto que é que os Crusaders a jogar em Dunedin, cidade dos Highlanders, conseguiram sair com a vitória apesar de se terem visto a perder por 25-06 aos 55 minutos de jogo.

Até lá, tinha sido um festim da equipa dos Smith&Smith que “esventraram” a defesa dos maiores campeões de sempre, com três ensaios (dois do super Naholo, uma boa aposta para a fantasy), pondo os cruzados a “saborear” uma possível derrota logo na 2ª ronda.

Com Israel Dagg algo “longe” das grandes incidências e Mo’unga sem a capacidade de fazer a equipa mexer, os Crusaders viam-se num aperto… como recuperar de 21 pontos (isto para o empate)?

Primeiro começaram a recuperar nos avançados que fizeram “mossa” na formação ordenada dos Highlanders aos 55′. Uma queda “dupla” levou a que o juiz da partida, Paul Williams, decidisse pelo ensaio de penalidade.

Com um 27-13 o jogo entrou numa “toada” louca, algo que prejudicou os Highlanders, uma vez que a gestão da bola não existiu… os da casa queriam o ensaio da “matança” e os Crusaders queriam o ensaio do relançamento.

Já que os Highlanders “prejudicaram-se” por não terem tido mais paciência, os Crusaders aproveitaram para crescer, crescer e crescer… de tal ponto, que encostaram nos últimos dez minutos, a equipa da casa nos seus 22 metros.

Havili conseguiu abrir nova “brecha” na defesa dos Highlanders, subindo a parada… 25-18.

Depois veio a pior mensagem que se pode ter quando estamos a defender com “unhas e dentes”, dentro dos nossos últimos metros defensivos e com o relógio a andar mais devegar… uma expulsão.

Fekiota entra mal numa placagem, subindo ligeiramente acima dos ombros e recebe um cartão amarelo “letal”, para si e para a sua equipa. Os Crusaders tinham tudo alinhado para conseguirem a reviravolta.

A jogar com 14, a equipa de Ben Smith e Aaron Smith, não conseguiu aguentar com os ataques “vorazes” dos Crusaders, que apostaram em sequências rápidas juntos ao ruck, com o nº9 a servir mais de incitador de saídas rápidas do que fazer jogar.

Com o desgaste em terem que ter atenção, simultaneamente, às saídas junto ao ruck e à pressão das linhas atrasadas, os Highlanders consentiram espaço suficiente.

Mitchell Drummond (entrou no decorrer da 2ª parte) abriu ao largo, dando a Seta Tamanivalu (um excelente reforço) espaço e tempo para que não só assistisse para um ensaio aos 75′ mas que ele próprio fosse à área de validação para confirmar o 30-27 aos 78′.

Um comeback, uma reviravolta, uma cambalhota, como queiram chamar a esta “situação” de alto nível. Já tínhamos dito que os Crusaders tinham pretensões a fazer algo mais esta temporada e vitórias destas podem motivar a equipa a ir nesse sentido.

Um colectivo que se juntou, percebeu onde estavam os problemas e que em 25 minutos conseguissem marcar 24 pontos… quase um ponto por minuto.

A REVELAÇAO: VINCE ASO NO OLHO DO FURACÃO

Todos os anos, os espectadores, analistas, comentadores, “lunáticos” e restantes procuram a “novidade” em termos de jogador que possam seguir e torná-lo quase num ídolo.

O ano passado foi Faf de Klerk, Ardie Savea, Rieko Ioane (a espaços), Samu Kerevi, entre uns poucos mais.

Agora em 2017 já há uma novo “vício” de jogador a seguir: Vince Aso. O ponta/centro dos Hurricanes tem estado numa forma letal com quatro ensaios em dois jogos.

Não só isto, mas também o facto de já ter percorrido 278 metros em 160 minutos, estando à frente de Julian Savea (colega de equipa), Waisake Naholo, James Lowe, Santiago Cordero, entre outros tantos, em quase todos os parâmetros.

Com 22 anos, Aso está em busca de ser uma das soluções para o lugar de 11/14 dos All Blacks, o que não será fácil. Porém, em duas jornadas pudemos vislumbrar alguns pormenores que fazem de Aso um try killer.

pace (ritmo) é invulgar, uma vez que consegue transitar de uma velocidade média para alta em menos de 1 segundo, pondo em prática uma “dança” eficaz que tira a oportunidade de placagem aos seus adversários em situações de 2×1, 3×2 ou 1×1.

O trabalho de handling, a consciência de ter mais colegas em seu redor e a leitura de como a defesa se presta a “bloquear” os ataques são algumas das qualidades que “brilham” no ponta da equipa da Wellington.

Duas jornadas, quatro ensaios, quase 300 metros, nove quebras de linha provam que este ano será de Aso, primo de Rieko e Akira Ioane… uma geração de novos All Blacks prepara-se para tomar controlo do Super Rugby.

A “MURALHA”: SHARKS COM DENTES DE FERRO

Os Sharks de Durban continuaram a sua ronda de “visitas” pelo Hemisfério Sul, com a segunda a ser em Canberra frente aos Cavalos Selvagens dos Brumbies.

Um jogo “apertado” para ambas as formações, já que nesta fase da competição é necessário captar bons resultados para “animar” as hostes e seguir em força na competição.

Os Sharks tinham caído perante a formação dos Reds, em Queensland, por 26-28 ficando com uma “espinha na garganta”… um ponto de bónus defensivo não trouxe “felicidade” e nesta semana era necessário garantir os 4 pontos.

Os Brumbies estão num momento supra delicado, já que a ausência de David Pocock começa a fazer mossa em termos de liderança, comando e apoio nos momentos mais complicados.

Por isso, seria uma autêntica batalha frenética pela vitória em Canberra, onde os Sharks tinham uma “ás” que faria a diferença no final dos 80 minutos.

Essa “cartada” foi a defesa “agressiva”, que soube encontrar os pontos de convergência certos, aplicando uma pressão que os Brumbies tiveram dificuldades em transpor e compreender como passar a cortina de “dentes” dos Sharks.

Vale a pena destacar dois pormenores: a placagem e a pressão colectiva.

placagem “fechada”, em que o placador e o seu apoio “estudavam” o atacante para perceberem se a oval podia ser “pilhada” (Lukhanyo Am foi um mestre neste pormenor).

A partir deste ponto conseguiram chegar aos postes por duas vezes (Pat Lambie converteu com excelência), o que prova a necessidade de não só placar bem, mas também de analisar qual a postura e estratégia na placagem.

Já na pressão defensiva, mérito para o trabalho excepcional que os Sharks fizeram ante um ataque australiano que tinha Godwin, Kuridrani, Toua ou Speight (todos Wallabies).

Não basta subir a defesa numa pressão baixa/média/alta, é fundamental estudar os timings e dinâmicas do ataque adversário, saber quando e como aplicar a pressão e tirar capacidade de penetração e mobilidade ao ataque.

Os Sharks fizeram isto com qualidade, apostando numa defesa “falsa” lenta, que num primeiro momento deixava o ataque dos Brumbies receber a oval para depois fecharem numa defesa pressionante.

Os Brumbies consentiram 10 erros forçados, 7 dos quais devido à tal pressão que os obrigou a tentar jogar rápido ou assumirem riscos “delicados” no ataque.

Os Sharks terminaram o encontro com 150 placagens, apenas 15 falhadas, assumindo Du Preez o placador da noite (18), com Am a ser não só o “ladrão” de bolas mas também o homem do momento, quando marcou aquele ensaio no final do encontro.

Um ataque de qualidade dá vitórias, mas uma defesa aguerrida dá títulos… os Sharks estão em ano de “reforma” e de consolidação de equipa, mas um dos pontos nevralgicos está encontrado: a defesa de apoio, leitura e pressão inteligente.

O ensaio aos 80′ da vitória

DICAS PARA A FANTASY

Para quem “apostou” em ser treinador de bancada da Fantasy do Super Rugby da Fox Sports (a liga Fair Play já atingiu os 40 participantes), deixamos algumas “dicas” para apostarem:

  • James Lowe (Chiefs – 48 pts) voltamos a frisar o nome do ponta dos Chiefs. Mais um jogo, mais um ensaio, mais 80 metros e mais quatro quebras de linha;
  • Vince Aso (Hurricanes – 48 pts) pelos pontos mencionados no texto;
  • Josh Mann-Rea (Brumbies – 74 pts) o talonador dos Brumbies será sempre um jogador com boas pontuações, pelo facto de ser titular, importante na formação ordenada e um dos jogadores que melhor conduz os alinhamentos;
  • SP Marais (Stormers – 84 pts) o nº15 dos Stormers vai ser um dos elementos importantes da formação sul-africana, já que pelos seus pés e mãos passam ensaios, assistências e movimentações dignas de registo. A posição que ocupa nas jogadas das linhas atrasadas dos Stormers iram precipitar a sua actuação para mais de 60/70 metros de corrida por jogo;
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Francisco IsaacFevereiro 21, 201746min0

Esqueçam o Superbowl, a Liga dos Campeões, o Mundial de Andebol ou, e até, as Seis Nações… a maior competição desportiva chega agora em Fevereiro: Super Rugby 2017! O Fair Play faz a sua antevisão com seis convidados especiais

No meio do Inverno europeu e do “acordar” da Primavera/Verão do Hemisfério Sul, sai da “toca” a grande prova mundial de rugby… o Super Rugby.

É verdade que temos as Seis Nações, a Premiership, o Rugby Championship e, até, o Tour dos British&Irish Lions, mas o Super Rugby é aquela competição tão especial e única que nos obriga a acordar mais cedo só para “aprendermos” algo novo.

É uma competição que reúne as 18 melhores franquias (já passamos a explicar rapidamente do que se trata) do Hemisfério Sul, que se gladiam por um título que todos querem ganhar, mas só um vai lá chegar.

Em 2016 foram os Hurricanes do incrível Beauden Barrett (melhor jogador do ano para a World Rugby) que levaram o troféu no meio de uma “tempestade” que nem os mais valorosos Lions conseguiram lá chegar.

Mas muito muda em 8 meses, há profundas alterações nas squads, saídas surpreendentes e chegadas ainda mais desconcertantes. O Fair Play faz uma (breve) análise a cada uma das franquias que vão participar nesta edição de 2017, num ano de grande impacto para o rugby mundial.

As rondas todas podem consultar aqui assim como os seus horários: Super Rugby

Terão a oportunidade de ler as opiniões de alguns jogadores/técnicos do rugby nacional que partilharam os seus “conhecimentos”: Diogo Stilwell (asa do RC Santarém), Pedro Leal (top-10 de recorde de pontos no Circuito de Sevens Mundial e mundialista em 2007), Lino Rebolo (preparador físico da AIS Agronomia), Gonçalo Prazeres (atleta da AIS Agronomia e da selecção Sub-20), Diogo Cabral (atleta do CF “Os Belenenses” e capitão da selecção sub-18) e Pedro Jaleco (atleta da Selecção de sub-18 e do RC Montemor).

(NOVA ZELÂNDIA)

O CAMPEÃO: HURRICANES

Palmarés: 1x Campeões do Super Rugby (2016)
Local: Wellington, Nova Zelândia
Estádio: Westpac Stadium (34,500)
MVP: Beauden Barrett (Abertura e Melhor Jogador do Mundo em 2017)
Em Ascensão: Victor Fifita (2ª linha)
Posição Final em 2016: 1º Lugar (Campeões)

Os Hurricanes ou ‘Canes são o principal candidato ao título em 2017, uma vez que possuem um plantel altamente dinâmico que voltará a fazer “danos” profundos aos seus adversários.

Com um estilo de jogo muito directo, onde a própria avançada lança-se em linhas de corridas de ponta e gostam de participar nas acções rápidas e elaboradas das linhas atrasadas. Barrett, a médio de abertura, traz velocidade, “malabarismo”, ritmo e genialidade, o que só vai provocar ensaios atrás de ensaios para os neozelandeses de Wellington.

Todavia, para os mais entusiastas dos Hurricanes, há problemas preocupantes para a estabilidade de jogo dos campeões em título, que passam pelas saídas de alguns jogadores nucleares: Jason Woodward (Bristol), James Marshall (London Irish), Willis Halaholo (Cardiff Blues), Jamison Gibson-Park (Leinster) e, mais importante, Victor Vito (La Rochelle). A saída do nº8 vai levantar alguns questões no funcionamento da 3ª linha, ou seja, na saída de bola nas formações ordenadas, na execução rápida de rucks e no apoio ao ataque (Vito era exímio a aparecer para o offload).

Por isso, quem assumirá a posição de nº8? Blade Thompson ou Toa Halafihi. Thompson tem mais experiência que Halafihi (para além de possuir 1,98 de altura), porém o jovem jogador que provem de Taranaki (equipa regional de Barrett ou Naholo por exemplo) fez uma extraordinária Mitre 10 (competição regional neozelandesa) e ganhou de tal forma destaque que foi promovido aos Hurricanes.

Nehe Skudder is back! (Foto: Sanzar)

Mediante isto e com algumas dúvidas, apontamos os Hurricanes como finalistas da competição em 2017… se vão ser campeões? Isso dependerá da força anímica e da facilidade em aplicar o seu esquema de jogo com 4 alterações no XV.

Diogo Stilwell, um dos nossos convidados exprimiu o porquê dos Hurricanes serem a sua equipa favorita,

“São o exemplo prefeito do melhor que o rugby do hemisfério sul tem. Sempre foram a minha equipa favorita, mesmo antes de serem campeões. Não sei explicar porquê. Estas coisas do coração não se explicam. Qualidade que sobressai é o Attacking flair.”

Diogo Cabral, centro do CF “Os Belenenses” Rugby e capitão da selecção sub-18 também é um fã convicto dos Hurricanes,

“Quero voltar a reforçar o meu gosto pela equipa dos Hurricanes e pelos seus jogadores. É bom ver um rugby em que a continuidade e velocidade imposta é elevada, por isso acho que a competição em questão é adequada para quem gosta de offloads e intensidade. Vejam nos Hurricanes jogadores como Dane Coles na primeira linha, que é um dos meus jogadores preferidos até a Milner-Skudder, os irmãos Savea e os irmãos Barrett (evidenciando o Beauden, considerado o melhor jogador do mundo em 2016)”.

Com o regresso de Nehe Milner-Skudder (praticamente 9 meses de fora por lesão), o génio de Beauden Barrett, a entrega física de Fifita ou o talonador-ponta-centro Dane Coles, os Hurricanes estão prontos para “levar tudo na tempestade”.

O COLECTIVO: HIGHLANDERS

Palmarés: 1x Campeões do Super Rugby (2015)
Local: Dunedin, Nova Zelândia
Estádio: Forsyth Barr Stadium (30,70)
MVP: Ben Smith (Defesa dos All Blacks)
Em Ascensão: Matt Faddes (Centro)
Posição Final em 2016: Eliminados nas meias-finais

Os Highlanders de Otago/Dunedin estão de regresso com uma “fome” de voltar a somar títulos que a dupla Smith&Smith trouxe em 2015. Depois de uma época agridoce (iniciaram a temporada a dominar para depois caírem perante os Lions nas meias-finais), a equipa Tony Brown (será a primeira época como treinador principal, assumindo o cargo após a saída de Jamie Joseph) tem as “armas” suficientes para se lançar no ataque ao título.

Um rugby defensivo, que não precisa de muito tempo de posse de bola para chegar à área de ensaio, a equipa dos Highlanders aperfeiçoou a forma de jogar à Hemisfério Norte, com os traços do Sul, onde as jogadas inesquecíveis têm de encontrar o seu espaço no trabalho intenso da avançada.

O ano de 2016 não foi propriamente o melhor (perda do título de campeões do Super Rugby, jogos intermitentes pela Nova Zelândia que levaram à perda da titularidade nos All Blacks), sendo o de 2017 o comeback do experiente nº9.

The pack! (Foto: Newshub)

A grande “estrela” é Ben Smith, um defesa/ponta/centro que pode dar a resposta necessária nos piores momentos dos Highlanders, onde a agilidade, acuidade física e técnica de mãos e pés, fazem a diferença. Mais, não há muitos jogadores que tenham a capacidade de ler a defesa contrária como Ben Smith, o que o torna um jogador altamente fundamental para os Highlanders.

Em termos de novidades, destacar a entrada de Tevita Li, que foi “roubado” aos Blues, vizinhos da equipa de Dunedin. Kayne Hammington (Chiefs), Guy Millar (excelente contratação para a 1ª linha, com o australiano ex-Force a ter optado por uma “fuga” para a Nova Zelândia) e Siate Tokolahi foram outras das contratações.

Nas palavras de Pedro Jaleco, os Highlanders são uma equipa a tomar em conta,

“Com os olhos todos postos nos Hurricanes, com a expectativa de uma dobradinha, penso que quem vai somar mais um título são os Highlanders. Mantiveram a espinha da equipa da época passada com a adição do perigoso ponta Tevita Li. Sem nomes tão sonantes como alguns plantéis, os Highlanders possuem uma equipa que pratica um rugby muito atraente e já está habituada aos grandes palcos”.

O colectivo aqui fará diferença, ao bom estilo de uns Highlanders que não arredam “pé”!

A magia de Sopoaga

OS RISK TAKERS: CHIEFS

Palmarés: 2x Campeões do Super Rugby (2012 e 2013)
Local: Hamilton, Nova Zelândia
Estádio: Waikato Stadium (26,500)
MVP: Aaron Cruden (Abertura dos All Blacks)
Em Ascensão: Damian McKenzie (Centro)
Posição Final em 2016: Eliminados nas meias-finais

O Super Rugby nem começou e os Chiefs já conquistaram o seu primeiro troféu, com os Brisbane 10’s (o 1º evento foi um sucesso), pulsando um ritmo fenomenal e uma vontade de jogar no risco única.

O “feiticeiro-mor” Dave Rennie (foi o treinador que guiou os Chiefs ao bicampeonato entre 2012-2013) mantém-se no leme para tentar guiar a formação de Hamilton até ao título… todavia, mal termine a temporada Rennie sairá da Nova Zelândia para assumir o cargo de treinador dos Glasgow Warriors.

Mas falemos do presente e da formação recheada de talento, que gostam tanto jogar no risco que é impossível assistir um jogo dos Chiefs sentado. Falamos de jogadores como Liam Messam, Nathan Harris, Aaron Cruden (um nº10 de classe mundial, com um toque de bola quase único), Carlie Ngatai, Nanai-Williams, Lienert-Brown (vai explodir nesta temporada) e, obviamente, o surpreendente Damian McKenzie.

It’s Chiefs time! (Foto: Chiefs.com)

O nº15 que só ostenta 21 anos de idade, já leva 231 pontos na competição, tendo conseguido vestir a camisola dos All Blacks por duas vezes em 2016! É conhecido como o Serial Rugby Killer, pela olhar que impõe no momento de chutar uma bola ou naquele infra-segundo antes de partir a linha de defesa. Tem um dom para o rugby, tem um dom para o espectáculo.

Esta equipa dos Chiefs sofreu várias saídas desde Sonny Bill Williams, Pauliasi Manu e Augustine Pulu (estes três foram para os Blues), passando pelo surpreendente “adeus” de Seta Tamanivalu que partiu para as cruzadas de Christchurch, o que tira algumas opções ao elenco de Rennie… porém, a vontade de jogar no risco, a agressividade atacante e a paixão pelo ensaio não vai desaparecer com estas saídas.

OS INTEMPORAIS: CRUSADERS

Palmarés: 7x Campeões do Super Rugby (1998, 1999, 2000, 2002, 2005, 2006 e 2008)
Local: Christchurch, Nova Zelândia
Estádio: AMI Stadium (18,500)
MVP: Kieran Read (Capitão dos All Blacks e Melhor Jogador do Mundo em 2013)
Em Ascensão: Richie Mo’unga (médio de abertura)
Posição Final em 2016: Eliminados nos quartos-finais

Longos vão os tempos em que os Crusaders dominavam o Super Rugby (na altura Super XV) com uma força única… desde 2008 que não tocam em qualquer título e só por duas vezes nas últimas oito temporadas conseguiram voltar a ir à final.

Numa formação recheada de grandes glórias dos All Blacks, como Kieran Read, Wyatt Crockett, Owen Franks, Sam Whitelock, Andrew Ellis e o “enigmático” Israel Dagg. Para além deste “sangue velho” carregado de “honra”, há toda uma nova geração de All Blacks a despontar como Codie Talyor, Scott Barrett, Matt Todd (o asa “deseja” a camisola nº6 de Jerome Kaino), Jone Macilai-Tori ou Ryan Crotty (apesar dos 28 anos de idade, parece-nos ser uma das grandes “caras” dos cruzados).

Para além destes todos, há o grande reforço: Seta Tamanivalu, o centro/ponta que transferiu-se dos Chiefs. Tamanivalu é uma “máquina” na luta no contacto, um jogador complicado de “parar”, de fazer frente e que é “duro” a defender.

Em relação a outras transferências destacar o “êxodo” de saídas como Fonotia (Ospreys), Johnny McNicholl (Scarlets), Nemani Nadolo (Montpellier,  o ponta vai fazer muita falta na linha de ataque e defesa dos Crusaders) ou Jimmy Tupou (ingressou nos Blues), que só foram superadas pelo abandono de Todd Blackadder que aceitou o desafio de ser director de rugby do Bath Rugby.

A nova Cruzada? (Foto: Getty Images)

Scott Robertson foi designado como novo treinador da franquia de Christchurch... no seu palmarés “só” tem um Mundial de sub-20 e três títulos da Mitre 10 pelo Canterbury. Chega? Bem, veremos… o Super Rugby é uma época sempre agressiva para todos. E para os Crusaders será uma época de provação… conseguirão ombrear com os rivais neozelandeses?

Diogo Stilwell, revelou-nos que para ele, “os Crusaders serão uma das desilusões da prova.”.

Por outro lado, é a equipa que mais simpatia reúne entre os nossos convidados, uma vez que Pedro Leal, Gonçalo Prazeres e Pedro Jaleco têm um “carinho” especial pelos cruzados. Nas palavras de Leal,

“Crusaders porque me fazem lembrar o meu clube (GDD) se bem que nos últimos anos gostei muito dos Hurricanes e Chiefs.”

na de Prazeres,

Crusaders, porque desde que acompanho a competição era a equipa dos meus jogadores(Dan Carter, Richie Mccaw) preferidos e isso acabou por me influenciar na decisão.”

E Jaleco,

Sem dúvida os Crusaders. Talvez por influência do meu pai, ou talvez pela constelação de estrelas que era a equipa na altura em que me comecei a interessar pelo Super Rugby, fizeram de mim um adepto incondicional dos Crusaders. Jogadores como Richie McCaw, Daniel Carter ou Kieran Read fizeram-me apaixonar pelo rugby do Hemisfério Sul.“.

A glória do passado vai influenciar a ambição do presente?

A SURPRESA: BLUES

Palmarés: 3x Campeões do Super Rugby (1996, 1997 e 2003)
Local: Auckland, Nova Zelândia
Estádio: Eden Park (50,000)
MVP: George Moala (centro dos All Blacks)
Em Ascensão: Rieko Ioane (ponta/centro)
Posição Final em 2016: 11º lugar, fora da fase final

Se há equipa que nos tira o “sono” em termos de qualidade e potencial, são os Blues de Auckland. Tana Umaga tem um elenco fenomenal de jogadores que estão a surgir no rugby Mundial como as futuras grandes referências do rugby neozelandês caso dos irmãos Ioane (Akira e Rieko), Blake Gibson, Jimmy Tupou (veio dos Crusaders), Alex Hodgman, Ihaia West todos eles com idades entre os 20 e os 23.

Depois há já jogadores com outro “arcabouço” como George Moala (um powerhouse nos centros, com uma capacidade para amassar os seus adversários com facilidade), Augustine Pulu (boa “pesca” por Umaga em casa dos Chiefs), Sonny Bill Williams (só estará de regresso em Abril após 8 meses lesionado), Patrick Tuipulotu e o grande Jerome Kaino (o capitão e um exemplo de jogador).

O Maestro dos Blues (Foto: Planet Rugby)

Os Blues têm um jogo “bonito” de se ver, com uma velocidade categórica, uma classe própria com a bola nas mãos, uma resiliência definitiva em defender cada bola como se fosse a última… mas, será que basta para chegarem à fase de playoff?

Dependerá do ritmo e capacidade física, dois problemas dos Blues desde 2013. Quando Umaga chegou à equipa em 2016, isso foi visível até a meio da temporada para de repente começarem a impor o seu jogo e estilo conseguindo, ficar a 11 pontos do apuramento para a fase final.

Na opinião de Diogo Cabral, os Blues são uma equipa

penso que me poderá surpreender são os Blues. Com as contratações sonantes de Sonny Bill Williams, Augustine Pulu e Pauliasi Manu, o plantel dos Blues é um misto de jogadores experientes com jovens irreverentes, como é o exemplo dos irmãos Ioane. Têm uma avançada com muitos ‘All Blacks’ e uns 3/4 muito rápidos, a maior parte vindo dos Sevens. Uma equipa para lutar pelos playoffs e quem sabe algo mais…”

Por outro lado, Lino Rebolo (preparador físico da AIS Agronomia) alerta que,

Bem, os Blues e os Reds após novas contratações e épocas menos conseguidas têm a obrigação de melhorar as suas performances, mas não sei se serão a surpresa da prova.”.

Para o bem da competição, precisamos de ter os Blues na sua máxima força… para o bem dos outros, é melhor que isso não aconteça.

A melhor exibição em 2016 frente aos Waratahs

(AUSTRÁLIA)

OS “PERDEDORES”: BRUMBIES

Palmarés: 2x Campeões do Super Rugby (2001 e 2002)
Local: Canberra, Austrália
Estádio: GIO Stadium (25,011)
MVP: Scott Fardy (Asa dos Wallabies)
Em Ascensão: Kyle Godwin (centro, estreou-se pela Austrália em 2016)
Posição Final em 2016: Eliminados nos quartos-final

Os Cavalos Selvagens de Canberra estão de regresso, com vários problemas no seu roster muito devido a transferências, lesões, “adeus antecipados” e licenças sabáticas. Foi um off-season muito duro para os lados de Stephen Larkham, o técnico que tem a missão árdua levar os Brumbies ao playoff.

A grande baixa foi a saída de David Pocock, que entre uma paragem de 6-8 meses por licença sabática (o experiente asa vai concentrar-se nos estudos durante esse tempo) ainda pode estar de partida para a liga japonesa, algo que não agradou aos australianos.

Saídas de Stephen Moore (ingressou nos Reds), Matt Toomua (está em Inglaterra, a jogar pelos Leicester Tigers), Joe Tomane, entre outros, tiraram capacidade de choque, defesa e equilíbrio técnico/mental da equipa de Canberra. Para além disto, Christian Lealiifano não sabe quando regressa (ou se regressa ainda em 2017) devido à sua batalha contra a Leucemia.

Perante este quadro nocivo, Larkham teve direito a alguns “remédios” para fintar (ou pelo menos tentar) a possível má temporada que se avizinha: Lolo Fakaosilea (um asa/nº8 que pode ser uma das novidades interessantes dos Brumbies), Anthony Fainga’a (era um dos melhores jogadores dos Reds, ocupará a posição de Toomua), Kyle Godwin (era, para além de Haylett-Petty, o melhor jogador na Force) e Saia Fainga’a (ocupará a posição de Stephen Moore).

The Wild Brumbie is a great Brumbie (Foto: Brumbies.com)

Não temos certeza de como se vão apresentar os Brumbies em 2017, ou se o estilo de jogo vai continuar igual em que a posse de bola era bem gerida, esperando uma boa interacção com os pontas (procuravam espaços, após um ruck no centro do terreno) e um apoio de qualidade. Pocock trazia turnovers, recuperando a bola para depois jogarem rapidamente e encontrarem a área de validação.

Pedro Jaleco apostou nos Brumbies como equipa desilusão para 2017,

“Não será fácil o campeonato para a equipa de Camberra. Os Brumbies vão ter que lidar com a perda de 4 jogadores titularíssimos em épocas anteriores (David Pocock, Matt Toomua, Joe Tomane e Stephen Moore) e tentar corresponder às boas épocas que têm realizado. Como tal, penso que os Brumbies vão ser a equipa desilusão.”

Mas o que será dos Brumbies para 2017? Haverá lugar para os Cavalos Selvagens?

OS “USURPADORES”: REDS

Palmarés: 1x Campeões do Super Rugby (2011)
Local: Queensland, Austrália
Estádio: Suncorp Stadium (50,000)
MVP: Quade Cooper (médio de abertura dos Wallabies)
Em Ascensão: Samu Kerevi (centro dos Wallabies, estreou-se em 2016)
Posição Final em 2016: 15º lugar, fora da fase final

Que renovação formidável dos Reds, com as chegadas de Quade Cooper (o excêntrico abertura, que tem uns “pézinhos” de veludo), Stephen Moore (um jogador exemplar, um dos líderes da selecção australiana), George Smith (sim, esse mesmo como referiu Diogo Stilwell, o formidável asa, uma lenda Wallaby), Scott Higginbotham, entre outros.

As saídas de Holmes, Browning Gill, Goromaru (todos estes para a Europa), Saia Fainga’a, foram bem colmatadas e darão a Nick Stiles (foi o homem que a direcção dos Reds escolheram para liderar esta nova tentativa de assalto ao título) um novo fôlego.

O novo treinador “viveu” em 2016 uma fase de crise da equipa de Queensland, que despediu a meio da temporada passada Richard Graham (agora treina a parte de avançados da Geórgia) e optou por ter Stiles como treinador interino.

Kerevi and the Red Faith (Foto: Green and Gold Rugby)

Ao fim dessa época, Stiles ganhou a confiança da direcção e assim fica como treinador de uma franquia que já levantou o título de campeão em 2011. Com Cooper, Moore, Smith e Higghinbotham a equipa ganha velocidade e magia, liderança e garra, músculo e estratégia, dinamismo e raça.

Essencialmente, Cooper terá em Samu Kerevi o “catalisador” de explosão de ataque que precisa para garantir metros e respeito dos seus adversários. Basta que a avançada aguente as fases estáticas e garanta o princípio de jogo que os Reds querem para saírem para o ataque.

Se gostam de rugby rápido, carisma, velocidade e raça, apostem nos Reds… poderão não chegar ao título, mas vão ser uma equipa a seguir.

OS BRIGÕES: WARATAHS

Palmarés: 1x Campeões do Super Rugby (2014)
Local: Sydney, Austrália
Estádio: Allianz Stadium (45,500)
MVP: Israel Folau (defesa dos Wallabies)
Em Ascensão: Jack Dempsey (asa)
Posição Final em 2016: 10º lugar, fora da fase final

A equipa australiana candidata a classificar-se para a fase final em 2017. Não são uma equipa brilhante, mas são uma colectivo forte, altruísta e que gosta de jogar rugby de forma “agressiva”.

Com um “tom” muito físico, uma equipa que passa de um momento “maçador” para uma explosão de sequências de altíssimo nível, os Waratahs são uma das equipas de melhor qualidade de jogo no Super Rugby. Apesar de algumas quedas de forma em 2016 (ficaram a 4 pontos de se apurar para a fase seguinte) os Tahs’ têm tudo para em 2017 lutarem pelo título.

Um rugby muito impulsivo, onde Folau assume o papel de grande perigo para a defesa contrária (em 60 jogos já fez 36 ensaios), com uma série de quebras de linha de elevada categoria, a sua excelente recepção a pontapés no ar (permanece bem assente essa “costela” do Rugby League), capacidade de placagens “agressivas” (pára os adversários no lugar), entre outras qualidades importantes para se afirmar como a grande referência da equipa de Sydney.

Hooper on the carry (Foto: Planet Rugby)

Em termos de entradas e saídas, há que destacar os “adeus” de Kurtley Beale (para os London Wasps), Polota-Nau (será jogador dos Force até 2019) e Wycliff Palu (foi um dos que seguiu para o Japão, Toyota Verblitz). Em sentido contrário, Daryl Gibson (director técnico da equipa de Syndey) reforçou os Waratahs com Sekope Kepu, Dean Mumm (já tinha chegado em 2016 mas será em 2017 que fará a diferença), Damien Fitzpatrick (veio do Lyon, o 2ª linha) e Michael Wells.

São reforços de qualidade, para dar volume a uma formação que tem nomes como Bernard Foley, Jed Holloway, Michael Hooper (talvez um dos melhores asas a nível mundial), Will Skelton (finda o seu empréstimo aos Saracens agora em Abril), Rob Horne entre outras “estrelas”.

Este será o ano dos Waratahs? Bem capaz que o seja, pois o rugby de pulso forte, capacidade de criar interacções na linha e a velocidade de jogo farão a diferença nos momentos mais difíceis.

Israel Folau, a “arma” dos Waratahs

A INCÓGNITA: REBELS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Melbourne, Austrália
Estádio: AAMI Park (30,000)
MVP: Reece Hodge (centro dos Wallabies)
Em Ascensão: Jonah Placid (defesa)
Posição Final em 2016: 12º lugar, fora da fase final

Os rebeldes de Melbourne vão ser a incógnita da Austrália para 2017, já que não têm um plantel propriamente consistente e/ou com caras conhecidas, nem têm uma estrutura fenomenal.

Em 2016 atingiram o 12º lugar (em 18 formações), ficando muito longe dos lugares de discussão pelo playoff. Um rugby algo frágil, que transita de bons períodos de jogo para erros incalculáveis que representam pontos sofridos e derrotas avolumadas.

Treinados por Tony McGahan, os Rebels têm alguns jogadores de qualidade (que não nos parece que fiquem muito mais tempo em Melbourne) como Reece Hodge (mesmo tendo apenas 22 anos, já assumiu um papel semi-importante na Austrália de Michael Cheika), Mitch Inman (pode não ser um jogador espectacular, mas garante qualidade ao jogo dos Rebels) ou Sean McMahon, o poderoso asa/nº8 que tem um futuro imenso e que tem de liderar a avançada australiana.

Rebelião a caminho? (Foto: Ishii/Getty Images)

É uma equipa que faz uso da sua avançada, principalmente da 3ª linha, para “desgastar” a linha de defesa contrária, assumindo uma postura capaz e resistente para dar espaço a Jack Debreczeni (um abertura com qualidade e boa visão de jogo) de libertar o jogo rapidamente para pontos mais amplos do campo.

Houve uma “sangria” de transferências para fora, como Mike Harris, Jamie Hagan, Luke Jones, Adam Thompson, todos eles elementos importantes em 2016. Dominic Day (internacional pelo País de Gales) ingressou na formação de Melbourne, assim como alguns atletas de equipas da região de Melbourne, o que demonstra que há uma aposta em formar uma equipa “musculada” para o futuro.

Se vamos ter alguma rebelião em 2017? Isso só McGahan e os seus rebeldes o poderão dizer no decurso de uma época que se espera difícil e árdua. A vitória ante os ‘Tahs em 2016 foi uma das melhores prestações em 2016

A DESILUSÃO PERMANENTE: FORCE

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Perth, Austrália
Estádio: nib Stadium (20,050)
MVP: Dane Haylett-Petty (defesa dos Wallabies)
Em Ascensão: Matt Philip (2ª linha)
Posição Final em 2016: 10º lugar, fora da fase final

Numa palavra: deprimente, é a melhor forma de explicar ou definir a equipa da Western Force, uma formação que está em queda livre e que teve mesmo de receber apoio da Federação Australiana de Rugby em 2016, pois a franquia encontrava-se prestes a decretar falência técnica.

Perante estes cenários, a Force voltará a ser uma decepção em 2017, com um roster de jogadores muito limitado, apesar de terem alguns nomes bem interessantes como Haylett-Petty, Adam Coleman, Ben Daley, Robbie Coleman, Luke Morahan, Matt Hodgson (asa que é um exímio placador e a relançar o jogo a partir do ruck) e Ben McCalman.

Os reforços internacionais como Volavola (bom reforço vindo dos Crusaders), Bill Meaks e Polota-Nau podem dar outra consistência aos Force que lutarão pelos lugares mais baixos da divisão da Australiana-Neozelandesa e do Super Rugby.

Lino Rebolo, destaca a entrada do novo treinador (David Wessels que está ligado à região de Perth já a alguns anos) e o que pode acontecer em 2017,

Os Western Force terão (mais) um ano complicado, se não conseguirem resultados a franquia pode acabar de vez, o novo treinador já disse que as segundas oportunidades acabaram e este é o ano de provar algo, eu gosto dos “Underdogs” e espero que consigam melhorar este ano.”

(ÁFRICA DO SUL)

A COQUELUCHE: LIONS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Joanesburgo, África do Sul
Estádio: Emirates Airline Park (62,567)
MVP: Ruan Combrinck (ponta da África do Sul)
Em Ascensão: Rohan van Rensburg
Posição Final em 2016: Finalistas

A equipa que mais se aproxima ao estilo de jogo das franquias da Nova Zelândia, os Emirate Lions são a coqueluche do momento do Super Rugby. Um rugby sofisticado, rápido, explosivo e recheado de detalhes técnicos soberbos, vão meter o “pé no acelerador” para tentar conquistar o título que lhes fugiu em 2016.

As linhas atrasadas são um dos pontos supra-positivos desta formação sul-africana de Joanesburgo: Faf de Klerk, Elton Jantjies, Rensburg, Mapoe, Combrinck, Skosan e der Walt… é uma linha sensacional, sendo quase todos internacionais pelos Springboks.

Uma velocidade alucinante, um dinamismo quase incomum e uma sede pelos ensaios insaciável, são alguns dos grandes argumentos da equipa comandada por Johan Ackerman. No defeso, fizeram “compras” para a avançada introduzindo alguns jogadores dos Bulls (Hencus van Wyk e Marvin Orie) e dos Kings ( Sti Sithole e Justin Ackerman) dando “músculo” e profundidade à primeira e segunda-linha.

As duas grandes saídas passaram pelo abandono de Stephan de Wit (ingressou nos Stormers) e Marnitz Boshoff (ainda está à espera de data de estreia no Connacht, o campeão irlandês em título), mas nenhuma delas fará “danos” na forma de jogar dos Lions.

As maiores debilidades dos Lions tem a ver com o “excesso” de dinamismo ou de entrega imposta durante os primeiros 30-40 minutos de jogo… se uma equipa adversária aguentar, sem sofrer grandes ensaios e pontos, os Lions arriscam-se a ter um jogo muito ingrato nas suas mãos. Por isso, o segredo passa por garantirem pontos logo a “abrir” para levar ao desnorte dos seus adversários.

Na opinião de Diogo Cabral, os Lions poderão não conseguir fazer algo tão bom como em 2016,

A época de 2016 foi inesquecível para os Lions, tendo chegado com todo o mérito à final. Contudo, o fator surpresa desapareceu e penso que o plantel não terá força suficiente para provar que a época anterior não foi apenas uma casualidade.”

Conseguirão os leões  de Joanesburgo “caçar” o título que lhes escapou em 2016?

A ETERNA PROMESSA: STORMERS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Cidade do Cabo, África do Sul
Estádio: Newlands Stadium (51,000)
MVP: Damian de Allende (centro da África do Sul)
Em Ascensão: Pieter-Steph du Toit (2ª linha da África do Sul)
Posição Final em 2016: Eliminados nos quartos-final

Os Stormers, franquia que só por uma vez na sua história se qualificou para a final da competição (2010), não deverão conseguir atingir a fase dos playoff, ao contrário do que se passou em 2016.

As perdas de jogadores representam um dos pontos mais “críticos” da equipa da Cidade do Cabo, uma vez que saíram/deixaram sair 19 jogadores incluído estrelas como Nic Groom (Northampton Saints), Jean Kleyn (Munster), Jaco Taute (Munster) ou Kobus van Wyk (Sharks) tirando poder de choque e “agressividade” no contacto (Groom e Taute eram especialistas nesse departamento), velocidade e ensaios (Kobus van Wyk assumia-se como um autêntico perigo à ponta, com 9 ensaios em duas temporadas).

A somar a isto, Leolin Zas vai falhar toda a temporada (fracturou a perna esquerda em dois sítios) assim como Scarra Ntubeni, o que tira ainda mais duas unidades de valor à formação dos Stormers.

A Storm is brewing (Foto: Phando Jikelo)

Os reforços provieram de duas localizações em especial: Newlands (Western Province, a equipa regional da franquia), com sete reforços, onde se inclui Khanyo Ngcukana (jogador a ter “debaixo” de olho); Bulls (a franquia de Pretória), com três contratações realizadas, com as vindas de SP Marais (excelente adição para a posição de defesa), Dan Kriel e Bjorn Basson.

Para além disso, destacamos a vinda de Dewalt Duvenage, formação sul-africano que andou por terras gaulesas entre 2013 e 2016, tendo somado 72 jogos. A experiência do formação dará outra consistência à saída de bola no ruck, ao passe para a linha, gestão de timings e velocidade de jogo.

Com um rugby muito caracterísitco, onde há uma vontade de jogar rápido, aberto e com dinâmicas consecutivas, os Stormers são a eterna promessa do rugby sul-africano. Será uma época para surpreender, talvez, os críticos onde jogadores como Pieter-Steph du Toit (um 2ª linha que facilmente pode jogar a asa), Eben Etzebeth, Damien Allende (dos jogadores com um pacing de alta categoria) ou Huw Jones farão o máximo para dar “voz” aos Stormers.

OS LÍDERES ADORMECIDOS: BULLS

Palmarés: 3x Campeões do Super Rugby (2007, 2009 e 2010)
Local: Pretória, África do Sul
Estádio: Loftus Versfeld (52,760)
MVP: Jesse Kriel (centro/defesa da África do Sul)
Em Ascensão: RG Snyman (2ª linha)
Posição Final em 2016: 9º lugar, fora da fase final

Uma equipa que esteve em “gestação” em 2016 e que prepara para os seus primeiros “passos” à séria em 2017. Estes são os Blue Bulls de Pretória, uma equipa que já agarrou o título por 3x na sua História e que deseja ainda mais.

Um rugby físico, onde o contacto é explorado até ao seu último pormenor em que a predisposição física faz a diferença, a equipa dos touros tem cinco ou seis personagens que farão, sem dúvida, a diferença.

Falamos de Handré Pollard, Jesse Kriel, Rudy Paige, Jan Serfontein e Lood de Jager. Destacamos o primeiro, pois trata-se de um dos melhores médios-de-abertura da nova geração, com um especial dom no pontapé, uma visão de jogo única e uma capacidade de criar transições de jogo de forma, diguemos, especial.de Jager no comando (Foto: Planet Rugby)

A lesão que o tirou da selecção e do Super Rugby em 2016 está debelada (por pouco não perdeu o seu braço direito, devido a uma infecção grave após a operação ao ombro) e agora deverá assumir as rédeas dos seus Bulls.

Kriel é um jogador de momentos críticos, gosta de criar espaços e de os explorar, dando vagas de “penetração” para chegar à área de validação. Para além disto, a defender é um exemplo, com placagens de força e que enviam uma mensagem à equipa adversária.

Numa temporada que se viram reforçados, especialmente, com potenciais estrelas para o futuro, vindas da sua equipa regional, a contratação de Lood de Jager foi “providencial” podendo ser o 2ª linha um dos catalisadores no 5 da frente.

Tenham uma especial atenção aos Bulls… a época pode não começar bem, mas se acertarem ritmos, combinações e colectivo irão “assustar” algumas franquias destinadas ao título do Super Rugby em 2017.

OS SEM RUMO: SHARKS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Durban, África do Sul
Estádio: Growthpoint Kings Park (55,000)
MVP: Patrick Lambie (abertura da África do Sul)
Em Ascensão: André Esterhuizen (centro)
Posição Final em 2016: 8º lugar, fora da fase final

JP Pietersen, Marcell Coetzee, Paul Jordaan, Joe Pietersen, Willie le Roux, Jacques Potgieter e Kyle Cooper? Reconhecem a maioria destes nomes? Especialmente JP Pietersen e Willie Le Roux, correcto? Bem estes foram só os titulares que abandonaram a formação de Durban e partiram para a Europa ou Japão em 2017.

A somar a estas despedidas todas, Gary Gold, um dos treinadores mais interessantes da África do Sul (e que, de vez em quando, tinha uma altercação com árbitros) abandonou a franquia e partiu para Inglaterra, onde assumiu o cargo técnico dos Worcester Warriors.

Foi uma “revolução” negativa entre o fim da época de 2016 e o relançamento de 2017… o que resta? Bem há Pat Lambie, um médio de abertura de elevada categoria, onde o seu pontapé representa pontos e as mãos ensaios.

Para além do 10, há Mvovo (um bom ponta), Coenie Oosthuizen (dedicado primeira linha), Michael Claassens e André Esterhuizen (centro de enorme qualidade, foi um dos top-tacklers da temporada passada do Super  Rugby), somando-se a experiência de Michael Claasens e Tendai Mtawarira à formação dos tubarões.

Nas mãos de Lambie (Foto: Sharks Rugby)

O rugby dos Sharks passa muito por um contra-ataque mortífero (boas bolas recuperadas no contacto ou alinhamentos), umas fase-estáticas controladas e um relançamento de jogo através do pontapé que lhes permite impor uma pressão alta às defesas contrárias.

Porém, estes traços identificativos dos Sharks não deverão surgir com tanta expressividade uma vez que na falta de jogadores-estrela (as contratações provieram da equipa regional da Currie Cup) é necessário ao novo treinador Robert du Preez encontrar um rumo para a equipa de Durban.

A ESCOLA DE CAMPEÕES: CHEETAHS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Bloemfontein, África do Sul
Estádio: Free State Stadium (48,000)
MVP: Francois Venter (centro da África do Sul)
Em Ascensão: Sergeal Petersen (ponta)
Posição Final em 2016: 14º lugar, fora da fase final

Os Cheetahs do Free State são uma equipa que não tem qualquer possibilidade de chegar ao título ou playoff, mas que não deixa de ser uma formação interessante, dinâmica e alegre a jogar rugby.

É uma verdadeira “escola de campeões” uma vez que formaram jogadores como Os du Randt, Gurthro Steenkamp, CJ van der Linde, Juan Smith, Ruben Kruger, André Venter mas nunca tiraram o devido proveito que mereciam.

Um rugby que peca por estabilidade, onde as formações ordenadas e alinhamentos são uma “guerra” para serem conquistadas. Para tentar combater isso, Franco Smith conseguiu garantir que a maioria dos jogadores de 2016 ficassem para 2017, o que vai ser um ponto a favor.

A toda a velocidade (Foto: SA News)

Ora, há também um ponto contra, que é a perda tanto de Lood de Jager (não se pode censurar a aposta do 2ª linha na sua transferência para os Bulls) como de Maks van Dyk (saída do Stade Toulousain), o que vai tirar algum “peso” e confiança à avançada.

Por isso, registaram-se três saídas e só uma entrada (Ryno Eksteen dos Stormers), o que não deixa de ser interessante… estará Franco Smith a procurar um tipo de estabilidade que poderá ser altamente vantajoso para esta temporada?

Ter conseguido ficar com jogadores como Sergeal Petersen (fenomenal ponta, que marcou 10 ensaios na temporada passada), Clayton Blommetjies, Raymond Rhule ou Uzair Cassiem (asa com uma tremenda predisposição para defender) representam grandes vantagens para estes chitas.

Terá um final feliz esta jogada de risco do colectivo de Free State?

O resultado mais expressivo de sempre no Super Rugby pertence aos Cheetahs

O “REI” DOS PIORES: KINGS

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Port Elizabeth, África do Sul
Estádio: Nelson Mandela Bay Stadium (48,459)
MVP: Schalk Ferreira (talonador)
Em Ascensão: CJ Velleman (asa)
Posição Final em 2016: 17º lugar, fora da fase final

Uma equipa que é “espezinhada” pela maioria dos críticos, por não ter um conteúdo sólido, um futuro bem delineado e uma ideia de estrutura forte… os Southern Kings querem (tentar) mudar essas opiniões em 2017.

Altamente reforçados com vários atletas de várias localizações, destacamos a chegada de Schalk van der Merwe (o primeira-linha chega do Montpellier), Ross Geldenhuys (campeão pelos Highlanders em 2015), Chris Heiberg (saiu da equipa australiana dos Force) ou Chrysander Botha (o namibiano já jogou na Europa, afirmando-se como um defesa de confiança).

Are they Kings or Pawns? (Foto. Rugby365)

Os Kings de Deon Davids têm vários problemas, a começar na estabilidade no cinco da frente, na velocidade de reacção dos centros ou na perspicácia e sentido de oportunidade do trio de trás. Cometem diversos erros, são fracos no apoio ao portador da bola (são uma equipa que é fácil “roubar” a oval) e que fisicamente estão longe das suas congéneres do Super Rugby.

Será mais uma época difícil, ardilosa e muito longe de merecerem destaque… Gonçalo Prazeres apontou que a sua desilusão para 2017 serão os Kings, muito pela falta de “perfume” ou “raça” que normalmente acompanham o rugby sul-africano.

(ARGENTINA)

A FÚRIA LATINA: JAGUARES

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Buenos Aires, Argentina
Estádio: Estadio José Amalfitani (49,500)
MVP: Facundo Isa (nº8 da Argentina)
Em Ascensão: Emiliano Boffelli (centro)
Posição Final em 2016: 13º lugar, fora da fase final

Los Jaguares da Argentina voltam a 2017 com uma confiança redobrada, uma motivação diferente e uma “fome” de “caçarem” não só pontos e equipas, mas quem sabe um lugar nos playoff.

2016 foi uma temporada “azeda” já que em 15 jogos, só somaram 4 vitórias e 11 derrotas, pondo fim à ideia que os Jaguares vinham para “incomodar” no ano de estreia. Porém, 2017 será o ano de ressurgimento, numa formação que só perdeu um titulo: Lucas Amorosino.

O centro terminou o seu contrato e não viu chegar uma renovação, o que não deixa de ser uma acção de risco… de qualquer forma, há Santiago Cordero (dos melhores pontas do Hemisfério Sul), Manuel Montero ou Emiliano Boffelli (pode “descair” para centro).

Por la caça Jaguares (Foto: Olé)

Capitaneados por Augstín Creevy, o talonador que representa bem a raça dos Jaguares e da Argentina, a equipa de Buenos Aires tem tudo para dar certo, desde que não caia no erro de cometerem penalidades (chegaram ao ponto de realizar 18 penalidades num só jogo), discutirem com o árbitro ou terem acções que levem a admoestação com cartões.

Um rugby raçudo, com espectaculares detalhes técnicos (Cordero e Sánchez são “reis” neste aspecto), uma defesa resiliente (Facundo Isa ou Pablo Matera) e uma vontade rápida de quebrar linhas de vantagem.

Os Jaguares vivem em dois mundos, entre o rugby espectacular que agarra os adeptos à televisão (ou computador no caso português) e o excesso de vontade e agressividade que leva a uma onda de críticas e censuras por parte dos especialistas.

Será este o ano dos Jaguares?

(JAPÃO)

OS “APRENDIZES”: SUNWOLVES

Palmarés: 0x Campeões do Super Rugby
Local: Tóquio, Japão
Estádio: Chichibunomiya Rugby Stadium (27,100)
MVP: Ed Quirk (asa/nº8)
Em Ascensão: Kenki Fukuoka (ponta)
Posição Final em 2016: 18º lugar, fora da fase final

Os Sunwolves de Tóquio, franquia japonesa, vê 2017 como mais um ano de aprendizagem e crescimento, estando no horizonte o Mundial de rugby em casa. Os nipónicos têm uma formação “estranha” já que perderam vários jogadores, mas foram buscar outros tantos.

Registaram-se 22 saídas e 32 entradas, naquilo que foi a equipa que mais alterou o seu roster e por conseguinte XV inicial. Destaque para a saída de Akihito Yamada (contratado pelos Panasonic Knights, o ponta que terminou a época com 9 ensaios), Tusi Pisi (o genial abertura ingressou no Bristol), Tim Bond, Fa’atiga Lemalu, entre outros tantos.

A alcateia nipónica (Foto: Sunwolves.com)

O rugby rápido, trabalhador e de conquista de fases dinâmicas, terá de ser alimentado pelas novas “caras” como Takeshi Hino (ex-Jubilo, é um pilar com qualidade, principalmente nas fases estáticas), Fumiaki Tanaka (saiu dos Highlanders para voltar para casa, o formação tem tudo para liderar as linhas atrasadas) ou Timothy Lafaele (o samoano naturalizado japonês, provem do Coca-Cola Red Sparks, sendo um centro/abertura de qualidade).

Na temporada transacta, os japoneses tanto jogavam com cabeça, dominavam certas fases do jogo, tinham um bom impacto nas fases estáticas e as linhas de corrida eram de qualidade, como quebravam facilmente, sucumbiam à pressão e deixavam-se ir em erros “infantis”.

Com os Jaguares, são um conceito “novo” e precisam de tempo para crescer… no entanto, ao contrário dos argentinos não têm todos os jogadores da selecção ao seu dispor, o que torna toda a missão complicada para os Sunwolves.

A vertente comercial dos Sunwolves

O SUPER NO RUGBY E O PORQUÊ DE O VER?

Para acabar em “beleza”, terminamos este artigo com uma pergunta simples aos nossos convidados: Porquê o Super Rugby?

Um dos maiores internacionais de sempre portugueses, Pedro Leal, deixa uma preocupação e sugestão para este ano, “O Super Rugby é sempre espectacular e a melhor prova do Mundo. Não sei se passar de 15 para 18 equipas vai continuar a ser bom para a competição. Vão haver cada vez mais jogos o que torna o Campeonato numa maratona! Agora é esperar que passe na nossa SPORTTV!”

Pedro Jaleco, um sempre entusiasta do Super Rugby, deu uma última análise da prova,

Creio que mais uma vez se irá observar uma supremacia das equipas neo-zelandesas no Super Rugby, muitas delas chegando às finais. Com muitos jogadores sul-africanos a deixarem o seu país para irem jogar para a Europa, 2017 será mais um ano complicado para as equipas da África do Sul.

Quanto aos Jaguares da Argentina e aos Sunwolves do Japão, depois de um primeiro ano de adaptação, irão certamente melhorar o seu desempenho. Penso que esta equipa dos Jaguares seja capaz de atingir um lugar na metade de cima da tabela. Acima de tudo, teremos o privilégio de assistir a jogos muito ofensivos, característico do Super Rugby, jogados sempre no risco.

Veremos muitos ensaios espetaculares, placagens duras, side-steps do outro mundo e que, no fim, ganhem os Crusaders!”

Outra sugestão proveio das palavras de Diogo Cabral, um fã confesso dos Hurricanes,

 Sempre olhei para as equipas do hemisfério sul de uma maneira diferente. Nesta competição em particular, acho que nos é apresentado um rugby mais dinâmico, rápido e emocionante de ver, enquanto que no hemisfério norte é um jogo com mais fases, muito mais fechado (contudo a selecção inglesa tem mostrado um jogo mais aberto desde que Eddie Jones assumiu o comando e a selecção francesa impressionou-me bastante com a dinâmica do seu jogo neste começo do Torneio das Seis Nações), mas muito interessante também!

Quero voltar a reforçar o meu gosto pela equipa dos Hurricanes e pelos seus jogadores. É bom ver um rugby em que a continuidade e velocidade imposta são elevadas, por isso acho que a competição em questão é adequada para quem gosta de offloads e intensidade.

Para quem não é espetador da modalidade a melhor maneira de começar a ser é vendo um jogo do Super Rugby, sem dúvida alguma, e para quem já acompanha e gosta de se sentir entusiasmado, o conselho é o mesmo”

Gonçalo Prazeres, vai seguir atentamente 2017,

Para mim sem duvida que é a melhor competição de equipas que existe no mundo do rugby, porque são equipas maioritariamente das melhores seleções do mundo e isso traz muita qualidade e porque também todos os anos há sempre jogadores pouco conhecidos que se revelam serem “craques”. E também, na minha opinião, penso que o número de equipas seja talvez o limite para o Super Rugby porque depois haveria um grande desigualdade na qualidade das equipas apesar de isso já acontecer um bocado.”

Lino Rebolo, explica porque é que é o melhor campeonato de rugby do planeta,

“Para mim é o melhor Campeonato de Rugby do Mundo, equilíbrio em grande parte dos jogos, ritmo elevado de jogo, equipas que jogam a partir de qualquer lado, offloads, steps e fintas sempre com o ensaio em vista.”

Diogo Stilwell, finaliza com classe dizendo “Welcome back Super Rugby. You are late!”

FAIRPLAY: PROGNÓSTICOS

Campeões: Hurricanes / Chiefs / Highlanders
Melhor treinador: Tana Umaga / Chrys Boyd / Nollis Marais
Equipa Surpresa: Blues / Bulls
Equipa Desilusão: Brumbies / Sharks
Melhor Jogador: Seta Tamanivalu / Beauden Barrett / Ruan Combrinck
Melhor Marcador de Ensaios: Ruan Combrinck / Digby Ioane / Julian Savea
Jogador Surpresa: Toa Halafihi / Kyle Godwin / Ben Lam
Jogador Desilusão: Faf de Klerk / Pat Lambie / Aaron Cruden
XV do Ano: 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SUPLENTES: A. Creevy (Jaguares), S. Sio (Brumbies), C. Oosthuizen (Sharks), V. Fifita (Hurricanes), S. Cane (Chiefs), N. Phipps (Waratahs), R. Ioane (Blues) e I. Folau (Waratahs)

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Francisco IsaacJaneiro 13, 201714min1

Por entre o “fogo” das placagens, a “luz” dos ensaios, o “cintilar” das quebras de linha ou a “ameaça” das conversões, as Seis Nações estão de regresso. Irlanda e Escócia são as primeiras selecções a serem convidadas para uma check-up: o que esperar, o que temer, o que ver e quais as perspectivas. As Seis Nações no Fair Play.

As Seis Nações… aquele momento que todos nós esperamos para ver, sentir e ouvir… é o torneio entre selecções mais antigo do Mundo, já que data de 1883 a sua primeira edição. Na altura não eram seis as selecções que lutavam pelo título de Maior da Europa, mas sim quatro, designadas como as Home Nations.

Escócia, Irlanda, País de Gales e Inglaterra mediam forças num torneio caseiro que mexia com as populações locais, numa prova que ia de Dezembro a Março, sempre a uma volta.

Só que de 1883 para 2017 muito mudou com a entrada da França em 1910, marcando uma nova era no rugby europeu. Porém, esta participação foi intermitente, com a paragem forçada para a Grande Guerra (1915-1919), tendo a competição recomeçado em 1920.

A França teve sempre grandes problemas em demonstrar qualidade nesta sua primeira participação, como evidencia os 8 últimos lugares em 17 participações.

Chegando ao ano de 1932, a França recebeu ordem de “despejo” por ter “desvirtuado” as características “amadoras” do torneio, com uma tentativa de profissionalização. Voltámos ao formato das Home Nations durante mais oito edições até chegar, novamente, um confronto bélico que pôs fim aos jogos amigáveis durante seis temporadas.

O passado das Seis Nações (Foto: RBS6Nations)

A partir de 1947 as Cinco Nações regressaram, mantendo o formato até 2000, altura que a Itália conseguiu uma “vaga” modificando o torneio para as actuais Seis Nações. Sempre no formato de uma volta, os jogos passaram a realizar-se entre Fevereiro e Abril, naquilo que é um dos torneios mais “agressivos”, duros e carismáticos do desporto mundial.

Que novidades para 2017? Sistema de pontuação. Até 2016 uma vitória valia 2 pontos, um empate 1 ponto, não havendo qualquer bonificação para mais que um nº de ensaios ou por uma derrota com menos de 7 pontos. A partir de agora, passa a ser a seguinte fórmula de pontuação:

  • 4 pontos em caso de vitória;
  • 2 pontos em caso de empate;
  • 1 ponto extra em caso de uma equipa conseguir 4 ou mais ensaios;
  • 1 ponto extra no caso de uma equipa perder por 7 ou menos pontos;
  • 3 pontos para a equipa que conseguir ganhar os 5 jogos;

Isto altera por completo a estratégia de jogo dos seleccionadores, que agora terão que ter em atenção aos pontos de bónus quer na vitória ou derrota. Se isto pode alterar o rumo dos jogos? Pode, mas também pode manter-se tudo igual.

Na verdade, em 2016 estas regras podiam ter tido “zero” impacto na classificação final já que a Inglaterra ficaria sempre com 24 pontos (prova perfeita na competição), seguindo-se o País de Gales (16), Irlanda (13), Escócia (10), França (8) e Itália (1).

Esta alteração visa a que os jogos tenham mais ensaios, aumente o espectáculo e que haja outra “cor” no final do dia… infelizmente, o excessivo marketing e criação de um produto “à pressa” pode ir contra os valores, ética e história do rugby europeu. 2016 foi um ano “cheio” de grandes momentos nas Seis Nações, não tendo sido necessário existir uma legislação nova de pontos para que tivéssemos “direito” a assistir a grandes exibições da Inglaterra, País de Gales ou a Escócia.

Porém, é necessário que haja uma “novidade” nas edições, acompanhando a necessidade dos tempos. Para lerem alguns artigos sobre o facto aconselhamos: goo.gl/r0Dq80 (Rugby Magazine) ou goo.gl/By8ncU (Rugby World Magazine).

O calendário das Seis Nações vai de 4 de Fevereiro até 18 de Março, com 5 jogos por equipa, diferentes troféus em cada jogo (no jogo entre França e Itália discute-se o Troféu Garibaldi ou entre Inglaterra e Escócia a Calcutta Cup) e todo um espectáculo quase único no Mundo da Oval. Passemos à análise da Irlanda e Escócia, as selecções mais a norte do rugby europeu.

2016 (Foto: RBS6nations)

ESCÓCIA

Estrela: Stuart Hogg (Defesa);
Jovem promessa: Zander Fagerson (Pilar);
Jogador a seguir: Tim Visser (Escócia);
Capitão: Greig Laidlaw (Formação);
Posição final em 2016: 4º Lugar (2 vitórias e 3 derrotas);
Momento de 2016: Vitória frente à França nas Seis Nações;
Provável posição final em 2017: 3º lugar;
Ponto positivo a destacar: velocidade do trio de trás;
Ponto negativo a destacar: capacidade física de resistir 80 minutos;

Escócia, aquela selecção que vive intensamente o seu rugby como uma paixão de um sentido, onde mesmo o sabor amargo da derrota não beliscam o carinho, a devoção e a entrega quer dos adeptos ou dos jogadores.

2016 foi um ano que provou que a Escócia está a caminhar para o sentido correcto, com vitórias frente à França (29-18, com um passe soberbo de Hogg no ensaio de Tim Visser), Argentina (19-16) e Geórgia (43-16). Vern Cotter, o seleccionador oriundo da Nova Zelândia, é um dos responsáveis por este crescimento auspicioso da selecção do Thistle (a flor representativa da Escócia).

Cotter é um “maníaco” pelo rugby de domínio e da eficácia constante, onde cada ataque tem de corresponder a uma boa situação de perigo, tendo uma atenção redobrada aos detalhes e pormenores. Nos seus 4 anos como seleccionador os sucessos “não bateram” tanto à porta como era seu desejo, mas a falta de títulos tem levado à construção de umas novas gerações de alto quilate.

É deste ponto que vamos explorar a capacidade ofensiva e a reacção defensiva dos escoceses já que a gerações de 92′ a 94′ têm dado outra “alma” ao rugby dos Highlanders: Finn Russell, Ali Price, Huw Jones, Mark Bennett, Rory Hughes (uma atenção especial ao jogador dos Glasgow Warriors, que tem despontado esta temporada), Jonny Gray, Zander Fagerson (o pilar tem estado em alta evidência, com a exibição frente aos Leicester Tigers na European Champions a captar a nossa atenção), Alex Allan e Stuart Hogg.

Comecemos por este último, um jogador de excelência que muito provavelmente marcará presença nos British&Irish Lions (tour à Nova Zelândia em Junho de 2017). Rápido e veloz, Hogg consegue criar “Universos” de jogo rápido com as suas fintas mirabolantes que metem a defesa adversária em “pânico” total.

Para além disso, é um organizador de jogo fora de série, ao nível de Ben Smith e que facilmente irá ganhar direito a ter um lugar entre as Lendas do Mundo do rugby. Com 24 anos, Hogg já conta com 48 jogos, 74 pontos marcados e uma dose de protagonismo dentro da equipa.

Hogg já passou! (Foto: The Guardian)

Na última edição das Seis Nações, Hogg conquistou o título de melhor jogador da competição.

Para além do defesa, deverão tomar em atenção a Finn Russell, um médio de abertura que faz bem a “mistura” do clássico com o moderno; Mark Bennett, um centro de raça, espírito de trabalho e capricho físico; Jonny Gray, o bom gigante que galga metros e conquista fases, para além de ser um placador exímio (62 placagens em 4 jogos, uma média de 15,5 por jogo); WP Nel, o pilar que “revolucionou” ou, pelo menos, ajudou a revolucionar a 1ª linha escocesa; Josh Strauss, um autêntico “monstro” a nº8 que derruba barreiras e adversários, tendo somado 100 jogos pelos Warriors aos 30 anos; e o capitão Greig Laidlaw.

Formidável formação, o nº9 do Gloucester (vai ingressar no Clermont em 2017/2018) é um jogador que mexe com o ritmo e dinâmicos de jogo. É um agitador por natureza, procura manter um trabalho constante nos avançados, com fases consecutivas e curtas, procurando depois explorar o canal externo do nº12 para que jogadores como Stuart Hogg, Tim Visser ou Sean Maitland consigam sair directo para uma situação de ensaio.

Para além disso, o trabalho exímio na formação ordenada ou nos rucks só está ao alcance dos grandes e Laidlaw ultrapassa esse nível com facilidade.

A Escócia vai apresentar-se como uma das candidatas ao 3º lugar, com um rugby que tem crescido a cada ano que passa. A evolução deu-se, sobretudo, no melhorar das fases estáticas conseguindo sair a jogar dos seus alinhamentos ou não perder nas formações ordenadas. Com isto a Escócia passou a ter mais posse de bola, obrigando a sua equipa a ganhar outro estofo físico e conseguir seguir de perto o portador da mesma.

Estas condicionantes foram apuradas ao ponto que agora temos uma Escócia ameaçadora e que pensa em sair para ensaios e garantir pontos em penalidades, ao invés do que se passava até 2014.

Será uma prova de força, raça e querer nestas Seis Nações… é a altura dos Highlanders revoltarem-se e procurarem ser uma das forças da Europa.

Provável XV Titular: WP Nel; Ross Ford; Zander Fagerson; Richie e Jonny Gray; John Barclay, Hamish Watson e Ryan Wilson; Greig Laidlaw; Finn Russell; Alex Dunbar e Mark Bennett; Tim Visser, Sean Maitland e Stuart Hogg.

A nova vaga Highlander (Foto: ScotlandRugby)

IRLANDA

Estrela: Jonathan Sexton (Abertura);
Jovem promessa: Garry Ringrose (Centro);
Jogador a seguir: CJ Stander (Asa);
Capitão: Rory Best (Talonador);
Posição final em 2016: 3º Lugar (2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas);
Momento de 2016: Vitória frente à Nova Zelândia em Chicago por 40-29;
Provável posição final em 2017: 2º lugar;
Ponto positivo a destacar: execução de fases rápidas e sequência de jogo;
Ponto negativo a destacar: falta de eficácia nos últimos 5 metros;

Ireland, Ireland,Together standing tall!Shoulder to shoulder,We’ll answer Ireland’s call!

É com esta frase que começamos esta breve análise sobre a Irlanda, selecção que entre 2014 e 2015 somou dois campeonatos da Europa de rugby. Treinada pelo eterno Joe Schmidt (seleccionador desde 2013), a selecção do Trevo teve uma queda abrupta a seguir às Seis Nações de 2015 e só neste Inverno de 2016 conseguiu se reerguer.

Mais fresca, mais alegre e mais motivada, a Irlanda tem agora todos os “dados” necessários para se lançar na luta pelo título em 2017, já que o seu rugby está ágil e extremamente dinâmico (veja-se o jogo com a Nova Zelândia a forma como aguentaram o mesmo timbre e qualidade de jogo), procurando ter mais a oval nas mãos do que metê-la na “caixa”.

O excessivo uso do pontapé prejudicou o fluir de jogo irlandês, que queria jogar mais no erro do adversário que tentar encontrar o caminho do ensaio pelas suas próprias mãos. Schmidt “refez” esta ideia de jogo, optando por dar mais espaço aos portadores de bola de correrem, de arriscarem numa entrada e de seguir a jogar.

Conor Murray está mais “calmo”, Sexton voltou aos melhores tempos e as soluções para as linhas atrasadas são mais completas e experientes. Como exemplo disso há alguns jogadores a destacar: Paddy Jackson (revelação durante os jogos de Verão, sendo um abertura mais “mágico” do que Sexton); Gary Ringrose (tem feito uma época de qualidade no Leinster, o centro pode ser uma das novas estrelas do Universo do Trevo); Luke McGrath (formação tem estado em evidência na equipa do Leinster); Ian Henderson (só com 24 anos, o gigante de 2,00 metros tem sido uma das grandes caras dos últimos três anos da Irlanda); e Josh Van der Flier.

O asa é aquele tipo de jogador que deixa qualquer “obcecado” em segui-lo nos jogos, já que é um “rochedo” autêntico a defender (50 placagens em 4 jogos da European Champions Cup), inteligente a ajudar a ganhar metros (zero penalidades ofensivas ou erros ao transportar a oval) e um jogador com a alma similar à de Sean O’Brien, um dos maiores jogadores irlandeses dos últimos 5 anos.

Fly with Van der Flier (Foto: The Telegraph)

Tiernan O’Halloran, é outro jogador a ter em atenção, já que o defesa de 25 anos tem começado a despontar na selecção, após ter ajudado o Connacht conquistar um campeonato inédito em 2015/2016.

É um atleta total, com uma capacidade de perfurar a linha, galgar metros (já praticamente ganhou 1Km com a oval nas mãos na PRO12) e dar outro “sabor” ao trio de trás irlandês. Mas, essa posição será ocupada por Rob Kearney ou Jared Payne nas próximas Seis Nações.

Por isso que esperar da Irlanda? “Agressividade” física, domínio territorial claro especialmente nos 10 metros em redor do seu ruck, ataque que procura envolver um dos pontas com um dos centros para apostar numa pensada e bem articulada para o ataque.

Contra a Austrália, Nova Zelândia (1º jogo) ou Argentina, sentiu-se uma Irlanda muito móvel, mais capaz de acreditar nas suas melhores qualidades e com uma capacidade para criar pontos quando mais precisava.

Em termos defensivos a postura na placagem é sempre uma Ode ao rugby por parte dos irlandeses, onde Van der Flier, CJ Stander, Rory Best (um capitão avant la lettre que dá tudo pela equipa) ou Jared Payne são instrumentos fundamentais para manter a linha de defesa imaculada.

Os irlandeses aguentam bem a pressão ofensiva de equipas como a França ou Escócia, mas sucumbem, por vezes, aos desígnios físicos de equipas como a Inglaterra.

Em suma, a Irlanda é uma das favoritas ao título seja pelo seu passado recente ou pela congeminar de um grupo unido, forte e capaz de fazer valer as suas qualidades. Os problemas podem advir da formação ordenada, da falta de soluções após um pontapé ou da desconcentração em momentos chave (vejam o ensaio de Beauden Barrett no jogo nº2 neste Novembro que passou), três factores a “limar”.

Provável XV Titular: Jack McGrath, Rory Best e Tadahg Furlong; Iain Henderson e Devin Toner; CJ Stander, Sean O’Brien e Jamie Heaslip; Connor Murray; Jonny Sexton; Robbie Henshaw e Jared Payne; Keith Earls, Andrew Trimble e Rob Kearney.

Esta é a parte 1 de uma análise de três segmentos, sendo que para a semana seguinte falaremos de DragõesInvictos.

Ireland’s Call (Foto: RBS 6nations)

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