Arquivo de Australian Open - Fair Play

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André Dias PereiraFevereiro 22, 20213min0

O sérvio voltou a fazê-lo. Nunca se deve duvidar de Novak Djokovic em Melbourne. Não por acaso é o recordista de títulos do Australian Open: são agora nove. Mesmo não estando na melhor forma será sempre um candidato ao título.

Nas últimas duas semanas o sérvio não foi dominador tão como habitualmente. Esteve quase afastado, mas chegando à final mostrou ao que veio. E nem a consistência de Daniil Medveded serviu ao russo. Em três sets Djokovic venceu por 7-5, 6-2 e 6-2.

Djokovic chegou a Melbourne com um ponto de interrogação. Depois dos altos e baixos do final de 2020, e dos problemas extra court, importava saber em que momento estava o sérvio. E a verdade é que o número um mundial fez uma prova em crescendo. Começou por vencer Jeremy Chardy (6-3, 6-2 e 6-1), mas depois sentiu dificuldades contra Taylor Fritz. Numa batalha de 5 sets, com Djoko a sentir dores. Perdeu vantagem no terceiro set, chegando mesmo a ter um pé fora da competição, mas venceu por 7-6, 6-4, 3-6, 4-6 e 6-2. Depois, contra Milos Raonic, mais sofrimento: 7-6, 6-4, 3-6, 4-6 e 6-2.

Aos trancos e barrancos mas foi avançando até estabilizar. Contra Alexander Zverev venceu por 6-4. 7-6 e 6-3. Ainda não foi desta que o alemão, 23 anos, venceu um Major. Um dos mais promissores jogadores do circuito, o número 7 mundial voltou a desperdiçar pontos importantes. E de nada valeu “ter encostado Djokovic às cordas”, como considerou o seu irmão, Mischa Zverev.

Nas meias finais, Djokovic venceu o outsider da competição. Aslan Karatsev viveu um conto de fadas em Melbourne. O russo, 27 anos, 42 do ranking ATP, atingiu as meias-finais de um Major pela primeira vez. Um grande registo para quem nunca chegou, sequer, a qualquer final de torneios ATP. Mas o sérvio não facilitou e ganhou por 6-3, 6-4 e 6-2.

Medvedev, ainda não foi desta

Se havia alguns pontos de interrogação no início sobre Djokovic, o mesmo não se pode dizer de Medvedev. O russo fez um grande 2020, vencendo o ATP Finals e chegando à final do US Open. Ao chegar a mais uma final, sobe agora à tereira posição do ranking. Aliás, há 20 jogos que Medvedev não perdia. Para trás, deixou adversários como Popisil, Roberto Baena, Filip Krajinovic, Mckenzie Macdonald, Rublev e Tsitsipas.

Ainda não foi, porém, desta que Medvedev conquistou um Major, mas parece uma questão de tempo até isso acontecer. O russo é hoje o valor mais fiável da nova geração e uma ameaça real ao domínio de Djokovic. Aliás, o Australian Open voltou a confirmar a qualidade de Rublev e de Tsitsipas. O grego, no mais, afastou Rafael Nadal, por 6-3, 6-4 e 6-2.

Com a queda de Nadal, a ATP confirmou que Djokovic vai chegar às 311 semanas como líder do ranking, superando as 310 de Roger Federer. Este foi, de resto, o Major número 18 do sérvio, que está apenas a dois dos recordes do suíço e de Nadal.

 

 

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André Dias PereiraFevereiro 5, 20213min0

Um caso positivo de Covid-19 no hotel onde os tenistas estão instalados fez disparar os alarmes. Mais de 600 pessoas foram colocadas em quarentena. Especulou-se sobre a realização do primeiro Grand Slam do ano, mas o que é certo é que vai mesmo acontecer e arranca segunda-feira, dia 8. A menos que, até lá, aconteça algo que mude a situação drasticamente. Por enquanto, os jogadores estão em risco moderado.

Sob o signo do Covid, esta edição torna-se, por isso, mais imprevisível. Todos os olhares estarão centrados em Novak Djokovic. O sérvio é número 1 mundial e recordista de títulos em Melbourne. Campeão em 2020, o sérvio é, ainda, o maior favorito, mas não incontestado. Campeão em título, Djokovic tenta aumentar a sua lenda na Austrália e reduzir distâncias para os 20 Majors de Federer e Nadal.

O sérvio não terminou 2020 da melhor maneira e muito dependerá da forma como se encontra agora. Mas já deu para notar, no final de 2020, que outros nomes podem hoje encarar o sérvio e jogar para ganhar. O principal é ainda Rafael Nadal. O espanhol também procura se isolar como o maior campeão de majors, mas terá que melhorar o que fez na edição passada. Em 2020, o maiorquino caiu nos quartos de final perante Dominic Thiem. O austríaco é número 3 mundial e foi finalista vencido o ano passado, ganhando ainda o US Open. É por isso um dos favoritos a estrear-se a ganhar em Melbourne. O ano de 2020 foi, aliás, o melhor da carreira de Thiem. No final do ano foi também finalista vencido no Masters Final. A sua versatilidade em diferentes tipos de court, tornam-no muito difícil de bater, seja em que contexto for.

Os Outsiders

É preciso ter também em conta a armada russa. Daniil Medvedev e Andrey Rublev já mostraram ter capacidade para altos voos. Nos últimos dois anos Medveded ganhou nada menos que seis títulos, entre eles, em 2020, o Masters Final e o ATP Paris. A sua frieza, serviço forte e versatilidade tornam-no um candidato a chegar muito longe não apenas em Melbourne mas ao longo de todo 2021. Será, pois, interessante acompanhar a sua evolução após o brilhante 2020. Já Andrey Rublev tem vindo a evoluir muito. Não foi feliz no Masters Final mas 2020 conquistou 3 títulos ATP: Hamburgo, Viena e São Petersburgo. Rublev é top-10 e é o desafiante a outros nomes como Tsitsipas, Zverev ou Federer. O suíço, recorde-se, está fora do Australian Open, ainda a recuperar de 2 operações.

Um nome que também será interessante manter no radar é Jannik Sinner. Longe de estar entre os favoritos, o italiano, 19 anos, alcançou os quartos de final no último Roland Garros. Foi convidado por Nadal para treinar após o retorno do ténis na sequência da pandemia, e revela uma calma e maturidade muito acima da idade.

Independente de nomes, tudo pode acontecer, sobretudo em contexto de Covid. A qualidade do ténis, contudo, está assegurada.

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André Dias PereiraJaneiro 25, 20213min0

O ano de 2020 fica para a história, não só do ténis mas do desporto em geral, como o mais desafiador para todas as organizações. O arranque da época de 2021 não promete, pelo menos para já, ser diferente. Para enquanto, o Australian Open foi adiado para 8 de fevereiro e a ATP Cup encurtada para o período entre 1 e 5 do mesmo mês. É ainda cedo para se falar em outras competições mas é possível que o clima de incerteza continue a ser feito mês a mês. Isso certamente, também tem impacto na preparação da temporada e rendimento dentro dos courts.

São vários os questionamentos que se fazem nesta altura da temporada. Agora, em 2021, mais ainda. O principal é saber se o big-3 ainda continuará a dominar a cena do ténis. Ou se é possível termos novas figuras no topo da hierarquia. Por ora, Novak Djokovic e Rafael Nadal são as únicas certezas num ano incerto. O sérvio e o espanhol ocupam ainda as duas primeiras posições com Dominic Thiem a espreitar de perto, no terceiro posto.

A recuperar de 2 cirurgias Roger Federer está afastado do Australian Open e deste início de temporada. Aos 39 anos ainda não dá para descartar do suíço, mas é pouco crível que possa voltar a liderar o ranking. Com 20 títulos Major é o recordista do circuito. Há muito que já não se apresenta como o maior favorito a ganhar um Grand Slam mas não seria totalmente surpreendente se ainda ganhasse mais 1 até se aposentar. Com 19 Majors, Nadal pode igualar ou até ultrapassar esse registo em 2021. É, outra vez, um dos principais candidatos a ganhar o Australian Open e, sobretudo, a vencer Roland Garros.

A força mental de Djokovic levada ao limite

Mas há, também, Djokovic. O sérvio tem-se apresentado, nos últimos anos, como o mais regular. Contudo, a sua resiliência e força mental será testada como nunca antes. Após os eventos da Adria Cup, que culminaram na infeção de vários tenistas e staff, o sérvio tem sido alvo de duras críticas. Mais, o sua impopularidade tem crescido . Se, em outras ocasiões, Nolan se tem valido disso para fortalecer o seu jogo, o Masters Final mostrou um lado do sérvio poucas vezes visto: desatento, de cabeça quente e a cometer demasiados erros não forçados.

Dominic Thiem, Daniil Medvedev têm sido, nos últimos dois anos, os grandes desafiantes ao big-3. O austríaco é já número 3 mundial, a morder os calcanhares a Rafael Nadal. Thiem é também tido como o sucessor do espanhol no reinado da terra batida. Em 2020 venceu ainda o US Open, o seu primeiro Major. É um dos mais consistentes do circuito e candidato a ganhar qualquer Grand Slam. O ano passado foi ainda finalista vencido em Melbourne.

Entretanto, o russo foi o campeão do Masters Final em sua segunda participação. Medvedev viveu o período incrível em 2020. Para além dos triunfos do ATP Finals e ATP Paris, ganhou 4 títulos em 2019 e 3 em 2018. Outros tenistas, como Tstsipas, Rublev, Zverev ou Schwartzman deverão também se manter no topo da cena do ténis mundial, causando sensação aqui e ali.

Mas, outra vez, tudo dependerá da evolução e impacto da pandemia no circuito que, por agora, mantém ainda o público fora dos courts.

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André Dias PereiraDezembro 28, 20203min0

Roger Federer não deverá jogar o Australian Open, que está agendado para Fevereiro de 2021. Foi o agente do suíço, Tony Godsick, quem o garantiu à Associated Press. O tenista suíço continua a recuperar-se de duas intervenções cirúrgicas feitas ao joelho. Segundo Godsick, o multicampeão helvético tem feito grandes progressos mas acredita que a longo prazo o melhor é voltar à competição após o Australian Open.

O primeiro Grand Slam do ano, em 2021, não acontecerá em janeiro. A organização decidiu adiar o certame para 8 de fevereiro. Já há algum tempo, aliás, que se especulava sobre essa possibilidade. O aumento de número de casos relativos ao Covid-19 esteve na base da decisão.

A data inicial, 18 de janeiro, revelou-se inviável devido à necessidade de os tenistas precisarem de cumprir um período de quarentena de 15 dias. O qualifying masculino vai, ainda assim, jogar-se em Doha, entre 10 e 13 de janeiro. Os tenistas seguem depois para Melbourne onde farão a quarentena.

Para que os tenistas possam fazer uma melhor preparação, o torneio de Adelaide vai jogar-se na sede do Australian Open. Entretanto, os torneios de Auckland e Nova Iorque foram cancelados.

A temporada 2021 arranca da mesma forma que a de 2020 termina. Sob o signo da incerteza. Mesmo com a distribuição de vacinas no mundo inteiro as medidas de segurança e higiene deverão manter-se reforçadas. Não há ainda informação sobre se os torneios terão público mas é pouco provável que, em fevereiro, haja condições que decorra da mesma forma dos últimos anos.

O que a ausência de Federer representa

Para qualquer torneio, a ausência de Roger Federer tem um impacto financeiro. Desde logo para a valorização, não apenas desportiva, mas também da marca Australian Open. Afinal, o multicampeão suíço é um dos maiores símbolos do ténis, o seu maior campeão, e vencedor seis vezes em Melbourne. Apenas Djokovic tem mais vitórias no Australian Open do que Roger Federer.

É difícil mensurar um valor, mas, sobretudo em tempo de Covid, a venda dos direitos de transmissão do torneio deverá desvalorizar. Não estando garantida a presença de público, isso pode representar um peso acrescido para a organização.

Mas a ausência de Federer não é surpreendente. Aliás, o seu último jogo oficial foi em janeiro de 2020. Há já alguns anos que o suíço tem vindo a ser muito criterioso na calendarização de suas temporadas. Com 20 Majors no bolso, vencer ou acumular dinheiro, deixaram de ser a prioridade. Federer quer garantir que pode ser competitivo ao ponto de jogar finais e tentar, se possível, rivalizar com Nadal e Djokovic. Parte do seu sucesso aos 39 anos passa por aí.

Mas ao falhar Melbourne, o suíço pode ver Nadal se tornar o maior campeão de Grand Slam. O espanhol e o suíço somam, cada um, vinte vitórias. E, salvo alguma lesão, é expectável que o maiorquino possa vencer novamente Roland Garros. Se Djokovic confirmar o seu favoritismo ficará a 2 títulos dos seus rivais. Contudo, hoje ninguém pode ignorar outros nomes na parada, como Thiem, Tsitispas ou o campeão de Masters de 2020, Daniil Medvedev. Tudo depedenderá, porém, da forma como os jogadores se apresentarem no novo ano e as condicionantes da pandemia.

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André Dias PereiraFevereiro 3, 20203min0

Oito vezes, Novak Djokovic. O sérvio conquistou este domingo, dia 2, em Melbourne, o seu oitavo Australian Open ampliando o recorde de títulos no primeiro Grand Slam do ano. Frente a Dominic Thiem, Djokovic precisou de 4 horas de jogo para ganhar por 6-4, 4-6, 2-6, 6-3 e 6-4. Com este título, o sérvio regressa a partir desta segunda-feira, dia 3, à condição de líder da hierarquia mundial. Além disso, passa a somar 17 Majors, menos dois que Roger Federer e Rafael Nadal. A grande questão se intensifica é saber quem, entre o Big-3, terminará a carreira com mais Grand Slam.

Mas vamos por partes. Djokovic voltou a provar o porquê de ser recordista em Melbourne. Foi mais experiente, mais sólido e consistente que todos.  O sérvio começou de forma competente, mas sem soberania. Contra Jen-Lennard Struff ganhou por 7-6, 6-2, 6-2 e 6-1. À medida que a competição avançou foi subindo o tom. Contra Tatsuma Ito não deu chances: 6-1, 6-4, 6-2. Depois, contra o também japonês Yoshihito Nishioka, voltou a não ceder sets:  6-3, 6-2, 6-2. O mesmo aconteceu com David Schwartzman (6-3, 6-4, 6-4) e Milos Raonic (6-4, 6-3 e 7-6).

Contra um Roger Federer condicionado fisicamente, Djokovic também não deu chances: 7-6, 6-3, 6-4. São já 27 vitórias do sérvio contra 23 do suíço no frente a frente. Djokovic, diga-se, continua sem perder qualquer jogo sempre que atingiu as meias-finais do Australian Open. Federer fez o que pode. O seu ponto mais alto foi nos quartos de final, contra Tennys Sandgren, em que salvou nada menos do que 7 match points, vencendo por 6-3 2-6 2-6 7-6(8) 6-3.

Thiem: à terceira ainda não foi de vez

Apesar da derrota na final, Dominic Thiem volta a mostra que a Next Gen continua a morder os calcanhares ao Big-3. Para o austríaco terá sido certamente frustrante. Depois de Roland Garros (2018 e 2019) e ATP Finals, em 2019, Thiem volta a ficar perto do seu primeiro título em Major. O austríaco é, aliás, o sexto jogador da história a perder as 3 primeiras finais: Tony Roche, Ivan Lendl, Andre Agassi, Goran Ivanisevic e Andy Murray.

Aos 26 anos, Thiem tem o mundo à sua frente. E foi exatamente isso que Djokovic disse no momento da vitória, elogiando o rival. É certo que a terra batida é o piso preferencial de Thiem, mas o que mostrou em Melbourne prova que pode vencer em qualquer piso. Ganhar um Slam é, pois, uma questão de tempo. De resto, o austríaco deixou para trás, por exemplo, Rafael Nadal (7-6, 7-6, 4-6 e 7-6) e Alexander Zverev (1-6, 6-3, 6-4, 6-2).

Djokovic espreita agora a possibilidade de se tornar o maior campeão de Major de sempre. Com 17 títulos, um ano mais novo que Nadal e seis que Federer,  é provável que possa superar o suíço e o espanhol. Até porque Nadal é mais dominante na terra batida, onde é o maior campeão. Tal como Federer em Wimbledon. Djokovic tem a seu favor não apenas a idade mas o fato de ser o mais completo do Big-3. Se o vai conseguir o tempo dirá. Não é certo e Serena Williams está aí para o provar. Tal como Federer sentiu dificuldades em alcançar o Grand Slam 15, superando Sampras. Veremos, pois, o que reserva o resto do ano. Até porque Thiem parece estar, cada vez mais, a intrometer-se na possibilidade de títulos.

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André Dias PereiraJaneiro 20, 20203min0

Arrancou este domingo, dia 19, mais uma edição do Australian Open. O primeiro Grand Slam do ano é também a primeira grande oportunidade de 2020 de vermos em court os maiores tenistas do mundo.  E são vários os cenários e recordes que podem ser quebrados.

Ano após ano, a principal pergunta por esta altura persiste. Até quando o Big-3 do circuito continuará a dominar os Major. Outra vez, Nadal, Djokovic e Federer são os grandes favoritos, mas é possível acreditar que outros nomes possam surgir. Medvedev, Thiem ou Tsitsipas são bons exemplos disso.

Desde 2011 todos os vencedores de Grand Slam têm hoje mais de 30 anos e apenas 6 dos 36 torneios disputados não foram ganhos pelo Big-3.

De uma forma ou de outra, algo de especial vai acontecer. Senão vejamos. Rafael Nadal entra em court não apenas para defender a sua condição de líder da hierarquia, mas também para igualar Roger Federer. Caso vença o Australian Open, o espanhol alcança os mesmos 20 Grand Slam que o helvético. Finalista vencido em 2019, Nadal conquistou Roland Garros e US Open mostrando que ainda o pode fazer. Cinco anos mais novo que Federer é muito provável que o maiorquino se torne o maior campeão de Grand Slam. Até porque Federer parece uns furos abaixo dos seus rivais – em 2019 não venceu qualquer Major, sendo finalista de Wimbledon – e também porque Nadal continua a ser o grande favorito em Roland Garros, onde venceu 12 das últimas 15 edições.

Por seu lado, Novak Djokovic tenta recuperar o estatuto de número 1 mundial. Campeão em título do Australian Open, o sérvio é como que um anti-herói junto do público. Ainda assim, Nolan é o maior campeão em Melbourne, com sete títulos. A seu favor, tem ainda a recente vitória na ATP sobre Espanha de Rafael Nadal. Os dois são os grandes favoritos à conquista do primeiro Major do ano.

Mas é preciso não ignorar Federer. Mesmo aos 38 anos o suíço transporta uma aura de campeão que pesa nos grandes momentos. É certo que em 2019 não venceu nenhum Slam, mas foi finalista no All England Club e ganhou em Melbourne em 2017 e 2018. O suíço reconhece que não é o principal favorito, mas ninguém subvaloriza as suas possibilidades. Recorde-se que o helvético continua a perseguir o recorde de 109 títulos de Jimmy Connors. Atualmente conta com 102 e de acreditar que possa ganhar mais alguns em 2020. Vencer um Major seria a cereja no topo do bolo.

A nova geração

Um dos grandes desafios para Federer é segurar o terceiro posto mundial. O russo Danill Medvedev (4º), o austríaco Dominic Thiem (5º), o grego Stefanos Tsitsipas (6º) e o alemão Alexander Zverev (7º)  espreitam o top 3 e não seria nenhuma surpresa caso vencessem o Australian Open. O ano de 2019 confirmou isso mesmo.

Tsitsipas é, aliás, o campeão em título do Masters Final, que resultou de um ano fulgurante. O russo, por seu lado, chegou, em 2019, a nada menos que 5 finais ATP tendo ganho 4 delas. Ambos já mostraram capacidade para vencer qualquer adversário e têm mentalidade vencedora. Vencer um Major parece, pois, uma questão de tempo.

E há ainda Dominic Thiem. O austríaco foi finalista do Australian Open e há algum tempo que ronda um grande título. Em 2019, ganhou 5 torneios ATP e foi ainda finalista do Masters Final. A terra batida é o seu ponto forte mas o austríaco já mostrou capacidade também em outros pisos.

O espetáculo vai começar.

 

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André Dias PereiraFevereiro 11, 20191min0

Jo-Wilfred Tsonga voltou aos títulos, um ano e meio após o último. E logo em casa. Em Montpellier, Tsonga alcançou o 17º troféu da sua carreira. Aos 33 anos de idade, venceu o compatriota Pierre Hugues Herbert pelos parciais de 6-4 e 6-2.

Foi uma final totalmente francesa, num torneio que contou com nomes como Jeremy Chardy, Denis Shapovalov, Thomas Berdych ou Benoit Paire.

Até chegar à final, Tsonga deixou para trás Gille Simon (3-6, 7-6, 6-4) e Jeremy Chardy  (6-1, 6-1). Esta foi a primeira vez que Tsonga conquistou o torneio. A prova, diga-se, tem sido dominada grandemente por tenistas franceses desde 2010, o ano da primeira edição. Richard Gasquet, com três títulos, é o seu maior campeão. E apenas por duas vezes o vencedor não foi francês. Aconteceu em 2012, com Tomas Berdych, e em 2017, com Alexander Zverev.

Esta foi, de resto, uma importante conquista para Jo-Wilfred Tsonga. Depois de em 2017 ter vencido quatro torneios (Roterdão, Marselha Lyon e Antuérpia), o francês teve um 2018 difícil. Uma lesão e uma paragem de oito meses condicionaram a sua evolução. Em Janeiro, no Australian Open, o francês ficou-se pela segunda ronda. Depois de eliminar Martin Klizan, foi afastado pelo campeão Novak Djokovic.

Independentemente de tudo, o ano de 2019 está ainda a começar. Veremos como pode Tsonga evoluir aos 33 anos. Para já conta com um título e é provável que o vejamos a disputar a vitória em outros torneios. Mais improvável é chegar a fases mais avançadas de Grand Slam. Mas tudo está em aberto.

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André Dias PereiraJaneiro 29, 20191min0

É preciso recuar até 1905 para encontrar os primórdios do Australian Open. A competição que, por assim dizer, marca o arranque do calendário do ténis, começou por ser Australasian Championships e, em 1927, Australian Championships. Só desde 1969 se passou a designar Australian Open.

Mas vamos por partes. Inicialmente o torneio não era designado Slam. Em 1924 o comité da prova mudou a estrutura do torneio, passando a incluir cabeças de série. O torneio já passou por cinco cidades australianas e duas neozelandesas.

A localização da Austrália levou muitos tenistas estrangeiros a desistiem da prova até meados do século XX.  Uma viagem de barco para a Austrália da Europa demorava 45 dias. Os primeiros estrangeiros foram norte-americanos por conta da Taça Davis.

Se o torneio, inicialmente, era jogado em várias cidades – Melbourne, Brisbane, Peth, Sidney – a prova fixou-se definitivamente em Melbourne, em 1969, no início da era Open. Pela acessibilidade e pela capacidade do estádio. Em 1972 o torneio foi assistido por mais de 140 mil espectadores. Em 1988 ganhou o estatuto de Grand Slam.

A prova começou por ser jogada em Dezembro e mais tarde passou para Janeiro. Em 1977, contudo, foi jogada duas vezes. Uma no início do ano e outra no final.

A primeira edição, em 1905, foi vencida por Rodney Heath. O australiano derrotou o compatriota Albert Curtis por 4-6, 6-3, 6-4 e 6-4. Em pares, a dupla Randolph Lycett e Tom Tachell, venceu E.T. Bernard e Basil Spence por 11-9, 8-6, 1-6, 4-6 e 6-1. Cinco anos depois, Rodney Heath voltaria a vencer a prova.

Desde domingo, Novak Djokovic, com sete títulos, tornou-se, o maior campeão do Australian Open.

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André Dias PereiraJaneiro 28, 20194min0

Novak Djokovic tornou-se, este domingo, o maior campeão da história do Autralian Open. Ao vencer pela sétima vez em Melbourne, o sérvio destacnou-se de Roger Federer e Roy Emerson, ambos com seis conquistas.

Nolan  não fez por menos. Diante Rafa Nadal o sérvio conquistou uma das mais consistentes vitórias da sua carreira. Com os parciais de 6-3, 6-2 e 6-4, Djokovic mostrou o porquê de ser o grande favorito e que está vários passos à frente da concorrência. Mesmo que essa concorrência seja Nadal ou Federer. Ao contrário do que aconteceu na final entre os dois em 2012, que durou quase seis horas, desta vez Djokovic precisou apenas de duas horas e quatro minutos.

Djokovic foi superior em quase todos os capítulos. Mais ases, maior percentagem de colocação de primeiro serviço ou maior percentagem de vitórias no primeiro e segundo serviços. Mas, acima de tudo, impressiona a supremacia de jogo na rede. Djokovic conquistou 89% dos pontos contra 50% de Nadal. Também em erros não forçados, o espanhol cometeu 28, contra 9 do sérvio. É certo que o maiorquino estaria reduzido físicamente, mas reconheça-se que Djokovic esteve a um nível raramente visto na história do ténis e que deixa uma pergunta no ar. Pode o sérvio tornar-se o maior de sempre?

Aos 31 anos, Djokovic soma agora 15 Grand Slam, contra 17 de Nadal e 19 de Federer. O número um mundial parece, todavia, bem à frente dos rivais, físicamente e mentalmente. Sendo mais novo dos três, é de acreditar que, talvez ainda esta temporada, se possa aproximar ainda mais do espanhol. Nadal é, contudo, o grande favorito para Roland Garros. Mas Djokovic pode também ter uma palavra a dizer. Além disso, há ainda Dominic Thiem e Alexander Zverev, cuja a terra batida, é o seu piso preferencial.

E agora, 2019?

Mas se há lição que Melbourne nos trouxe é que apesar do crescimento da NextGen, a velha escola ainda dita regras. É preciso recuar até 2005 para encontrar uma final que não inclua Federer, Nadal ou Djokovic.

Quem parece mais distante dos grandes títulos é Federer. O suíço, vencedor das últimas duas edições, caiu aos pés de Tsitsipas, na quarta ronda: 6-7, 7-6, 7-5 e 7-6. Não que o suíço tenha feito uma má partida, mas o grego mostrou ter outro andamento, sobretudo em jogos de cinco sets. Veremos o que o helvético poderá fazer, sobretudo em Wimbledon. Vencer o 20º Major parece mais improvável do que ultrapassar Jimmy Connors como o maior campeão de títulos ATP.

Da nova geração, Stefanos Tsitispas e Lucas Pouille foram os melhores, ao atingirem as meias finais. O grego parece confirmar o grande 2018, não se amedrontando com nenhum adversário. Também Frances Tiafoe atingiu pela primeira vez os quartos de final. Outros nomes, como Zverev ou Borna Coric cairam precocemente nos quartos de final. De todos, o alemão representou a maior desilusão. Porque é número 4 do mundo, mas sobretudo porque tem sentido dificuldades em progredir em Grand Slams. Os quartos de final de Roland Garros, em 2018, continua a ser o seu melhor registo.

É certo que o ano acabou de começar. Tudo está, por isso, em aberto. E há vários factores que podem influenciar como o ano vai progredir. Há um ano, por exemplo, Federer dominava o circuito e Djokovic colocava em causa a sua continuidade na competição. E, claro, há sempre o factor de lesões. Mas, em condições normais, Djokovic terá neste momento como motivação aproximar-se de Connors, Lendl, Sampras e Federer com maior número de semanas como número 1 mundial. Mas, acima de tudo, ambiciona ultrapassar Nadal e Federer como maior campeão de Grand Slams. Para já, é o tenistas que mais vezes vencer torneios Masters 1000. E, olhando o momento que atravessa, tudo dependerá das lesões e gestão que fizer de seus torneios. Aos 31 anos, Djokovic assume que esse objetivo “é muito difícil, mas não impossível”.

Veremos o que a temporada nos reserva.


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