Arquivo de Australian Open - Fair Play

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André Dias PereiraFevereiro 5, 20224min0

Vinte e uma vezes Rafael Nadal. O espanhol tornou-se o primeiro tenista a conquistar 21 Majors. Aconteceu no domingo, em Melbourne, na Austrália. Nem Quentin Tarantino escreveria um desfecho tão épico e improvável quanto foi a final do Australian Open e o feito do espanhol.

Entre o Big-3, Nadal era o único que poderia chegar já aos 21 Majors. Porque Federer continua a recuperar de lesão e porque Djokovic foi deportado em virtude de não cumprir os regulamentos sanitários do país. Mas isso não tornava a tarefa do espanhol mais fácil. Tal como o rival suíço, o maiorquino também atravessou um longo calvário de lesões. Foram mais de 6 meses de paragem. Nadal ainda participou em torneios de pares para ganhar ritmo, mas a sua condição física preocupava.

Além disso, outros contestantes ao título pareciam mais mais posicionados à conquista do primeiro Major do ano.  Como Zverev, Tstitsipas ou, sobretudo, Medvedev. E o russo teve título na mão. Quando, na final, chegou a estar com 2 sets de vantagem poucos acreditariam na recuperação de Nadal. Porque o espanhol já não tem o fulgor de antes (são já 35 anos), porque já vinha de uma longa batalha com Sahapovalov, mas sobretudo porque Medvedev é muito forte mentalmente.

Só que o russo cometeu um pecado capital que se paga caro contra adversários como Nadal. Não “matou” o jogo à entrada do terceiro “set“, permitindo, gradualmente, a recuperação de Rafa. E há três coisas que em Nadal, nunca podem ser negligenciadas, mesmo quando tecnicamente o seu jogo não resulta. A sua raça, capacidade de sacrifício, força mental e lutar até ao fim. Nadal acredita em cada ponto como se fosse o último e na vitória quando mais ninguém acredita. E foi assim que resgatou o jogo para um triunfo de 2-6, 6-7, 6-4, 6-4 e 7-5.

Quem acaba carreira com mais Majors?

Foi a segunda vez que Rafael Nadal venceu o Australian Open. A primeira havia sido em outra final memorável, contra Roger Federer, em 2009. À época, vivia-se o auge da era “Fedal”, com os dois jogadores a dominarem completamente a cena do ténis. Djokovic estava ainda em ascensão. Essa final ficou marcada pelas lágrimas de Federer, após derrota, por não conseguir igualar Pete Sampras com 14 troféus.

De então para cá algumas coisas mudaram. Federer e Nadal envelheceram bem e têm sabido manter-se no topo. Só que Djokovic tem feito uma década absolutamente arrasadora e à entrada para 2022, os três somavam, juntos, 60 Grand Slams (20 para cada um). O espanhol conseguiu agora adiantar-se, em Melbourne em relação aos rivais, nesta corrida a três. E continua a ser o grande favorito para Roland Garros, onde somou 13 dos seus 21 Majors.

O espanhol reconhece que 21 Grand Slam não serão suficientes para se tornar o maior campeão de sempre. Também por isso Nadal continua a treinar-se e a motivar-se com novos objetivos. E isso explica que logo após a vitória sobre Medvedev tenha ido fazer bicicleta e retomado os treinos.

Fora do Australian Open por não estar vacinado, Djokovic vive momentos difíceis. O seu posicionamento anti-vacina já lhe custou vários dissabores e Paris já anunciou que não aceitará jogadores que não estejam vacinados. O quanto isso impacta a carreira e o momento de Nolan? Bom, por enquanto pode ser barrado de outros torneios. E caso fique de fora do Masters 1000 Miami e Indian Wells, poderá mesmo perder a liderança mundial.

Que Federer vai regressar?

De acordo com o biógrafo Daniel Muksh, após o triunfo de Nadal em Melbourne o sérvio terá decidido vacinar-se. Caso venha a confirmar-se a sua participação em Roland Garros, será interessante continuar acompanhar a rivalidade com o espanhol. Por um lado, o sérvio é o campeão em título e quer igualar o Nadal com o máximo de Majors, e por outro lado, o maiorquino quer recuperar o título perdido e aumentar a sua lenda em Paris e em Majors.

Há ainda Federer. O suíço não está fora destas contas mas parece mais distante. Aos 40 anos e afastado dos courts desde 2021, só deverá voltar em Wimbledon. A pergunta que se coloca é que Federer teremos por essa altura? Poucos acreditam que o helvético tenha condições para disputar o título nos maiores torneios. A situação mais provável é que regresse para ser competitivo q.b. para seguir até, quem sabe, aos quartos de final de grandes provas, e arrecadar alguns títulos em torneios menores, em uma espécie de tourné de despedida.

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André Dias PereiraJaneiro 26, 20223min0

Nadal e Berrettini são os primeiros semi-finalistas conhecidos do Australian Open. À data da publicação deste artigo ainda faltava conhecer os outros 2 jogadores que compõem a meia final. E a verdade é que outros nomes grandes se podem juntar ao espanhol e italiano.

Mas vamos por partes. Rafa Nadal chega à sua 36 meia final da carreira, a nona em Melbourne. Um registo impressionante, apenas ultrapassado por Federer e Djokovic. E a verdade é que o maiorquino não tem sido sempre brilhante. É normal que assim o seja. Aos 35 anos e após longa paragem por lesão dificilmente poderíamos esperar que o nível do espanhol fosse o de outrora. Mas a verdade é que a falta de inspiração é compensada com garra. Foi assim que Rafa venceu o canadiano Shapovalov (6-3, 6-4, 4-6, 3-6 e 6-3), numa batalha de mais de 4 horas.

Como tem acontecido nos últimos anos, a verdade é que Nadal vai respondendo dentro de court, com resultados,  a todos os que vaticinaram o fim da sua era. E a verdade é que é único jogador que pode atingir 21 majors. Isto porque Federer continua a recuperar de 2 cirurgias e Djokovic falhou o primeiro major do ano após ter sido deportado de Austrália por não estar vacinado.

Até aqui Nadal deixou para trás Yannick Haffman (6-2, 6-3 e 6-4), Karen Kachanov (6-2, 6-3, 3-6 e 6-1) e Adrian Mannarino (7-6, 6-2 e 6-2), para além de Shapovalov.

Zverev cai outra vez ceedo demais

O canadiano proporcionou, aliás, uma das principais surpresas do torneio, ao afastar Alexander Zverev (6-3, 7-6 e 6-3). Uma surpresa, diga-se, pelo momento que os jogadores atravessam. É inequívoco que o canadiano é um dos mais talentosos jogadores do circuito. Mas a verdade, porém, é que nem sempre tem resultados em conformidade com a sua capacidade. O alemão, por seu lado, continua o calvário dos Grand Slam. Aos 24 anos o número 3 do mundo soma 19 títulos, entre os quais 6 em 2021 – e entre eles o ATP Finals – mas não conseguiu ainda qualquer major. A pressão sobre o alemão tem vindo a intensificar-se nesse quesito nos últimos anos.

A vez de Berrettini?

Quem também está nas meias finais é Matteo Berrettini. O italiano tornou-se o segundo jogador do país com mais presenças nesta fase de um major. Desta vez deixou para trás o francês Gael Monfils (6-4, 6-4, 3-6, 3-6 e 6-2). Antes disso, afastou Brandon Nakashima, Stefan Kozlov, Carlos Alcaraz e Carrño Busta. Entre estes, destaque para o confronto com Alcaraz. O espanhol voltou a mostrar que é preciso contar com ele no futuro, deixou tudo em court, apesar do resultado: 6-2, 7-6, 4-6, 2-6 e 7-6.

Agora, contra Nadal, o italiano vai reviver as meias finais do US Open 2019. É a terceira vez, aliás, que Berrettini chega a esta fase de um Major. Será que é desta que dá o passo em frente?

Por enquanto não são conhecidos ainda os outros semi-finalistas. Mas um dos favoritos é Daniil Medvedev. O número 2 do mundo procura o seu primeiro título em Melbourne. E para já tem alternado entre vitórias consistentes, como diante Laaksonnen ou Zandschulp e triunfos apertados como Nick Kyrgios ou Maxime Cressy, sendo obrigado a jogar 5 sets. Agora, contra Aliassime o russo terá novamente que subir o seu nível. O canadiano é um dos melhores jogadores da sua geração e tem vindo a colecionar resultados importantes. Outro jogador com grandes ambições é Stefanos Tsitsipas. O grego também busca o seu primeiro título em Melbourn, depois de já ter ganho o ATP Finals e Roand Garros. Mais importante, um bom arranque em 2022 mais bem sucedido que o segundo semestre de 2021.

 

 

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André Dias PereiraJaneiro 19, 20223min0

Arrancou o Australian Open. Mas independentemente do que acontecer nos courts, esta edição é marcada pelo que acontece fora deles. Porque mesmo não jogando, Djokovic é nome dominante. Após uma novela que durou mais de uma semana, certo é que o sérvio não disputa o primeiro Grand Slam do ano.

Nolan foi deportado para o seu país natal por não cumprir os regulamentos de segurança sanitária em Austrália, chegando a ser detido. Djokovic não está vacinado e mantém uma postura ativista na luta pela liberdade individual de vacinação. Uma luta que, para já, o afasta da possibilidade de disputar o seu décimo título em Melbourne e alcançar o 21 Major da carreira. Mas as coisas podem não ficar por aqui, porque a participação em Roland Garros também está condicionada à vacinação.

Mesmo com Djokovic de fora, o show tem que prosseguir. Salvatore Caruso assume, assim, a vaga deixada em aberto pelo número 1 do mundo. “O perdedor mais sortudo do mundo” foi como o próprio “lucky looser” se assumiu. De todo o modo, o italiano foi eliminado por Miomir Keckmanovic (6-4, 6-2, 6-1).

Sem Djokovic em court, quem são então os grandes favoritos ao título? À cabeça, Daniil Medvedev. O número 2 do mundo foi finalista vencido o ano passado e deu o passo em frente no US Open. Melbourne poderá ser, pois, o momento de transição na sua carreira, com vista ao topo da hierarquia. Mas pela frente poderá ter que ultrapassar o sempre incómodo Nick Kyrgios na segunda ronda. O russo tem um jogo muito consistente, é regular e possui uma força mental que o torna fiável.

Mas não é pela ausência de Djokovic que Medevedev terá uma passadeira estendida. Até porque Zverev é agora o segundo cabeça de série e um dos mais consistentes jogadores do circuito.

Nadal de regresso

Claro que é importante ficar de olho também em Tsitsipas e Nadal. Em 2021 o grego eliminou Nadal e Federer, mas a verdade é que durante o segundo semestre do ano decaiu. Que jogador teremos nesta fase? Bom, isso é uma resposta que teremos durante o torneio. E ninguém dúvida do que Tsitsipas pode fazer em um bom dia.

Sem Djokovic nem o lesionado Federer, Nadal será o único integrante do Big-3 a jogar em Melbourne. O espanhol regressa após uma longa paragem por lesão. Não tem o fulgor de outros tempos, é certo, mas é sempre um nome a ter em conta quando se fala em favoritos. Até porque em caso de vitória torna-se o maior campeão da história de Majors, ganhando vantagem sobre o sérvio e o suíço.

Outro nome para seguir com atenção é o de Andy Murray. O britânico já não é o que foi, mas a verdade é que tem vindo a tornar o seu ténis mais consistente. Aliado à sua experiência é um nome que, em um bom dia, pode causar surpresas. E para já começou bem. Contra Basilashvili levou a melhor, ganhando por 6-1, 3-6-4, 6-7 e 6-4. Outros “jokers” podem ser Francis Tiafoe, Alex de Minaur ou até mesmo Carlos Alcaraz.

De uma forma ou de outra, há mais Australian Open para além de Djokovic. Mas este pontapé de saída da temporada poderá marcar uma viragem no que tem sido o ATP nas últimas décadas.

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André Dias PereiraJaneiro 5, 20222min0

Após avanços e recuos parece que Novak Djokovic vai  jogar o próximo Australian Open. O número 1 do mundo confirmou no seu Instagram que vai disputar o primeiro Major do ano, entre 17 e 30 de Janeiro.

Em causa está a não vacinação contra o Covid-19. Por várias vezes o número 1 mundial posicionou-se contra a vacinação obrigatória. Para poder defender o título de 2021, Djokovic viu ser-lhe concedida uma isenção do comprovante de vacina por parte da organização.

O tema não é pacífico, nem entre a organização nem entre os tenistas. O ano passado, o sempre polémico Nick Kyrgios declarou que apesar de ter tomado todas as vacinas não concordava com a exigência da vacinação obrigatória. Novak Djokovic não perdeu tempo em se posicionar ao lado do australiano, defendendo a liberdade de escolha: “Não importa se é no ténis ou em qualquer outra área da vida, todos devem ter a liberdade de escolher o que querem ou não fazer”.

Recorde-se também que desde o início da pandemia, Nolan tem colecionado polémicas. Desde a organização de torneio nos Balcãs, que culminou com vários jogadores e público infectado, à preparação de Grand Slams.

Outro caso curioso é o de Tennys Sandgren. O número 96 do mundo desistiu do torneio por não estar vacinado, contudo, pediu regime de exceção por acreditar que não cumpria os protocolos exigidos no país.

Certo é que o Governo já tinha anunciado, ainda em 2021, que para jogar o Australian Open todos os jogadores teriam que apresentar o certificado de vacinação. Um dos visados era justamente Djokovic, que para já perdeu a possibilidade de jogar ATP Cup.

Nadal quase a postos

Craig Tiley, diretor do torneio, garante que não existe uma exceção para Djokovic. O que acontece é que foram pedidos 26 exceções e a maioria não cumpria todas as regras.

Novak Djokovic pode assim lutar pelo seu décimo título em Melbourne. Caso o faça torna-se o primeiro a atingir 21 Majors. Mas Nadal também está na parada. O espanhol regressou à competição na variante de pares do ATP 250 de Melbourne. Juntamente com o também maiorquino Jaume Munar, a dupla venceu Sebastian Baez e Tomas Etcheverry.

Após uma longa paragem, Nadal vai ganhando ritmo para o primeiro Major do ano. E mesmo não sendo favorito, é interessante acompanhar o nível a que se vai apresentar. Talvez o torneio que o maiorquino tem mais chances de vencer é Roland Garros.  Até porque há Medveded e Zverev a jogarem o melhor ténis das suas carreiras. De fora do torneio está Roger Federer. O suíço também se encontra a recuperar de duas cirurgias e na melhor das hipóteses só deverá voltar em Wimbledon.

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André Dias PereiraFevereiro 22, 20213min0

O sérvio voltou a fazê-lo. Nunca se deve duvidar de Novak Djokovic em Melbourne. Não por acaso é o recordista de títulos do Australian Open: são agora nove. Mesmo não estando na melhor forma será sempre um candidato ao título.

Nas últimas duas semanas o sérvio não foi dominador tão como habitualmente. Esteve quase afastado, mas chegando à final mostrou ao que veio. E nem a consistência de Daniil Medveded serviu ao russo. Em três sets Djokovic venceu por 7-5, 6-2 e 6-2.

Djokovic chegou a Melbourne com um ponto de interrogação. Depois dos altos e baixos do final de 2020, e dos problemas extra court, importava saber em que momento estava o sérvio. E a verdade é que o número um mundial fez uma prova em crescendo. Começou por vencer Jeremy Chardy (6-3, 6-2 e 6-1), mas depois sentiu dificuldades contra Taylor Fritz. Numa batalha de 5 sets, com Djoko a sentir dores. Perdeu vantagem no terceiro set, chegando mesmo a ter um pé fora da competição, mas venceu por 7-6, 6-4, 3-6, 4-6 e 6-2. Depois, contra Milos Raonic, mais sofrimento: 7-6, 6-4, 3-6, 4-6 e 6-2.

Aos trancos e barrancos mas foi avançando até estabilizar. Contra Alexander Zverev venceu por 6-4. 7-6 e 6-3. Ainda não foi desta que o alemão, 23 anos, venceu um Major. Um dos mais promissores jogadores do circuito, o número 7 mundial voltou a desperdiçar pontos importantes. E de nada valeu “ter encostado Djokovic às cordas”, como considerou o seu irmão, Mischa Zverev.

Nas meias finais, Djokovic venceu o outsider da competição. Aslan Karatsev viveu um conto de fadas em Melbourne. O russo, 27 anos, 42 do ranking ATP, atingiu as meias-finais de um Major pela primeira vez. Um grande registo para quem nunca chegou, sequer, a qualquer final de torneios ATP. Mas o sérvio não facilitou e ganhou por 6-3, 6-4 e 6-2.

Medvedev, ainda não foi desta

Se havia alguns pontos de interrogação no início sobre Djokovic, o mesmo não se pode dizer de Medvedev. O russo fez um grande 2020, vencendo o ATP Finals e chegando à final do US Open. Ao chegar a mais uma final, sobe agora à tereira posição do ranking. Aliás, há 20 jogos que Medvedev não perdia. Para trás, deixou adversários como Popisil, Roberto Baena, Filip Krajinovic, Mckenzie Macdonald, Rublev e Tsitsipas.

Ainda não foi, porém, desta que Medvedev conquistou um Major, mas parece uma questão de tempo até isso acontecer. O russo é hoje o valor mais fiável da nova geração e uma ameaça real ao domínio de Djokovic. Aliás, o Australian Open voltou a confirmar a qualidade de Rublev e de Tsitsipas. O grego, no mais, afastou Rafael Nadal, por 6-3, 6-4 e 6-2.

Com a queda de Nadal, a ATP confirmou que Djokovic vai chegar às 311 semanas como líder do ranking, superando as 310 de Roger Federer. Este foi, de resto, o Major número 18 do sérvio, que está apenas a dois dos recordes do suíço e de Nadal.

 

 

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André Dias PereiraFevereiro 5, 20213min0

Um caso positivo de Covid-19 no hotel onde os tenistas estão instalados fez disparar os alarmes. Mais de 600 pessoas foram colocadas em quarentena. Especulou-se sobre a realização do primeiro Grand Slam do ano, mas o que é certo é que vai mesmo acontecer e arranca segunda-feira, dia 8. A menos que, até lá, aconteça algo que mude a situação drasticamente. Por enquanto, os jogadores estão em risco moderado.

Sob o signo do Covid, esta edição torna-se, por isso, mais imprevisível. Todos os olhares estarão centrados em Novak Djokovic. O sérvio é número 1 mundial e recordista de títulos em Melbourne. Campeão em 2020, o sérvio é, ainda, o maior favorito, mas não incontestado. Campeão em título, Djokovic tenta aumentar a sua lenda na Austrália e reduzir distâncias para os 20 Majors de Federer e Nadal.

O sérvio não terminou 2020 da melhor maneira e muito dependerá da forma como se encontra agora. Mas já deu para notar, no final de 2020, que outros nomes podem hoje encarar o sérvio e jogar para ganhar. O principal é ainda Rafael Nadal. O espanhol também procura se isolar como o maior campeão de majors, mas terá que melhorar o que fez na edição passada. Em 2020, o maiorquino caiu nos quartos de final perante Dominic Thiem. O austríaco é número 3 mundial e foi finalista vencido o ano passado, ganhando ainda o US Open. É por isso um dos favoritos a estrear-se a ganhar em Melbourne. O ano de 2020 foi, aliás, o melhor da carreira de Thiem. No final do ano foi também finalista vencido no Masters Final. A sua versatilidade em diferentes tipos de court, tornam-no muito difícil de bater, seja em que contexto for.

Os Outsiders

É preciso ter também em conta a armada russa. Daniil Medvedev e Andrey Rublev já mostraram ter capacidade para altos voos. Nos últimos dois anos Medveded ganhou nada menos que seis títulos, entre eles, em 2020, o Masters Final e o ATP Paris. A sua frieza, serviço forte e versatilidade tornam-no um candidato a chegar muito longe não apenas em Melbourne mas ao longo de todo 2021. Será, pois, interessante acompanhar a sua evolução após o brilhante 2020. Já Andrey Rublev tem vindo a evoluir muito. Não foi feliz no Masters Final mas 2020 conquistou 3 títulos ATP: Hamburgo, Viena e São Petersburgo. Rublev é top-10 e é o desafiante a outros nomes como Tsitsipas, Zverev ou Federer. O suíço, recorde-se, está fora do Australian Open, ainda a recuperar de 2 operações.

Um nome que também será interessante manter no radar é Jannik Sinner. Longe de estar entre os favoritos, o italiano, 19 anos, alcançou os quartos de final no último Roland Garros. Foi convidado por Nadal para treinar após o retorno do ténis na sequência da pandemia, e revela uma calma e maturidade muito acima da idade.

Independente de nomes, tudo pode acontecer, sobretudo em contexto de Covid. A qualidade do ténis, contudo, está assegurada.

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André Dias PereiraJaneiro 25, 20213min0

O ano de 2020 fica para a história, não só do ténis mas do desporto em geral, como o mais desafiador para todas as organizações. O arranque da época de 2021 não promete, pelo menos para já, ser diferente. Para enquanto, o Australian Open foi adiado para 8 de fevereiro e a ATP Cup encurtada para o período entre 1 e 5 do mesmo mês. É ainda cedo para se falar em outras competições mas é possível que o clima de incerteza continue a ser feito mês a mês. Isso certamente, também tem impacto na preparação da temporada e rendimento dentro dos courts.

São vários os questionamentos que se fazem nesta altura da temporada. Agora, em 2021, mais ainda. O principal é saber se o big-3 ainda continuará a dominar a cena do ténis. Ou se é possível termos novas figuras no topo da hierarquia. Por ora, Novak Djokovic e Rafael Nadal são as únicas certezas num ano incerto. O sérvio e o espanhol ocupam ainda as duas primeiras posições com Dominic Thiem a espreitar de perto, no terceiro posto.

A recuperar de 2 cirurgias Roger Federer está afastado do Australian Open e deste início de temporada. Aos 39 anos ainda não dá para descartar do suíço, mas é pouco crível que possa voltar a liderar o ranking. Com 20 títulos Major é o recordista do circuito. Há muito que já não se apresenta como o maior favorito a ganhar um Grand Slam mas não seria totalmente surpreendente se ainda ganhasse mais 1 até se aposentar. Com 19 Majors, Nadal pode igualar ou até ultrapassar esse registo em 2021. É, outra vez, um dos principais candidatos a ganhar o Australian Open e, sobretudo, a vencer Roland Garros.

A força mental de Djokovic levada ao limite

Mas há, também, Djokovic. O sérvio tem-se apresentado, nos últimos anos, como o mais regular. Contudo, a sua resiliência e força mental será testada como nunca antes. Após os eventos da Adria Cup, que culminaram na infeção de vários tenistas e staff, o sérvio tem sido alvo de duras críticas. Mais, o sua impopularidade tem crescido . Se, em outras ocasiões, Nolan se tem valido disso para fortalecer o seu jogo, o Masters Final mostrou um lado do sérvio poucas vezes visto: desatento, de cabeça quente e a cometer demasiados erros não forçados.

Dominic Thiem, Daniil Medvedev têm sido, nos últimos dois anos, os grandes desafiantes ao big-3. O austríaco é já número 3 mundial, a morder os calcanhares a Rafael Nadal. Thiem é também tido como o sucessor do espanhol no reinado da terra batida. Em 2020 venceu ainda o US Open, o seu primeiro Major. É um dos mais consistentes do circuito e candidato a ganhar qualquer Grand Slam. O ano passado foi ainda finalista vencido em Melbourne.

Entretanto, o russo foi o campeão do Masters Final em sua segunda participação. Medvedev viveu o período incrível em 2020. Para além dos triunfos do ATP Finals e ATP Paris, ganhou 4 títulos em 2019 e 3 em 2018. Outros tenistas, como Tstsipas, Rublev, Zverev ou Schwartzman deverão também se manter no topo da cena do ténis mundial, causando sensação aqui e ali.

Mas, outra vez, tudo dependerá da evolução e impacto da pandemia no circuito que, por agora, mantém ainda o público fora dos courts.

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André Dias PereiraDezembro 28, 20203min0

Roger Federer não deverá jogar o Australian Open, que está agendado para Fevereiro de 2021. Foi o agente do suíço, Tony Godsick, quem o garantiu à Associated Press. O tenista suíço continua a recuperar-se de duas intervenções cirúrgicas feitas ao joelho. Segundo Godsick, o multicampeão helvético tem feito grandes progressos mas acredita que a longo prazo o melhor é voltar à competição após o Australian Open.

O primeiro Grand Slam do ano, em 2021, não acontecerá em janeiro. A organização decidiu adiar o certame para 8 de fevereiro. Já há algum tempo, aliás, que se especulava sobre essa possibilidade. O aumento de número de casos relativos ao Covid-19 esteve na base da decisão.

A data inicial, 18 de janeiro, revelou-se inviável devido à necessidade de os tenistas precisarem de cumprir um período de quarentena de 15 dias. O qualifying masculino vai, ainda assim, jogar-se em Doha, entre 10 e 13 de janeiro. Os tenistas seguem depois para Melbourne onde farão a quarentena.

Para que os tenistas possam fazer uma melhor preparação, o torneio de Adelaide vai jogar-se na sede do Australian Open. Entretanto, os torneios de Auckland e Nova Iorque foram cancelados.

A temporada 2021 arranca da mesma forma que a de 2020 termina. Sob o signo da incerteza. Mesmo com a distribuição de vacinas no mundo inteiro as medidas de segurança e higiene deverão manter-se reforçadas. Não há ainda informação sobre se os torneios terão público mas é pouco provável que, em fevereiro, haja condições que decorra da mesma forma dos últimos anos.

O que a ausência de Federer representa

Para qualquer torneio, a ausência de Roger Federer tem um impacto financeiro. Desde logo para a valorização, não apenas desportiva, mas também da marca Australian Open. Afinal, o multicampeão suíço é um dos maiores símbolos do ténis, o seu maior campeão, e vencedor seis vezes em Melbourne. Apenas Djokovic tem mais vitórias no Australian Open do que Roger Federer.

É difícil mensurar um valor, mas, sobretudo em tempo de Covid, a venda dos direitos de transmissão do torneio deverá desvalorizar. Não estando garantida a presença de público, isso pode representar um peso acrescido para a organização.

Mas a ausência de Federer não é surpreendente. Aliás, o seu último jogo oficial foi em janeiro de 2020. Há já alguns anos que o suíço tem vindo a ser muito criterioso na calendarização de suas temporadas. Com 20 Majors no bolso, vencer ou acumular dinheiro, deixaram de ser a prioridade. Federer quer garantir que pode ser competitivo ao ponto de jogar finais e tentar, se possível, rivalizar com Nadal e Djokovic. Parte do seu sucesso aos 39 anos passa por aí.

Mas ao falhar Melbourne, o suíço pode ver Nadal se tornar o maior campeão de Grand Slam. O espanhol e o suíço somam, cada um, vinte vitórias. E, salvo alguma lesão, é expectável que o maiorquino possa vencer novamente Roland Garros. Se Djokovic confirmar o seu favoritismo ficará a 2 títulos dos seus rivais. Contudo, hoje ninguém pode ignorar outros nomes na parada, como Thiem, Tsitispas ou o campeão de Masters de 2020, Daniil Medvedev. Tudo depedenderá, porém, da forma como os jogadores se apresentarem no novo ano e as condicionantes da pandemia.

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André Dias PereiraFevereiro 3, 20203min0

Oito vezes, Novak Djokovic. O sérvio conquistou este domingo, dia 2, em Melbourne, o seu oitavo Australian Open ampliando o recorde de títulos no primeiro Grand Slam do ano. Frente a Dominic Thiem, Djokovic precisou de 4 horas de jogo para ganhar por 6-4, 4-6, 2-6, 6-3 e 6-4. Com este título, o sérvio regressa a partir desta segunda-feira, dia 3, à condição de líder da hierarquia mundial. Além disso, passa a somar 17 Majors, menos dois que Roger Federer e Rafael Nadal. A grande questão se intensifica é saber quem, entre o Big-3, terminará a carreira com mais Grand Slam.

Mas vamos por partes. Djokovic voltou a provar o porquê de ser recordista em Melbourne. Foi mais experiente, mais sólido e consistente que todos.  O sérvio começou de forma competente, mas sem soberania. Contra Jen-Lennard Struff ganhou por 7-6, 6-2, 6-2 e 6-1. À medida que a competição avançou foi subindo o tom. Contra Tatsuma Ito não deu chances: 6-1, 6-4, 6-2. Depois, contra o também japonês Yoshihito Nishioka, voltou a não ceder sets:  6-3, 6-2, 6-2. O mesmo aconteceu com David Schwartzman (6-3, 6-4, 6-4) e Milos Raonic (6-4, 6-3 e 7-6).

Contra um Roger Federer condicionado fisicamente, Djokovic também não deu chances: 7-6, 6-3, 6-4. São já 27 vitórias do sérvio contra 23 do suíço no frente a frente. Djokovic, diga-se, continua sem perder qualquer jogo sempre que atingiu as meias-finais do Australian Open. Federer fez o que pode. O seu ponto mais alto foi nos quartos de final, contra Tennys Sandgren, em que salvou nada menos do que 7 match points, vencendo por 6-3 2-6 2-6 7-6(8) 6-3.

Thiem: à terceira ainda não foi de vez

Apesar da derrota na final, Dominic Thiem volta a mostra que a Next Gen continua a morder os calcanhares ao Big-3. Para o austríaco terá sido certamente frustrante. Depois de Roland Garros (2018 e 2019) e ATP Finals, em 2019, Thiem volta a ficar perto do seu primeiro título em Major. O austríaco é, aliás, o sexto jogador da história a perder as 3 primeiras finais: Tony Roche, Ivan Lendl, Andre Agassi, Goran Ivanisevic e Andy Murray.

Aos 26 anos, Thiem tem o mundo à sua frente. E foi exatamente isso que Djokovic disse no momento da vitória, elogiando o rival. É certo que a terra batida é o piso preferencial de Thiem, mas o que mostrou em Melbourne prova que pode vencer em qualquer piso. Ganhar um Slam é, pois, uma questão de tempo. De resto, o austríaco deixou para trás, por exemplo, Rafael Nadal (7-6, 7-6, 4-6 e 7-6) e Alexander Zverev (1-6, 6-3, 6-4, 6-2).

Djokovic espreita agora a possibilidade de se tornar o maior campeão de Major de sempre. Com 17 títulos, um ano mais novo que Nadal e seis que Federer,  é provável que possa superar o suíço e o espanhol. Até porque Nadal é mais dominante na terra batida, onde é o maior campeão. Tal como Federer em Wimbledon. Djokovic tem a seu favor não apenas a idade mas o fato de ser o mais completo do Big-3. Se o vai conseguir o tempo dirá. Não é certo e Serena Williams está aí para o provar. Tal como Federer sentiu dificuldades em alcançar o Grand Slam 15, superando Sampras. Veremos, pois, o que reserva o resto do ano. Até porque Thiem parece estar, cada vez mais, a intrometer-se na possibilidade de títulos.


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