Caso Carol Solberg – Quando esporte e política se misturam

Thiago MacielJaneiro 30, 20214min0

Caso Carol Solberg – Quando esporte e política se misturam

Thiago MacielJaneiro 30, 20214min0
Manifestações políticas no esporte não são necessariamente comuns. Mas também não são exatamente raras. São, isso sim, naturais. Ou pelo menos deveriam ser assim encaradas.

Os atletas são seres políticos, com opiniões e lados como qualquer um, sendo que alguns preferem guardar seus pensamentos quantos outros usam sua visibilidade para emitir seus princípios.
O caso da jogadora de vôlei de praia Carol Solberg explicita bem essa questão, além de trazer à tona a discussão sobre as manifestações políticas no esporte.

Uma simples entrevista

No dia 20 de setembro de 2020, Carol Solberg tinha acabado de conquistar, junto de sua parceira Talita, a medalha de bronze da etapa de abertura do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia — a primeira desde a paralisação do esporte por conta da pandemia do novo Coronavírus.
Ao final da partida, a medalhista de bronze gritou “Fora, Bolsonaro” durante uma entrevista ao vivo, ainda na quadra de jogo.
Foi o início de um turbilhão político e ideológico na vida da jogadora.

Repercussões

No dia seguinte, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) divulgou uma nota repreendendo Carol Solberg e foi endossada pela Comissão de Atletas.
Causou, também, uma denúncia realizada pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Vôlei (STJD), responsabilizando a jogadora a infringir dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Tais dispositivos dispõem respectivamente: “deixar de cumprir o regulamento da competição” e “assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras do código”.
A denúncia do STJD comoveu a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) ao ponto de entrarem no processo. Assim como a Ordem dos Advogados do Brasil, que enviou seu presidente para defende-la.

Carol Solberg
Carol Solberg

Julgamento

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Vôlei condenou Carol Solberg, por 3 votos a 2, ao pagamento de multa de R$ 1.000,00, sendo esta convertida em advertência. Dentro do que pretendia a denúncia promovida pela Procuradoria, pode-se dizer que a decisão prolatada foi branda, já que era possível uma de até seis partidas de suspensão mais uma multa de até R$ 100 mil.
Claramente, insatisfeita e inconformada, a atleta recorreu ao plenário do STJD do Vôlei.
Em decisão do plenário do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Vôlei apreciou o recurso de Carol e a absolveu da condenação de advertência, ou seja, julgou totalmente improcedente a denúncia do Parquet Desportivo.

Liberdade de expressão dos atletas

O que faz a estrutura do esporte desestimular as manifestações políticas são os contratos estabelecidos com o governo e empresas. Usando o mesmo esporte, como exemplo, tivemos em jogadores de vôlei da Seleção Masculina, que em 2018 fizeram, com as mãos, o sinal 17, a favor do presidente Jair Bolsonaro, e nada aconteceu.
No caso de Carol, houve uma tentativa de punir e silenciar a atleta como se o mundo do esporte fosse uma “bolha” separado de todo o mundo.

carol solberg
Alguns jogadores fazendo com as mão o 17, tratamento o oposto ao feito por Carol Solberg

Citando a jornalista Eliana Alves Cruz:

“É tudo muito difícil. Às vezes o mundo do esporte se acha à parte da sociedade, não se vê dentro da política, só que não é verdade. É um caso que expõe um momento histórico, resvalando para questões ditatoriais”

O caso levanta importante debate acerca de possível supressão de garantias e direitos fundamentais e desvio na interpretação da norma desportiva (CBJD) a fim de favorecer certos interesses políticos. Resumindo, se for pra criticar melhor se calar.

Últimas do Vôlei

A Liga das Nações, também conhecida como VNL, será disputada em 2021 no conceito de bolha, como bem funcionou na retomada da NBA, no ano passado, uma medida preventiva ao Coronavírus.
Uma das marcas registradas da VNL e seus antecessores (Liga Mundial e Grand Prix) era o deslocamento dos participantes em 4 ou 5 viagens pelo mundo antes das finais. A entidade garantiu que as partidas da fase preliminar e as finais serão realizadas em um único local, preservando o formato original do VNL com o mesmo número de partidas por gênero (15).

 

A FIVB pretende agora avançar as negociações com os interessados para anunciar o país ou países anfitriões e a programação de jogos em fevereiro.

 


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