Estará Tomic de regresso?

André Dias PereiraOutubro 1, 20183min0

Estará Tomic de regresso?

André Dias PereiraOutubro 1, 20183min0

Bernard Tomic conquistou, este domingo, o ATP 250 Chengdu, na China. Foi o primeiro título do australiano desde 2015. O triunfo sobre Fabio Fognini (6-1, 3-6 e 7-6) representa mais do que um troféu. Representa a esperança do regresso de que Tomic, 25 anos, ao seu melhor nível. Outrora 26º do ranking ATP, o australiano entrou para este torneio como o 123 do mundo.

Ao longo dos últimos anos colecionou mais polémicas do que títulos. Por mais que uma vez Tomic assumiu jogar apenas para acumular dinheiro e riqueza, reforçando que jogar grandes torneios não representa para ele qualquer prazer.

O seu talento é, contudo, inequívoco. E a prova disso é a forma como venceu o quarto troféu da sua carreira. Os outros foram em Sidney, em 2013 e Bogotá, 2014 e 2015.

Fábio Fognini, 13º do ranking, foi o adversário mais cotado na hierarquia que o australiano defrontou e 2018. Emocionado, Tomic não deixou de ser irónico rebatendo a má imprensa que tem vindo a ter face ao seu posicionamento e profissionalismo no ténis. “Venci com sorte. Era suposto ter perdido no qualifying quando perdia 3-0 e 4-0 frente a Egor Gerasimov”. Mais a sério, Tomic reconheceu que “jogou muito bem durante toda a semana”. E isso deve valer-lhe uma subida para o top-100 mundial, nomeadamente para a posição 77.

Estaremos perante um novo Bernard Tomic? Só o tempo o poderá dizer. E como estamos em final de época, será interessante acompanhar a preparação do australiano para 2019. Este triunfo tem, pelo menos, o condão de lhe garantir entrada no próximo Australian Open, situação que não conseguiu este ano.

Outrora um dos mais promissores tenistas do circuito, a queda de Tomic atirou-o para fora do top-100. Por isso, teve que jogar o qualifying. Em Chengdu, derrotou, primeiro, Renta Tokuda (6-3, 6-4) e depois Egor Gerasimov (6-7, 6-3, 7-6). Já no quadro principal, venceu Bradley Klahn (6-7, 7-6,6-2), e depois Lloyd Harris (7-6, 2-6, 7-6). Nos quartos de final afastou Felix Auger-Aliassime (6-2, 6-4) e nas meias-finais elimiou o português João Sousa, por duplo 6-4. O encontro com o português foi o quarto da história, sendo que Tomic ganhou todos. O tenista luso mostrou, outra vez, estar a fazer um grande ano, ficando perto de vencer novo torneio do circuito.

E agora, Tomic?

Aos 25 anos de idade, Bernard Tomic ainda vai a tempo de escrever uma bonita história no ténis. Talento tem de sobra. Agora que entrará outra vez no top-100 veremos se consegue aproximar-se do top-30 onde já esteve. E o que poderá fazer em outros torneios. É, pelo menos, seguro afimar que o australiano tem condições para se afirmar no top-50. Contudo, a resposta para estas perguntas dependerão da sua postura perante o ténis, os treinos e como encararará os desafios.

O ano de 2018 parece querer mostrar que o autraliano pode regressar ao seu melhor. No Rosmalen Grass Court Championship, na Holanda, conseguiu também atingir as meias-finais. Um resultado supreendente, uma vez que há dois anos não atingia um fase tão avançada de um torneio. Esse resultado catapultou-o para o top-150.

Com o título na China, Tomic ganha a oportunidade, pelo menos, de voltar a ser encarado como um nome a ter em conta no circuito. Assim o faça por continuar a merecer.

Bernard Tomic venceu na China o seu quarto título ATP


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