Vitória (difícil) ante a Holanda abre final – o “grubber” do Europeu de sub-20

Francisco IsaacAbril 3, 20196min0

Vitória (difícil) ante a Holanda abre final – o “grubber” do Europeu de sub-20

Francisco IsaacAbril 3, 20196min0
Portugal confirma vitória ante a Holanda e sai para a última ronda do Europeu de sub-20 com a possibilidade de ser campeão... mas para isso há que derrotar a Espanha! A análise ao 2º jogo dos lobos nesta competição

Portugal chega ao último jogo do Campeonato da Europa de Sub-20 com a possibilidade de ser campeão e para chegar ao “tri”  precisa de derrotar a Espanha, selecção que derrotou facilmente as congéneres da Rússia e Roménia. Os jovens Lobos sub-20 tiveram de ultrapassar uma equipa altamente física, assente num jogo de contra-ataque e de constante aposta no jogo ao pé, que trouxe vários problemas à equipa da casa.

Este é o “grubber” do Europeu de sub-20 do Fair Play

PLACAR, RECUPERAR E “ROUBAR” – 6 PONTOS

Esteve novamente na defesa o melhor elemento do jogo português com uma alta taxa de recuperação no breakdown, para além de nunca terem permitido ao adversário conseguir uma quebra-de-linha no jogo curto. Manuel Pinto, José Roque, Manuel Nunes e David Gomes da Costa (não tem estado o 5 da frente tão bem nas fases estáticas, o pilar foi sempre dos mais “duros” de ultrapassar no contacto) assumiram o papel de maiores placadores, evitando que a Holanda ganhasse qualquer princípio de ataque que permitisse sonhar com algo mais.

Se o ataque não foi de todo um aspecto positivo por diversas razões, a forma de placar e o assumir da responsabilidade de parar o adversário foram pormenores bastante bem trabalhados e executados ao ponto que a equipa holandesa sentiu algum desespero no que fazer com a oval, forçando um jogo ao pé consecutivo que Portugal também não soube aproveitar na maioria das ocasiões.

Placagem dura, agressiva e carregada de domínio para se seguir uma “caça” autêntica à oval no chão, algo que produziu boas penalidades para se apontarem aos postes (Jerónimo Portela conseguiu apenas converter uma dessas ocasiões) ou ao alinhamento.

Detalhe ainda para um dos momentos do encontro, quando Jerónimo Portela consegue ir buscar o ponta holandês depois de um erro individual de Martim Otto à ponta isto aos 22 minutos de jogo quando estava um 7-0 a favorecer a selecção nacional. É a melhor forma de descrever o que é o espírito lobo destas gerações mais novas, de nunca desistir e ter o potencial de recuperar e resolver a maioria dos problemas.

SEM CIRCULAÇÃO DE BOLA NÃO HÁ ATAQUE QUE SE MOVA – 3 PONTOS

É talvez o pior ponto deste grupo de trabalho dos sub-20, que ainda não conseguiu montar a sua melhor circulação de jogo, impossibilitando de dar outra velocidade e ritmo ao ataque, o que compromete a estratégia ofensiva pré-estabelecida. Se o bloco dos avançados tem feito um bom trabalho nas fases estáticas, apesar das grandes dificuldades sentidas na formação-ordenada ante os holandeses, já as linhas atrasadas têm estado algo “baralhadas” em assumir o jogo ou como arriscar perante a defesa à sua frente.

Jerónimo Portela tem ditado bem as “regras”, mas falta uma clara boa ligação entre o par de médios para se dar outra agressividade no ataque à linha de vantagem, com Francisco Afra Rosa (bela exibição a nível individual, sendo claramente o jogador mais virtuoso no “bater do pé” e poder de arranque) e José do Carmo a não estarem tão bem rotinados, um elemento que era essencial para quebrar com a maior fisicalidade holandesa, constantemente a apostar no pontapé ou em fechar o jogo nos seus avançados.

O três-de-trás tem estado num patamar mais baixo comparativamente com outros anos, revelando alguma timidez no arriscar e explorar o kick and chase ou de combinações no centro do terreno, ficando mais na expectativa sem entrar num risco desmedido que possa criar problemas sérios às Quinas, como aconteceu no 2º ensaio da Holanda.

Com a Espanha, um ataque pouco eficiente e ritmado pode oferecer a primazia ofensiva ao adversário.

COLECTIVO VS OU E INDIVIDUALISMO – 4 PONTOS

Não há dúvidas que este grupo de jogadores compõe uma das equipas mais “coladas” e compactas, observando-se um colectivo exemplar na defesa, com uma constante entre-ajuda e auxílio ao colega que placou ou ao que está no breakdown a tentar retirar a oval. No ataque não tem sido tão “bom”, mas contam-se pelos dedos de uma mão as penalidades cometidas no chão por bola presa ou por anti-jogo, destacando-se essa clareza em como e quando apoiar.

Contudo, as individualidades são necessárias em certos momentos do jogo, como aconteceu com o ensaio de Francisco Afra Rosa frente à Holanda, com uma excelente saída para o ataque e que acabou por dar mais 7 pontos para as cores portuguesas. Foi raro frente à Holanda vermos a ascensão do individualismo nos momentos mais “parados” do jogo, de forma a quebrar com a monotonia e trocar a intensidade e ritmos para desmanchar a defesa holandesa.

Não chega os pontapés de Jerónimo Portela, o step de Afra Rosa ou Otto (poderia ter decidido melhor quando conseguiu abrir uma linha de fuga), as portagens de bola de José Roque ou Manuel Pinto, as placagens de João Sousa, é necessário que os jovens lobos sub-20 acreditem no potencial inerente a si e apostem no individualismo sustentado no colectivo.

PONTUAÇÃO FINAL: 13 PONTOS

Pontos Positivos: Placagem individual e equilíbrio na saída da linha defensiva; breakdown foi sempre dominado por Portugal; alinhamentos criaram sucessivas dificuldades para a Holanda; contra-ataque foi sólido em várias ocasiões; boa disposição física ao longo dos 80 minutos, em especial na 2ª parte quando Portugal jogava contra o vento; apoio célere ao portador da bola e exploração dos canais exteriores; pormenores individuais técnicos como offload bem pensados e executados na maioria;

Pontos Negativos: Formação-ordenada sofreu diversos reveses frente a uma selecção mais poderosa fisicamente; ensaios contra nasceram de erros de ataque que a Holanda aproveitou; ataque pouco animado e dinâmico com algumas oportunidades a perderem-se quer por falta de sentido de risco ou execução; maul dinâmico sentiu dificuldades em ganhar metros;

XV TITULAR COM SUPLENTES (1 A 15 COM MARCADORES)

David Costa, Frederico Simões (5+5), António Cunha, José Roque, António Andrade, Manuel Pinto, Manuel Nunes, Manuel Maia, Joaquim Félix, Jerónimo Portela (2+2+3), Simão Bento, José do Carmo, Francisco Rosa (5), Martim Otto e Vasco Carvalhais | Suplentes Duarte Conde, Rodrigo Bento, João Nobre, Manuel Barros, Sebastião Silva, João Sousa, Pedro Lucas, Tomás Lamboglia, Baltasar Melo e Francisco Salgado

POST-MATCH COM LUÍS PISSARRA E JOSÉ ROQUE


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter