Super Rugby AU: o melhor XV, o MVP, as surpresas e muito mais

Francisco IsaacSetembro 24, 20209min0

Super Rugby AU: o melhor XV, o MVP, as surpresas e muito mais

Francisco IsaacSetembro 24, 20209min0
Terá sido James O'Connor o melhor jogador do Super Rugby AU? Ou esse título vai para outro jogador? E qual foi o melhor XV da competição? A conclusão da competição de franquias australianas aqui no Fair Play

Brumbies campeões, Reds finalistas, Rebels a conseguirem a sua primeira meia-final da história, Waratahs sem rumo (apesar do surgimento de uma série de jovens de grande calibre) e Western Force igual ao de sempre… este foi o retrato final do Super Rugby AU em termos de posicionamento final das cinco franquias australianas que competiram pelo título regional em 2020. E em termos de jogadores, quem foram os melhores? Quem foi visto por nós como imprescindíveis e que marcaram a competição positivamente?

Estas são as nossas escolhas finais, fechando assim a temporada do Super Rugby AU 2020 no Fair Play!

THE MVP: FILIPO DAUGUNU (REDS)

Foi o líder das estatísticas em quase tudo, desde as quebras-de-linha (16), defesas batidos (36 adversários ficaram pelo chão quando se bateram com o ponta dos Reds), offloads (13), metros conquistados (800 metros no total, com quase 200 de diferença para o 2º classificado) e ensaios (6), mostrando toda uma versatilidade que lhe levou a ser convocado para o grupo de trabalho dos Wallabies de Dave Rennie.

Filipo Daugunu foi a maior ameaça ofensiva do Super Rugby, explorando o espaço de uma forma vertiginosa e louca, onde a facilidade e agilidade de movimentos construiu fases de jogo essenciais para que os Reds fossem capazes de chegar à área de validação e assegurar as vitórias necessárias para chegarem à final da competição. Claro que surgem as questões de se James O’Connor não merecia mais este prémio de MVP por aquilo que fez a franquia de Queensland jogar ou se Tom Banks não devia ser cogitado também para esta designação, muito pela letalidade que conferiu aos Brumbies durante toda a temporada, mas a verdade é que não houve maior perigo para um placador ou uma equipa contrária como Filipo Daugunu e os números mostram e provam o impacto do ponta durante a temporada.

Não foi só atacar o espaço e correr com a bola até chegar ao ensaio, foi sim pela capacidade de ser uma unidade de movimentação de bola credível, pela agressividade imposta em todos os processos, pela segurança oferecida nas recepções de pontapés ou na defesa do seu canal e pela inteligência e pela visão de jogo em como e qual o melhor sítio para atacar. É, sem dúvida alguma, uma estrela em ascensão e será muito curioso para ver se Dave Rennie coloca-o num três-de-trás com Marika Koroibete e Tom Banks ou Jack Maddocks, prometendo assim uma nova era para os Wallabies.

O ROOKIE DA ÉPOCA: NOAH LOLESIO (BRUMBIES)

Só por aquilo que fez na final, Noah Lolesio merece um destaque especial pelo impacto aplicado nesta sua primeira temporada no Super Rugby e que se notou sempre na maneira como os Brumbies queriam fazer a sua estratégia fluir durante a competição. Poderíamos ter escolhido Harry Wilson, com o nº8 dos Reds a registar uma época de estreia de arromba com toda uma panóplia de qualidades e truques que lhe vão garantir um futuro bem auspicioso como a referência da 3ª linha dos Wallabies, mas Lolesio sempre que jogou alterou por completo os mecanismos dos agora campeões do Super Rugby AU, seja pela velocidade e inteligência de movimentos, pelos desequilíbrios operados através do jogo ao pé (conseguia num abrir e fechar de olhos transitar para um gruber matreiro que expunha as fragilidades dos seus adversários) ou através daquele virtuosismo no handling com capacidade para “destrancar” o bloco defensivo opositor, impondo sempre um lirismo técnico que galopou desde o primeiro jogo quer no Super Rugby “geral” ou no AU.

É um abertura diferente mas vibrante e que pode furar com os dogmas instalados em termos da tipologia procurada pelos vários staff técnicos dos Wallabies e merece todo o reconhecimento possível pelo papel que teve na conquista do título.

MELHOR DEFESA: FRASER MCREIGHT (REDS)

Não foi o jogador com mais placagens encaixadas, pois esse mérito foi do seu colega de equipa Harry Wilson, contudo Fraser McReight mostrou-se como o Apex predator no breakdown ou no arrancar da bola no contacto, subindo a pulso na escala dos melhores asas do rugby australiano. Fraser McReight completou uns estonteantes 14 turnovers no ruck na temporada findada, somando-se os 6 roubos no contacto e as 97 placagens realizadas (94% de eficácia), impondo-se como o melhor defesa do Super Rugby AU para o Fair Play.

A técnica de ataque ao breakdown é diferente da de jogadores como David Pocock, mas é igualmente eficaz, aplicando uma velocidade desconcertante que apanha o apoio do portador da bola desprevenido e sem capacidade de pôr termo a este movimento que resultou em vários pontapés de penalidade a favor dos Reds e até em início de jogada para dois ensaios. É um asa versátil, não precisando de ostentar o físico de Michael Hooper ou Pete Samu, fazendo um uso eficaz das suas valências e forças no compromisso defensivo e ofensivo, como ficou bem provado nesta época.

AS TRÊS SURPRESAS: BYRON RALSTON (FORCE), TOM WRIGHT (BRUMBIES) E HARRY WILSON (REDS)

Da Western Force surgiu uma das principais surpresas da época, de seu nome Byron Ralston que aos 20 anos conseguiu estrear-se no Super Rugby com 4 ensaios, 3 assistências, 300 metros conquistados e 10 quebras-de-linha, perfilando-se como uma das melhores unidades da recém-admitida franquia de Perth. Detentor de uma fisicalidade que causa constantemente impacto na defesa adversária, Ralston foi uma das salvações da Force durante este Super Rugby AU e espera-se que agora possa atingir outro patamar na jovem carreira de um multifacetado três-quartos de grande qualidade.

Tom Wright singrou na ponta dos Brumbies e foi mesmo uma das melhores unidades dos homens de Dan McKellar, preenchendo a sua ala com explosão, excentricidade e uma mobilidade gritante que lhe valeu a liderança partilhada com Daugunu nas quebras-de-linha (16 cada) e menos um ensaio que o seu rival dos Reds. A segurança e o capricho no captar dos pontapés foi um dos principais mecanismos de contra-ataque dos Brumbies, activando rapidamente a sua bela velocidade após colocar os pés no chão, o que possibilitou uma capacidade de contra-ataque mais letal e eficaz no longo curso da temporada.

Já o mencionámos em dois pontos anteriores mas nunca lhe demos o destaque total e, por isso, é altura de falar de Harry Wilson o 3ª linha centro dos Queensland Reds, que na sua época de estreia foi capaz de ser considerado um dos atletas mais ameaçadores para qualquer equipa, tanto pela violência como entra no contacto, forçando um aglomerar de defesas alto, como pela excelência na hora de dar uso à bola e sequência a uma excelente jogada. Foi segundo jogador com mais portagens de bola na época, com 112, somando-se as 7 quebras-de-linha e 17 tackle busts, tendo ainda conseguido três ensaios no total das 10 aparições que fez pelos Reds, sem esquecer ainda as 120 placagens realizadas (91% de eficácia).

Um dos ensaios de Ralston

A DESILUSÃO: MICHAEL HOOPER (WARATAHS)

A inclusão de Michael Hooper como a maior desilusão da temporada é como a discussão se o que veio primeiro foi o ovo ou a galinha, pois o asa internacional australiano não beneficiou em nada da fraca temporada dos Waratahs, mas será que ele próprio terá tido responsabilidades em como tudo acabou? Os ‘tahs estão no meio de um processo de reestruturação do seu elenco, vítimas da perda de várias “peças” importantes nas últimas épocas algo que lhes prejudicou o crescimento e a possibilidade de continuarem a ser vistos como uma das melhores franquias do Super Rugby.

Mas Hooper, um asa lendário pela gigantesca capacidade de sacrifício, exemplo máximo sempre dado, astúcia defensiva e uma agilidade no ataque notável passou quase por completo ao lado durante toda a temporada, ficando longe dos números alcançados em outras épocas, seja nos ensaios, distância conquistada com a oval em seu poder, placagens, saques de bola, etc, abrindo aqui um ponto de debate importante: terá ele lugar nos Wallabies a continuar nesta forma?

O MELHOR TREINADOR: DAN MCKELLAR (BRUMBIES)

É normal e aceitável que o treinador campeão mereça sempre o título de melhor da competição, mas Dan McKellar tem sido muito mais que isso nestes últimos anos, revitalizando uma franquia que estava algo perdida e desconecta. Em 2019 conseguiram chegar às meias-finais do Super Rugby, perdendo na altura o acesso à final ante os Jaguares, apresentando já nessa época alguns dos argumentos que subiram de tom e qualidade em 2020, sendo não só praticamente dominantes no Super Rugby AU (a derrota mais complicada aconteceu com os Reds na última jornada, onde já nada tinham a ganhar ou perder) mas também no Super Rugby “geral” que decorreu entre Fevereiro e Março, abatendo aí os Chiefs de Warren Gatland por exemplo (na altura a franquia de Waikato estava vários “furos” acima do que esteve no Aotearoa).

A tipologia de jogo pode não agradar aos adeptos não-Brumbies, já que se baseia na eficácia nas fases estáticas e em situações mais voltadas para o contra-ataque, aplicando força e fisicalidade em todos os momentos sem cair em situações de alto risco que possa comprometer a posse de bola. A verdade é que o estilo dos mauls dinâmicos, do trabalhar continuadamente, do optar por uma toada mais lenta e de maior impacto garantiu o título de campeão do Super Rugby AU e, pelo 2º ano consecutivo, o estatuto de melhor franquia australiana.

O VETERANO: JEREMY THRUSH (FORCE)

Aos 35 anos Jeremy Thrush voltou a surgir no Super Rugby e foi um dos nomes que mais trabalhou para que a Western Force fosse capaz de surpreender minimamente os adversários, elevando-se nos alinhamentos como outrora fez pelos All Blacks, oferecendo o corpo ao manifesto em cada novo arranque, entrada ou placagem e chegou mesmo a cumprir 80 minutos em mais do que um encontro durante este Super Rugby AU 2020. Não é fácil para um veterano aguentar o que centurion 2ª linha foi capaz de aguentar durante estes 8 jogos ao serviço de uma franquia que chegava cogitada como a pior, mostrando Thrush que mesmo nos piores momentos é possível mostrar os melhores pormenores… foi o saltador com melhor taxa de conquista de bola nos alinhamentos (39); na placagem apresentou-se com um dos menores rácios entre placagens efectuadas e falhadas; e deu sempre a imagem de um líder intenso e apaixonado.

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