SR Aotearoa 6ª Jor: Blues-Hurricanes, o melhor jogo da temporada!

Francisco IsaacJulho 19, 20208min0

SR Aotearoa 6ª Jor: Blues-Hurricanes, o melhor jogo da temporada!

Francisco IsaacJulho 19, 20208min0
Um jogo emotivo e carregado de espectáculo ofereceu um autêntico blockbuster aos adeptos de rugby, com os Hurricanes a saírem vencedores e ganharem fôlego na tabela! Mas conseguirão ainda ir ao título?

No encontro que trouxe Beauden Barrett de volta a Wellington para defrontar o “seu” Hurricanes, deu-se um espectáculo imenso e de voltagem máximo como contam os 8 ensaios marcados e as dezenas de detalhes técnicos de soberbo talento que encheram o Westpac Stadium. No final a equipa da casa levou a melhor e pôs praticamente o “fim” ao sonho dos Blues em chegarem ao título.

UP’S: FOGO DE ARTIFÍCIO À LA HURRICANES E UNS HIGHLANDERS INESGOTÁVEIS

Quando se esperava um Barrett versus Barrett, acabámos por ter um show extraordinário e de grande classe de Ngani Laumape, que foi um dos melhores membros dos Hurricanes no super encontro entre as franquias de Auckland e Wellington. A equipa da casa foi melhor em todos os sectores, “esmagando” nos números os Blues: 542 metros conquistados para 196; 11 quebras-de-linha para 2 (prova o quão fraco foi o processo ofensivo dos visitantes); 33 defesas batidos para 11; 65% posse de bola para 35%; 20 tacklebusts contra 4.

Como é que o resultado acabou tão disputado? Bem, os Hurricanes perderam a bola em oportunidades que estavam nos últimos metros do terreno, possibilitando um aliviar aos seus adversários, que foram mortíferos nas fases-estáticas ou nos piques e saídas curtas junto ao ruck.

Mas na realidade, foi a formação de Wellington a deslumbrar no processo ofensivo, onde a mobilidade e velocidade foi notória principalmente sempre que a bola ia parar às mãos de Ngani Laumape, Jordie Barrett, Ben Lam ou Peter Umaga-Jensen, derrubando com a manobra defensiva dos Blues que pareceu ser sempre demasiado precária no jogo exterior e nas pontas. Sentiu e viu-se uma vontade superior em conferir outro dinamismo à posse de bola, de procurar ferir constantemente a linha-defensiva contrária, de inventar, criar e transmitir outra energia ao ataque, destabilizando por completo com a forma mais calculista de jogar dos Blues.

No fim de contas, a equipa que melhor atacou foi a que mais mereceu sair com os pontos da vitória, colocando um ponto final naquela teoria de que equipas calculistas e frias conseguem sempre dar a volta ao resultado… isso funciona para os Crusaders e para mais ninguém, neste momento.

Olhando para outras formas de jogar, o que os Highlanders fizeram na segunda-parte (e nos últimos 10 minutos da primeira) foi sensacional, escalando de um autêntico “buraco” a nível de diferença de pontos no placard para no fim tornar real uma das reviravoltas mais sensacionais de todos os tempos na competição. Até aos 45 minutos perdiam por um diferencial de 24 pontos (31-07 a favor dos Chiefs), onde até se impunha um pouco de injustiça pois tinham produzido melhores jogadas durante a maior parte do tempo, faltando só aquele passe ou entrada que fizesse tudo acontecer… até que a insistência da franquia treinada por Aaron Mauger e Tony Brown deu frutos, a começar num sprint carregado de brilho por parte de Mitch Hunt.

Os Chiefs foram tentando suster a voracidade dos ‘landers nos últimos 30 minutos, mas parecia improvável bloqueá-los devido à maior versatilidade, confiança e velocidade de movimentos, forçando a um desgaste extremamente acelerado que danificou a disposição mental para devolver uma resposta do mesmo nível.

Na reviravolta dos Highlanders há que destacar um jogador que não só esteve endiabrado com a oval em seu poder como sem ela: Aaron Smith. O formação obliterou por completo com a estratégia defensiva dos Chiefs, alterando sentidos de jogo, descortinando falhas quase “invisíveis” na muralha defensiva dos seus adversários e impondo um balão de oxigénio contínuo e fundamental para encaminhar o elenco de Otago à vitória. Sem esquecer as exibições de gala de Shannon Frizell, Dillion Hunt, Mitch Hunt ou John McKay (formidável o ponta, apresentando uma tipologia de jogo completamente surpreendente), os Highlanders mostraram que estávamos errados quando nos artigos de pré-Aotearoa afirmávamos que iriam terminar no último lugar na tabela.

O jogo espectacular entre ‘Canes e Blues!

DOWN’S: NÃO HÁ FIO DE JOGO NOS BLUES E A DESCONCENTRAÇÃO EM MOMENTOS CAPITAIS

Foi um desalento ver os Blues a fazerem uso da posse de bola, seja dentro do meio-campo ou dentro do território dos Hurricanes, conseguindo números extremamente preocupantes e em sentido decrescente se compararmos com o que fizeram até ao encontro com os Crusaders. Coincidência, Sam Nock não jogou em nenhum dos últimos encontros, indicando que nem Finlay Christie ou Jonathan Ruru têm categoria para serem os formações para esta equipa, notando-se uma inexistência de visão de jogo e de caudal ofensivo estável e conciso que permitisse ombrear com os Hurricanes.

Otere Black, até à altura que saiu devido a uma concussão, foi nulo (8 metros conquistados, 3 entradas, 1 defesa batido e… mais nada) assim como Harry Plummer (inexplicável deixar TJ Faiane no banco de suplentes), expondo por completo as fragilidades de uma franquia que estava em crescimento, vendo-se agora com duas derrotas em dois jogos seguidos.

A culpa é inteiramente de Leon McDonald e da falta de lucidez na hora de fazer escolhas, deixando não só a equipa debilitada no processo ofensivo, como na capacidade de reagir à estratégia de jogo do seu adversário… valeu a boa exibição na defesa e no breakdown, forçando alguns erros e penalidades que afastaram a pressão quando parecia seguir-se novo ensaio dos Hurricanes. Sem um ataque dominante e mais penetrador, é impossível aos Blues fazerem o melhor que o 3º lugar no Super Rugby Aotearoa, mas talvez é esse o designio que Leon McDonald tem para o seu elenco.

Parece também desígnio que os Chiefs não vão conseguir fugir ao último lugar no Super Rugby Aotearoa 2020, e desta vez a culpa é quase inteiramente sua já que deixaram fugir a vitória em três momentos, sendo que o último foi desesperante… alinhamento dos homens de Warren Gatland garantindo no ar, maul curto e só tinham de jogar em fases curtas, porém inventaram com uma saída de maul que acabou na penalidade que antecedeu o ensaio do empate e subsequente transformação que completou a reviravolta dos Highlanders. Como é que é possível perder uma vantagem de 24 pontos de diferença? E como é possível sofrerem 14 pontos nos últimos 5 minutos? Desconcentração, é a palavra que explica praticamente tudo.

Não se pode tirar mérito aos Highlanders por terem conquistado o feito de dar a volta ao marcador, mas em abono da verdade os erros dos Chiefs foram inacreditáveis e chocantes, revelando um caos total na gestão e controlo de bola, perdendo o foco quando se exigia o seu máximo, expondo não só a estrutura defensiva como também o ataque, e isto explica praticamente a derrota averbada aos 82 minutos. A culpa não está em Warren Gatland totalmente ou até maioritariamente, mas sim na atitude dos jogadores e da falta de solidez na tomada de decisões, onde nem Brad Webber ou Damian McKenzie podem fugir às críticas – ambos realizaram uns 30 minutos iniciais de elevado nível mas subitamente “desapareceram”.

OS ASES DA JORNADA: NGANI LAUMAPE, BEAUDEN BARRETT, AARON SMITH E LACHLAN BOSHIER

O centro dos Hurricanes atropelou Beauden Barrett, Otere Black, Harry Plummer e Dalton Papalii, passando por cima dos seus adversários para ganhar metros e marcar ensaios. Não só isso como conseguiu ser mais veloz no um para um contra a maioria dos seus adversários (inclui-se Barrett) e terminou o encontro com 160 metros conquistados, 4 quebras-de-linha, 6 defesas batidos e um ensaio.

Dos Blues, os jogadores que conseguiram sair com uma nota positiva foram Dalton Papalii e Beauden Barrett. O defesa mostrou que o seu lugar é na linha, no jogo directo, tendo feito diferença nesse sector quando foi chamado a esse trabalho, conferindo outra velocidade e imprevisibilidade, num ataque demasiado insipido dos Blues… fica o ensaio de boa qualidade para o registo, mais as duas quebras-de-linha e 4 defesas batidos.

Magistral em todas as acções, Aaron Smith deu uma autêntica Master Class do que é ser um formação de craveira mundial, impondo um ritmo alucinante e de grande entrega, ruindo por completo com a defesa dos Chiefs durante todo o encontro. A inteligência e a comunicação imponente, agressiva e a roçar até o arrogante foram outros elementos essenciais para dar as vitaminas necessárias para uma reviravolta espectacular, em que o próprio participou com um ensaio e duas assistências!

Nos Chiefs vimos novamente Lachlan Boshier a ser responsável por uma prestação completa, com 3 turnovers, 1 ensaio (passe de régua e esquadro por Sam Cane), 55 metros conquistados, 2 quebras-de-linhas e 4 defesas batidos, mais as 10 placagens (100% de eficácia) de um asa que reclama cada vez mais uma oportunidade para ir aos All Blacks.

OS NÚMEROS DA JORNADA

Mais pontos marcados: Mitch Hunt (Highlanders) – 13 pontos
Mais ensaios marcados: Bradley Slater (Chiefs) – 2
Mais quebras-de-linha: Ngani Laumape (Hurricanes), Aaron Smith (Highlanders), Mitch Hunt (Highlanders) e Anton Lienert-Brown (Chiefs) – 4
Mais placagens: Dalton Papalii (Blues) – 17 (16 efectivas)
Mais turnovers: Lachlan Boshier (Chiefs) – 3
Mais defesas batidos: Ngani Laumape (Hurricanes) – 5
Melhor da Jornada: Aaron Smith (Highlanders)

O ensaio espectacular de Aaron Smith (4:05)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter