O “sidestep” do CN1: a triplice de líderes e um Bairrada em crescendo!

Francisco IsaacDezembro 17, 20198min0

O “sidestep” do CN1: a triplice de líderes e um Bairrada em crescendo!

Francisco IsaacDezembro 17, 20198min0
Na última jornada da 1ª volta do Campeonato Nacional 1 deu-se uma grande surpresa que resultou numa tríplice de líderes... a análise à 9ª jornada do CN1 aqui no Fair Play

Uma exibição categórica dos “pelicanos” de Patrício Lamboglia pôs fim à invencibilidade do CR Évora, que acaba por ter de partilhar a liderança com o emblema caldense e os “bulldogs” do CR São Miguel. Emotivo, imprevisivel e carregado de momentos espectaculares, foi esta a 9ª jornada do Campeonato Nacional 1 e esta é a sua análise!

UM POKER PARA DESMANTELAR OS PESOS PESADOS EBORENSES

Como derrubar a máquina pesada e destrutiva do CR Évora, que parecia até esta 9ª jornada aguentar com qualquer adversário? Velocidade e engenho. Estas duas particularidades foram excelentemente bem trabalhadas pelo Caldas RC, mostrando toda uma velocidade e capacidade de aproveitamento dos espaços para causar constante dano a um Évora demasiado lento para amparar os golpes… Tomás Jacinto saiu da 3ª linha para jogar no par de centros e não só não desiludiu como foi essencial para dar outra sequência às movimentações ofensivas, para além de um Jonathan Nolan que polvilhou inteligência no manuseamento da oval.

A primeira-parte foi inteiramente dominada pela equipa da casa, que defenderam com atitude e garantiram algumas recuperações de bola nas fases estáticas, perturbando o processo de construção de jogo dos comandados de Miguel Avó. O Évora padeceu de alguns problemas e só conseguiu fazer pontos através das mesmas plataformas de jogo, seja pelo maul dinâmico ou em constantes acções por pique, com destaque para José Leal da Costa e António Fonseca neste aspecto.

A vitória por 39-26 da formação das Caldas da Rainha impôs uma liderança partilhada a três com o CR Évora e CR São Miguel a formarem então a tríplice… será que na 10ª jornada vamos ter este nó desfeito?

Tomás Melo, autor do poker, concedeu algumas palavras ao Fair Play,

Tomás, antes de mais parabéns pela vitória e pelo poker! Foi o teu primeiro a nível sénior? E qual foi o vosso pensamento antes de entrarem em campo?

Muito obrigado Francisco, foi um grande jogo do qual já todos estávamos à espera. Mais uma vez obrigado, e sim foi o meu primeiro a nível sénior! Fiquei extremamente contente e realizado com o feito! Antes do jogo claro que com aquele nervoso miudinho já pensávamos em tudo, mas o objetivo era claro, (ganhar é passar para primeiro lugar da tabela classificativa).

Os objectivos do Caldas RC continuam intactos e a 2ª volta abre-se com a promessa de mais… o que é que vocês podem prometer para os próximos jogos?

Prioritariamente manter nos 3 primeiros lugares da tabela, mas sempre como objetivo o 1° lugar! Temos connosco um grande e apaixonante treinador, Patrício Lamboglia portanto tudo pode acontecer a comando dele, mas principalmente fixar-nos no modelo de jogo que nos foi dado por ele!! Assim vamos concentrar-nos na próxima volta, jogo a jogo, passo a passo para melhorar tanto individualmente como em conjunto principalmente!!

JAGUARES DE CONTRA-ATAQUE CAPTURAM 5 PONTOS EM BRAGA

Pedro Vital comandou os seus Jaguares até Bracara Augusta e garantiu uma importante vitória por 36-22 que permite à formação lisboeta ascender ao 4º lugar de forma quase isolada (em virtude da derrota do Guimarães RUFC em Lisboa). Com Guilherme Sampaio a ser um dos arquitectos da vitória, os bicampeões em título do CN2 foram inteligentes na execução ofensiva, onde o contra-ataque e a rapidez de movimentos permitiu-lhes construir uma vantagem larga ainda nos primeiros 40 minutos.

Foi através de uma excelente atitude defensiva que os lisboetas conseguiram “arrancar” turnovers para depois sair a jogar de forma acelerada, partindo por completo com a construção de fases do Braga Rugby, que mesmo tendo perdido o encontro conseguiu mostrar alguns pormenores interessantes.

Faltou tanto paciência no controlo de bola como no delineamento de jogadas, consentindo dois ensaios de intercepção que acabaram por significar 14 dos pontos sofridos. Apesar dos erros, Tomás Fontes, Luís Ferreira ou João Macedo presentearam boas exibições mostrando um crescimento acelerado da formação minhota.  Falta ganhar, mas neste encontro os Jaguares foram essencialmente melhores na execução dos básicos e no confiar do sistema de jogo.

BULLDOGS E BRAVOS DE DUAS PARTES COM VANTAGEM DOS MIGUELISTAS

Uma primeira-parte dividida e que terminou com uma igualdade a 10 pontos, colocou nervos na formação do CR São Miguel que acabou por superar a fisicalidade dos Bravos do Guimarães RUFC nos segundos 40 minutos, com destaque para o defesa André Lemos e o asa Miguel Máximo.

A equipa visitante não esteve de modas e mesmo depois de ter sofrido um ensaio madrugador (combinação de qualidade de Rui Maria Freitas com André Lemos) partiu para uma exibição personalizada e intensa, onde Pedro Piairo foi um principais elementos seja pela forma como entrou no contacto ou a imposição de uma placagem agressiva e impactante.

Contudo, a falta de “pulmão” acabou por retirar argumentos para uma surpresa vimaranense no Bulldogs Rugby Field a par da equipa da casa ter entrado com outro foco na 2ª parte, sobretudo no que concerne ao aproveitamento de oportunidades e na construção de fases de jogo. O Guimarães sentiu profundas dificuldades para manter o mesmo ritmo e intensidade de jogo, consentindo pontos e uma perda territorial ficando demasiado tempo arredados dentro dos seus últimos 30 metros.

Depois de uma derrota amarga no Alentejo, a formação treinada por Nuno Damasceno e Paulo Silva regressou às vitórias por um resultado largo, repondo parte dos índices de confiança. Nuno Damasceno respondeu às nossas questões após o apito final,

Depois de uma derrota em Évora, o retornar às vitórias foi rápido. Na tua opinião foram bem conseguidos os 5 pontos? Houve melhorias de um jogo para o outro?

Um dos aspetos mais importantes que temos partilhado com a equipa é a importância do processo de treino. O processo tem sido continuo, e vemos os resultados como lições a aprender. Com o Évora tivemos um jogo menos claro e isso custou-nos pontos. Sabíamos que a receção do Guimarães não seria fácil, e a primeira parte foi prova disso mesmo. Mas conseguimos ter a capacidade de ler as adversidades e conseguir o sucesso que procuramos em todos os jogos. Os 5 pontos são o resultado de alcançarmos pequenos objetivos.

Primeiro classificado em igualdade com o CR Évora e Caldas RC… Era este o objetivo da 1a volta? Podemos esperar um São Miguel mais letal na 2a volta?

Honestamente, tal como nos jogos, o mais importante é estar bem posicionado no final para nos dar a oportunidade de lutar por um feito maior. Neste momento estamos a par de duas boas equipas todos juntos no primeiro lugar. Prova de que há várias equipas a trabalhar com afinco. Na segunda volta sabemos que vamos encontrar ainda mais dificuldades, pois todas as equipas estão a evoluir e há um melhor conhecimento dos adversários. Temos de confiar que estamos no caminho certo e aplicar o que preparamos na esperança de sair sempre satisfeitos com a nossa prestação.

BAIRRADA JÁ ESTÁ NO PONTO CERTO E MOITA DÁ PASSO RUMO À MANUTENÇÃO

Os homens de Luís Supico já vão para três jogos sem perder e depois de um empate no Campo do Gaio, voltaram às vitórias agora na recepção ao RC Santarém com Miguel Heleno, Henrique Monsanto e Gonçalo Costa a liderarem com excelência a formação de Anadia. Um resultado altamente disputado que terminou nos últimos 15 minutos sem nenhuma das equipas a consentirem pontos, ficando sempre no ar um aumento da vantagem da equipa da casa ou uma possível reviravolta dos escalabitanos. Contudo, a vitória sorriu à equipa que mostrou mais eficácia na execução da estratégia de jogo e devolve a esperança à Bairrada em lutar pelo 4º lugar do Campeonato Nacional 1.

O RV Moita somou uma importante vitória na recepção ao RC Elvas, pois distanciou-se do último lugar deixando os elvenses agora a 5 pontos de distância. A formação alentejana treinada por Rui Perdigão sentiu problemas para ultrapassar a defesa dos moitenses, consentindo alguns erros junto ao ruck que permitiu ao RV Moita construir as oportunidades suficiente para garantir os 5 pontos.

O “LINEBREAKER” DA SEMANA

Tomás Melo (Caldas RC), Miguel Heleno (MRC Bairrada) e Rui Maria Freitas (CR São Miguel). É injusto só nomear o ponta que marcou o poker frente ao CR Évora, já que Tomás Jacinto ou Filipe Gil mereciam (e merecem) o mesmo destaque, sendo estes três as chaves para vitória dos “pelicanos”. Miguel Heleno continua a ser um dos jogadores-referência do MRC Bairrada a par de Diogo Rodrigues e Henrique Monsanto. E o velocista Rui Maria Freitas conseguiu desbloquear a defesa do Guimarães RUFC em diferentes momentos, para além de se ter revelado um placador de alta qualidade a par de Ricardo Rosa.

TRY FINISHERS E POINT SCORERS


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