O “sidestep” do CN1: uma reviravolta vimaranense de tonalidades heróicas

Francisco IsaacNovembro 5, 20197min0

O “sidestep” do CN1: uma reviravolta vimaranense de tonalidades heróicas

Francisco IsaacNovembro 5, 20197min0
Ensaios na bola de jogo, pilares a decidirem jogos, placagens salvadoras e muito mais aconteceu na 4ª jornada do Campeonato Nacional 1! A análise aos jogos no Fair Play

Foi um fim-de-semana de emoções, com o CR São Miguel a ir buscar a vitória nas franjas do tempo, enquanto que os homens de Jeremias Soares fizeram o impossível ao virar um resultado de 03-21 para 26-21 em menos de 40 minutos!

A 4ª jornada do CN1 analisada ao detalhe!

PELICANOS E BULLDOGS COMBATEM ATÉ AO ÚLTIMO SUSPIRO

Não foi um jogo brilhantemente bem jogado, mas foi um encontro que proporcionou momentos de alto desespero e encanto, denotando-se uma grande disputa em todos os parâmetros de jogo. As avançadas engajaram num combate total e foram tentando encontrar forma de construir “pontes” para que as linhas atrasadas saíssem a jogar de forma confortável e efectiva… se o São Miguel teve domínio de jogo durante a segunda metade da primeira parte, já o Caldas Rugby Clube geriu bastante bem os timings e dinamismos na 2ª parte, mas a palavra equilíbrio foi constante em diversos momentos do encontro.

Contudo, houve aspectos que limitaram um resultado mais expansivo e espectacular, seja pela ausência de uma transmissão de bola de qualidade por parte do São Miguel, seja pela falta de capacidade em manter um jogo contínuo do lado da equipa da casa, levando a que o encontro fosse decidido em pormenores e o mais importante veio pelas mãos do pilar Robert Delai.

O antigo internacional pelos Fiji Warriors conseguiu trilhar os metros suficientes para cair dentro da área de validação e carimbar a vitória da formação lisboeta na bola de jogo, pondo fim ao esforço inglório da equipa da casa que defendeu com grande qualidade naqueles últimos 5 metros durante largos minutos.

Nuno Damasceno, treinador do CR São Miguel, respondeu às questões do Fair Play no final do encontro,

Jogo muito dividido nas Caldas da Rainha mas com vitória do São Miguel na última jogada do encontro. Bom jogo na tua opinião?

Foi um jogo mais disputado do que bem jogado. Temos procurado um jogo positivo, mas a pressão bem executada pelo Caldas, não nos permitiu ter o sucesso que pretendemos. Ainda temos bastante para melhorar. A equipa soube combater as adversidades e no final conseguimos ter sucesso. De realçar o trabalho de grupo e a confiança que existe dentro da equipa. Todos com vontade de retribuir em conjunto.

Os bulldogs continuam invictos mas para vocês o mais importante é a estrutura, correcto? O que achaste que podia ter corrido melhor?

Há vários aspetos a melhorar. A capacidade de ler o jogo, a tomada de decisão com a bola na mão e o posicionamento em campo para poder explorar as oportunidades criadas. Além disso temos muito que melhorar na defesa, algo que nos está a prejudicar na disciplina. O mais importante para nós é o processo. A mentalidade positiva que estamos a construir dentro do clube e a continuidade que queremos dar ao que foi criado até hoje. Temos dado oportunidade a vários jogadores e queremos ter um grupo alargado que tenha capacidade de estar dentro de campo e contribuir positivamente para o jogo da equipa. A invencibilidade não é um objetivo, mas sim um resultado do que temos trabalho dentro da estrutura sénior. O processo é quem sai vencedor em cada etapa que ultrapassamos. Todas as semanas queremos #retribuir para sermos melhores.

O Fair Play deseja as melhoras a Tomás Lamboglia, internacional sub-20 português, que se lesionou no decorrer do jogo

A CONQUISTA DE SCALABIS PELA MÃO DO GUIMARÃES RUFC

Foi memorável a reviravolta do Guimarães RUFC no campo do RC Santarém, sendo o destaque grande desta 4ª jornada do Campeonato Nacional 1! Os vimaranenses foram buscar força suficiente para operar uma autêntica remontada depois de irem para o intervalo a perder por um diferencial de 18 pontos, algo que em outros jogos seria impossível de virar. Os “cavaleiros” da Escola Prática de Cavalaria mostraram um domínio quase total nos primeiros 40 minutos, com o nº8 Manuel Campilho a encher o campo de uma forma soberba, sobretudo no que toca à recuperação de bola no breakdown e no sair a jogar.

Para além da exibição de qualidade do 3ª linha, há que destacar o brilho ofensivo oferecido por Martim Faro, com o jovem atleta sub-18 a virar o jogo do avesso na primeira parte, muito graças à sua capacidade técnica e primor físico na arte de sprintar. Contudo, e sem que ninguém esperasse, o Guimarães ofereceu uma resposta extraordinária que merece todos os elogios possíveis.

No resumo podem ver o ensaio sensacional de Luís Ferreira, que é só uma pequena demonstração do talento puro que habita neste CN1 e, neste caso, em Guimarães. O Santarém concedeu penalidades fáceis, fruto de algum cansaço e lentidão na reposição da linha-de-defesa, ajudando a esta cambalhota no marcador.

Pedro Piairo, um dos líderes do Guimarães RUFC, explicou como se processou esta vitória,

Qual foi o discurso ao intervalo para vocês conseguirem a reviravolta num jogo que parecia fora do vosso alcance?

Na palestra foi-nos pedido apenas para fazermos o que temos treinado, coisa que não conseguimos fazer na primeira parte.

O ensaio do Luís Ferreira é uma demonstração do que é o Guimarães? Achas que conseguem ser uma surpresa neste campeonato?

Sim, mostra muito o que somos, somos uma equipa unida e aguerrida. Acho que temos equipa para fazer uma surpresa, sim!

BAIRRADA DESFAZ SÉRIE NEGATIVA COM EXIBIÇÃO DE FORÇA

Custou, mas finalmente apareceu a primeira vitória da formação treinada por Luís Supico e veio em números expressivos: 57-10. O Braga Rugby entrou em campo com uma postura pouco positiva na afirmação defensiva e concedeu o espaço suficiente para que a avançada do Moita Bairrada assumisse o domínio de território e posse de bola, iniciando uma autêntica operação de demolição. Foi praticamente impossível bloquear o caminho a jogadores como David Tribuna, Gonçalo Domingues, César Duarte ou Jorge Marques que foram massacrando a equipa contrária até arranjar espaço e temo para fugir até à área de validação.

Um rugby bem jogado, bem praticado e postulado por princípios básicos refinados, foi o que o Moita Bairrada ofereceu durante largos períodos do encontro, mostrando que é uma das equipas a ter em conta neste campeonato. Porém, e antes que se tomem ilações em relação à formação baracarense, é importante referir que o Braga Rugby mostrou detalhes minimamente agradáveis e de qualidade, seja pelos seus 3/4’s ou avançados.

UM JOGO DECIDIDO AO PÉ E OUTRO COM TOQUES DE BRILHANTISMO DE BORGES

Jaguares e Moita encaixaram tão bem que o encontro foi decidido na arte dos pontapés, com a equipa lisboeta a converter duas penalidades para arrancar mais uma vitória neste Campeonato Nacional 1, a segunda consecutiva!

Em Évora, a equipa local conquistou não só uma vitória com ponto de bónus ofensivo, como subiu ao primeiro lugar de forma isolada, com um ponto de diferença a separá-los do CR São Miguel. Francisco Borges voltou a ser o melhor jogador em campo da equipa de Miguel Avó, com uma série de pormenores técnicos de alta categoria que mexeram por completo com a defesa do RC Elvas. Os elvenses apresentaram-se menos bem neste encontro, depois de terem mostrado sinais positivos contra o Santarém e São Miguel.

O “LINEBREAKER” DA SEMANA

Luís Ferreira e RobertDelai… foi o fim-de-semana dos pilares no Campeonato Nacional 1! O atleta do Guimarães RUFC fez um ensaio daqueles que merece ser visto e revisto uma série de vezes, para além de ter mostrado uma habilidade crescente na formação-ordenada. Já o jogador do CR São Miguel fez a sua melhor exibição neste CN1, tanto nas fases-estáticas, como na reposição defensiva e no ganhar de metros no contacto, impondo não só um físico de impacto mas também uma leitura de jogo bem trabalhado!


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