O “sidestep” do CN1: “Cavaleiros” renascidos derrotam candidato Évora

Francisco IsaacJaneiro 21, 20209min2

O “sidestep” do CN1: “Cavaleiros” renascidos derrotam candidato Évora

Francisco IsaacJaneiro 21, 20209min2
A 12ª jornada do CN1 teve de tudo... jogos carregados de ensaios e surpresas improváveis como aconteceu com os "cavaleiros" do RC Santarém ante o CR Évora! A análise a mais uma jornada do CN1 no Fair Play

Antes de mais uma paragem dos Campeonatos Nacionais, o CN1 teve direito à 12ª jornada com os “cavaleiros” do RC Santarém a recuperarem da sequência de derrotas para garantir uma vitória frente ao candidato CR Évora. Este e outros destaques analisados em mais um artigo dedicado à 2ª divisão do rugby português, com os “cavaleiros” em destaque!

ESCALABITANOS EM MODO FORTALEZA FAZEM TROPEÇAR EBORENSES

Não há mínima dúvida que a maior surpresa da jornada aconteceu na Escola Prática de Cavalaria, com a equipa local a garantir uma vitória que parecia improvável antes do apito inicial, seja pela onda de maus resultados somados pelo RC Santarém até aqui ou pelo facto do outro lado estar um elenco que persegue a subida de divisão e que já foi 1º classificado isolado nesta temporada.

Contudo, no fim dos 80 minutos as conjecturas teóricas caíram por terra com os “cavaleiros” a garantirem 4 pontos, muito graças a uma defesa ágil e inteligente, onde Francisco Silva (o formação foi incansável na linha defensiva, dando as indicações certas aos seus colegas de forma constante), Manuel Campilho e Manuel Carreira (placador nato e uma unidade que gosta de se mover de forma surpreendente) a assumirem o papel dos orientadores da vitória escalabitana.

Estranhamente o CR Évora foi demasiado perdulário nos últimos 30 metros, deixando escapar algumas ocasiões que poderiam ter sido altamente perigosas para a defesa contrária. Francisco Borges assumiu o lugar de médio de abertura mas pouco conseguiu produzir na totalidade dos 80 minutos, apesar de ter polvilhado o encontro com alguns apontamentos técnicos de qualidade, como se viu no primeiro e único ensaio (excelentes linhas de corrida de Duarte Leal da Costa). Não esquecer o final dramático, com o nº10 eborense a acertar com toda a força no poste esquerdo do RC Santarém, perdendo-se assim a oportunidade de uma reviravolta na bola de jogo, o que valeu um atraso significativo para os dois primeiros lugares.

A formação escalabitana fica a apenas três pontos dos Jaguares, que ainda ocupam o 4º lugar, depois de garantir esta conquista por 08-07. Rafael Morales, um dos Tupis a liderar estes jovens “cavaleiros” foi entrevistado pelo Fair Play no pós-jogo,

Vitória improvável mas que chegou em boa hora! Como foi possível derrotarem um dos candidatos do CN1? Foi o vosso melhor jogo a defender?

Acho que nossa defesa foi o principal motivo da gente ter conquistado essa vitória, estamos mais organizados e comunicamos mais. Sem dúvidas que esse jogo foi que melhor defendemos.

Acreditam que vão chegar à fase final do CN1? O que precisam mais fazer para atingir essa meta?

Acreditamos que podemos chegar sim, mas sabemos que não vai ser fácil, mas pra gente chegar lá precisamos de ser mais organizado no ofensivamente e ter mais paciência para fazer pontos. Mas estamos no caminho certo, treinando bem e tentando transmitir tudo que treinamos pro jogo .

GOLPE DE TEATRO APROXIMA BAIRRADA DO 4º LUGAR

Passou em directo no Fair Play esta batalha pelo 4º lugar com a equipa da casa, o MRC Bairrada, a arrancar a vitória no último acto do jogo com um pontapé de belo efeito de Henrique Monsanto a cruzar os postes. O defesa foi um dos destaques deste jogo com 11 pontos somados ao pé e uma preponderância gritante nas movimentações da formação de Anadia, algo que conferiu uma certa excelência ao controlo de jogo na 2ª parte.

Apesar da boa exibição de Gonçalo Costa e de Henrique Monsanto, o Bairrada teve algumas dificuldades para ultrapassar a boa defesa dos Jaguares durante os primeiros 40 minutos, com estes a silenciarem por completo todas as oportunidades de maior perigo do adversário com destaque para mais uma exibição de qualidade de Tomás Picado e Júnior Barbosa, dois terceiras-linhas que estão a surpreender neste CN1. Os Jaguares foram mais letais no jogo contínuo, com boas acções individuais a darem a injeção necessária de adrenalina e velocidade ao colectivo, ficando em foco o segundo ensaio de Tomás de Andrade, que originou em mais um detalhe auspicioso de Guilherme Sampaio no que toca ao handling.

Mas, e como explicámos no início, o Bairrada montou uma defesa de qualidade e na 2ª parte tomou a liderança do jogo com um ensaio de César Duarte quando o tempo já tinha terminado… Monsanto apontou aos postes  e confirmou a 4ª vitória consecutiva neste CN1 por 16-14, que ainda assim foi insuficiente para chegar ao 4º lugar. Luís Supico, deu o seu insight em relação à vitória conquistada da sua equipa,

Jogo muito combativo e altamente disputado… Vitória foi merecida na tua opinião? Qual foi o x-factor do Bairrada neste jogo?

Jogo atípico, se calhar pela importância do mesmo… Duas boas equipas com excelentes jogadores, mas que se anularam tanto que acabaram por dar um recital de jogo táctico quando se esperava um jogo muito mais aberto; e houve outros factores que condicionaram (e muito) o ritmo de ambos os lados, mas isso fica para outro dia e para outro sítio. Penso que, desta vez, tivemos a sorte do nosso lado. Jaguares mereciam mais ganhar que nós, tiveram mais calma e concentração, nós perdemos a cabeça a certa altura mas, incrivelmente, conseguimos – na bola de jogo e com menos um nos últimos dez minutos – dar a volta ao resultado na garra, na vontade. Esta equipa não se dá por vencida e isso, para mim, é um orgulho enorme. Há apenas que acalmar nas situações de stress! Quanto mais focados no essencial, mais fácil fica jogar.

Estas recentes vitórias do Bairrada são resultado de bastante trabalho… Sentes que são candidatos à subida?

Para mim é simples: a luta para subir ou para não descer é igual já que ambas as mentalidades têm de ser jogar para ganhar. Para isso é preciso um plano de treinos de excelência, capaz de trabalhar os jogadores em todos os pontos e dar-lhes armas para decidirem bem e se divertirem a fazer isso. Automaticamente, então, qualquer equipa será capaz de subir de divisão e, num campeonato tão equilibrado como este, onde se perdem ou ganham pontos inesperados, isso ainda é mais notório… Ser candidato a subir tem de ser sempre o objectivo, que é o que temos. Será muito difícil mas procuramos isso, sim. No que toca à sequência de vitórias, não somos só nós que temos vindo a melhorar e isso é importante frisar. Apesar de não perdermos desde Novembro, a luta pelo quarto lugar mantêm-se acesa e com quatro possíveis candidatos: esta competição pode, até, ajudar a quem ficar com o 4º lugar no fim do campeonato, já que irá obrigar essa equipa a manter os níveis altos a época inteira, podendo chegar às meias-finais em melhor forma que as 3 de cima! Ou seja, a maior exigência de chegar a esse último lugar pode até preparar melhor a equipa para a decisão do título… Que seja a Bairrada, porque trabalho e dedicação é coisa que não falta por cá!

GIL PARA MAIS UM POKER MADE IN CALDAS

Pouco há para contar do Caldas Rugby Clube-Braga Rugby, já que a equipa da casa derrotou facilmente os “gladiadores” por 77-00, impondo mais uma pesada derrota a uma equipa que está profundamente desfalcada e que tem enfrentado um dos piores momentos exibicionais nas últimas semanas. A equipa comandada por Pedro Aguilar Monteiro tem tentado transformar a sua “matéria prima” jovem em atletas de qualidade para enfrentar este Campeonato Nacional 1, mas falta experiência de jogo e maior compromisso defensivo a um elenco que poderá vir a ser interessante no futuro.

Os “pelicanos” abordaram o jogo de uma forma: com o pé no acelerador. Filipe Gil foi, sem dúvida alguma, o melhor jogador de longe dos comandados de Patricio Lamboglia com não só 4 ensaios (mostrou em dois deles toda a sua potencialidade física e poder de explosão) mas também com 3 assistências, desgastando constantemente a formação bracarense na abordagem ao nº8. Não esquecer os vibrantes Alexandre Vieira e Diogo Vasconcelos, com o abertura e defesa a serem duas lanças bem armadas quando as oportunidades de jogo apareceram, substituindo bem Oscar D’Amato (o Fair Play deseja as melhoras familiares ao centro argentino) no que toca à criação de desequilíbrios.

BULLDOGS CONQUISTAM ELVAS E MOITA SUPERA GUIMARÃES

Jogo com pouca história em Elvas, com o CR São Miguel a conquistar mais 5 pontos e a impor mais uma ensaida com o defesa André Lemos a ser um dos destaques do encontro, uma vez que somou 27 pontos (três ensaios e seis conversões). Gerrit Van Wyk e Ricardo Rosa também estiveram bem, em especial o centro sul-africano que foi conquistando bem as brechas defensivas da equipa da casa, que rodou algo a sua equipa para este encontro.

Já no Campo do Gaio, o vencedor acabou por ser a equipa moitense que conseguiu amparar os pontapés do formação vimaranense Bruno Silva, que somou 18 pontos ao pé. O Moita superou a maior fisicalidade dos bravos e somou mais 4 pontos decisivos para fugir à descida de divisão.

O “LINEBREAKER” DA SEMANA

Felipe Gil (Caldas RC) e André Lemos (CR São Miguel). Foram os jogadores com mais pontos conquistados nesta 12ª jornada, em especial o defesa dos bulldogs que atingiu quase os 30 pontos na vitória ao RC Elvas, sem esquecer os pormenores técnicos com que bafejou o jogo em especial na 2ª parte. Gil foi responsável pelo 2º poker do campeonato (o primeiro foi da autoria do seu colega de equipa, Tomás Melo) coroando uma exibição com uma conquista incessante de metros e defesas batidos, sendo um dos melhores 3ª linhas deste CN1.

TRY FINISHERS E POINT SCORERS


2 comments

  • Tom

    Janeiro 22, 2020 at 11:47 am

    Diria que a grande defesa do Bairrada montada na 2a parte tem algo a ver com ter sido montada por 16 “jogadores”. Seria interessante referir que na 1a parte foram marcadas 9 penalidades contra ambas as equipas. Na 2a parte do encontro 16 penalidades contra os Jaguars e 3 contra a Bairrada. Ora bem, nos 10min do intervalo o Bairrada conseguiu melhorar tanto que cometeu 1/3 das faltas. Os Jaguars revelaram-se uma equipa tão inconsistente que esqueceram por completo como jogar, marcando uma falta a cada 2min e meio. É um caso de estudo, vá se lá saber porque…

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  • Paulo Filipe

    Janeiro 22, 2020 at 1:42 am

    Quem sai aos seus não degenera…. Grande André !

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