O “sidestep” do CN1: Bairrada retorna às vitórias em jornada “gorda”

Francisco IsaacDezembro 3, 20198min0

O “sidestep” do CN1: Bairrada retorna às vitórias em jornada “gorda”

Francisco IsaacDezembro 3, 20198min0
Os comandados de Luís Supico conquistaram a 3ª vitória no CN1 e aproximam-se do 4º/5º lugar, numa disputa total por este lugar. A análise à 7ª jornada do Campeonato Nacional 1 no Fair Play

Manteve-se tudo igual no top-3 do Campeonato Nacional 1, com CR Évora, CR São Miguel e Caldas RC a garantirem vitórias bonificadas, enquanto que Jaguares derrotaram o surpreendente Guimarães RUFC e o MRC Bairrada conquistou a sua 3ª vitória nesta temporada.

A análise à 7ª jornada no Fair Play!

BAIRRADA APROXIMA-SE DO 6º EM JOGO COM PLACAGEM EM ALTA

O Rugby Clube de Elvas não conseguiu sair com um bom resultado do campo do MRC Bairrada, mostrando pouca capacidade de “fogo” para ultrapassar uma defesa equilibrada e inteligente da equipa da casa, que acabou por garantir uma vitória por 18-09. A formação de Anadia realizou uma primeira-parte de qualidade, com Gonçalo Costa e Miguel Heleno a liderarem com excelência, seja pela qualidade defensiva e imposição de uma placagem dominadora ou por darem forma ao ataque da Bairrada que foi mais estratégico e estável em comparação com a maioria dos encontros.

A equipa do Elvas sofreu de alguma falta de equilíbrio nas operações de ataque, faltando um apoio ao portador de bola com significativa qualidade e neste caso os elvenses foram uma presa demasiado fácil para o Bairrada, em termos de breakdown. Os pontapés de João Bandeiras de pouco serviram, apesar do formação ter mostrado assertividade nesses momentos de concretização. Com esta vitória o Bairrada conseguirá se aproximar do top-4?

Luís Supico voltou a ser convidado do Fair Play no pós-jogo e respondeu às nossas questões,

Uma boa vitória que encheu as medidas a vocês? Ou sentes que o Bairrada pode muito mais?

Vitórias são sempre boas e estávamos a precisar de uma, nem que fosse por um ponto; mas somos exigentes e sabemos que podemos dar mais. O final do jogo foi um misto de alegria com decepção, já que tivemos hipótese de ter ponto bónus mas nem tudo saiu como queríamos. Esta atitude dos jogadores no fim do jogo (e nos treinos também) mostra que estamos apenas a começar a carburar… A vontade está lá, o talento também, só falta a consistência.

Está quase a chegar o fim da 1a volta. Quais são os objectivos nestas duas últimas jornadas?

Aí não fugimos muito ao que os outros clubes procuram: ganhar. Mal ou bem, ganhar. Mas continuamos com a mesma visão de jogar consoante um estilo e modelo de jogo que seja uma identidade, uma diferenciação dos outros e isso implica não só ganhar mas ganhar com a nossa ideia de jogo sempre presente. Ambicioso, sem dúvida, mas não podemos pensar pequeno, sob pena de nunca nos superarmos!

FRANCISCO BORGES CONQUISTA BRACARA AUGUSTA

76 pontos a 7 foi o resultado final que vincou a diferença entre o CR Évora e o Braga Rugby neste Campeonato Nacional 1, com os eborenses a mostrar mais uma vez uma capacidade ofensiva de soberba qualidade com destaque para Francisco Borges. O defesa foi autor de 31 pontos (o maior registo até agora num só jogo do Campeonato Nacional 1) conseguindo um hattrick, para além de uma série de conversões aos postes – algumas de difícil execução -, exibindo-se em grande nível. A velocidade ímpar e a visão de jogo estratégica do nº15 garantem ao Évora uma plataforma de ataque ameaçadora para qualquer defesa que fique na expectativa e um ataque pouco seguro, como foi o caso do Braga Rugby.

Os “gladiadores” raramente impuseram uma placagem ou cortina defensiva minimamente agressiva e eficaz, oferecendo demasiado espaço e tempo aos eborenses para saírem a jogar o que facilitou o acesso à área de ensaio do Braga. Tomás Fontes acabou por não alinhar e, não que fosse alterar em demasia o resultado, poderia ter sido um elemento essencial para os bracarenses darem outra resposta.

Francisco Borges, um dos melhores jogadores do Évora em campo, falou com o Fair Play no pós-jogo com o olhar colocado na 8ª jornada,

O Évora continua a somar pontos e está invicto quando faltam duas jornadas para o fim da 1a volta. Qual (ou quais) tem (têm) sido o(s) segredo(s) para estarem a este nível?

A fórmula que torna estes resultados possíveis não é segredo, é aquilo aquilo que todos reconhecem como a essência e o adn do CRÉ. Não somos a equipa com mais possibilidades ou apoios, mas temos uma amizade incrível e um espírito de sacrifício abundante em todos os sectores do Clube. Tudo passa por tentar aplicar aquilo que nos é transmitido desde os escalões de formação.

Não é fácil jogar em Évora, temos muitas deslocações, treinamos poucas vezes juntos, mas temos a sorte de ter uma estrutura que faz tudo pelas suas equipas, nós os jogadores, só temos que fazer por merecer esse esforço e deixar tudo em campo. Tudo isto, aliado a outra enorme sorte, que é ter um treinador excepcional, que conhece e compreende a modalidade como poucos, é muito nosso amigo e um excelente pedagogo. Com todo este trabalho feito, basta aplicar um modelo de jogo bem desenhado, acreditar nas nossas capacidades e os resultados acabam por aparecer.

O Évora continua a somar pontos e está invicto quando faltam duas jornadas para o fim da Próxima jornada é embate de equipas invictas até aqui… O que esperam fazer e qual é o vosso objectivo ?

Esperamos ganhar! O nosso objectivo é ganhar, jogo a jogo e no final o melhor levará a tábua. Esperamos aplicar o nosso modelo de jogo, com os rasgos naturais de grandes valores que temos, felizmente, no nosso clube. Este será o caminho que delineará o nosso percurso.

“BULLDOGS” IMPERDOÁVEIS NA RECEPÇÃO A CAVALEIROS

Inesperado, é o que no mínimo se pode dizer do facto do RC Santarém ter saído do Bulldog Rugby Field sem qualquer ponto no marcador de jogo, sendo dominados pelo CR São Miguel durante a maior parte do encontro. Os “bulldogs” efectuaram uma exibição de elevada qualidade, impondo um 64-00 no final do encontro, mostrando velocidade de movimentos, um ataque bem apoiado e inteligência no aproveitamento das oportunidades, isto para além de terem conseguido recuperar a posse de bola de forma consecutiva, como aconteceu nos ensaios de Ricardo Rosa, Miguel Máxima ou Manuel Azevedo.

Tiago Rocha e Mello rubricou uma exibição bastante sólida, a par de Robert Delai (foi um problema constante para os placadores do Santarém) e Miguel Máximo (o internacional sub-18 mostra uma maturidade táctica de enorme qualidade), existindo outros destaques numa vitória histórica para o emblema lisboeta.

O Santarém que voltou a apresentar uma equipa extremamente jovem em campo, só reagiu em alguns períodos na 2ª parte tentando chegar à área de ensaio, mas sem nunca encontrar o rumo certo… Rafael Morales foi montando algumas ideias de jogadas, revelando-se insuficiente perante a agressividade física da defesa do CR São Miguel. Matheus Daniel, João Câmara e José Maria Moreira são nomes que fazem uma falta real aos “cavaleiros” e será importante perceber se o plantel vai suprimir estas faltas a médio-prazo.

“PELICANOS” COM D’AMATO A MANDAR E JAGUARES ABATEM BRAVOS

Oscar D’Amato e Diogo Vasconcelos foram dois dos nomes que fizeram diferença no encontro ante a formação do Rugby Vila da Moita. O centro argentino tem escalado tanto na tabela dos marcadores de ensaios como de chutadores aos postes, regressando assim a uma forma que encantou o Campeonato Nacional 1 na temporada anterior e será importante perante a ausência de Tomás Lamboglia. O 45-10 mostrou a diferença entre “pelicanos” e moitenses, mantendo-se assim na peugada do CR Évora e CR São Miguel!

Já em Queluz (em casa emprestada), os Jaguares voltaram a mostrar bons momentos de brilhantismo ofensivo, conquistando nova vitória por 27-19 frente ao Guimarães RUFC, com Guilherme Sampaio e Tomás Picado a merecerem o destaque neste encontro. Os comandados de Paulo Vital mostraram consistência defensiva, apesar de terem consentido faltas em excesso que na maioria das ocasiões foram bem aproveitadas pelo Guimarães RUFC.

O “LINEBREAKER” DA SEMANA

Francisco Borges no CR Évora, Tomás Rocha e Mello no CR São Miguel e Oscar D’Amato no Caldas RC. Três jogadores das linhas atrasadas, três atletas que fizeram a diferença nas manobras ofensivas do ataque das suas equipas, proporcionando um bom espectáculo com uma série de pormenores e skills de elevada qualidade.

TRY FINISHERS E POINT SCORERS


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter