20 Jun, 2018

Será a hora do novo “uivo” dos Lobos no Mundo do Rugby?

Francisco IsaacJunho 14, 20187min0

Será a hora do novo “uivo” dos Lobos no Mundo do Rugby?

Francisco IsaacJunho 14, 20187min0
Nova oportunidade para Portugal estar num Mundial de Rugby com o encontro no sábado frente à Alemanha. Os Lobos no Mundo do Rugby versão 2.0?

A um dia do jogo do momento, as hostes portuguesas enchem mais uma vez o seu “peito” de esperança, orgulho e paixão por um grupo de trabalho que resistiu aos anos de menor visibilidade da modalidade em Portugal. Com a descida de divisão em 2016, quer do 1º patamar do Rugby europeu (não contando com as Seis Nações) ou do Circuito Mundial de 7’s, os Lobos ficaram entregues a um momento delicado que têm tentado ultrapassar desde então.

Se os 7’s são uma causa algo perdida, devido à fraca aposta feita Federação Portuguesa de Rugby (neste momento, os Linces participam raramente em torneios internacionais e a importância dada é muito reduzida), o XV é visto como o baluarte do rugby nacional que precisa de se reerguer.

O jogo frente à Alemanha, na corrida para o Mundial, é tratado como um Mata ou Morre por parte das instituições nacionais e vários apoiantes da selecção Nacional e a aposta feita em atletas a jogar fora de Portugal é um argumento que aponta nesse sentido. Durante dois anos esperou-se (e desesperou-se) pela vinda de atletas como Francisco Fernandes, Jean de Sousa, Jacques Le Roux, Cyrille Andreu ou Thibault Freitas (que estranhamente esteve presente nos treinos mas não foi convocado) e, agora, foram convocados.

Sempre havia espaço de manobra para ter presente os jogadores na Selecção Nacional, o que atribuía uma vitamina-extra para uma equipa que é composta 95% por jogadores amadores. Contudo, há quem questione e se preocupe com os jogadores que “perderam o lugar” para outros que mal actuaram por Portugal nos últimos anos. A discussão é válida entre o Mérito e Sacrifico, com o pano de fundo a ser O que é melhor para o rugby português?

Contudo, esta reflexão e discussão (que deveria ser bem trabalhada por parte das instituições competentes) tem de ser colocada de lado neste preciso momento, uma vez que os Lobos merecem todo o apoio neste próximo jogo.

Jogo esse que será, sem dúvida alguma, bem complicado perante um adversário na sua força máxima, munido de profissionais alemães que trabalharam por atingirem ao mesmo objectivo. Têm jogadores nascidos na África do Sul? Correcto, mas isso significa que não possam sentir-se como alemães e entrar em campo como Águias Negras da Alemanha, algo que tem sido questionado por vários comentadores em Portugal.

Alguém questiona a paixão de Julian Bardy, que trocou uma possível chamada pela França por Portugal? Apesar de não estar presente na convocatória, não há dúvidas que o asa é um português de gema, e que estará a torcer pela selecção por fora. É o momento perfeito para o público português se unir e deixar para trás algumas das reservas que tem ou percepções estranhas e que são tão nocivas como outras situações negativas que se passaram no rugby português.

Martim Aguiar conseguirá levar Portugal até ao Mundial? (Foto: Miguel do Carmo Fotografia)

Posto isto, o que há para saber sobre o encontro de Sábado entre portugueses e alemães? Como já explicámos no artigo anterior (podem rever a leitura aqui) a Alemanha tem uma equipa centrada na fisicalidade, em que a avançada gosta de dominar o maul e a formação ordenada, colocando uma pressão muito bem trabalhada no breakdown (atenção a Sebastian Ferreira e Jacco Otto) e que resulta sempre em surpreendentes fugas entre o ruck.

Por outro lado, as linhas atrasadas são um perigo no jogo ao pé… Raynor Parkinson e Marcel Coetzee são dotados neste aspecto, criando sérias dificuldades nas bolas altas. Ou seja, se a defesa portuguesa estiver um passo à frente pode iniciar-se uma espécie de problema complicado de resolver. Os pontas da Alemanha são fisicamente desenvolvidos e tecnicamente competentes, agressivos no 1×1 e que rapidamente se disponibilizam para ir a uma segunda bola.

O par de centros é, para já, um mistério pois Cameron-Dow não irá actuar (nem está nos 23 e não se encontra lesionado), o que abre algumas dúvidas sobre como a Alemanha quer trabalhar as movimentações mais céleres após fases mais “curtas”. Por isso, será natural vermos a Alemanha a ter algum domínio de território ou posse de bola, o que não significa que não seja Portugal a sair por cima no final.

Neste momento, Portugal tem uma selecção possante, equilibrada e dotada com a introdução de dois 3ªs linhas de excelente qualidade (Jean Sousa e Jacques Le Roux), com o regresso de José Rodrigues (estava em risco de não jogar) e Adérito Esteves (veremos se ainda apresenta os mesmos argumentos que já fizeram-no de um dos melhores na sua posição), mesclando a juventude (Nuno Mascarenhas e Vasco Ribeiro por exemplo) com experiência (Gonçalo Uva fará as suas 100 internacionalizações) para dar uma combinação interessante. Mas será harmoniosa?

Ou seja, os Lobos têm mais que argumentos para voltar a (re)começar a sonhar, bastando para isso que respeitem algumas “regras”: têm de ser fiéis ao plano de jogo, não quebrando o que foi estipulado; não permitir que a Alemanha domine rucks, ocupando bem o espaço em seu redor, nunca descurando a postura; aplicar uma placagem “agressiva”, tirando qualquer possibilidade de uma bola rápida, especialmente a partir dos 40 metros; defesa inteligente e que perceba o seu avanço ou recuo no terreno, de modo a evitar o tal jogo ao pé das linhas atrasadas da Alemanha; e garantir metros no contra-ataque.

Posto a secção do que se pode passar no terreno de jogo, agora vamos “visitar” alguns dos intervenientes que vão participar no encontro. Francisco G. Vieira e Duarte Diniz, atletas que jogaram/jogam fora de Portugal nos últimos 10-7 meses, foram os nossos entrevistados (por João Ferreira) e responderam a algumas perguntas!

Duarte Diniz fala da experiência australiana

Francisco G. Vieira explica o que é para ele voltar a representar Portugal

A esperança deste sábado não pode acabar caso haja uma derrota, pois é fundamental que para o crescimento da modalidade haja harmonia, colectividade e amizade entre todas as partes. Os problemas do passado nunca ficariam sanados com uma ida ao Mundial, mas também não são solucionados com posturas e posições anti-compromisso e sem qualquer vontade de unidade.

Portugal entra em campo sábado, 16 de Junho às 14h00. Os XV titulares

ALEMANHA

1 Julius Nostadt (C) – 2 Mikael Tyumenev – 3 Samy Füchsel – 4 Eric Marks – 5 Sebastian Ferreira – 6 Jarrid Els – 7 Jaco Otto – 8 Ayron Schramm – 9 Sean Armstrong – 10 Hagen Schulte – 11 Pierre Mathurin – 12 Raynor Parkinson – 13 Matieu Ducau – 14 Maxime Oltmann – 15 Marcel Coetzee
Suplentes: 16 Mark Fairhurst – 17 Jörn Schröder – 18 Antony Dickinson – 19 Marcus Bender – 20 Timo Vollenkemper – 21 Marcel Henn – 22 Tim Menzel – 23 Chris Hilsenbeck – 24 Nikolai Klewinghaus – 25 Steffen Liebig

PORTUGAL

1 – Francisco Fernandes; 2- Duarte Diniz; 3- Bruno Rocha; 4 – Jean Sousa; 5- Gonçalo Uva; 6 – Salvador Vassalo ©; 7 – Sebastião Villax; 8 – Jacques Le Roux; 9 – Manuel Queirós; 10- José Rodrigues; 11- Adérito Esteves; 12 – Vasco Ribeiro; 13 – Rodrigo Freudenthal; 14 – Tomás Appleton; 15 – Nuno Sousa Guedes
Suplentes: 16 – Bruno Medeiros; 17 – Nuno Mascarenhas; 18 – Geordie McSullea; 19 – Francisco Sousa; 20 – Francisco Vieira; 21 – Manuel Vilela; 22- Cyrille Andreu; 23 –  João Taveira


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