Seis Nações 2019: Grand Slam galês com show táctico de Gatland

Francisco IsaacMarço 16, 20197min0

Seis Nações 2019: Grand Slam galês com show táctico de Gatland

Francisco IsaacMarço 16, 20197min0
E no final dos 80 minutos deu festa vermelha em Cardiff com mais um grand slam galês no século XXI, o 3º de de Warren Gatland. Fica a saber como a Irlanda foi facilmente derrotada em solo galês!

A DESPEDIDA QUE WARREN GATLAND EXIGIA EM CARDIFF

Dominadores… se há palavra que pode ficar bem etiquetada a este País de Gales frente à Irlanda é a forma como dominaram os comandados de Joe Schmidt do princípio até ao fim do jogo, com uma defesa estupendamente “agressiva”, dotada de uma velocidade tremenda no ataque ao portador da bola e a atitude acérrima no breakdown que “incendiou” o público no Millenium em Cardiff.

Alun Wyn Jones, que até se lesionou aos 10 minutos de jogo mas continuou em campo todo ligado, foi um líder excepcional em todas as medidas, com uma voz de comando total operando sucessivos “ataques” aos rucks da Irlanda, que foi francamente pouco exigente na sua defesa e no apoio ao portador da bola, com várias notas de culpa para Conor Murray.

O formação esteve vários furos abaixo do esperado e essa pouca clarividência na hora de comandar e prestar-se a um apoio inteligente, intenso e dinâmico acabou por ser fatal para uma Irlanda completamente perdida nas opções de ataque (nunca perceberam a utilidade de apostar em Jacob Stockdale com a bola nas mãos, com Rob Kearney a ser mais um problema do que uma solução durante todo o encontro) e sem a alegria ou dinamismo de outros tempos. Contudo, esta situação deveu-se muito à estratégia defensiva do País de Gales e a resposta dos galeses no jogo ao pé.

Liam Williams, Josh Adams ou Gareth Anscombe não fizeram uma exibição de excelência com a bola nas mãos, até porque raramente a tiveram (só para verem, a equipa da casa só correu 120 metros com a oval em seu poder) mas foram geniais na colocação dos pontapés, atirando uma pressão constante para as costas da Irlanda que nunca foi respondida da melhor forma.

Os galeses marcaram 1 ensaio, os mesmos que os visitantes, mas uma exibição perfeita não tem de significar muitos ensaios, quebras-de-linha ou defesas batidos, pois uma defesa de constante contra-reposta de excelência, com uma avançada perfeita nas formações-ordenadas (forçaram três penalidades aos irlandeses, que até aqui eram um dos melhores) e alinhamentos, de ataque ao breakdown e de uma placagem de alta qualidade (95% de eficácia, 166 em 177 tentativas) garantiram uma das vitórias mais memoráveis nas Seis Nações de sempre.

4º título para Warren Gatland, o seu 3º Grand Slam e o País de Gales assume-se em ano de Mundial como a melhor Selecção do Hemisfério Norte!

CAÓTICO, ANÁRQUICO E TUDO MAIS NUMA OPORTUNIDADE FALHADA PELA ITÁLIA

A Itália podia ter saído de Roma com uma vitória frente ao rival, mas os sucessivos erros na transmissão de bola, a constante impaciência no gerir a posse de bola para depois atacar com “cabeça” nos momentos críticos e a falta de alguma sorte nos momentos X (que placagem de Penaud a tirar o ensaio a Zanon aos 73 minutos de jogo) foram fatais, impedindo o “adeus” glorioso a Sergio Parisse às Seis Nações.

Conor O’Shea bem tentou armar uma solução ofensiva à volta do entusiasmante Tebaldi, mas a falta de inércia de alguns dos jogadores mais importantes como Tommaso Allan ou Jayden Hayward (o defesa teve um jogo para esquecer, com demasiados erros concedidos na disputa aérea pela oval ou na liberdade dada ao três-de-trás adversário) “aniquilou” o dinamismo transalpino que acabou por ficar muito aquém do desejado.

A França foi também vítima dos seus próprios erros, com um caos geral na combinação entre os centros, na interferência constante de alguns elementos da sua avançada, que arriscavam demasiado no contacto com offloads disparatados e que terminavam em turnovers para a Itália.

Dupont tentou dar alguma excelência ao ataque francês e Romain Ntamack foi um verdadeiro número 10 em todas as medidas, com bons mecanismos ofensivos, pontapés venenosos e até um drop bem metido para conquistar 10 pontos a seu favor.

Apesar de todo o bom contra-ataque francês e da irreverência de Penaud à ponta, a Itália merecia bem mais no final dos 80 minutos como podemos ver pelos números finais: só 5 penalidades cometidas, 90% dos 20 alinhamentos colocados, 5 formações-ordenadas conquistadas, 28 defesas batidos, 71% de território a seu favor e 65% de posse de bola.

Parisse disse “adeus” às Seis Nações como o jogador com mais jogos na maior competição de rugby do Hemisfério Norte e fica o sabor amargo de não ter conseguido conquistar uma última vitória para o super nº8 italiano, numa derrota por 14-25.

OWEN FARRELL E INGLATERRA: DO CÉU AO INFERNO EM MENOS DE 80 MINUTOS!

Empate conquistado pela Inglaterra aos 82 minutos de jogo, graças a um rasgo de George Ford evitando assim uma derrota humilhante em Twickenham depois de terem estado a ganhar por 31-07 na saída para o intervalo. Como é que a Inglaterra perdeu uma vantagem de 24 pontos de diferença perante uma Escócia carregada de lesões e fatalismos que Gregor Townsend não usou como desculpa?

A explicação pode vir na forma de duas potenciais teorias: sobranceria; e/ou resultado do País de Gales-Irlanda comunicado no intervalo. A primeira é plausível até porque cinco dos sete ensaios da Escócia vieram de autênticas ofertas da Inglaterra, com Owen Farrell a ver um pontapé e passe seus interceptados (Fraser Brown galgou 60 metros sem que May ou o próprio Farrell conseguissem parar o talonador), Tuilagi e Launchbury a carregarem a oval numa só mão e que acabou perdida e recuperada pela Escócia, para além de outros pormenores nocivos para a selecção de Sua Majestade.

A 2ª teoria pode até associar-se à primeira e passamos a explicar… é possível que a Inglaterra tenha entrado para dentro de campo sem saber o resultado entre o País de Gales e Irlanda, evitando perder a concentração e a postura séria e concentrada que Eddie Jones procurava colocar durante os 80 minutos. Ao intervalo por algum lapso entre a equipa técnica ou alguma informação vinda da bancada ou de outrem, a equipa ficou a saber do resultado e perderam a seriedade desejada.

Esta teoria poderá não ser de todo errada, até porque sentiu-se uma diferença anímica e comportamental da Inglaterra, que passou de “agressiva” e altamente intensa em todos os capítulos de jogo, para um grupo desconexo e com um jogo excessivamente anárquico em comparação com o que o foi na 1ª parte.

Mas bem, há que premiar a excelente exibição da Escócia nos segundos 40 minutos, onde apareceu uma vontade total de provarem a todos que não estavam “mortos”, saltando para uma resposta genial de seis ensaios em 40 minutos. Finn Russell animou as “tropas” e deu um um autêntico show desconcertante para a linha defensiva inglesa, com o ponta Darcy Graham a ser um autêntico predador escondido à ponta.

O empate foi o resultado aceitável a coroar uma espectacular primeira-parte da Inglaterra e o mesmo para a Escócia na 2ª parte.

MVP da Ronda: Alun Wyn Jones (20 placagens, 2 turnovers, 10 alinhamentos conquistados)
Placador da Ronda: Josh Navidi (21 placagens, 2 turnovers e 100% eficácia)
Ensaio da Ronda: Darcy Graham (Escócia) vs Inglaterra, 1º ensaio
Melhor Marcador da Ronda: Gareth Anscombe (País de Gales) – 20 pontos (6 penalidades e 1 transformação)


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter