Seis Nações 2019: quem consegue abater este País de Gales?

Fair PlayFevereiro 24, 20197min0

Seis Nações 2019: quem consegue abater este País de Gales?

Fair PlayFevereiro 24, 20197min0
Intratáveis estão estes galeses que puseram fim ao sonho inglês do Grand Slam. Conseguirá Warren Gatland conquistar o título das Seis Nações 2019 para o País de Gales?

Esta edição do seis nações está tudo menos previsível! Depois de uma entrada triunfante nas duas primeiras jornadas, a Inglaterra cai frente à estável Gales (21-13); França fez um “vistaço” frente aos já enervantemente débeis Escoceses e a Itália ainda fez suar e tremer a detentora do título, a selecção Irlandesa!

Artigo de Helena Amorim e Francisco Isaac

SAIAM DA FRENTE… O DRAGÃO ESTÁ IMPARÁVEL!

O primeiro jogo da jornada era o mais esperado com o embate no País de Gales entre os “dragões vermelhos” e a sensação, Inglaterra. Gales esteve em desvantagem mas a entrada de Biggar e os ensaios de Cory Hill e Josh Adams na segunda parte, permitiram à selecção de Warren Gatland constituir-se como a única ainda com possibilidade de fazer o grand slam.

Foi um jogo tático com duas equipas muito focadas nos seus objectivos e com apenas 6 pontos nos primeiros 25 minutos de jogo. A Inglaterra esteve muito aguerrida nos alinhamentos e sempre muito dura no breakdown com o asa Tom Curry a fazer ensaio aos 25 minutos, o seu primeiro ensaio pela selecção da rosa.

Sempre em desvantagem no marcador com o resultado em 9-13 aos 60 minutos, entra Dan Biggar em substituição de Gareth Anscombe e tudo mudou! Aos 67 minutos uma jogada de 34 fases, com abertura ao largo para George North e ensaio de Cory Hill; o segundo ensaio surgiu cerca de dez minutos depois com um brilhante pontapé de Biggar, a cruzar o campo de jogo para a ala e ensaio de Josh Adams.

Gales soma assim a sua 12ª vitória consecutiva contando com 2 vitórias frente à Argentina, 2 frente à África do Sul, 2 frente à Itália, 2 frente à França, e uma frente à Escócia, Austrália, Tonga e agora, Inglaterra.

Agora, razões para vitória galesa frente a uma Inglaterra que parecia improvável de cair desta forma nestas Seis Nações? Três palavras: paciência, adaptação e trabalho no contacto.

Parece o óbvio de um jogo de rugby, mas a verdade é que o País de Gales demonstrou-se altamente paciente no uso do controlo de bola, mesmo estando a perder por quatro pontos a 11 minutos do final do encontro. A Inglaterra até a esse minuto tinha realizado umas impressionantes 196 placagens e parecia imparável na defesa até que veio o ensaio de Corry Hill que começou numa boa quebra-de-linha de Jonathan Davies para depois se seguirem constantes piques ou passes curtos a começar dos 22 metros: 34 fases à mão e ensaio.

Confiantes e com um três-de-trás que foi perfeito em quase tudo o que fez (Liam Williams conquistou todas as bolas que vieram pelo ar e deu uma segurança de qualidade à sua equipa), o sucesso dos galeses também adveio de se adaptarem à atitude extremamente defensiva da Inglaterra que acabaria por ruir a 12 minutos do final.

E, a última palavra: trabalho no contacto. Foi impressionante a forma como os avançados do País de Gales ganharam no confronto físico, aguentando a intensidade completamente louca de jogo durante todo o encontro, com Alun Wyn Jones, Justin Tipuric, Ross Moriarty ou Ken Owens a constantemente darem o “corpo às balas”.

Três palavras, quatro pontos e a possibilidade de um Grand Slam que está à distância de duas vitórias… Warren Gatland vai conseguir sair com um 4º título pelo País de Gales?

FRANÇA REERGUE-SE NUM JOGO CAÓTICO

No segundo jogo da Jornada, a Escócia foi até Paris para se ver derrotada por 27-10. França, com o orgulho ferido apresentou uma equipa mais jovem, com jovens talentos e gerou-se uma dinâmica capaz de ultrapassar uma previsível e desfalcada Escócia.

Gregor Townsend afirmou que a sua equipa esteve ausente nos primeiros 15 minutos e que andou sempre atrás do prejuízo, sem nunca o ter encontrado.

A dupla de médios, Antoine Dupont e Romain Ntamack foram essenciais a fabricar esta vitória, com Thomas Ramos e Damian Penaud a fazerem boas prestações na defesa e ala direita.

Os ensaios Franceses foram de Ntamak, Huget e ainda um bis de Gregory Alldritt. Ali Price passou a linha de meta pelos Escoceses. A reter deste jogo a maior fluência Francesa e a incapacidade da Escócia em produzir substitutos à altura da vasta lista de lesionados.

BRAVOS ITALIANOS FAZEM IRLANDESES SUAR… DEMAIS

No derradeiro jogo da jornada, os Irlandeses foram até Roma, encontrar uma Itália interessada em fazer valer o seu valor e tentar bater o pé. Não foi um jogo brilhante de se ver mas valeu pela combatividade italiana e claro, pela persistência e superioridade Irlandesa que ditaram o resultado final (16-26).

Quinn Roux marcou o seu primeiro ensaio internacional depois de várias fases montadas pela Irlanda e Stockdale fugiu pela ala e marcou o segundo ensaio. Os “azzurri” reagiram perto da meia hora de jogo com ensaio do ponta Edoardo Padovani.

Ainda antes do intervalo, um turnover e uma jogada altamente atabalhoada deu o segundo ensaio Italiano pelo primeiro centro Luca Morisi.

A partir dos 50 minutos de jogo com o resultado em 16-12, já só deu Irlanda e os ensaios surgiram pelo endiabrado Keith Earls e pelo formação Conor Murray num já raro, pelo menos nesta selecção Irlandesa,  ensaio de maul.

Mas o que correu mal na prestação irlandesa? Dois aspectos importantes e que foram a chave para o sucesso do Trevo em 2018: pressão alta e placagem efectiva; consistência na transmissão de bola e exploração do espaço no canal 3.

Mesmo com uma exibição de qualidade de Sean O’Brien e Peter O’Mahony (quatro turnovers e uma prestação a lembrar aquele jogo contra os All Blacks em Novembro passado) faltou mais acerto na defesa irlandesa, que deu muito espaço à Itália para sair a jogar e garantir a conquista da linha-de-vantagem com Tito Tebaldi a abusar constantemente das benesses do seu adversário.

Sem uma defesa tão eficaz foi natural ver Jayden Hayward (150 metros conquistados, 3 quebras-de-linha e uma série de adversários retirados da sua frente), o já falado Tebaldi ou Braam Steyn a saírem em velocidade sem que fossem parados na primeira cortina defensiva.

Não fosse a queda física da Itália na 2ª parte (e foi uma daquelas abruptas e preocupantes) e os irlandeses podiam ter saído de Roma com um resultado histórico, mas para o lado dos da casa.

O segundo aspecto que falávamos foi a qualidade da transmissão da bola entre unidades do ataque irlandês ou a forma como a mesma era utilizada no contacto. Vejamos alguns dados: 6 avants, 4 bola perdidas no ruck, cinco bolas perdidas no alinhamento, duas intercepções de passe e cinco bolas que caíram para o chão (mas para trás).

Foi um tratamento atabalhoado do controlo de bola e que prejudicou os processos de jogo, pondo fim a algumas jogadas que prometiam terminar de outra forma. A culpa não esteve no par de médios (Murray e Sexton estiveram bem melhores do que se apresentaram no encontro ante a Inglaterra) mas sim na concentração e atitude dos restantes jogadores, com especial incidência para o três-de-trás composto por Stockdale-Ears-Kearney com 7 perdas de bola só neste sector.

Ou seja, para além da excelente prestação italiana a atacar na primeira-parte a Irlanda também foi a sua própria adversária durante 80 minutos de jogo. Será que a cabeça já esta no Mundial ainda antes do final da competição?

REGISTOS DA 3ª RONDA

MVP da Ronda: Liam Williams (52 metros conquistados, 2 quebras-de-linha, 4 defesas batidos)
Placador da Ronda: Jamie Gorge (Inglaterra, 24 placagens, 100% eficácia)
Ensaio da Ronda: Yoann Huget (França-Escócia)
Melhor Marcador da Ronda: Gregory Alldritt (França – 10 pontos)


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