Quem são as novas “caras” dos sub-20 de Portugal?

Francisco IsaacFevereiro 23, 20198min0

Quem são as novas “caras” dos sub-20 de Portugal?

Francisco IsaacFevereiro 23, 20198min0
Os bicampeões europeus já voltaram à acção e o Fair Play dá a conhecer quem são alguns dos convocados de Luís Pissarra e António Aguilar. Acompanha os sub-20 do rugby português no Fair Play

A chegada de Março marca os últimos dias/semanas antes do início de uma das competições mais importantes para as selecções europeias do Tier2: o Campeonato da Europa de sub-20.

Portugal (os bicampeões em título), Espanha, Holanda, Rússia, Roménia, Ucrânia, Polónia e Bélgica voltam a encontrar-se novamente em Coimbra pelo segundo consecutivo com um duplo objectivo principal na retina: lutar por um lugar no Rugby World Championship U20 (o Campeonato do Mundo de sub-20) e lançar os atletas que no futuro (próximo) vão assumir um lugar nas selecções principais dos seus países.

Mas, o que realmente importam os sub-20 de Portugal e qual é a sua utilidade? São, como já dissemos, o último patamar antes da chegada da idade sénior, altura em que vão ter de puxar pelos “galões” e dar o salto em termos de intensidade, fisicalidade e mentalidade e por isso são escolhidos aqueles que têm mais competências para garantir os melhores resultados, não só em jogos mas também no futuro da modalidade.

Nem todos conseguem ter as honras de atingir este nível e existem situações que criam dissabores, principalmente em países mais pequenos em números de atletas, sendo que existe a discussão actual entre o lançar e dar a oportunidade a outros de um nível não tão superior e os que estão mais rodados, rotinados e prontos para conquistar vitórias. Pegando nos casos das selecções sub-20 de outras nações, a opção vai sempre para a segunda situação algo natural, compreensível e, na realidade, mais lógica.

No caso português os atletas portugueses convocados estão todos aos 18/19/20 anos a jogar pelas equipas principais dos seus clubes, atingindo desde muito cedo um patamar elevado na sua formação como jogadores. Mas quem são os novos sub-20 que estiveram presentes nos jogos frente ao Canadá realizado no campo do Caldas Rugby Clube?

Foto: FPR

QUEM SÃO OS MELHORES DOS MELHORES DO RUGBY PORTUGUÊS DE SUB20?

Os “veteranos”, ou seja, os que se mantiveram neste escalão são: David Costa, Frederico Simões, Sebastião Silva, José Roque, Manuel Nunes, Manuel Pinto, Jerónimo Portela (falhou o europeu sub-18 em 2018 por lesão mas foi aproveitado para o Mundial “B” sub-20 no mesmo ano), Manuel Barros e Tomás Lamboglia.

E os novatos/estreantes quem são? Sebastian Castanheira, Martim Otto, Manuel Grincho, Rodrigo Bento, João Nobre, Manuel Maia, Pedro Lucas, José do Carmo Pereira, Tomás Cabral, Raffaele Storti, Tomás Marrana, Vasco Carvalhais, Salvador Gomes, Max Falcão, António Cunha, Márcio Pinheiro, António Rebello de Andrade, João Sousa, Joaquim Félix, Francisco Salgado, Pedro Ramos, Rodrigo Bento, Baltazar Melo, Francisco Rodrigues, António Amaral, Diogo Reis, Alexandre Fonseca, Celso Mateus (ex-Sporting CP que joga agora em França pelo Prades).

É assim portanto uma pequena revolução e natural no que toca às saídas (como Manuel Cardoso Pinto, João Fezas Vital, Nuno Mascarenhas, Manuel Marta, David Wallis, entre outros) e as entradas. E já agora quantos destes novos transitaram da selecção nacional sub-18?

Ao todo são 23 os atletas que marcaram presença na categoria de sub-18 e que passaram para estes sub-20 e que entretanto já somaram duas vitórias nos primeiros jogos de preparação. Somando os restantes 10 convocados para os treinos de Fevereiro, podemos dizer que só 7 nunca foram internacionais no escalão sub-18 mas foram chamados para a formação treinada por Luís Pissarra e António Aguilar.

Existe, portanto, um quase total aproveitamento do trabalho realizado entre as selecções regionais de sub-16 e a nacional de sub-18, numa prova clara de que existe uma linha de continuidade e lógica por detrás do processo de selecção, escolha e aposta.

É natural que existam outros jogadores que não mereceram uma hipótese tão “dourada” quanto outros e que talvez a distância geográfica possa ter limitado a sua possível presença nesta formação… mas os resultados dos últimos anos são prova clara que há sucesso no caminho escolhido até porque há outro factor importante para tomar em atenção: a chegada à selecção AA.

Dos 23 convocados para o encontro frente à Polónia 13 passaram pelos sub-20 (e sub-18) nos últimos 3/4 anos, com destaque particular para Vasco Ribeiro, Martim Cardoso, Rodrigo Marta ou Nuno Mascarenhas. A taxa de aproveitamento tem sido alta e compreensivelmente é uma das tábuas para chegar mais longe nos anos vindouros. No entanto, seria importante e necessário que estes atletas venham a sair de Portugal no futuro próximo para desenvolverem-se como atletas (como foi o caso de Manuel Cardoso Pinto ou José Conde) e que seja adicionada a experiência internacional de outros atletas.

Mas voltando ao tema dos sub-20 que actualmente vestem a camisola das Quinas, que destaques podemos apresentar? Escolhemos 4 nomes para tomarem em atenção e seguirem!

MANUEL VEIGA MALTA NUNES (RC MONTEMOR)

Se José Roque chega como uma das maiores referências, Manuel Nunes não fica muito atrás, pois o antigo capitão dos sub-18 também subiu à equipa principal do RC Montemor em 2017 e tem sido dos asas mais completos do CN1. É um asa que está sempre pronto para fazer uma perseguição ao portador da bola, com uma excelente leitura no momento de ataca-lo e procurar desde logo garantir uma plataforma de disputa para a sua equipa.

Entra nestes sub-20 como José Roque, um jogador com experiência neste nível (foram ao Campeonato da Europa de sub-18 em 2017 e ao Europeu e Mundial de sub-20) e nestas competições ter um 3ª linha inteligente, rotinado a jogos desta exigência e propenso para a conquistar metros será fulcral nas provas internacionais.

Ensaio Manuel Nunes vs RC Montemor

PEDRO LUCAS (AEIS TÉCNICO)

É um dos formações da nova escola portuguesa, formado no AEIS Técnico e que tem conquistado o seu lugar no plantel sénior dos actuais 1ºs classificados da Divisão de Honra, a maioria das vezes como titular. A intensidade que submete os seus colegas é um dos vários pormenores que fazem de Pedro Lucas como a melhor escolha para substituir Martim Cardoso, o formação que em 2017 e 2018 ganhou impacto nos comandados de Luís Pissarra (e que está agora ao serviço dos Lobos).

A comunicação bem trabalhada, a raça junto ao ruck e a capacidade para encontrar as melhores soluções no ataque ajudam Pedro Lucas a afirmar-se na posição de nº9, para além de ter um excelente tempo de reacção, ágil e veloz no “alimentar” do jogo entre outros apontamentos de qualidade.

JOSÉ DO CARMO CÂMARA (AEIS AGRONOMIA)

Depois de um ano em Inglaterra a estudar, o centro/ponta formado da AEIS Agronomia está de regresso à selecção Nacional e de forma merecida, depois de ter conquistado a (espaços) a titularidade nos vice-campeões nacionais. É um dos atletas mais comprometidos com o grupo, sempre disponível para participar nas movimentações atacantes e um placador de qualidade que raramente falha o “alvo”.

É dos maiores conhecedores do jogo dos sub-20 e que compreende o jogo e todas as suas movimentações, assumindo um papel importante nos momentos mais intensos e complicados. A sua ascensão no plantel liderado por Frederico de Sousa é revelador da sua franca qualidade como opção das linhas atrasadas.

JOSÉ ROQUE (RC MONTEMOR)

Uma das peças fundamentais no plantel sénior do RC Montemor desde 2017, o nº8 tem se afirmado como um dos melhores na sua posição não só no CN1 mas também em Portugal. Já alinhou pela Selecção Nacional A (frente à Namíbia em Novembro passado) e agora volta a ocupar um lugar na 2ª linha dos sub-20. Foi escolhido pela equipa técnica como o novo capitão deste grupo, substituindo João Fezas Vital, 3ª linha do GD Direito que já não pode alinhar pelos sub-20.

José Roque não é fisicamente um “gigante”, mas sabe trabalhar no contacto como poucos, onde está sempre à procura de descobrir a fraqueza da defesa contrária para explorá-la com eficácia e velocidade.

Rápido a tomar a decisões, agressivo na luta pela conquista da linha de vantagem e tecnicamente bem desenvolvido, José Roque assume-se como uma das referências ofensivas de Portugal. Todavia, também a defender é um dos mais desenvolvidos, dominador na placagem e veloz no ataque ao breakdown, dois pormenores que lhe têm valido constantes elogios no CN1.

Depois da dupla jornada contra o Canadá, segue-se um fim-de-semana exigente com jogos frente a França e Espanha na preparação para um Europeu que se aproxima a passos largos e que pode ficar na História de Recordes da Rugby Europe para todo o sempre, caso Portugal consiga conquistar uma vitória no final da prova, já que nunca houve um tricampeão em título. Mas antes de sonhar com o “ouro” de novo, há um caminho complicado pela frente e os jovens lobos terão de mostrar o porquê de merecem estar na Selecção Nacional sub-20.

Foto: Luís Cabelo Fotografia

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