RWC19 Ronda 3: Austrália-País de Gales de sonho e o The Barrett(s) Show

Francisco IsaacOutubro 4, 20196min0

RWC19 Ronda 3: Austrália-País de Gales de sonho e o The Barrett(s) Show

Francisco IsaacOutubro 4, 20196min0
País de Gales e Austrália ofereceram um jogo inesquecível neste Mundial de Rugby 2019, enquanto os All Blacks lançaram os três irmãos Barrett ao mesmo tempo! A review da Semana 3 no Fair Play!

A Semana 3 do Mundial de Rugby não teve a mesma dose de surpresas completamente inesperadas, mas teve direito a um dos melhores jogos de toda a competição, entre o País de Gales e Austrália, que merece destaque total. Para além desse super-embate, fez-se história com a inclusão dos três irmãos Barrett no mesmo XV dos All Blacks, sendo que todos marcaram ensaios… por fim, Geórgia sucumbiu perante o show de turnovers e velocidade das Ilhas Fiji, que confirmam o 3º lugar (para já) no seu grupo.

Vamos à ronda 3 do RWC 2019?

Foto de Destaque de Bruno Ruas Bernardinelli e Portal do Rugby

GARETH DAVIES… O MELHOR FORMAÇÃO DO MUNDO?

Fogo de artifício, jogadas mirabolantes, decisões de arbitragem chocantes, avants inesperados, ensaios espectaculares, intercepções fenomenais e até goose steps que fizeram recordar Campese… isto foi o País de Gales-Austrália, um dos encontros mais entusiasmantes da competição que teve os galeses como os vencedores do encontro ao fim de 80 minutos esgotantes.

Os galeses somaram 4 pontos, tendo ficado sempre na frente do resultado desde o 1º minuto de jogo com um drop mágico de Dan Biggar, controlando bastante bem as movimentações dos Wallabies em diversos momentos do encontro. Contudo, para quem pense que houve um domínio claro da selecção europeia, podemos dizer desde já que está enganado.

Os australianos conquistaram mais metros (570-351), somaram quer mais quebras-de-linhas (12-9) ou defesas batidos (31-15), mas tiveram claros problemas em decidir bem nos últimos 22 metros, perdendo diversas boas situações ofensivas graças a passes mal transmitidos, má segurança na posse de bola (Samu Kerevi foi um excelente “devorador” de terreno, mas deixou a bola cair nos momentos mais inoportunos possíveis) ou a ausência do um bom manobrar de jogo, já que Bernard Foley não se envolveu nas movimentações ofensivas como se pedia.

O País de Gales aplicou a estratégia do costume, onde a defesa agressiva e móvel foi conquistando consecutivas penalidades, misturando os bons box kicks e um trabalho de excelência do par de centros (Jonathan Davies não correu tanto como Parkes, mas teve dedo nas operações atacantes da formação treinada por Warren Gatland) para tirar “paz e calma” à ideia de jogo dos australianos.

O País de Gales está em 1º lugar do grupo e dessa posição não sairá… já a Austrália tem o 2º lugar debaixo de controlo, mas não pode ser surpreendida pela Geórgia ou Uruguai.

FIJI E O DESMANTELAMENTO DA GEÓRGIA NA LUTA PELO 3º LUGAR!

Os fijianos de McKee finalmente conquistaram a sua 1ª vitória neste Campeonato do Mundo, com uma exibição soberba que não deu qualquer esperança aos Lelos, fracassando por completo no sonho de chegar novamente à 3ª posição na maior prova de selecções do planeta. Os flying fijians começaram de forma intermitente, onde aquele tipo de jogo entusiasmante, enérgico e mágico cismava a não criar danos pois surgiam vários erros e falhas na combinação de jogadas, apesar das boas exibições de Lomani e Volavola durante os primeiros 40 minutos.

Porém, mal as Fiji sentiram-se à vontade, o nervosismo desapareceu dando lugar a uma harmonia total que tirou o fôlego completo aos georgianos… e como poderiam ter pulmão suficiente para apanhar Sami Radradra e Josua Tuisova, duas “lanças” sempre apontadas para fugas incríveis e sem adversário à altura? Radradra então foi um autêntico génio na criação de situações de ataque para esta selecção do Pacífico, com cerca de 180 metros conquistados, 6 quebras-de-linha, 11 defesas batidos, 3 assistências e 2 ensaios marcados, revelando-se como o melhor jogador desta 3ª semana.

A Geórgia não teve velocidade, mobilidade e resistência para aguentar a velocidade de jogo das Fiji, caindo constantemente nas “armadilhas” montadas por Volavola, num claro fracasso em termos de dar outra dimensão ao seu próprio jogo. Não se vislumbrou a mesma certeza e confiança que foi registada na derrota frente ao País de Gales, ficando claramente à mostra a falta de soluções no banco e capacidade de resposta ofensiva.

As Ilhas Fiji vão caminhando para chegar ao Tier1 e para fecharem o “gap” entre si e as maiores selecções é necessário que obtenham um resultado histórico frente ao País de Gales. Contudo, os quartos-de-final estão praticamente fora de mão e o 3º lugar deverá ser o melhor que conseguirão neste RWC 2019.

TRÊS IRMÃOS BARRETT PARA O SHOW COM ALGUMAS FALHAS NA LUZ

306 metros, 12 quebras-de-linha, 11 defesas batidos, 3 ensaios, 3 assistências para ensaio… estes são os dados totais da aparição histórica conjunta dos três irmãos Barrett, que deram um autêntico espectáculo frente ao Canadá, apesar de algumas atrapalhações no controlo de bola ou delinear de operações mais bem pensadas.

É verdade que o encontro foi propício em situações de risco constante e de uma ou outra falha de concentração, oferecendo oportunidade a jogadores como Rieko Ioane, Shannon Frizell, Atu Moli, Liam Coltman e o próprio Jordie Barrett. Não esperando qualquer reacção de nível por parte do Canadá (tiveram oportunidade para ir ao ensaio por duas ocasiões, mas ficaram sempre a metros e/ou centímetros da linha de ensaio), os All Blacks aplicaram aquele ritmo e velocidade de jogo do costume para conseguir fazer ensaios em forma de rajada, ao exemplo do que aconteceu no início da 2ª parte.

É este o grande segredo (um de vários) da Nova Zelândia… dar uma sensação de paz ao adversário para depois acelerar e trazer dinamismos tão desconcertantes que a defesa contrária acaba por consentir algumas falhas na linha defensiva, ainda mais quando do outro lado estão desequilibradores como Richie Mo’unga, Beauden Barrett, Sonny Bill Williams (foi uma das chaves para abrir constantemente a linha defensiva canadiana) ou TJ Perenara.

Os irmãos Barrett trataram de somar um registo impressionante, algo que nunca antes fora feito em mundiais, ficando o registo dos tais três ensaios e três assistências entre 300 metros “devorados”… mas será que é suficiente para serem campeões do Mundo por uma terceira vez consecutiva?

OS ACCOLADES DA RONDA

Melhor Jogador: Sami Radradra (Fiji);
Melhor Marcador de Ensaios: Sami Radradra (Fiji), Cheslin Kobe (África do Sul) e Brad Webber (Nova Zelândia);
Jogador “truque” da Fantasy: Sami Radradra (Fiji);
Maior Desilusão: Bernardo Foley (Austrália);
Pormenor da Semana: o facto dos três irmãos Barrett terem conseguido um ensaio cada;

XV DA JORNADA


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