RWC19 Ronda 1: Japão sua, Inglaterra qb e All Blacks sorriem

Francisco IsaacSetembro 23, 20197min0

RWC19 Ronda 1: Japão sua, Inglaterra qb e All Blacks sorriem

Francisco IsaacSetembro 23, 20197min0
Com os ingleses a aplicar um rolo compressor em Tonga, os All Blacks a superar os Springboks e o Japão a tremer levemente no 1º jogo, estes foram alguns dos destaques da Ronda 1 do RWC 2019

Bem-vindos ao primeiro round-up do Rugby World Cup 2019, com os melhores pormenores, jogadores em alto destaque, questões temerárias e melhor XV de cada jornada da maior prova de rugby do Mundo!

Esta é a análise à Ronda 1 e há muito para falar!

MATSUSHIMA MARCA, MAS É HIMENO E LAMEKI QUE BRILHAM

O Japão entrou no Mundial de forma satisfatória, com uma vitória por 20 pontos de diferença, onde surgiram vários sustos e preocupações à mistura da equipa de Jamie Jospeh. Os nipónicos realizaram a espaços um bom jogo, revelando-se uma selecção com gosto pelo arriscar, com contínuos offloads e procura de inventar espaços na muralha fria e dura dos czares, que armaram uma autêntica muralha com “dentes”.

O problema do arriscar é que foi em excesso, ficando na retina a forma atabalhoada e demasiado à pressa com que o Japão montava os processos, percebendo-se bem o porquê desta pressa: marcar ensaios. Mas o nervosismo que se fez sentir nos primeiros 40 minutos tirou algum poder de fogo à equipa da casa, permitindo à Rússia ter mais bola do que o suposto. Apesar dos solavancos, perdas constantes da oval no contacto ou passes mal esboçados, os japoneses marcaram dois ensaios na 1ª parte, um deles do novo herói nacional do Japão, Kotaro Matsushima.

O ponta viria a marcar mais dois na 2ª parte, realizando um bom jogo à ponta, embelezando o encontro com uma velocidade estonteante e um entendimento posicional de qualidade. Porém, não foi o melhor em campo para o Fair Play já que dois outros jogadores destacaram-se amplamente: Kazuki Himeno (nº8) e Lomano Lemeki (ponta).

O 3ª linha centro foi quem mais território conquistou percorrendo durante todo o encontro um total de 132 metros, somando-se ainda 3 quebras-de-linha e 5 defesas batidos. Agressivo, portentoso e incrivelmente dotado, o 8 deu um show em todos os sentidos. E o que dizer de Lomano Lemeki, que também deslumbrou ao conseguir abrir duas brechas na defesa russa, batendo 13 adversários na placagem em cada arrancada sua, sendo o alvo mais difícil de parar neste encontro.

O Japão não foi espectacular, nem deslumbrou, mas tem as armas suficientes para chegar aos quartos-de-final, necessitando melhores índices de concentração, não podendo perder o foco nos momentos mais demorados do encontro.

ALL BLACKS COLECTIVAMENTE (QUASE) NO SEU MELHOR E FAF DE KLERK NO SEU PIOR

Durinho como se pedia e queria do embate entre All Blacks e Springboks, com a vitória a ir parar às mãos dos bicampeões mundiais em título e isto de forma merecida. Se a África do Sul teve um ténue domínio nos primeiros 8 minutos e depois entre os 55′ e 65′, os neozelandeses sempre que tinham a clarividência de querer ir para cima da linha da vantagem conseguiram montar e aplicar o seu jogo de contra-reacção, velocidade de movimentos e de gestão do controlo da bola.

As duas equipas encaixaram-se perfeitamente… para a África do Sul este “encaixe” foi prejudicial pois nunca conseguiu impor a sua estratégia, caindo constantemente nas “garras” da avançada neozelandesa que aplicou constantes turnovers (o que dizer de Ardie Savea neste aspecto?), num trabalho colectivo de excelente execução.

Por outro lado, outro pormenor que “matou” a formação treinada por Rassie Erasmus passou pela queda abrupta de forma de Faf de Klerk. O formação passou completamente ao lado de todo o encontro, com consecutivos passes falhados, má comunicação com Pollard (o médio-de-abertura acabou por ter um jogo fraco, isto devido à falta de excelência de Faf de Klerk), envolvimento negativo junto ao ruck, pouca pressão no 9 adversário, etc. Ou seja, de Klerk não foi de Klerk e a África do Sul viu-se silenciada em diversos momentos do jogo e a Nova Zelândia só teve de aproveitar.

Outro pormenor vai para o banco de suplentes, com os kiwis a retirarem mais dividendos dos seus suplentes (TJ Perenara entrou e abanou o que jogo nos 12 minutos finais) do que o contrário, pois na África do Sul só Jesse Kriel (inexplicável como é que o centro dos Blue Bulls começou no banco) realmente deu provas de conseguir entrar e oferecer capacidade de engenho suficientemente boa para incomodar o adversário.

Os All Blacks foram melhores na defesa, mais precisos na disputa pelas bolas altas (Le Roux esteve a léguas do que consegue fazer, dando demasiado espaço a George Bridge e a Beauden Barrett neste aspecto), mais intensos no embate físico, mais predadores no breakdown e mais cínicos no contra-ataque. Vamos ter Round 2 neste Mundial?

EDDIE JONES BATE COM O PUNHO NA MESA… E TEM RAZÃO(?)

Jogo pouco expedito da Inglaterra frente à selecção do Tonga, com o problema a não ser o número de ensaios mas sim a qualidade exibicional, deixando muito a desejar durante a extensão total dos 80 minutos. Para quem viu os ingleses durante o mês de Agosto e assistiu agora a este primeiro jogo oficial do Mundial, percebe desde logo que houve uma diferença para pior em termos de intensidade, desenvolvimento de combinações ofensivas e vontade de aplicar um caudal atacante mais fluído. George Ford não foi tão preponderante, Owen Farrell esteve mais preocupado com o comandar do que sair a jogar, Ben Youngs revelou-se apático, com apenas Elliot Daly a demonstrar um à vontade bem maior em comparação com os seus parceiros de criação de jogo.

Contudo, esta estratégia pode ter sido planeada por duas razões: primeiro, para não mostrar aos seus adversários mais do que já sabem em termos das soluções de apoio, movimentações das unidades fixas de ataque e de variações ofensivas dos ingleses; e segundo, para poupar a equipa de um desgaste físico superior (haveria sempre algum, mas deu-se um controlo superior em termos do embate, recuperação do chão e acompanhamento de jogada), mantendo as pernas e ombros mais frescos para os restantes jogos.

O que tirou do sério Eddie Jones foi a forma displicente com que o XV titular atacou o breakdown (Underhill conseguiu dois turnovers, mas a sua técnica de limpeza de ruck foi abaixo do esperado), a postura e concentração no momento de placar (a Inglaterra concedeu demasiado espaço e tempo… felizmente para os ingleses, Tonga nunca aproveitou essas oportunidades) e a pouca agressividade no momento de entrada no contacto, onde só Tuilagi, Itoje, Daly e Watson fizeram questão de aplicar o seu melhor.

O “fantasma” do Mundial 2015 continua a conviver com os ingleses e esta vitória ante o Tonga foi muito similar do que aconteceu frente às Fiji no Mundial anterior, isto é: pouco gás, pouca velocidade, contenção de esforços, falta de expressão ofensiva e algum facilitismo. Todavia, há que destacar o facto de que a Inglaterra não sofreu qualquer ensaio… mas terá sido mérito da sua defesa ou demérito do adversário?

OS ACCOLADES DA RONDA

Melhor Jogador: Kazuki Himeno (Japão);
Melhor Marcador de Ensaios: Kotaro Matsushima (Japão) com 3 ensaios;
Jogador “truque” da Fantasy: Guido Petti (Argentina) com 67 pontos;
Maior Desilusão: Faf de Klerk (África do Sul);
Pormenor da Semana: Dois drops nos primeiros oito jogos… um registo digno de relevo;

XV DA JORNADA

(Não se considerou P. Yato porque só alinhou durante 23 minutos)

ENSAIO DA SEMANA (Votação aberta até dia 24 de Setembro

 



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