RWC 2019: 4 grandes jogadores que não vão ao Mundial por opção

Francisco IsaacJunho 30, 20196min0

RWC 2019: 4 grandes jogadores que não vão ao Mundial por opção

Francisco IsaacJunho 30, 20196min0
Brad Barritt é o capitão lendário dos Saracens e um dos centros mais letais do Reino Unido, mas não conta para Eddie Jones. Este e outros 2 jogadores que não vão ao Mundial por opção dos seleccionadores!

Por vezes há jogadores que não são apreciados por seleccionadores apesar de terem toda um aura em seu redor e feitos alcançados que mereciam ser levados em conta antes de sair a convocatória para os jogos internacionais, mas têm o rótulo de “não serem opção”.

Neste artigo escolhemos quatro jogadores que não têm qualquer hipótese de serem incluídos nas suas selecções, ou seja, Danny Cipriani não está aqui incluído porque há uma pequena hipótese de ser chamado como 3ª hipótese para nº10 na selecção inglesa!

Concordas com a nossa lista?

BRAD BARRITT (SARACENS/INGLATERRA)

Aos 32 anos, Brad Barritt é o jogador e capitão em Inglaterra com mais títulos conquistados em actividade, todos pelos Saracens equipa que serve desde 2008. O centro nascido na África do Sul, mas internacional pela selecção de Sua Majestade, é um dos melhores placadores tanto da Premiership como da Heyneken Champions Cup, numa clara demonstração da sua enormidade como atleta e líder.

Em caso de dúvidas, é só ver o número de placagens que Barritt realizou na final da Heyneken ante o Leinster: 28 placages acertadas em 28 tentativas… ou seja, 100% de eficácia. Foi um dos responsáveis pelo 3º título europeu da equipa londrina, com um rugby dominador, agressivo, preponderante e decisivo, apresentando melhor forma em comparação com Ben Te’o ou Ollie Devoto, opções de Eddie Jones para centros suplentes atrás dos actuais titulares Henry Slade e Manu Tuilagi.

32 anos, uma experiência como só se encontra nos All Blacks, um faro especial para os títulos, uma capacidade de sofrimento e sacrifício imensa, um sentido letal para a placagem e uma leitura de jogo como poucos, Brad Barritt seria uma solução de relevo para Eddie Jones, mas que infelizmente não terá a oportunidade de participar neste Mundial.

Faria jeito nos jogos do do or die ou já é um tipo de jogador ultrapassado?

SANTIAGO CORDERO (EXETER CHIEFS/ARGENTINA)

Foi uma das melhores contratações da Premiership em 2018/2019, com todo um tango formidável que impulsionou a velocidade e capacidade de perfuração do três-de-trás dos Exeter Chiefs de Robb Baxter e faria todo o sentido fazer parte do elenco dos Pumas de Mario Ledesma.

A sua entrada no XV dos vice-campeões ingleses foi de tal forma impactante que foi nomeado para a lista de melhores jogadores da temporada para a liga inglesa- entretanto ganha por Danny Cipriani – e os números provam o factor Cordero: 1100 metros conquistados (o 5º com mais), 9 ensaios, 33 quebras-de-linha (2º lugar), 98 defesas batidos (1º lugar) e 5 assistências para ensaio.

Cordero saiu a mal da Argentina e dos Jaguares, seguindo as pisadas de outro brilhante ponta que poderá também não estar na lista de convocados para o Mundial, Juan Imhoff do Racing Metro, e fará falta aos Pumas no que toca à velocidade, capacidade de rasgo, procura e aproveitamento de espaços e uma consistência de jogo inacreditável que dá descanso a qualquer treinador.

Chegou, viu e venceu no rugby inglês, levantou plateias, entusiasmou e foi aprovado por comentadores, demonstrando todo uma “guelra” que elevou as linhas atrasadas dos Exeter Chiefs para outro patamar, e sua ausência no Mundial de Rugby será sentida!

SIMON ZEBO (RACING METRO/IRLANDA)

De dispensável na Irlanda para estrela no Racing Metro, o fantasista ponta irlandês recuperou nesta época todos os atributos que já levaram-no a ser considerado um dos melhores da sua posição nas Ilhas Britânicas. O ex-Munster chegou à capital francesa e tem dominado qualquer uma das posições do três-de-trás, evidenciando uma boa forma física e o mindset certo, algo que tinha perdido em 2017 e 2018 ao serviço quer da província irlandesa e da Selecção do Trevo.

Em 23 jogos pela formação parisiense, Zebo foi autor de 14 ensaios e alguns de rasgo infinito que elevaram os dinamismos ofensivos do Racing para outro patamar, especialmente na Heyneken Champions Cup.

Aquela passada, a facilidade de movimentos, a capacidade para lutar nas bolas altas e a facilidade com que aparece a fazer um movimento de perfuração, são só algumas das qualidades que voltaram a fazer parte do reportório de Simon Zebo, levando ao início de um debate em específico: faria ou não jeito a Joe Schmidt tê-lo como opção para as pontas ou mesmo como defesa?

Infelizmente para o “mágico” Zebo, a saída de Munster e o fim da sua ligação contratual com a federação irlandesa impede que seja opção para o próximo Mundial de rugby. Schmidt pode não gostar muito do estilo de jogo de Zebo (por vezes errático e desorganizado), mas não há dúvidas que seria uma opção credível para a Irlanda, até porque não se cinge a fazer só uma posição, um problema que Stockdale e Earls padecem.

TAQELE NAIYARAVORO (NORTHAMPTON SAINTS/AUSTRÁLIA)

powerhouse australiano de 27 anos e de 132 kilos foi um dos melhores jogadores da Premiership do princípio ao fim, com um registo espectacular no seu primeiro ano em solo inglês, mas não estará entre as escolhas de Michael Cheika para o Mundial de Rugby.

Wallaby por duas ocasiões (com dois ensaios marcados), o ponta, a exemplo de Santiago Cordero, registou estes números na fase regular do campeonato inglês: 9 ensaios, 1427 metros conquistados, 42 quebra-de-linhas (o melhor até ao momento por uma diferença de 10), 94 defesas batidos (2º melhor, a 4 de Cordero), 27 offloads e 3 assistências.

Mas mais que os números e estatísticas, foi a forma como Naiyaravoro trabalhou nos flancos dos Northampton Saintes sempre munido de uma potência e capacidade de explosão perturbadora, que fez a diferença nas movimentações da equipa liderada pelo ex-treinador dos Hurricanes, Chris Boyd. Como se fosse um panzer com a velocidade de um Formula 1, o ponta consegue impor todo um desespero nos seus adversários, graças à dimensão física e à forma como consegue bater defesas tanto nos “dribles” como no contacto físico.

Não há melhor ponta australiano neste momento, superando facilmente Jack Maddocks, Marika Koroibete, Sefa Naivalu ou Adam Ashley-Cooper, e merecia uma atenção maior por parte da direcção do rugby dos Wallabies, até porque na época passada realizou uma bela época ao serviço dos Waratahs. Fará falta na estratégia ofensiva dos vice-campeões mundiais?

Ainda existem mais alguns nomes como Will Skelton (em super forma pelos Saracens), Hayden Parker (talvez o melhor chutador do Super Rugby?), Rhys Webb (RC Toulon), entre outros que não vão marcar presença no próximo Mundial de rugby!


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