O rugby “dentro de casa” num Mundo “fechado”

Fair PlayMaio 16, 20203min0

O rugby “dentro de casa” num Mundo “fechado”

Fair PlayMaio 16, 20203min0
Num período em que ficar em casa é associado com a paragem em toda a actividade no desporto e rugby, Djalma Das explica o sentimento geral dos "rugbiers".

São quase nove horas da noite, o sol ainda tinge de dourado os prédios-gaiolas apinhados de gentes, aqui e ali ouve-se o som de carros passeando por ruas ermas. Nas últimas semanas, meses, o ritmo tem sido assim: arrastado, sem muita agitação lá fora. Só os pássaros que circulam livremente pela cidade, fazendo imenso barulho por finalmente serem os donos da cidade.

Basta ligar o computador, e em alguns minutos, do outro lado do oceano, e ao mesmo tempo no interior da minha sala, começará uma “live” com o grande Hugo Porta, lendário camisa 10 dos Pumas, tido como o maior jogador argentino de rugby da história. Não é sempre que se pode ouvir suas histórias e nem tampouco fazer uma pergunta para este Dios de Las canchas. Um grande programa para animar uma noite melancólica, sem dúvida.

Mais cedo pude acompanhar o cotidiano dos Appleton, engraçado, até parece nome de série americana dos anos 60. Mas, como todos sabemos, trata-se de uma das famílias mais tradicionais do rugby português, internacionais inúmeras vezes pelos Lobos. Excelentes companhias para o meu pequeno almoço.

Ainda tive tempo, durante o lanche da tarde, para  espiar os “stories” produzidos pelas Yaras brasileiras que apesar de não saberem quando as competições voltam, mantém-se em plena atividade praticando sessões de exercícios e promovendo divertidos desafios nas redes sociais.

Nestes tempos sombrios e monótonos que vivemos confinados em casa, observando ruas vazias das janelas de nossos prédios e casas, ter a companhia de alguns dos meus ídolos no rugby tem sido uma grande dádiva.

Os dias que antes eram divididos por ações como tomar o metro, ir ao trabalho ou a escola, agora são regidos pelas trivias promovidas por inúmeros clubes e federações, as famosas “lives” com os mais variados assuntos e pessoas, há até treinos funcionais para suprir a falta da tão necessária serotonina.

Pode-se escolher, inclusive,  entre treinar com uma Charmaine Smith ou uma Catarina Ribeiro, praticar o espanhol com algum time argentino ou treinar com teu próprio time via alguma plataforma de vídeo call. Não importa a hora do dia ou da noite, temos algum rugbier, seja treinador, jogador em atividade ou não, preparador físico, falando ou fazendo algo, bem ao alcance de nossas mãos. Eis o verdadeiro rugby on demand.

Se não consegues animar-te para sair do sofá, pode-se disfrutar de uma infinidade de jogos clássicos que várias federações e até a própria World Rugby, finalmente, disponibilizaram nos últimos dias. Não precisas mais recorrer à memória ou se contentar com highlights de má qualidade. Distração mais que bem-vinda para assistires no telemóvel ou no computador.

Como não bastasse, encontra-se rugby até nas notícias .

Não é invulgar atletas terem outras profissões e muitos trocaram suas camisolas pelas fardas médicas e estão na linha de frente no combate ao covid-19, seja como médicos, enfermeiros ou outros profissionais essenciais à suas comunidades nesse período.

Já está pra história que neste período o rugby se tornou mais próximo, mais humano. Ver jogadores envolvidos em causas humanitárias, seja distribuindo comidas e outros materiais aos mais necessitados, seja na linha de frente atuando como médicos e enfermeiros, descobrimos que nossos ídolos são pessoas como nós. E que sabem que nós existimos.

Há muitas incertezas sobre como será a vida após esta pandemia, mas, algo que podemos afirmar é que há muitas lições para se levar. E uma delas é a de que os valores deste esporte que tanto amamos estão mais vivos que nunca.


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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