Rugby para “pequeninos” em vários formatos e locais

Francisco IsaacOutubro 17, 20188min0

Rugby para “pequeninos” em vários formatos e locais

Francisco IsaacOutubro 17, 20188min0
Captar novos atletas para uma modalidade que atravessa uma crise de resultados e de identidade não é fácil, mas IP Thomar, Braga Rugby e São Miguel explicam como fazem!

A época já arrancou, ensaios já foram registados, surpresas também já se deram, repondo vida na oval portuguesa na sua plena normalidade! Até regressos foram confirmados com Diogo Hasse Ferreira a voltar ao seu GDS Cascais, Francisco G. Vieira ao CDUP e José de Alte à Agronomia, o que também dá outro contorno aos campeonatos nacionais de rugby. Mas e fora da esfera dos mais “velhos” ou do rugby de competição o que tem sido feito?

Desde os projectos de integração social como o “Oh Gui!” onde a parceira com o GDS Cascais, CRID, CERCICA e Junta de Freguesia de Cascais e Estoril têm envolvido pessoas com dificuldades motoras na modalidade, o “Cercar-te E6G” que funciona dentro do Programa Escolhas e tem possibilitado um dar conhecer da bola oval aos miúdos do Bairro do Cerco no Porto ou o trabalho exigente da Escola de Rugby da Galiza que tem promovido a modalidade de uma forma ímpar, não se preocupando se ganham ou não nos séniores (e, curiosamente, estão a ganhar!).

Para além disto não esquecer do Rugby com Partilha, um projecto que tem sido único e excepcional em Portugal, dando a oportunidade aos reclusos das várias instituições prisionais de jogarem rugby e de perceberem o que são os valores da modalidade, no quem sido também uma lição para quem participa nestas acções.

Mas nestes últimos meses de 2018 o que já aconteceu e vai acontecer de diferente na modalidade? Que acções fora dos clubes e competições nacionais vão acontecer? O Fair Play foi em busca de três exemplos de acções de clubes na sociedade civil não só para captar novos atletas mas também para mexer com as pessoas!

EM BRACARA AUGUSTA JÁ SE FALA RUGBYÊS

O Braga Rugby tem sido alvo de um crescimento constante com um aumento exponencial de atletas a cada ano que passa, ostentando hoje em dia 120 atletas entre os sub-8 e séniores, tendo mesmo ombreado pela subida de divisão do CN3 para o CN2 em 2017/2018.

Contudo, o maior trabalho dos gladiadores tem sido a sua presença em agrupamentos escolares, centros de apoio e oficinas, possibilitando que crianças que nunca tinham tido qualquer contacto com a modalidade consigam sentir a bola oval nas mãos.

Em finais de Setembro, o Braga Rugby esteve no projecto social das Oficinas de São José onde fez uma acção de demonstração, lançando a bola oval no meio de crianças e jovens o que mexeu com a comunidade de imediato. Entre o interesse dos participantes e a aprovação dos pais, os “guerreiros” obtiveram seis novos atletas para os escalões de sub-14 e 16.

Este tipo de participações dos bracarenses não é única, uma vez que atingiram as quase duas dezenas num só ano civil, o que são sinais positivos e minimamente curiosos para uma equipa recém-formada e que lançou-se na comunidade desportiva bracarense com uma missão: afirmar-se no norte de Portugal como um clube ideal para se praticar rugby.

Para muitos, a missão do Braga em cativar atletas parece fácil porque é o único clube na cidade… todavia, é precisamente esse factor um problema para um clube jovem e que ainda está a construir a sua estrutura. Cativar uma localidade no sentido de se interessar por uma nova modalidade que não está nem no top-20 das mais praticadas em Portugal e que nunca foi estimulada em Braga, acaba por ser um desafio à altura dos gigantes.

Mas o número de escolas a requisitar a presença do clube para a realização de acções prova que há um claro interesse em Braga ser uma das novas cidades de rugby em Portugal e Miguel Portela, treinador dos sub-16, adjunto dos séniores e um dos principais impulsionadores do clube assim como membro da direcção, falou connosco.

Entre 2016 e 2018 quantas acções (mais ou menos) o Braga Rugby realizou na cidade? Os miúdos já tinham tido alguma ligação à modalidade ou foi estreia?

MP. Entre atividades em escolas, ATL’s férias de instituições, como a câmara Municipal, Empresas e instituições de cariz social realizamos uma entre uma e duas dezenas ações por ano! Quase sempre a maioria dos atletas fazem as suas estreias durante as atividades que realizamos.

Qual é o objectivo para 2019 e acham que os agrupamentos escolares de Braga estão cada vez mais interessados na modalidade?

MP. O objectivo para 2019 é ir além das simples demonstrações ou aulas experimentais, é começar a ter o Rugby presente nas escolas de forma consistente como desporto escolar nomeadamente através de AEC’s. O interesse a nível escolar pela modalidade tem aumentado e estamos a tentar tirar partido desse interesse.

Os mini-guerreiros de hoje formam os grandes jogadores do amanhã (Foto: Braga Rugby)

AINDA SEM CAMPO, MAS JÁ COM CHAMA DE CRESCER EM TOMAR

O IP Thomar tem sido outro clube que tem lutado por se afirmar no contexto nacional, caminhando muito calmamente no escalão sénior, preocupando-se totalmente com o desenvolvimento da sua formação que ainda está em fase de gestação. Esta situação deve-se ao facto do Instituto Politécnico de Tomar não ter um campo em que possa garantir as condições mínimas desejadas para jogadores de formação.

Numa zona onde o futebol é o “predador” dos espaços desportivos, a equipa de rugby do IP Tomar tem se focado em lutar para ter o seu campo de rugby concluído nos próximos 10 meses, o que vai possibilitar começar a dar treinos de formação aos seus novos atletas.

Porém, não ter campo para uso próprio não significa não ter actividade juvenil e o Tomar explica como o faz: activação de “marca” nas escolas, acções de captação de novos atletas em actividades extra-curriculares, envolvimento na comunidade através de sessões de visionamento de jogos e participação dos seus séniores em acções de campanha do IP Thomar.

Acções como os Sábados à Grande realizados no Jardim do Mouchão a partir das 15h30 levam o rugby para o meio da comunidade, com os atletas séniores a participarem activamente na captação de novos curiosos e interessados na modalidade. Mesmo com poucas condições em termos de infra-estruturas, a formação de Tomar tem trabalhado no sentido de muscular a sua comunidade rugbistica esperando agora pelo campo que tanto anseiam por.

Sábados à Grande em busca dos pequenos! (Foto: IP Thomar Rugby)

UMA PEGADA SERIAMENTE EM CRESCENDO PARA OS BULLDOGUES

Por fim, o CR São Miguel continua a procurar novos campos para expandir não só a sua marca como também a do rugby português atingido desta feita a Decathlon, um outlet não só de artigos desportivos mas também de actividade desportiva no local. É a marca que tomou o mercado da venda de artigos desportivos, afirmando-se no território nacional e internacional como um “gigante”.

Nesse sentido, a formação lisboeta conseguiu abrir as portas da marca francesa para realizar acções da modalidade com Open’s Day exclusivos ao rugby a começar já no próximo dia 20 de Outubro no espaço de Alfragide. Esta meta atingida pelos miguelistas é um claro sinal do interesse que a oval portuguesa ainda reúne não só no público geral mas igualmente junto de grandes marcas.

Para além disto, o CR São Miguel tem vindo a deixar uma pegada profunda na comunidade em que se insere, com presença em mais de cinco escolas da freguesia de Alvalade, para além de ter reconhecido valor e entrosamento com quatro bairros lisboetas em redor das suas infra-estruturas.

O chegar à Decathlon pode parecer uma “grão de areia no deserto” mas não pode ser subestimado, pois abre mais um espaço para a modalidade que não só necessita de mais atletas como de pais, mães e outros interessados em participar num desporto que procura a cada ano que passo para se afirmar no contexto nacional.

De notar que o emblema sediado em Alvalade (mudou de campo agora para as antigas instalações da Junta de Freguesia de São João de Brito agora de Alvalade, na Avenida do Brasil) está no top-5 de clubes com mais atletas inscritos na Federação Portuguesa de Rugby com cerca de 257 (números de 2017/2018) com olhos postos já nos 300 nesta nova época. Tendo sido um primeiros clubes abraçar o Touch Rugby em Lisboa (a par do CDUL), os “bulldogues” estão claramente a demonstrar que só pelas activações de marca junto dos mais novos é que a modalidade pode crescer em massa humana.

Apesar dos últimos anos de “crise” no rugby português em termos de resultados a nível das competições séniores, de distanciamento para a Espanha a nível competitivo, uma série de clubes tem procurado encontrar outras vias para difundir a modalidade de uma forma mais interessante e que visa o sucesso na formação e na juventude, para depois dar o salto seguinte.

Presença na comunidade de uma forma diferente (Foto: CR São Miguel)

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