Portugal é bicampeão Europeu – Breakdown do Euro de sub-20

Francisco IsaacAbril 14, 20187min0

Portugal é bicampeão Europeu – Breakdown do Euro de sub-20

Francisco IsaacAbril 14, 20187min0
A selecção de sub-20 portuguesa conquistou o título europeu de novo! Portugal é bicampeão de forma perfeita sem sofrer ensaios na final!

Portugal voltou a levantar o título de Campeão da Europa, fazendo História no Rugby Europeu, com um bicampeonato inédito para as cores nacionais. O sucesso de 2017 continua em 2018 e os jovens Lobos sub-20 vão marcar presença no próximo Mundial de Rugby “B”, com esperanças de tentar chegar a um nível nunca antes alcançado.

A análise à vitória portuguesa ante a sua congénere da Espanha por 25-03, em Taveiro.

“CONTRA OS ESPANHÓIS, PLACAR… PLACAR!” – 7 PONTOS

Não havia mínima dúvida que o campeão da Europa tinha de ser decidido em três pontos: disciplina, capitalizar as oportunidades e placagem. Do Super Rugby às Seis Nações, é notório ver que as equipas que dominam essas competições são aquelas que placam melhor, garantem mais bolas no breakdown e erguem uma “estrutura” defensiva difícil de sobreviver.

Portugal frente à Espanha fez uma daquelas exibições de gala no que toca à defesa, imbuindo-se de um espírito de sacrifício total e de uma capacidade extraordinária de montar uma defesa inteligente, segura e que estava sempre em contacto.

Martim Cardoso foi organizando o jogo com excelência, pedindo as ajudas e os renderes da guarda necessários para garantir uma linha-defensiva funcional e sempre em alerta. Era audível os jogadores portugueses dizerem “esquerda”, “estou a poste!”, “sobe, sobe, sobe” com noção do que estavam a pedir e a dizer.

Se a comunicação defensiva foi praticamente imaculada, o que dizer da placagem que entrou quase sempre à primeira? Duarte Costa Campos, João Fezas Vital e Manuel Pinto cumpriram o seu dever enquanto 3ª linha, indo buscar os seus adversários à 2ª cortina atacante, tirando espaço de manobra à Espanha.

Por outro lado, Duarte G. Pinto (outro jogo de alta gama do ponta do CDUL) e Diogo Cardoso tinham a missão ingrata de acompanhar os seus homologos espanhóis, sendo fundamental que não falhassem qualquer placagem. No final dos 80 minutos, não o falharam, parando qualquer e toda investida dos Leones nas alas.

Mais uma vez, a selecção de Luís Pissarra foi perfeita a este ponto quando foi necessário… a Espanha acabou o encontro com 3 pontos no placard quando tinha feito quase uma centena de pontos em dois jogos. Isto vai para além de uma geração de ouro, isto é trabalho feito pelas academias, federação, seleccionadores e clubes nacionais.

PACIÊNCIA É UM JOGO PARA OS QUE GOSTAM DE JOGAR – 6 PONTOS

Portugal foi uma equipa extremamente concentrada com a oval na mão, perdendo muito raramente o controlo da mesma (a Espanha deixou cair por 9 vezes a bola) evidenciando uma disciplina e concentração no ataque.

Para ganhar metros ao conjunto espanhol era fundamental que Portugal utilizasse a posse de bola com calma, trabalhando bem as suas fases, garantindo os rucks, analisando bem os momentos certos para acelerar o jogo e lançar um ataque mais longo ou apostar num pontapé difícil de captar.

Mais uma vez, Martim Cardoso esteve perto da perfeição na alimentação do ataque, com boas ordens, excelentes passes e ouvindo o que as linhas atrasadas pediam com cuidado… ora era uma boa entrada de avançados que ganhava uns poucos metros (ou centímetros) com destaque para Manuel Peleteiro, José Roque, Nuno Mascarenhas (o talonador foi um tormento para os placadores espanhóis, rodando e não se deixando cair logo) e Duarte  Costa Campos, ora era lançada em profundidade com João Lima a surgir em velocidade, abrindo o espaço suficiente para Duarte G. Pinto ou Manuel Cardoso Pinto entrarem a toda a velocidade.

Na segunda-parte a entrada de Manuel Dias serviu de catalisador para dar ainda uma maior rotação ao ataque, com o centro português a galgar metros nas várias entradas que teve a oportunidade de fazer.

Foi essencial a forma como os suplentes entraram no jogo, dando ainda mais sustento a um ataque estava no ponto desde os 15 minutos de jogo (nota para José Sarmento que voltou a entrar com as ganas necessárias para dar uma força suplamentar à 1ª linha e avançada).

No 2º ensaio português, foi notório como as fases foram bem planeadas, excelentemente bem construídas, com paciência e calma suficientes para garantir não só metros mas que uma nova fase acontecesse sem grandes problemas… quando estavam a escassos centímetros da linha, Martim Cardoso dá um autêntico mergulho para surpresa dos espanhóis.

A Espanha controlou as operações nos primeiros 10 minutos de cada parte, mas nunca conseguiu aproveitar as suas oportunidades, revelando-se demasiadamente instável, tendo graves problemas na altura de ler a defesa portuguesa e de encontrar soluções para as suas saídas com a oval.

“Quem espera sempre alcança” e Portugal foi “rei” no esperar, saber atacar e sair a jogar.

DOMINAR NOS PONTOS CRUCIAIS – 6 PONTOS

Para quem viu o jogo percebeu bem onde Portugal dominou durante o encontro com a Espanha, para os que não tiveram essa possibilidade deixamos a nota: formação-ordenada (5 penalidades conquistadas), luta pela linha de vantagem, quebras-de-linha, apoio ao portador da bola e 2ª cortina atacante e placagem.

Para este ponto interessa olhar com atenção para a formação-ordenada, ponto fulcral para toda a campanha europeia da selecção Nacional. Foi notório como a selecção espanhola não conseguiu fazer frente à larga maioria das FO, efectuando uma diversidade de faltas que no seu fundo significava que não tinham a capacidade física e, sobretudo, técnica para ombrear com Portugal.

Um estranho caso para o rugby português, já que nunca foi o ponto forte das Quinas no Mundo da Oval… todavia, o trabalho desenvolvido pelas equipas técnicas nacionais, apoiado na experiência ganha no Campeonato Nacional sénior garantiu a estabilidade necessária para que a FO fosse um sucesso neste Campeonato da Europa.

A somar a isto, Portugal foi sempre mais ambicioso e “ganancioso” com a oval na mão, com várias linhas de corrida de boa qualidade, que resultaram em diversas quebras-de-linha, exercendo um domínio claro e notório sobre uma defesa espanhola que não soube lidar bem com o breakdown por exemplo. A confiança para atacar a linha desta forma é ganha através de experiência a nível sénior, revelando aqui que a aposta na divisão Challenge ou o lançamento de mais jovens no CN1 ou CN2 dá claros resultados.

Quando se exerce um domínio claro em 4 ou 5 sectores do jogo, a equipa adversária fica reduzida a iniciativas individuais, apostando mais no contra-ataque e em esperar erros de Portugal… tal nunca aconteceu, com os jogadores da casa a terem noção que para ganhar um Campeonato da Europa é preciso aceitar o domínio e saber trabalhá-lo com concentração durante todo o encontro.

O único ponto que Portugal não dominou foi o jogo ao pé, com alguns erros nas transformações ou na colocação de pontapés em jogo ou para fora… um ponto a apurar até ao Mundial Trophy “B”.

PONTUAÇÃO FINAL – 19 PONTOS

ASPECTOS POSITIVOS: Formação-ordenada voltou a ser um ponto fundamental para conquistar penalidades; linhas de corrida foram sempre bem construídas, com o apoio ideal para manter a sucessão de fases; placagem foi outro ponto capital do jogo português, com mais de 90% de placagens bem sucedidas, garantindo que a Espanha não tivesse forma de fugir; construção de jogo de boa qualidade, com fases bem montadas, bem pensadas e sem entrar em riscos desnecessários;

ASPECTOS NEGATIVOS: Pontapés tiveram alguns problemas tanto na sua transformação ou colocação em jogo corrido; alinhamentos não estiveram ao nível desejado, apesar do maul ter trabalhado bem e conquistado o espaço necessário para sair a jogar;

PORTUGAL | 1 – David Costa, 2 – Nuno Mascarenhas, 3 – José Pimentel, 4 – José Roque, 5 – Manuel Peleteiro, 6 – Manuel Pinto, 7 – João F. Vital, 8 – Duarte C. Campos (5), 9 – Martim Cardoso (5), 10 – Tomás Lamboglia, 11 – Duarte P. Gonçalves, 12 – João Lima (3), 13 – Rodrigo Marta (5), 14 – Diogo Cardoso, 15 – Manuel Cardoso Pinto (5).

Suplentes: 16 – João F. Lima, 17 – José Sarmento, 18 – Filipe Granja, 19 – Manuel Barros, 20 – Sebastião Silva, 21 – Frederico Simões, 22 – Duarte Azevedo (5), 23 – António Puerta, 24 – Manuel Dias, 25 – Simão Van Zeller (2), 26 – Gonçalo Santos

Equipa técnica: Luís Pissarra (Seleccionador), António Aguilar (Seleccionador Adjunto), Nuno Ferreira (Team Manager), Paulo Vital (Fisioterapeuta),


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