Rugby: Mudanças, mexidas e perspectivas

Helena AmorimJaneiro 21, 20214min0

Rugby: Mudanças, mexidas e perspectivas

Helena AmorimJaneiro 21, 20214min0
Alterações na Premiership e Championship, problemas no rugby feminino e muito mais assolam o rugby mundial, como explica Helena Amorim

A introdução do coronavírus nas nossas vidas, tornou tudo diferente. De início estranhou-se e combateu-se a noção da necessidade de mudar atitudes e comportamentos mas cada vez mais, é urgente perceber que as coisas nunca serão como dantes.

Em particular na realidade da bola oval, tem havido várias tentativas em fazer o que é melhor para a modalidade e seus praticantes, estando nós ainda a meio da fase “trial and error” que caracteriza os tempos de mudança. Jogos suspensos, classificações condicionadas, pontuações variáveis para equipas covid positivas e negativas, campeonatos suspensos, concatenados, reatados sob a forma de outro modelo competitivo, novos campeonatos, novas formas de treinar, jogos sem público ou com público reduzido…tudo isto tem feito parte da nova realidade desde Março de 2020.

As equipas, além destas mudanças massivas ainda têm de superar como um todo, as diferentes vicissitudes que cada jogador ou elemento técnico em particular, está a viver nas suas vidas pessoais.

Daí que, esta nova decisão de não permitir que os clubes sejam relegados para o Championship durante dois anos seguidos, com 13 equipas em 2021 e 14 em 2022, o que implicará um aumento em semanas para se proceder a todos os jogos, com um maior cansaço dos jogadores assim como uma necessidade financeira brutal para os dois clubes que subirem poderem participar da Premiership, seja altamente contra-intuitivo.

O Championship apresenta, relativamente a outras segundas divisões como por exemplo a Pro D2, um sub-financiamento abismal com um perfil de desempenho muito abaixo do que seria expectável. Apresenta sempre uma equipa com possibilidade de darem um salto à Premier mas é basicamente isso! Não há hipóteses de um Harpury, de um Jersey Reds ou de uns Cornish Pirates almejarem o “cheiro” sequer da Premisehip.

Mais uma vez os interesses corporativos e dos accionistas dos principais clubes, é o bem a preservar e não tanto a consistência da modalidade e o bem estar dos jogadores, senão porque não se faz um playoff de descida? Senão porque não se investe na Championship, pelo menos até um nível que não “pareça tão mal”?

Seja como for a decisão ainda terá se ser confirmada pela RFU e como tal, ainda há esperança que a “expansão” da Premiership não se faça.

Nas competições europeias, as fases de grupo foram abandonadas para uma passagem directa aos 16 avos de final. Os jogos no Japão estão adiados, no Top 14 não se joga, o Seis Nações vai avançar até novas ordens mas até que ponto devia?

Causa alguma apreensão perceber na World Rugby, apesar das promessas de uma uniformização entre ligas a norte e sul, tentando não haver overlap de campeonatos e jogos internacionais, um ano depois, esteja tudo relativamente na mesma. Não há perspectivas de uma abordagem holística e não há perspectivas de mudanças de status quo.

NOVIDADES POR INGLATERRA

Toda esta instabilidade e uma espécie de negação para o facto de tomar medidas duradouras e consistentes para o bem comum faz com que os clubes e as pessoas estejam no limite, causando agitação e stress com muitas mexidas. Por exemplo, nos Sale Sharks, Alex Sanderson, ex-adjunto de Mark McCAll nos Saracens, vai substituir Steve Diamond que saiu por razões familiares. O ex- jogador de 41 anos, representou os Saracens por 8 vezes depois de ter abandonado os campos por uma lesão nas costas.

Já Paul Gustard sai dos Harlequins depois de quase três anos à frente do clube e depois de ter saído no Verão de 2018 da selecção Inglesa para uma oportunidade única de treinar um grande clube da principal divisão Inglesa. A especialidade de Gustard é a defesa mas os Quins têm sofrido uma média de 4 ensaios por jogo e com exibições muito erráticas, Mike Brown estará de saída para os Sale, com Joe Marler e Marcus Smith a mostrar intenção de saírem. Para já, Billy Millar, o director geral irá supervisionar a equipa de treinadores.

O Bath teve um surto significativo com todos os elementos da equipa e equipa técnica a terem de passar por um isolamento obrigatório com um mínimo de 10 dias. Cinco jogos nestas primeiras seis jornadas já foram cancelados. Em termos de movimentações, Julian Montoya será o novo talonador dos Tigers e Tian Schoeman, a nova contratação do Bath. O Seis Nações feminino foi adiado até à Primavera/Verão.


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