Rugby Moments: Grand Slam do Trevo em 2009 com 3 pontos por baixo

Francisco IsaacOutubro 3, 20185min0

Rugby Moments: Grand Slam do Trevo em 2009 com 3 pontos por baixo

Francisco IsaacOutubro 3, 20185min0
Um jogo em jeito de final que teve quase de tudo: ensaios improváveis, drops e uma última penalidade que podia ter mudado tudo. O Grand Slam irlandês de 2009 aos nossos olhos

O Desporto é feito de grandes momentos e o rugby como tal não só não escapa, como consegue dar alguns dos melhores de sempre. Seja pelos famosos Hakas da Nova Zelândia, as vitórias improváveis da Argentina, o Mundial de 1995 da África do Sul, a ida dos Lobos ao Mundial de Rugby, o Fair Play fala aqui alguns dos melhores momentos do Rugby. Ensaios, placagens, hinos, sorrisos, lágrimas e tudo mais!

QUANDO A LÓGICA “TRÊS PONTOS PARA O PAÍS DE GALES” FALHA

Longos anos esteve a Irlanda longe dos títulos das Seis Nações, completamente arredada dos momentos em que se levanta a taça em cima do pódio… foram anos e/ou décadas em que gerações brilhantes do rugby irlandês ficaram privadas de poder sorrir como mereciam… faltava sempre alguma coisa, desde um jogo mais versátil e inesperado até à sorte de uma folha de 4 trevos que nunca chegou.

A verdade é que desde 1947 que a a Irlanda não sabia sequer o que era um Grand Slam, isto é, ganhar todos os jogos da mítica competição anual europeia que tem sobrevivido ao tempo e que em 2000 sofreu uma profunda alteração com a chegada da Itália. Perante isto, em 2009 deu-se algo de formidável e passamos a contar a estória até chegarmos ao momento que nos interessa.

A Irlanda começa com uma vitória vibrante em casa, frente a uma França que ainda respirava bastante bem, saboreando os últimos tragos do seu rugby champagne. Nesse jogo surgia um Jamie Heaslip com 23 anos a destruir a avançada adversária, ficando na retina um nº8 que marcaria o rugby mundial para todo sempre, por exemplo. Segue-se uma viagem até Roma, em que Tommy Bowe (inesquecível os comentadores a gritarem o nome do ponta, quando este agarrava a oval e fazia coisas inexplicáveis) e Luke Fitzgerald foram extraordinários.

À 3ª ronda, os irlandês então treinados por Declan Kidney recebem a Inglaterra de Martin Johnson. Jogo de cortar à respiração, com duas formações a montarem defesas do mais duro possível, existindo poucos espaços por onde jogar… felizmente, apareceu o man of the hour (e que em tantas horas apareceu) Brian O’Driscoll. O centro faz o único ensaio irlandês do encontro, dando a folga necessária para que depois o mítico Ronan O’Gara aumentasse o pecúlio. Antes do final do encontro Delon Armitage ainda marca o ensaio que metia os ingleses a um ponto de distância, mas de nada valeu.

Millenium Trophy levantado e a Irlanda estava a duas vitórias do prémio tão cobiçado só faltava Escócia e País de Gales, curiosamente dois jogos fora de casa e que também foram decididos até ao último segundo do jogo. Em Murrayfield, os escoceses de então jogavam pouco rugby, ficando-se por uns avançados “chatos” e uns três-quartos de boa qualidade, recorrendo ao pé certeiro de Chris Paterson. No fim foi necessário um acreditar única dos irlandeses para levar a vitória para casa, com O’Gara a novamente colocar um ponto final na discussão.

E então chegamos ao jogo que marca o nosso Rugby Moment: País de Gales-Irlanda. Os galeses também estava na corrida pelo Grand Slam e uma vitória em casa para coroar a selecção comanda por Warren Gatland seria genial. Contudo, a Irlanda tinha outros planos… no jogo jogado houve de tudo: 10 minutos em que ninguém conseguiu marcar um ponto que seja; um centro a fazer um ensaio a avançado, com Brian O’Driscoll a fazer um pique que deu ensaio; um pontapé que foi com um misto de magia e de sorte (o Trevo mágico apareceu!) com O’Gara  a executar um “chuveirinho” extraordinário para Tommy Bowe (ou como dizem os narradores irlandeses, “Tommy Boowwwweeee”) marcar o 14-06; uma troca de drops nos 5 minutos finais entre Stephen Jones e Ronan O’Gara; e o tal momento.

Ora o jogo estava no último minuto, o País de Gales a perder por dois pontos e a Irlanda recebia a bola… garantiram-na mas pouco depois, e em cima da linha do meio-campo fazem falta… penalidade, os galeses olham para o relógio e pedem “postes”. 79:20 marcava o relógio, ou seja, marcar matava o sonho irlandês mais uma vez. Stephen Jones coloca a oval apontada, os irlandeses debaixo dos postes, o público num murmúrio intenso… o abertura arranca para a bola, os irlandeses olham como se o Mundo tivesse parado… a oval voa, voa e quando está a chegar à beira dos postes… cai e passa por baixo.

Acabou… o flagelo de 62 anos que tanto amargurou gerações fenomenais do rugby irlandês tinha “morrido” ali com a vitória em Cardiff. Uma penalidade que teve um tempo de vôo de 1 segundo, mas que pareceu uma eternidade para os dois lados. O mito dos Três Pontos para o País de Gales não foi comprovado ali. A Irlanda era assim a nova campeã da Europa!


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