Rugby Moments: Brian Lima dá uma consulta de graça a Hougaard

Francisco IsaacDezembro 28, 20183min0

Rugby Moments: Brian Lima dá uma consulta de graça a Hougaard

Francisco IsaacDezembro 28, 20183min0
Em 2003, o centro/defesa da Samoa decide fazer uma placagem que estendeu ao comprido Derick Hougaard. Tens recordações da super placagem de Brian Lima?

O Desporto é feito de grandes momentos e o rugby como tal não só não escapa, como consegue dar alguns dos melhores de sempre. Seja pelos famosos Hakas da Nova Zelândia, as vitórias improváveis da Argentina, o Mundial de 1995 da África do Sul, a ida dos Lobos ao Mundial de Rugby, o Fair Play fala aqui alguns dos melhores momentos do Rugby. Ensaios, placagens, hinos, sorrisos, lágrimas e tudo mais!

DR. LIMA, O SEU PACIENTE DERICK HOUGAARD JÁ CHEGOU

Quem não gosta de uma boa placagem, daquelas que fazem um estádio inteiro ecoar em uníssono ao ponto de ser ensurdecedor o barulho feito pelos milhares de adeptos que estão no recinto mais aqueles que estão em casa a assistir ao jogo? Quantos placadores tivemos o direito de nos apaixonarmos por nos últimos 20/30/40 anos, mesmo com as alterações das leis na placagem?

Bem, então hoje nos Rugby Moments ficam com um episódio que marcou um momento total no Mundial de Rugby em 2003: a placagem de Brian Lima a Derick Hougaard no 3º jogo do Grupo C da prova, que decorreu na Austrália.

Os sul-africanos precisavam de ganhar para garantir desde logo uma vaga na fase a eliminar, depois de uma derrota desanimadora frente à Inglaterra. A Samoa podia chegar a uma histórica passagem à fase seguinte, mas necessitava de derrotar a África do Sul, algo quase impossível de fazê-lo.

Os dados estavam lançados e esperava-se um jogo muito “quente”, principalmente pelo facto dos samoanos apreciarem uma boa troca de placagens… os Springboks não estavam a fazer um jogo espectacular mas era o mais directo e necessário, com jogadas competentes a cargo de Derrick Hougaard, que ia pautando uma das melhores exibições nesse Mundial. O abertura de 20 anos estava a dar um recital tanto ao pé como à mão, apoiado no lendário formação Joost van der Westhuizen.

A Samoa sentia-se algo perdida dentro de campo, apesar de alguns detalhes técnicos interessantes esboçados por Ear Va’a, Romi Ropati e Tanner Vili, sem a consistência necessária para criar problemas contínuos à África do Sul. Avancemos no tempo de jogo até ao minuto 60 e temos o super-momento do jogo: Joost van der Westhuizen capta uma bola perdida, entra no contacto e perante o ser agarrado por um adversário faz um passe à “padeiro” (para cima e ao calhas) para Derick Hougaard.

O passe pode também receber outro nome, muito devido ao que se passou no segundo seguinte, chamado de “passe de hospital”… o abertura recebe a bola e completamente sem noção de onde estava leva com um abalroamento por parte de Brian Lima, The Chiropractor. É sufocante ver Lima a “destruir” Hougaard, que à conta do seu médio-de-formação foi completamente “esmagado” e forçado mesmo a sair do campo devido a lesão.

Foi uma placagem que durou meio segundo, mas que pareceu durar vários minutos e então para Hougaard devem ter sido “eras” de sofrimento. Os samoanos, como os fijianos, estão sempre prontos para carimbar uma tremenda placagem independentemente do adversário que esteja à sua frente. Hougaard foi substituído, o árbitro reviu a placagem e decidiu que era legal, “fairplay, game on” e ficou por ali.

No final do encontro deu-se o 2º momento do jogo, que foi o principal neste encontro entre boks e samoanos… após o apito final, Corne Krige, capitão da África do Sul, convidou os atletas da Samoa a reunirem-se numa roda e ficarem em silêncio durante uns minutos. A amizade, companheirismo, apoio e espírito de colectivo deste momento demonstra o melhor da modalidade.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter